
Entre contrato
Fandom: Lamine YAMAL
Criado: 21/08/2026
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Fora de Campo, Dentro do Coração
O ar condicionado da suíte de luxo em Madri parecia não dar conta do calor que Hailey sentia, e não era por causa do clima espanhol. À sua frente, sentada com a elegância de quem poderia demitir metade da cidade com um estalar de dedos, estava Sienna Calloway. E ao lado de Sienna, o motivo da dor de cabeça iminente de Hailey: seu empresário e uma pasta de couro cheia de cláusulas contratuais.
— Deixa eu ver se entendi direito — Hailey começou, cruzando os braços sobre o vestido de seda que custava mais do que um carro popular. — Vocês querem que eu finja um relacionamento com um jogador de futebol que eu conheci há exatamente quarenta e oito horas em uma festa beneficente?
Sienna arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada.
— Ele não é apenas "um jogador", Hails. Ele é o Lamine Yamal. O garoto de ouro da Espanha. E você não é apenas uma atriz, você é a "filha do Ryan Gosling" que precisa provar que tem substância antes da estreia do seu filme independente. O público adora um romance transatlântico. É bom para a imagem dele, que anda sendo chamado de "rebelde" pela imprensa local, e é ótimo para a sua, que ganha um ar de acessibilidade.
Hailey soltou um suspiro pesado e se jogou no sofá, perdendo toda a postura de estrela de Hollywood.
— Isso é ridículo. Eu odeio mentir.
— Não é mentira, é marketing — rebateu Sienna, prática. — E ele já aceitou.
A porta da suíte se abriu com um estrondo suave, e o próprio "problema" entrou na sala. Lamine vestia um conjunto de moletom caro, mas carregava um sorriso que sugeria que ele tinha acabado de contar a melhor piada do mundo para si mesmo. Atrás dele, um rapaz de expressão preocupada, que Hailey reconheceu como Adrián Morales, o melhor amigo de Lamine.
— E aí, Gosling? — Lamine disse, a voz cheia de um carisma abusado. Ele nem esperou ser convidado e sentou-se no braço da poltrona onde Hailey estava. — Pronta para ser a namorada mais sortuda da Europa?
Hailey revirou os olhos, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso com a audácia dele.
— Você é muito convencido, sabia? E não me chama de Gosling. Tenho nome.
— Eu sei seu nome. Mas Gosling soa mais como um desafio — Lamine piscou para ela, pegando um dos morangos da mesa de centro e jogando para cima antes de pegá-lo com a boca. — Adri acha que isso é uma péssima ideia, a propósito.
Adrián deu um passo à frente, limpando a garganta.
— Eu acho que transformar a vida do meu melhor amigo em um roteiro de cinema é pedir para dar errado. Mas, já que ninguém me ouve... Prazer, Hailey. Sou o único adulto desse grupo, aparentemente.
— O prazer é meu, Adrián. Sinto que vamos precisar de você para nos tirar da cadeia ou algo assim — Hailey brincou.
Sienna bateu a caneta na mesa, chamando a atenção de todos.
— Certo, crianças. As regras são simples: aparições públicas em eventos selecionados, três posts por mês no Instagram, e nada de escândalos. E o mais importante: nada de sentimentos reais. Isso é um negócio.
Lamine olhou para Hailey. Por um segundo, a máscara de brincalhão caiu, e ela viu o garoto de dezessete anos que carregava o peso de uma nação nos ombros. Havia uma curiosidade genuína em seus olhos escuros.
— Por mim, tudo bem — disse Lamine, voltando ao tom leve. — Mas aviso logo: eu sou péssimo em seguir roteiros.
Três semanas depois, a "estratégia" estava em pleno vigor. O mundo tinha enlouquecido com as fotos de Hailey e Lamine saindo de um restaurante em Barcelona. A hashtag #Lamiley era o assunto mais comentado do Twitter.
Eles estavam em um evento de gala da Adidas. Hailey usava um vestido longo, preto, com as costas abertas, e Lamine, surpreendentemente, estava de terno. Ele parecia desconfortável, ajustando a gravata a cada cinco minutos.
— Se você puxar isso mais uma vez, vai acabar se enforcando — Hailey sussurrou, aproximando-se dele enquanto os fotógrafos disparavam flashes à distância. Ela estendeu a mão e ajeitou o nó da gravata dele com delicadeza.
Lamine ficou imóvel. O perfume de Hailey, algo que lembrava baunilha e flores cítricas, o atingiu em cheio.
— Eu odeio isso — ele confessou em voz baixa, a confiança habitual dando lugar a uma vulnerabilidade rara. — Prefiro estar correndo noventa minutos na chuva do que cinco minutos nesse tapete.
Hailey olhou nos olhos dele e percebeu a inquietação. Ele não estava apenas desconfortável com a roupa; ele estava ansioso. Ela notou como ele roía o canto do lábio, um tique que ele só tinha quando a pressão estava alta demais.
— Ei — ela disse, mantendo a mão no peito dele por um segundo a mais do que o necessário para as câmeras. — Assim que sairmos daqui, eu te compro o maior hambúrguer que encontrarmos. E podemos ouvir Justin Bieber no carro até seus ouvidos sangrarem.
Lamine soltou uma risada curta, a tensão deixando seus ombros.
— Bieber, Gosling? Sério? Você tem um gosto musical terrível.
— Respeite o rei, Yamal. Ou o contrato acaba agora mesmo.
— Tudo bem, tudo bem. Mas eu escolho as batatas fritas.
Eles caminharam pelo tapete vermelho de mãos dadas. Para quem olhava de fora, era a imagem da perfeição. Para Lamine, porém, o toque da mão de Hailey na sua estava começando a parecer menos como um dever contratual e mais como um porto seguro.
