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Oliver x Danger Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 20/08/2026

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Reflexos de um Passado de Papel

O corredor da Paper School estava estranhamente silencioso naquela tarde, um contraste absoluto com o caos que Oliver costumava provocar. Ele caminhava com passos leves, seus longos cabelos brancos, presos naquele rabo de cavalo baixo que quase tocava o chão, balançavam suavemente. Entre os dedos da mão direita, ele segurava uma barra de sabão meio comida, dando mordidas casuais como se fosse a mais fina iguaria. O gosto alcalino era reconfortante, o tipo de coisa que apenas alguém como ele acharia normal.

Oliver tinha um sorriso travesso estampado no rosto. Ele já estava planejando a próxima brincadeira com Zip e Edward. Talvez esconder os compassos da Miss Circle ou encher os armários dos novatos com cola. A marca vermelha de "A+" em seu cabelo brilhava sob as luzes fluorescentes, um símbolo irônico para alguém que preferia o bullying aos estudos. Seu braço de lápis batia levemente contra a lateral de sua bermuda branca enquanto ele cantarolava uma melodia irritante.

No entanto, o ar esfriou subitamente. O corredor parecia ter se alongado, e as sombras nas paredes começaram a dançar de uma forma que Oliver não reconhecia. Ele parou de mastigar o sabão, seus chifres pretos captando uma vibração errada no ambiente.

Antes que pudesse se virar, uma presença gélida se materializou logo atrás dele. Um hálito quente e pesado roçou sua orelha, fazendo os pelos de sua nuca se arrepiarem.

— Sentiu minha falta, irmãozinho? — A voz era uma versão distorcida da sua, carregada de malícia e uma escuridão que Oliver tentava esquecer há anos.

Oliver deu um pulo, o coração disparando contra as costelas. Ele se virou rapidamente, seus olhos se arregalando ao ver a figura diante dele. Era Danger Oliver. Ele era como um reflexo corrompido: as mesmas características, mas envolto em uma aura de perigo e sinais de alerta. Onde Oliver era travesso, Danger era predatório.

— Você... — Oliver rosnou, a irritação mascarando o medo que começava a borbulhar. — O que você está fazendo aqui? Cai fora! Eu não sou seu irmão e não quero você perto de mim!

— Ora, que recepção calorosa — Danger Oliver deu um passo à frente, um sorriso cruel brincando em seus lábios. — Você cresceu, mas continua comendo sabão. Que hábito infantil.

A memória do trauma que Danger Oliver representava atingiu Oliver como um soco. Lembranças de escuridão, de ser subjugado e de uma versão de si mesmo que ele queria enterrar. Ele tentou recuar, mas Danger foi mais rápido. Com um movimento fluido, ele agarrou o braço de lápis de Oliver e o puxou com força bruta.

— Me solta! — Oliver gritou, tentando se desvencilhar, mas o aperto era como ferro. — Zip! Edward! Alguém!

— Ninguém vai te ouvir, pequeno Oliver — sussurrou Danger, arrastando-o em direção a uma porta de serviço que Oliver nunca tinha notado antes.

Oliver lutou, chutando e tentando usar seu braço de lápis para furar o agressor, mas Danger Oliver parecia antecipar cada movimento. Ele foi jogado escada abaixo para um porão escuro, o cheiro de mofo e papel velho impregnando o ar. Assim que atingiram o fundo, Danger chutou a porta, fechando-a, e apagou a única luz fraca que restava.

A escuridão era total.

— Fica longe de mim! — Oliver gritou, sua voz ecoando nas paredes de concreto. — Quando eu sair daqui, eu vou acabar com você! Eu vou contar para a Miss Circle, eu vou...

De repente, uma mão grande e áspera cobriu sua boca, abafando suas ameaças. Oliver soltou sons abafados de protesto, seu corpo se contorcendo desesperadamente contra o de Danger.

— Shh... — Danger Oliver murmurou perto de seu ouvido, o tom de voz calmo e aterrorizante. — Eu mandei você ficar quietinho, irmãozinho. O barulho me irrita. E você não quer me ver irritado, quer?

Oliver não parou. Ele continuou a se debater, a raiva superando o pavor por um breve momento. Ele tentou morder a mão que o prendia, mas Danger apenas apertou mais, pressionando-o contra a parede fria.

— Você não aprende, não é? — Danger Oliver suspirou, parecendo quase decepcionado.

