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Itachi e ino

Fandom: Naruto

Criado: 21/08/2026

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AçãoDramaAventuraEstudo de PersonagemDivergênciaCenário CanônicoPsicológico
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Reflexos de Vidro e Carmesim

O ar no campo de treinamento reservado da Força Policial de Konoha estava denso, carregado com o cheiro de ozônio e o perfume sutil de flores silvestres que parecia seguir Ino Yamanaka onde quer que ela fosse. O sol da tarde filtrava-se pelas árvores, projetando sombras longas e irregulares sobre o solo batido.

Itachi Uchiha estava parado no centro da arena, uma estátua de serenidade e vigilância. O colete tático da polícia Uchiha ajustava-se perfeitamente aos seus ombros, e o brasão do leque nas costas parecia um aviso silencioso para qualquer um que ousasse desafiar a ordem. Seus olhos negros, profundos como abismos, observavam a kunoichi à sua frente.

Ino, por outro lado, não parecia nem um pouco intimidada pela aura de autoridade que emanava do prodígio Uchiha. Ela ajustou o protetor de testa na cintura e jogou a longa franja loira para trás, revelando olhos azuis que brilhavam com uma determinação afiada.

— As ordens do Conselho foram claras, Itachi-san — disse Ino, quebrando o silêncio com uma voz firme. — A divisão de inteligência e a força policial precisam falar a mesma língua. Ou, no nosso caso, compartilhar a mesma visão.

Itachi inclinou levemente a cabeça, um gesto polido que não revelava nada de seus pensamentos internos.

— A integração das técnicas mentais dos Yamanaka com o Sharingan é uma teoria ambiciosa — respondeu ele, sua voz baixa e controlada. — Na prática, estamos lidando com dois tipos diferentes de energia psíquica. O Sharingan projeta e percebe; o Shintenshin invade e domina. Forçar essa fusão pode ser perigoso para ambos.

Ino deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Um sorriso confiante, quase desafiador, brincou em seus lábios.

— Perigo nunca foi um impedimento para um ninja de elite. Além disso — ela fez uma pausa, observando as marcas profundas sob os olhos dele —, você sabe tão bem quanto eu que a tensão na vila não vai esperar por métodos seguros. Se não provarmos que nossos clãs podem trabalhar em sincronia, os anciãos encontrarão formas mais drásticas de nos "integrar".

Itachi não desviou o olhar. Ele reconhecia a inteligência emocional dela, a forma como ela lia as entrelinhas da política de Konoha. O massacre fora evitado por um fio, uma trégua frágil que dependia de resultados imediatos.

— Muito bem — concedeu Itachi. — Como deseja começar?

— Sem selos de mão no início — sugeriu ela, adotando uma postura de combate fluida. — Quero sentir a pressão do seu genjutsu enquanto tento estabelecer um link mental passivo. Se eu conseguir ancorar minha consciência na sua sem ser repelida pelo seu chakra, teremos uma base.

Itachi fechou os olhos por um breve segundo. Quando os abriu, o negro havia dado lugar ao vermelho vibrante do Sharingan. Os três tomoes giraram lentamente, travando na figura de Ino.

— Esteja pronta — avisou ele.

O mundo ao redor de Ino mudou instantaneamente. O campo de treinamento pareceu se dissolver em uma névoa cinzenta, e a presença de Itachi tornou-se avassaladora, como se ele estivesse em todos os lugares ao mesmo tempo. Ela sentiu a fria investida do Sharingan tentando catalogar seus movimentos, seus batimentos cardíacos, sua própria respiração.

Em vez de lutar contra a ilusão, Ino fechou os olhos e focou no centro de seu próprio ser. Ela estendeu sua percepção sensorial, não como uma lança, mas como uma rede fina.

— Eu não sou seu inimigo, Itachi — murmurou ela, sua voz ecoando tanto no mundo físico quanto na mente dele.

Itachi sentiu o toque. Era diferente de qualquer tentativa de invasão que ele já experimentara. Não havia a força bruta de um interrogador, mas sim uma persistência suave, como água contornando uma rocha. Ino estava tentando sincronizar o ritmo de seu chakra com o dele.

— Sua mente é... um labirinto de portas trancadas — observou Ino, sua testa franzindo pelo esforço. — Você guarda tudo tão profundamente.

— É necessário para a sobrevivência — respondeu Itachi. Ele sentiu a presença dela se aproximar de seu núcleo, um calor dourado contrastando com o frio de sua própria disciplina. Por um momento, ele sentiu a tentação de expulsá-la, de proteger seus segredos por instinto. Mas ele se conteve.