Naquela mesma noite, após escaparem dos seguranças e da imprensa, eles acabaram sentados no chão da varanda do hotel de Hailey. O vestido caro estava amassado, e ela já tinha trocado os saltos por um par de meias brancas. Eles dividiam uma caixa de batatas fritas gordurosas.
— Meu irmão vai te matar quando te conhecer — Hailey disse, rindo enquanto limpava o sal dos dedos. — O Noah é o tipo de cara que acha que todo jogador de futebol é um idiota até que se prove o contrário.
— Ele é o músico, certo? The Velvet Saints? — Lamine perguntou, encostado na parede de mármore. — Eu ouvi o álbum novo deles. É... depressivo. Ele precisa de um abraço.
— Ele é um Gosling. Nós somos intensos — Hailey deu de ombros. — Mas ele é protetor. Se ele descobrir que isso aqui é um contrato, ele vai escrever uma música de sete minutos sobre como o amor é uma mentira capitalista.
Lamine ficou em silêncio por um momento, observando o perfil de Hailey contra as luzes de Madri.
— E é? — ele perguntou, a voz subitamente séria.
— O quê?
— Uma mentira capitalista. O amor.
Hailey virou-se para ele, surpresa com a mudança de tom. Lamine não estava brincando agora. Ele parecia apenas um jovem tentando entender um mundo que exigia que ele fosse um homem feito.
— Eu não sei — Hailey admitiu sinceramente. — Meus pais são casados há décadas e parecem felizes. Mas em Hollywood... tudo parece ter um prazo de validade. Por isso eu gosto do Justin. As músicas dele são sobre acreditar em algo, mesmo quando é difícil.
Lamine sorriu, um sorriso suave que não era para as câmeras.
— Você é muito mais profunda do que as revistas dizem, sabia?
— E você é muito menos irritante quando não está tentando ser o palhaço da turma — ela rebateu, mas sem malícia.
Lamine se aproximou um pouco mais. O espaço entre eles diminuiu, e a atmosfera mudou. O barulho da cidade lá embaixo pareceu desaparecer.
— Sabe, Gosling... — ele começou, a voz rouca. — Tem uma cláusula no contrato sobre o que acontece se um de nós começar a sentir coisas que não deveria?
O coração de Hailey falhou uma batida.
— Acho que a Sienna esqueceu dessa parte.
Lamine levou a mão ao rosto dela, afastando uma mecha de cabelo loiro. O toque era quente e real, nada parecido com os toques coreografados dos eventos.
— Que pena — ele sussurrou. — Porque eu nunca fui muito bom em seguir regras.
Antes que Hailey pudesse responder, o celular dela começou a vibrar freneticamente no chão. O visor brilhava com o nome "NOAH" em letras garrafais.
A magia do momento quebrou. Hailey soltou uma risada nervosa e pegou o aparelho.
— É o meu irmão. Provavelmente viu a foto da gravata e quer saber se eu já escolhi o nome dos nossos filhos para poder começar a odiá-los.
Lamine soltou o ar, recostando-se novamente, mas com um brilho diferente nos olhos.
— Atende. Diz a ele que o futuro cunhado dele tem um chute de esquerda que ele não vai querer encarar.
Hailey riu, atendendo o telefone, mas seu olhar permaneceu em Lamine. Ela sabia, naquele momento, que o contrato era apenas um pedaço de papel. O que estava acontecendo entre eles, naquele chão frio de mármore com cheiro de batata frita, era a única coisa verdadeira em suas vidas de aparências.
Do outro lado da cidade, em um bar discreto, Adrián Morales observava as notificações em seu celular. Sienna Calloway estava sentada à sua frente, analisando os números de engajamento da noite.
— Está funcionando — disse Sienna, satisfeita. — O mundo está apaixonado por eles.
Adrián tomou um gole de sua bebida, sua expressão pensativa.
— Esse é o problema, Sienna. O mundo está apaixonado pela ideia deles.
— E qual o problema nisso?
— O problema — Adri disse, olhando para a produtora — é que eu conheço o Lamine desde os dez anos. E eu nunca o vi olhar para ninguém do jeito que ele olhou para a Hailey naquelas fotos de "paparazzi" que vocês armaram.
Sienna parou de digitar, olhando para o amigo do jogador.
— Você está dizendo que...
— Estou dizendo que vocês criaram um monstro — Adri suspirou. — Eles não estão mais atuando. E quando esse contrato acabar, alguém vai sair com o coração quebrado. E eu tenho a sensação de que não vai ser o público.
Sienna permaneceu em silêncio, a frieza profissional vacilando por um breve segundo. Ela olhou para a foto de Hailey e Lamine na tela do celular — ele rindo de algo que ela disse, ela olhando para ele como se ele fosse a única pessoa na sala.
— Se eles se apaixonarem de verdade — Sienna murmurou —, a estratégia muda.
— Não é estratégia, Sienna — Adri rebateu, levantando-se. — É a vida deles. Tente não estragar tudo.
Enquanto isso, na varanda do hotel, Hailey desligava o telefone após uma série de ameaças irônicas de Noah. Ela olhou para Lamine, que agora estava tentando equilibrar uma batata frita no nariz.
— Você é um idiota — ela disse, sentindo um calor no peito que não tinha nada a ver com o clima.
— Sou o seu idiota contratual — ele corrigiu, piscando para ela. — Por enquanto.
Hailey sabia que o "por enquanto" tinha os dias contados. Mas, pela primeira vez na vida, ela não estava preocupada com o final do filme. Ela só queria aproveitar a cena enquanto as luzes ainda estavam acesas.
