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Insane

Fandom: Alien stage

Criado: 21/08/2026

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Entre Fumaça e Confusão

O sol da tarde batia preguiçoso nas janelas da sala de aula, criando aquele clima morno que fazia qualquer um querer ignorar a lousa. Sua estava sentada em sua mesa habitual, mas algo estava diferente. Mizi, com aquele cabelo rosa vibrante que parecia brilhar sob a luz, estava sentada logo atrás dela. Ela conseguia ouvir a risada abafada de Mizi enquanto ela rabiscava algo no caderno.

— Ei, Sua, olha isso aqui — Mizi chamou, cutucando as costas dela com a ponta da caneta.

Sua se virou, o coração dando aquele solavanco irritante que ela já conhecia bem. Mizi estava com um sorriso sarcástico, mostrando um desenho malfeito de um dos professores. Era bobo, mas vindo dela, parecia a coisa mais engraçada do mundo.

— Você vai acabar sendo suspensa se ele vir isso — Sua comentou, tentando manter a voz firme.

Mizi deu de ombros, levantando-se com uma preguiça invejável.

— Vou lá entregar aquela lista de exercícios antes que eu esqueça e use o papel pra fazer aviãozinho.

Sua a observou caminhar até a mesa do professor. Mizi tinha um jeito de andar que parecia que ela era dona do corredor, da sala, de tudo. Quando ela voltou, não se sentou no lugar de antes. Em vez disso, arrastou uma cadeira vazia e a colocou bem ao lado de Sua, sentando-se de frente para ela.

— O que você tá fazendo? — Sua perguntou, sentindo o rosto esquentar.

— Ué, conversando com a minha pessoa favorita — Mizi respondeu, passando o braço casualmente pelos ombros de Sua.

O toque era leve, mas para Sua, parecia um incêndio. Ela conseguia sentir o cheiro do perfume de Mizi, algo doce e fresco, e a proximidade era tanta que ela conseguia ver as pequenas variações de dourado nos olhos dela. Mizi falava sem parar sobre algum plano para o fim de semana, mas Sua não conseguia processar uma palavra sequer. Ela só conseguia olhar para os lábios de Mizi se movendo, para o jeito que a franja dela caía sobre o rosto.

— ...e aí a gente podia passar naquela loja de conveniência, sabe? — Mizi parou, estreitando os olhos com um sorriso brincalhão. — Sua? Você tá me ouvindo, criatura?

— Tô! — Sua respondeu rápido demais, a voz falhando um pouco. — Claro que tô.

— Mentirosa — Mizi riu, aproximando o rosto ainda mais, o nariz quase encostando no de Sua. — Você tava viajando legal. No que você tava pensan...

BEEP. BEEP. BEEP.

O som cortou o momento como uma faca. Mizi não se mexeu. Os outros alunos continuavam suas conversas silenciosas ao fundo. O despertador ficava cada vez mais alto, um ruído estridente que não combinava com a paz daquele momento. Sua olhou em volta, confusa, mas Mizi apenas continuava ali, sorrindo para ela, sem ouvir o barulho ensurdecedor.

Sua piscou e, de repente, o teto branco do seu quarto substituiu o rosto de Mizi.

Ela bufou, esticando o braço para esmagar o botão de "soneca" do celular. O silêncio que se seguiu foi quase doloroso.

— De novo... — sussurrou para si mesma, cobrindo o rosto com as mãos. — Que inferno, Sua. De novo essa merda.

Ela ficou ali por alguns minutos, encarando o teto. O sonho tinha sido tão real que ela ainda conseguia sentir o peso do braço de Mizi em seus ombros. Era patético. Ela sabia que era patético. Mizi era a garota mais popular da escola, namorava a Lexy há séculos e, honestamente, era areia demais para o caminhãozinho de qualquer um, especialmente para alguém tão "nuvem cinza" quanto ela.

E tinha o Acorn. Sua suspirou ao pensar no namorado. Ele era legal, um cara alto, tranquilo, que gostava dela de verdade. Mas, toda vez que ele a abraçava, Sua não sentia aquele incêndio. Sentia apenas... conforto. E ela se sentia a pior pessoa do mundo por isso.

