
Enzo e Catarina
Fandom: Catarina, Enzo, Jonathan, Rafael, gorda, Laura
Criado: 21/08/2026
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O Eco do Silêncio e a Retomada do Poder
A entrada de Catarina no Colégio Joaninha não foi silenciosa. Com seu jeito autêntico, ela logo conquistou espaço, atraindo a atenção de Jonathan, o garoto hiperativo e sempre sorridente, e de Enzo, um rapaz de olhar profundo, mas cercado por uma aura de hesitação. A amizade com Enzo floresceu rápido demais. Havia uma conexão ali, algo que ia além das conversas triviais sobre provas e professores. Catarina gostava da companhia dele, da forma como ele ouvia, mas havia uma sombra constante entre eles: a "Gorda", a ficante de idas e vindas de Enzo.
O relacionamento de Enzo com essa garota era um ciclo vicioso. Mesmo quando dizia que tinha acabado, ele voltava a falar dela para Catarina com um brilho de melancolia nos olhos. O ciúme dela, porém, era uma força destrutiva. O primeiro sinal de que as coisas iam mal foi no Instagram. Enzo seguiu Catarina, mas, sem explicação, deu unfollow. Depois, voltou a seguir. E então, o golpe final: o bloqueio.
Catarina sentiu o sangue ferver. No dia seguinte, na escola, ela o encurralou no corredor.
— Por que você me bloqueou, Enzo? — perguntou ela, cruzando os braços.
— Depois... depois eu te falo, Catarina. Agora não dá — murmurou ele, desviando o olhar, a covardia estampada no rosto.
Aquelas foram as últimas palavras que trocaram antes das férias. Jonathan, que sempre brincava com Catarina, também se manteve estranhamente distante naquele dia, talvez influenciado pelo clima pesado ou por estar ocupado demais com Laura, sua namorada na época.
As férias passaram, mas Catarina não descansou. Ela fermentou a mágoa, transformando-a em uma armadura de gelo. Quando os portões do Joaninha se abriram para o novo semestre, a Catarina que entrou por eles não era a mesma garota compreensiva de antes. Ela estava vingativa.
Enzo, ao vê-la, tentou manter a distância. Ele agia como se ela fosse uma estranha, o que só alimentava a fúria dela. Catarina decidiu que, se ele queria silêncio, ele teria o desprezo. Ela passou a tratá-lo com uma frieza cortante. Se ele passava por ela, ela desviava o rosto com um esgar de nojo. Se ele tentava iniciar um movimento tímido de aproximação, ela o cortava com uma frase ácida.
— Não gasta sua saliva comigo, Enzo — disse ela um dia, quando ele abriu a boca para cumprimentá-la perto dos armários. — Você não existe mais para mim.
Enzo, tímido e envergonhado, apenas baixou a cabeça e saiu apressado. Enquanto isso, o círculo social mudava. Jonathan e Laura terminaram o namoro, um alívio para Catarina, já que Laura era muito próxima da "Gorda". Livre das amarras do antigo relacionamento, Jonathan se aproximou ainda mais de Catarina. Eles se tornaram inseparáveis, uma amizade pura e barulhenta que servia como o contraste perfeito para o silêncio fúnebre entre ela e Enzo.
Mas o silêncio de Enzo estava prestes a quebrar.
Certa tarde, após as aulas, Catarina estava sentada na arquibancada da quadra, organizando seu material, quando sentiu uma presença. Era ele. Enzo parecia ter envelhecido meses em poucos dias.
— Catarina, a gente pode conversar? — A voz dele falhou.
— Eu não tenho nada para falar com quem me trata como um objeto descartável por causa de capricho alheio — respondeu ela, sem tirar os olhos do caderno.
— Por favor. Eu fui um idiota. Eu sei disso.
Catarina finalmente o encarou. Seus olhos faíscavam.
— Um idiota é pouco, Enzo. Você me bloqueou. Você me ignorou como se eu fosse um lixo só porque aquela garota mandou.