De repente, um estalo de energia percorreu ambos. Ino cambaleou para trás, abrindo os olhos e respirando com dificuldade. Itachi permaneceu imóvel, mas seus olhos voltaram ao preto normal, e uma gota de suor escorreu por sua têmpora.

— Você viu? — perguntou ela, recuperando o fôlego.

— Fragmentos — admitiu Itachi, surpreso com a clareza da conexão. — Eu vi o campo através dos seus olhos enquanto via você através dos meus. Uma perspectiva dupla.

Ino sorriu, desta vez de forma mais genuína, menos defensiva.

— É um começo. Se conseguirmos estabilizar isso, você poderá projetar o que vê no Sharingan diretamente para a central de inteligência em tempo real. Ninguém conseguiria esconder nada de nós.

— E o custo? — Itachi cruzou os braços, sua expressão voltando à neutralidade pragmática. — A exaustão mental para um Yamanaka manter esse nível de conexão com um Uchiha ativo é imensa. Você está arriscando sofrer danos permanentes se eu perder o controle do meu chakra.

Ino caminhou até ele, parando a apenas alguns centímetros. Ela era mais baixa, mas sua postura era tão firme quanto a de um Sannin.

— Não me subestime, Itachi Uchiha. Eu não sou apenas uma especialista em flores. Eu sou a herdeira do clã Yamanaka. Eu aguento o peso, desde que você confie em mim o suficiente para me deixar entrar.

Itachi olhou para ela, realmente a vendo pela primeira vez além de um relatório de missão ou de uma peça no tabuleiro político. Havia uma força vibrante nela, uma recusa em ser diminuída pela sombra que o clã Uchiha projetava sobre a vila.

— Confiança não é algo que os Uchiha concedem facilmente — disse ele em voz baixa.

— Eu sei — respondeu Ino, suavizando o tom. — Mas talvez seja exatamente disso que Konoha precisa agora. De algo que não seja fácil.

Eles foram interrompidos pelo som de passos rápidos. Um jovem oficial da força policial, Shisui Uchiha, apareceu na borda do campo, um sorriso irônico no rosto.

— Lamento interromper o momento de união entre os clãs — disse Shisui, embora não parecesse nem um pouco arrependido. — Mas o Comandante Fugaku e o Sr. Inoichi estão chamando. Parece que houve um incidente na fronteira norte. Eles querem que a "nova unidade de elite" teste suas habilidades.

Itachi e Ino se entreolharam. O treino terminara, mas o verdadeiro teste estava apenas começando.

— Parece que teremos que aprender a confiar um no outro em campo — comentou Ino, pegando sua bolsa de equipamentos.

— Mantenha-se atrás de mim se a conexão falhar — instruiu Itachi, o tom profissional retornando, mas havia uma nova nota de respeito em sua voz.

Ino riu, um som claro que pareceu dissipar parte da tensão no ar.

— Atrás de você? Nem pensar. Eu vou estar bem na sua cabeça, Itachi. Tente não pensar em nada muito embaraçoso.

Itachi permitiu-se um raríssimo e quase imperceptível repuxar de lábios, o que, para qualquer um que o conhecesse, seria o equivalente a uma gargalhada.

— Farei o meu melhor.

Enquanto caminhavam em direção à saída do campo, Shisui observava-os com interesse. Ele conhecia Itachi melhor do que ninguém e notara a mudança na postura do amigo. A rigidez nos ombros de Itachi, que parecia carregar o mundo inteiro, havia cedido um milímetro.

— Então, como foi? — perguntou Shisui, emparelhando-se com eles. — A loira é tão brava quanto dizem?

— Ela é... persistente — respondeu Itachi, olhando brevemente para Ino, que estava ocupada discutindo táticas com um Shisui agora interessado.

— Persistente é um apelido carinhoso — Ino retrucou, piscando para Shisui. — Eu prefiro "eficiente". E seu amigo aqui é um gelo difícil de quebrar, mas acho que estou fazendo progresso.

— Cuidado, Ino-san — provocou Shisui. — Se você mergulhar fundo demais na mente do Itachi, pode acabar encontrando apenas planos de contingência e receitas de dango.

— Dango? — Ino levantou uma sobrancelha, olhando para Itachi com curiosidade. — Você gosta de doces?

Itachi sentiu um leve calor subir pelo pescoço, mas sua expressão permaneceu impassível.

— É uma fonte rápida de glicose para o cérebro durante missões prolongadas.

— Sei... — Ino sorriu, parecendo ter descoberto um segredo valioso. — Vou me lembrar disso. Talvez eu traga alguns para o nosso próximo treino. Dizem que o açúcar ajuda na sincronia mental.

— Não há evidências científicas que sustentem essa afirmação — afirmou Itachi, embora não houvesse nenhuma rejeição real em suas palavras.