— Levanta, Sua. O drama não vai se resolver sozinho — resmungou, jogando as cobertas para o lado.


A entrada da escola estava o caos de sempre. O grupo já estava reunido perto dos armários, uma mistura de cores de cabelo e personalidades barulhentas.

— Olha só quem resolveu dar as caras — Ivan disse assim que viu Sua se aproximar. Ele exibia aquele sorriso calmo e irritante de sempre, encostado no armário enquanto mastigava um pirulito. — Deixou o livro cair na cara e dormiu por cima, foi?

— Vai se ferrar, Ivan — Sua respondeu, sem muita agressividade, apenas por hábito.

— Ela tá com cara de quem sonhou com o apocalipse — Till comentou. O cabelo cinza dele estava mais bagunçado que o normal e ele usava os fones de ouvido no pescoço. — Ou com a prova de matemática. O que é pior.

— Matemática não é tão ruim se você realmente prestar atenção, Till — Luka interveio, ajeitando os óculos com um ar de superioridade nerd que ninguém levava a sério.

— Falou o gênio — Hyuna riu, dando um tapinha nas costas de Sua. — Ignora esses idiotas, Sua. Você tá bem? Parece meio aérea.

— Só não dormi direito — Sua mentiu, ajeitando a alça da mochila. — Onde tá o Acorn?

— Foi pegar uns livros na biblioteca antes da aula — Hyuna respondeu. — Ele perguntou de você.

Sua forçou um sorriso. O peso da culpa deu uma cutucada no seu estômago. Todos ali achavam que ela e Acorn eram o casal perfeito, estável e calmo. Mal sabiam eles que a mente dela era um campo de batalha.

De repente, um grito agudo ecoou pelo corredor principal, vindo da direção dos armários do segundo ano. O grupo parou de falar instantaneamente.

— Eita, começou o show — Ivan comentou, esticando o pescoço para ver melhor.

Sua sentiu um frio na barriga. Ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era Mizi.

Eles se aproximaram do tumulto. No meio do corredor, Mizi e Lexy estavam frente a frente. A tensão era tão palpável que dava para cortar com uma faca. Lexy, com seu cabelo branco impecável e cílios claros, parecia estar tentando manter a calma, mas suas mãos tremiam. Mizi, por outro lado, estava com o rosto vermelho de raiva.

— Eu vi, Lexy! Eu vi o jeito que aquele cara tava te olhando e onde ele colocou a mão! — Mizi gritou, gesticulando freneticamente.

— Mizi, fala baixo, tá todo mundo olhando — Lexy pediu, a voz baixa e tensa. — Eu não fiz nada. Ele chegou em cima de mim e eu nem tive reação, eu estava tentando sair dali!

— E por que não saiu? Por que deixou ele ficar ali encostado em você como se fosse dono da porra toda? — Mizi disparou.

— Porque eu fiquei travada, droga! — Lexy rebateu, perdendo a paciência. — Você tá agindo como se eu tivesse dado trela pra ele. Eu não tenho culpa se tem babaca nessa escola que não sabe ouvir um "não" ou respeitar espaço!

— Eu sei que você não fez nada! — Mizi gritou de volta, os olhos dourados brilhando de frustração. — Esse é justamente o problema! Você fica aí parada, deixando as pessoas fazerem o que querem, e eu tenho que ficar assistindo essa merda?

— Você tá sendo injusta e tá descontando em mim uma coisa que eu não controlei! — Lexy estava quase chorando.

A discussão continuou, cada vez mais feia. O grupo de amigos de Sua assistia em silêncio absoluto. Till parecia desconfortável, Luka olhava para o chão e Hyuna tinha uma expressão de pena. Ivan era o único que observava tudo com uma curiosidade analítica.

Sua sentia o peito apertar. Ver Mizi daquele jeito, tão descontrolada e machucada, era horrível. Ela queria intervir, queria tirar Mizi dali, mas quem era ela na fila do pão? Apenas a amiga quieta que namorava o Acorn.

