
Red
Fandom: Outer banks
Criado: 20/08/2026
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O Labirinto de Veludo Vermelho
Dahlia Romano aprendeu cedo que o mundo é um palco, e a maioria das pessoas está ocupada demais decorando suas próprias falas para notar quem está operando as cortinas.
No brilho estéril de Figure Eight, ela era o que o sobrenome Romano exigia: discreta, elegante e silenciosa. Ela era a moldura que realçava a beleza radiante de sua irmã mais velha, Sofia, a mulher que estava prestes a unir duas das linhagens mais poderosas de Outer Banks ao se casar com Rafe Cameron.
Mas, sob a superfície de seda e sorrisos ensaiados, Dahlia via tudo. Ela via o tremor nas mãos de Sofia quando o assunto era o futuro. Ela via a arrogância mal contida de Ward Cameron. E, acima de tudo, ela via Rafe.
Ela via a instabilidade que ele tentava esconder sob ternos caros e um sorriso predatório. Ela via o modo como ele olhava para o mundo como se todos devessem algo a ele. E ela via, com uma clareza irritante, que ele era um homem prestes a implodir.
Por isso, quando a noite caía e o peso das expectativas se tornava sufocante, Dahlia deixava de ser a "irmãzinha de Sofia".
O Red era um clube subterrâneo, longe dos olhos curiosos do Country Club. Lá, o ar era pesado com o cheiro de perfume caro, tabaco e segredos. Ali, identidades eram moedas de troca e máscaras eram obrigatórias.
Dahlia ajustou a máscara de renda preta sobre os olhos, sentindo o cetim frio contra a pele. O vestido de seda escura abraçava suas curvas de uma forma que ela jamais permitiria em um jantar de família. Naquela noite, ela não era Dahlia. Ela era apenas uma presença. Uma sombra que observava.
Ela estava encostada no balcão de mogno do bar, observando o movimento, quando sentiu a atmosfera mudar. Não precisou olhar para a porta para saber quem havia entrado. O ar parecia ficar mais denso, carregado de uma eletricidade estática que costumava preceder as tempestades de verão.
Rafe Cameron caminhava pelo salão como se fosse o dono do lugar, embora o Red fosse o único território em Outer Banks que não se curvava ao seu sobrenome. Ele não usava uma máscara completa, apenas uma peça veneziana que cobria a parte superior do rosto, deixando sua mandíbula rígida e seu sorriso arrogante à mostra.
Ele parecia impaciente. Seus olhos vagavam pela multidão com uma fome que Dahlia reconhecia: o desejo de escapar de si mesmo.
Dahlia tomou um gole de seu drink, observando-o pelo reflexo do espelho atrás do bar. Rafe dispensou duas mulheres que tentaram se aproximar, seus movimentos bruscos denunciando seu humor volátil. Ele queria algo, mas não sabia o quê.
Até que seus olhos encontraram os dela através do espelho.
Dahlia não desviou o olhar. Ela não se encolheu, nem sorriu. Ela apenas o observou, com aquela indiferença cortante que sabia que o irritaria.
Rafe atravessou o salão, ignorando o fluxo de pessoas, até parar ao lado dela. O cheiro dele — uma mistura de colônia amadeirada e algo metálico, como perigo — a envolveu imediatamente.
— Você está me olhando há dez minutos — disse ele, a voz rouca e carregada de uma confiança que ele usava como armadura.
Dahlia virou o rosto lentamente para ele, um pequeno sorriso de canto surgindo em seus lábios.
— O espelho está no meu campo de visão, Cameron. Você apenas aconteceu de estar no caminho.
Rafe arqueou uma sobrancelha, visivelmente surpreso pelo uso do sobrenome e pelo tom desinteressado. A maioria das mulheres no Red tentava ser misteriosa ou sedutora. Dahlia soava como se ele fosse um problema matemático que ela já havia resolvido e descartado.
— Você sabe quem eu sou — afirmou ele, inclinando-se mais perto, tentando invadir o espaço pessoal dela.
— Todo mundo sabe quem você é — respondeu ela, girando o gelo em seu copo. — O herdeiro de Kildare. O noivo do ano. O homem que tem tudo e, ainda assim, parece que está prestes a quebrar alguma coisa.