Ele removeu a mão da boca de Oliver por um segundo, e o garoto de cabelos brancos não perdeu tempo.

— SOCORRO! EDWARD! ZIP! ELE ESTÁ NO... — O grito foi cortado quando Danger o jogou no chão.

Com uma agilidade sobrenatural, Danger Oliver pegou cordas que pareciam já estar preparadas naquele lugar sombrio. Antes que Oliver pudesse se levantar, ele teve seus pulsos puxados para trás e amarrados firmemente a um cano que corria pela parede. Oliver estava sentado no chão frio, as costas coladas à pedra, as mãos presas e o peito subindo e descendo com a respiração acelerada.

— Você é muito barulhento — disse Danger, agachando-se na frente dele. A luz fraca que entrava por uma fresta no teto revelava apenas o brilho malicioso de seus olhos.

Danger tirou algo do bolso: uma mordaça de bola de couro preto. Os olhos de Oliver se arregalaram. Ele tentou protestar, tentou gritar novamente, mas o medo finalmente começou a paralisá-lo.

— Não... espera... — Oliver tentou dizer, mas Danger foi implacável.

Ele forçou a mordaça na boca de Oliver, prendendo as fivelas atrás de sua cabeça, entre os cabelos brancos. Oliver engasgou levemente, sentindo o objeto desconfortável preencher sua boca, impedindo qualquer palavra articulada. Ele tentou empurrar a bola com a língua, mas Danger a ajustou com força, garantindo que ele ficasse em silêncio absoluto.

— Pronto — Danger Oliver sorriu, passando a mão pelo cabelo de Oliver, desarrumando a mecha arrepiada no topo de sua cabeça. — Agora você vai me ouvir. Pela primeira vez na vida, você vai ficar calado.

Oliver lançou-lhe um olhar de puro ódio. Seus olhos brilhavam de irritação, e ele emitia sons abafados e furiosos por trás da mordaça. Ele tentou morder a mão de Danger quando este se aproximou novamente, mas o agressor apenas riu, empurrando a mordaça ainda mais fundo contra os lábios de Oliver.

— Tão arisco — provocou Danger, inclinando a cabeça. — Sabe, irmãozinho, você sempre foi o favorito. O "valentão" da escola. Mas aqui embaixo, você não é nada além de um brinquedo quebrado.

Danger Oliver estendeu a mão e, com as pontas dos dedos, tocou suavemente o queixo de Oliver. O toque era estranhamente delicado, contrastando com a violência de momentos antes.

Oliver sentiu o rosto esquentar. Uma mistura confusa de raiva, humilhação e uma reação involuntária que ele não conseguia explicar fez com que suas bochechas ficassem vermelhas. Ele desviou o olhar, tentando esconder o rubor, mas Danger segurou seu queixo com firmeza, forçando-o a olhar nos olhos sombrios de sua própria imagem distorcida.

— Olhe para mim quando eu falo com você — ordenou Danger. — Você se lembra de quando costumávamos brincar assim? Antes de você decidir que era bom demais para as sombras?

Oliver balançou a cabeça negativamente, os sons abafados saindo mais desesperados. Ele queria Edward. Ele queria Zip. Ele queria voltar para a segurança dos corredores da escola, onde ele era quem dava as ordens.

— Você está corando, Oliver — Danger riu baixo, um som seco que arrepiou a alma do garoto preso. — Que adorável. O grande valentão da Paper School, reduzido a isso.

Danger deslizou o polegar pelo lábio inferior de Oliver, logo acima da borda da mordaça.

— Eu vou te manter aqui por um tempo — continuou Danger Oliver, sua voz baixando para um sussurro cúmplice. — Até você se lembrar de quem você realmente pertence. Você pode ser o rei lá em cima, mas aqui embaixo... você é apenas o meu irmãozinho.

Oliver fechou os olhos com força, as lágrimas de frustração ameaçando cair. Ele estava preso, silenciado e à mercê de um passado que ele pensou ter superado. Enquanto Danger Oliver continuava a provocá-lo com toques leves e palavras cruéis, Oliver só conseguia pensar em como aquela brincadeira tinha ido longe demais, e que, desta vez, ele não era quem estava rindo.

O silêncio do porão era quebrado apenas pela respiração pesada de Oliver e pelo som rítmico do relógio em seu pulso esquerdo, marcando os segundos de um pesadelo que estava apenas começando.

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