— Chega, Lexy. Eu não quero mais falar disso aqui — Mizi disse, a voz subitamente rouca e cansada. — A gente se fala depois. Ou não.

Mizi deu as costas e saiu andando a passos largos, trombando no ombro de alguns alunos que não saíram da frente rápido o suficiente. Lexy ficou parada por um momento, limpando uma lágrima solitária antes de caminhar na direção oposta.

— Caralho... — Till soltou um suspiro longo. — O clima pesou legal.

— Elas estão brigando muito ultimamente — Hyuna comentou baixinho. — Acho que não dura muito mais tempo não.

— Relacionamentos são um saco — Ivan deu de ombros, terminando seu pirulito. — Especialmente quando um é esquentado e o outro é uma porta.

Sua não ouviu o resto da conversa. Seus olhos estavam fixos na direção para onde Mizi tinha ido. Ela sabia exatamente para onde a garota de cabelos rosa fugia quando queria sumir.

— Gente, eu esqueci meu... meu caderno de biologia no armário do ginásio. Vou lá buscar antes que a aula comece — Sua inventou, já se afastando.

— Ué, mas a aula de biologia é só depois do intervalo — Luka começou a dizer, mas Sua já estava longe.

Ivan semicerrou os olhos, observando a pressa da amiga.

— Estranho... — ele murmurou, mas logo se voltou para Hyuna para comentar sobre a fofoca da briga.


Sua subiu as escadas do prédio antigo o mais rápido que suas pernas permitiam. O terraço era um lugar teoricamente proibido, mas a trava da porta estava quebrada há meses e todo mundo sabia disso, embora poucos tivessem coragem de subir ali durante o horário de aula.

Ela empurrou a porta pesada de metal. O vento frio da manhã a atingiu em cheio.

Mizi estava lá, encostada na grade de proteção, de costas para a porta. Os ombros dela estavam tensos. O que surpreendeu Sua, no entanto, foi a pequena nuvem de fumaça cinza que se dissipava no ar ao redor dela.

Mizi estava fumando.

Sua parou, hesitante. Ninguém sabia que Mizi tinha esse hábito. Ela sempre pareceu a personificação da energia e da saúde, apesar do jeito rebelde. Ver aquele cigarro entre os dedos finos de Mizi parecia quase um sacrilégio.

— Por que eu sempre acabo vindo atrás dela? — Sua sussurrou para si mesma, o coração batendo na garganta.

O som da porta batendo contra o batente fez Mizi se sobressaltar. Ela virou o rosto rapidamente, escondendo o cigarro atrás das costas por puro instinto, mas relaxou ao ver quem era.

— Ah... é você — Mizi disse, soltando a fumaça que ainda prendia nos pulmões. Ela não parecia nem um pouco feliz, mas o tom de voz não era agressivo. — Veio me dar um sermão também? Porque a fila tá grande lá embaixo.

Sua deu alguns passos para frente, fechando a porta atrás de si. Ela olhou para a mão de Mizi escondida e depois para os olhos dourados que pareciam tão cansados.

— Eu não sou muito de dar sermões, você sabe disso — Sua respondeu, a voz mais suave do que pretendia.

Mizi soltou um riso seco e trouxe o cigarro de volta para a frente, dando mais um trago longo antes de jogá-lo no chão e pisar em cima.

— Você veio aqui fazer o quê, Sua? — Mizi perguntou, virando-se completamente para ela e cruzando os braços sobre o peito.

Sua ficou em silêncio por um momento, o vento bagunçando seu cabelo curto. Ela não tinha uma resposta pronta. Não podia dizer "vim porque não suporto ver você triste" ou "vim porque sonho com você todas as noites".

— Eu só... queria saber se você estava bem — Sua finalmente disse, sustentando o olhar de Mizi.

Mizi a encarou por longos segundos, o sarcasmo habitual desaparecendo lentamente de sua expressão, sendo substituído por algo que Sua não conseguia decifrar, mas que fazia seu coração acelerar perigosamente.

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