Rafe travou o maxilar. O comentário atingiu um nervo exposto, exatamente como ela pretendia. Ele odiava ser lido. Gostava de estar no controle da narrativa.
— E quem é você atrás dessa renda? — Ele estendeu a mão, os dedos roçando levemente o pulso dela, um gesto que era metade carícia e metade domínio. — Uma cínica com um gosto caro para bebidas?
— Alguém que não está impressionada — disse ela, puxando o pulso com delicadeza, mas sem pressa. — E alguém que sabe que você não deveria estar aqui, Rafe. Não a duas semanas do seu casamento.
Rafe soltou uma risada seca, sem humor.
— O casamento é um contrato. Aqui... aqui é a realidade.
— Aqui é um baile de máscaras — corrigiu ela, os olhos brilhando por trás da renda. — É a maior mentira de todas. Você só gosta daqui porque ninguém te pede para ser o "bom filho" ou o "noivo perfeito". Você pode ser o desastre que realmente é.
Rafe se aproximou tanto que ela podia sentir o calor emanando de seu corpo. Ele a cercou contra o balcão, as mãos apoiadas na madeira, uma de cada lado dela. Era uma tática de intimidação clássica, mas Dahlia apenas inclinou a cabeça para trás, encarando-o.
— Você fala demais — sussurrou ele, os olhos fixos nos lábios dela. — E tem uma habilidade irritante de achar que sabe o que se passa na minha cabeça.
— Eu não acho, Rafe. Eu vejo. Você é impulsivo. Você age antes de pensar e depois gasta o resto do tempo tentando limpar a bagunça que fez. Você está desesperado para que alguém te diga que você é o suficiente, mas afasta qualquer um que chegue perto o bastante para ver suas fraquezas.
O silêncio que se seguiu foi tenso. Rafe parecia dividido entre a raiva e uma fascinação mórbida. Ninguém falava com ele daquela forma. Ninguém se atrevia a tirar sua máscara metafórica com tanta precisão.
— Quem é você? — perguntou ele novamente, desta vez sem a arrogância. Havia uma nota de vulnerabilidade genuína em sua voz, uma carência que ele tentava esconder sob camadas de privilégio.
— Eu sou o seu segredo favorito — respondeu Dahlia, sua voz baixando para um sussurro sedutor. — E a razão pela qual você vai voltar amanhã à noite.
Ela deslizou por baixo do braço dele antes que ele pudesse reagir. Rafe tentou segurar seu ombro, mas ela se moveu com uma agilidade graciosa, desaparecendo entre os casais que dançavam na penumbra da pista.
Ele ficou parado no bar, o coração batendo em um ritmo frenético que ele não conseguia controlar. Ele sentia uma mistura de fúria e desejo, uma obsessão instantânea que queimava como ácido. Ele precisava saber quem era aquela mulher. Precisava possuir aquela confiança, ou destruí-la.
Na manhã seguinte, a luz do sol de Outer Banks parecia ofensivamente brilhante.
Dahlia estava sentada à mesa do café na mansão dos Romano, observando a irmã, Sofia, folhear uma revista de noivas com um entusiasmo que parecia cada vez mais forçado.
— Você acha que as flores deveriam ser lírios ou rosas brancas, Lia? — perguntou Sofia, sem desviar os olhos das páginas. — Rafe disse que não se importa, mas o pai dele quer algo "imponente".
Dahlia tomou um gole de seu café preto, sentindo a falta de sono pesar em suas pálpebras, embora sua mente estivesse afiada.
— Lírios morrem rápido demais sob o sol — disse Dahlia, sua voz calma e observadora. — Use as rosas. Elas aguentam mais pressão. Como você.
Sofia finalmente olhou para a irmã, franzindo a testa.
— Você está estranha hoje. Chegou tarde ontem?
— Saí para caminhar. Precisava de ar fresco — mentiu Dahlia, sem piscar. Ela era uma mentirosa excelente, principalmente porque acreditava que a verdade era um luxo que poucas pessoas mereciam.
O som de pneus no cascalho anunciou a chegada de uma visita. Dahlia sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas manteve a expressão neutra.
Segundos depois, Rafe Cameron entrou na sala de jantar.
Ele estava impecável em uma camisa polo azul clara e bermuda de sarja, o epítome do garoto de ouro de Figure Eight. Mas Dahlia notou as olheiras leves sob seus olhos e o modo como ele apertava a mandíbula. Ele não tinha dormido.