— Ela me pressionava, Catarina! — Enzo deu um passo à frente, desesperado. — Ela dizia que se eu não me afastasse de você, ela contaria mentiras sobre mim para todo mundo. Eu tive medo. Mas eu não aguento mais.
Nesse exato momento, o celular de Enzo vibrou no bolso. Ele o tirou e viu uma mensagem. Catarina notou a expressão de nojo que cruzou o rosto dele.
— É ela, não é? Mandando você se afastar de novo? — desdenhou ela.
Enzo olhou para a tela, depois para Catarina. Com um gesto brusco, ele digitou algo rápido e guardou o aparelho.
— Eu terminei com ela. Definitivamente — afirmou ele, a voz agora firme. — E quer saber? Ela é uma manipuladora. Eu descobri a verdade, Catarina. Enquanto ela me fazia de palhaço, me proibindo de ter amigos, ela estava saindo com outros dois caras pelas minhas costas. Ela me usou como um estepe, como alguém que estava sempre ali para massagear o ego dela.
Catarina arqueou a sobrancelha, surpresa com a súbita coragem dele.
— Ela é podre, Catarina — continuou Enzo, o tom subindo. — Uma pessoa vazia, que só sabe destruir as relações dos outros porque a dela é baseada em mentiras. Eu sinto nojo de ter perdido tanto tempo, de ter perdido você por causa de alguém tão insignificante quanto ela. Aquela garota não vale o chão que pisa.
— E por que eu deveria acreditar que você não vai correr de volta para ela na primeira oportunidade? — perguntou ela, embora sentisse o gelo em seu coração começar a rachar.
— Porque eu nunca me senti tão livre quanto agora que falei a verdade. E porque eu senti sua falta todos os dias. Me perdoa?
Catarina guardou suas coisas lentamente.
— Vou pensar no seu caso, Enzo. Mas não espere que eu facilite as coisas.
Uma semana se passou. Enzo cumpriu sua palavra. Ele não apenas ignorou as tentativas de reaproximação da ex, como a enfrentou na frente de todos quando ela tentou fazer um escândalo no pátio. Ele a chamou de tudo o que ela merecia, expondo a falsidade dela e deixando claro que agora ele sabia de todos os outros caras. A "Gorda" saiu humilhada, perdendo o poder que exercia sobre ele.
Ao longo dessa semana, Enzo foi a sombra de Catarina, mas de um jeito bom. Ele trazia o café favorito dela, ajudava com os livros e, acima de tudo, pedia perdão com gestos e palavras.
Na sexta-feira, o sol se punha tingindo o céu de laranja quando ele a encontrou no portão da escola.
— Catarina, espera.
— Outro café, Enzo? — brincou ela, já com um sorriso leve nos lábios.
— Não. Algo mais sério. — Ele respirou fundo. — Eu passei meses sendo controlado por alguém que não me dava valor, e o tempo todo a pessoa que realmente importava estava bem na minha frente. Eu amo a sua força, o seu jeito de não aceitar desaforo. Eu amo você.
Catarina parou de caminhar. O coração dela, que ela jurou ter trancado, deu um salto.
— Você demorou para perceber, hein? — disse ela, tentando manter a pose.
— Eu fui um cego. Mas agora eu vejo tudo claro. Aquela garota era um erro, um lixo que eu finalmente joguei fora. Você é a minha escolha. Me dá uma chance de ser o cara que você merece?
Catarina olhou para ele, vendo a sinceridade que faltava antes. Ela se aproximou, encurtando a distância entre eles.
— Se você me bloquear de novo, Enzo, eu juro que acabo com você — ameaçou ela, mas o tom era de promessa, não de raiva.
— Eu nunca mais vou deixar ninguém se meter entre nós — prometeu ele.
E ali, sob o céu de fim de tarde, o silêncio foi finalmente substituído por um beijo que selava o fim da vingança e o início de algo muito mais real. A sombra da ex-namorada havia sumido, dissipada pela luz de uma Catarina que não apenas se vingou, mas que retomou o que sempre foi seu por direito: o respeito e o coração de quem ela amava.