— Considere isso um experimento, então — concluiu ela.

Eles chegaram ao prédio principal da administração, onde a atmosfera era muito mais sombria. Membros do clã Uchiha e da inteligência de Konoha moviam-se de um lado para o outro com urgência. A trégua entre o clã e a vila era como vidro: bonita de se ver, mas propensa a estilhaçar ao menor impacto.

Ao entrarem na sala de reuniões, Fugaku Uchiha e Inoichi Yamanaka estavam debruçados sobre um mapa. Ambos levantaram os olhos quando os jovens ninjas entraram. A semelhança entre pais e filhos era notável, não apenas na aparência, mas na seriedade com que encaravam o dever.

— Itachi, Ino — disse Fugaku, sua voz ressoando com autoridade. — Recebemos relatórios de batedores desaparecidos perto do Vale do Fim. Suspeitamos de infiltrados da Vila da Nuvem tentando se aproveitar da nossa instabilidade interna.

Inoichi deu um passo à frente, colocando a mão no ombro da filha.

— Queremos que vocês liderem a equipe de busca. Ino, você será o radar. Itachi, você será a lâmina. Usem a conexão que treinaram. Se encontrarem o inimigo, não queremos apenas detê-los. Queremos saber quem os enviou e o que eles sabem sobre nossas defesas atuais.

— Entendido — responderam os dois em uníssono.

Antes de saírem, Ino parou e olhou para o pai, depois para Fugaku.

— Nós vamos conseguir os resultados. Mas lembrem-se: essa cooperação só funciona se houver transparência de ambos os lados.

Fugaku estreitou os olhos, mas assentiu lentamente. Inoichi deu um breve sorriso de orgulho.

Já do lado de fora, enquanto preparavam seus kits de viagem, o silêncio entre Itachi e Ino era diferente de antes. Não era mais o silêncio de dois estranhos cautelosos, mas o de parceiros que começavam a entender o peso que o outro carregava.

— Você falou com coragem lá dentro — disse Itachi, enquanto prendia suas bolsas de shuriken.

— Alguém precisa dizer a verdade para aqueles homens — respondeu Ino, ajustando as luvas. — Eles estão tão focados em não perder o poder que esquecem que a vila é feita de pessoas, não de clãs.

Itachi parou o que estava fazendo e olhou para ela. Pela primeira vez, ele não usou o Sharingan para analisá-la. Ele usou apenas seus próprios olhos humanos.

— Você é muito diferente dos outros shinobi que conheci, Ino.

— Espero que isso seja um elogio, Uchiha.

— É — admitiu ele, voltando-se para o portão da vila. — Vamos. Temos um longo caminho até o Vale do Fim.

Enquanto saltavam pelos telhados de Konoha em direção à floresta, Ino sentiu uma estranha sensação de clareza. A missão era perigosa e o futuro da vila era incerto, mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que não estava apenas seguindo ordens. Ela estava construindo algo novo.

Ao seu lado, Itachi movia-se como uma sombra, silencioso e letal. Mas, através do link mental que ainda vibrava fracamente entre eles, ela podia sentir a determinação dele. Não era a determinação fria de um soldado, mas algo mais profundo, um desejo de proteger que rivalizava com o dela.

O sol começou a se pôr, tingindo o céu de laranja e roxo, as cores de seus próprios clãs se misturando no horizonte. Eles ainda tinham muito o que aprender um sobre o outro, e as tensões políticas de Konoha certamente os testariam até o limite. Mas, naquele momento, enquanto cruzavam a fronteira da vila, eles eram apenas dois ninjas unidos por um propósito.

E, talvez, por algo que começava a florescer no meio de toda aquela rigidez e dever.

— Itachi? — chamou Ino, sem diminuir o ritmo.

— Sim?

— Quando voltarmos, eu vou querer aqueles dangos. E você vai ter que me contar por que alguém tão sério gosta tanto de doces.

Itachi não respondeu de imediato, mas Ino pôde sentir, através da conexão, uma onda de calor e uma leve diversão vinda dele.

— Talvez — respondeu ele. — Se sobrevivermos à missão.

— "Se"? — Ino soltou uma risada confiante. — Você está falando com uma Yamanaka e um Uchiha. O inimigo é quem deveria estar preocupado com a sobrevivência.

Itachi olhou para a frente, a floresta escura estendendo-se diante deles. Pela primeira vez em anos, ele sentiu que o peso em seus ombros não era um fardo que ele precisava carregar sozinho.

— Você tem razão — disse ele, e juntos, eles mergulharam na escuridão da floresta, prontos para enfrentar o que quer que o destino tivesse reservado para Konoha.

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