— Bom dia, família — disse Rafe, sua voz carregada daquele charme ensaiado que ele usava para desarmar os adultos.
Ele caminhou até Sofia e depositou um beijo casto em sua bochecha. Dahlia observou o gesto com um desdém silencioso. Era tão performático, tão vazio.
— Rafe! — Sofia sorriu, parecendo genuinamente aliviada com a presença dele. — Estávamos falando das flores.
— O que você escolher estará perfeito, querida — disse ele, mas seus olhos já estavam vagando pela sala.
E então, eles pararam em Dahlia.
Dahlia sustentou o olhar. Ela estava usando um vestido de verão leve, o cabelo preso em um coque despojado, a imagem da inocência juvenil. Ela não era a mulher de máscara preta e palavras afiadas da noite anterior. Ou era?
Rafe franziu levemente a testa. Havia algo no modo como Dahlia o encarava — algo seguro de si, algo que não o tratava como o centro do universo — que o incomodava profundamente. Ele sentiu uma pontada de déjà vu, um eco da conversa no bar que ele tentava desesperadamente processar.
— Bom dia, Dahlia — disse ele, a voz um pouco mais lenta do que o normal.
— Bom dia, Rafe — respondeu ela, voltando sua atenção para o café. — Como foi sua noite? Parecia... agitado quando passou por aqui ontem.
Sofia olhou de um para o outro, confusa.
— Você passou por aqui ontem à noite, Rafe?
Rafe hesitou por uma fração de segundo. Sua mente trabalhou rápido, tentando lembrar se tinha sido visto.
— Só passei pela estrada, voltando de um compromisso com meu pai — mentiu ele, seus olhos nunca deixando Dahlia. — Estava cansado.
— Imagino — disse Dahlia, com um tom de sarcasmo que só ele poderia detectar. — A noite pode ser exaustiva quando se procura por algo que não se encontra.
Rafe sentiu o sangue subir pelo pescoço. Aquela garota, a irmã mais nova de sua noiva, sempre fora uma presença silenciosa nas periferias de sua vida. Ele nunca prestara muita atenção nela. Mas agora, havia um desafio silencioso em seus olhos castanhos que o deixava em alerta.
— Você é muito observadora, Dahlia — disse ele, dando um passo em direção à mesa. — Às vezes, as pessoas observam demais e acabam vendo coisas que não existem.
— Ou — rebateu ela, levantando-se e pegando sua xícara — elas veem exatamente o que está lá, mas os outros estão ocupados demais fingindo para admitir. Com licença, Sofia. Tenho algumas coisas para resolver.
Dahlia passou por Rafe, e por um breve momento, o mundo pareceu encolher. O calor que emanou dele foi o mesmo da noite anterior. O perfume era o mesmo.
Rafe ficou parado, observando-a sair da sala. Uma ideia absurda, impossível e perigosa começou a tomar forma em sua mente. Ele a descartou imediatamente — Dahlia era uma criança, uma Romano certinha, a antítese da mulher misteriosa do Red.
Mas o modo como ela o olhou...
— Rafe? — chamou Sofia, tocando seu braço. — Você está bem? Parece que viu um fantasma.
Rafe forçou um sorriso, voltando sua atenção para a noiva, mas seu coração não estava ali.
— Estou bem, Sofia. Só... com muita coisa na cabeça.
Enquanto isso, no corredor, Dahlia encostou as costas contra a parede fria, fechando os olhos por um momento. O jogo tinha começado. Ela sabia que Rafe era um homem perigoso, um homem que não aceitava perder e que, quando pressionado, destruía tudo ao seu redor.
Ela deveria parar. Deveria se esconder atrás da fachada de Figure Eight e deixar o casamento acontecer.
Mas, ao abrir os olhos, Dahlia viu seu reflexo no espelho do corredor. Ela viu a mulher que não tinha medo do escuro.
Rafe Cameron queria controle. Ele queria ser o mestre do seu destino.
Dahlia Romano estava prestes a mostrar a ele que, no escuro, quem dita as regras é quem não tem medo de cair.
E ela mal podia esperar pela noite chegar, para colocar sua máscara e ver o noivo de sua irmã se perder, mais uma vez, no labirinto de veludo vermelho que ela havia criado para ele.
