
Oliver !! :3
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 21/08/2026
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Reflexos de Grafite e Sombras de Sabão
O corredor da Paper School estava estranhamente silencioso naquela tarde, um contraste gritante com o caos habitual que Oliver e seus amigos, Zip e Edward, costumavam causar. Oliver caminhava despreocupado, seus longos cabelos brancos balançando suavemente enquanto o rabo de cavalo baixo quase varria o chão. Em sua mão direita, ele segurava uma barra de sabão azul clara, da qual ele deu uma mordida casual, mastigando com um prazer que poucos entenderiam.
Para Oliver, o gosto alcalino e a textura escorregadia eram apenas parte de sua dieta excêntrica. Com seu braço de lápis balançando ao lado do corpo e o "A+" vermelho brilhando em seu cabelo, ele já estava planejando a próxima travessura. Talvez encher o armário de algum aluno novo com cola, ou quem sabe desenhar caricaturas ofensivas nas costas de Miss Circle enquanto ela estivesse distraída. Ele riu baixinho, a mecha arrepiada no topo de sua cabeça parecendo vibrar de antecipação.
No entanto, o ar ao seu redor esfriou subitamente. O corredor parecia se alongar, e as luzes fluorescentes da escola piscaram, emitindo um zumbido elétrico desconfortável. Oliver parou de mastigar, seus sentidos de valentão disparando um alerta que ele raramente sentia: medo.
Antes que pudesse se virar, uma presença maciça se materializou em suas costas. Uma sombra densa, mais escura que o grafite de seu braço, envolveu seus ombros. O cheiro de papel queimado e algo metálico invadiu suas narinas.
— Olá, irmãozinho... — A voz era um sussurro rouco, carregado de uma malícia que parecia vir de um abismo profundo.
Oliver congelou. Ele conhecia aquela voz. Era uma voz que ele havia tentado enterrar em seus desenhos mais obscuros, em memórias de quando ainda era apenas um rascunho de si mesmo. Ele sentiu o hálito frio de Danger Oliver contra sua orelha.
— Você... — Oliver rosnou, o coração martelando contra as costelas. — O que você está fazendo aqui?
Imagens de sua infância, de brincadeiras que beiravam a tortura e de uma figura que era o seu reflexo distorcido, inundaram sua mente. Danger Oliver era tudo o que Oliver fingia não ser: a personificação da crueldade sem o disfarce da diversão.
— Sentiu saudades? — Danger Oliver riu, um som seco e sem alma.
Oliver tentou se afastar, a irritação começando a superar o medo.
— Me solta, seu esquisito! Eu tenho coisas para fazer, Zip e Edward estão me esperando e...
Ele não conseguiu terminar. Danger Oliver, com uma velocidade sobre-humana, envolveu o pescoço de Oliver com um braço e, antes que o garoto pudesse reagir, o mundo ao redor deles se dissolveu em sombras.
Quando a visão de Oliver retornou, ele não estava mais no corredor. Ele estava em um lugar vasto e escuro, onde a única fonte de iluminação era uma lâmpada pendurada por um fio descascado, emitindo uma luz amarelada e fraca que mal alcançava os cantos da sala. O cheiro de mofo e metal era sufocante.
— Zip! Edward! — Oliver gritou, a voz ecoando no vazio. — Se isso for uma pegadinha, não tem graça!
Ele tentou correr em direção ao que parecia ser uma saída, mas uma mão grande e fria tapou sua boca com força, silenciando seu clamor.
— Shhh... — Danger Oliver sussurrou, prendendo Oliver contra seu peito. — Eles não podem te ouvir aqui, pequeno valentão. Aqui, as regras da escola não se aplicam.
Oliver debateu-se, emitindo sons abafados contra a palma da mão do outro. Seus olhos se arregalaram de raiva e pânico. Ele tentou usar seu braço de lápis para esfaquear o agressor, mas Danger Oliver apenas riu da tentativa fútil, apertando o aperto.
— Fique quietinho e calado — ordenou Danger Oliver, sua voz tingida de uma autoridade sombria. — Você sempre foi tão barulhento, Oliver. Sempre querendo atenção com suas piadas idiotas e seu sabonete.
Com um movimento brusco, Danger Oliver empurrou Oliver para o centro da pequena ilha de luz. O impacto da transição fez a cabeça de Oliver girar, e quando ele finalmente recuperou os sentidos, percebeu que sua situação havia piorado drasticamente.
Oliver estava sentado em uma cadeira de metal fria, diante de uma mesa da mesma substância. Seus pulsos estavam presos às laterais da mesa por cordas grossas que queimavam sua pele de papel, e seus tornozelos estavam firmemente amarrados aos pés da cadeira. Mas o pior era a sensação em seu rosto. Uma mordaça de bola de couro preto havia sido forçada em sua boca, presa por tiras que se apertavam atrás de sua cabeça, impedindo-o de falar ou fechar a mandíbula completamente.
O rosto de Oliver ardeu em um tom de vermelho intenso, uma mistura de humilhação e fúria. Ele tentou gritar, mas apenas um som gutural e abafado saiu.
— Hmmph! Mmmph-nnn! — Ele se debateu, as cordas rangendo contra o metal.
Danger Oliver caminhou lentamente ao redor da mesa, seus próprios chifres parecendo maiores e mais afiados sob a luz fraca. Ele parou na frente de Oliver, inclinando-se para ficar na altura dos olhos dele.
— Olhe para você — disse Danger Oliver, um sorriso cruel brincando em seus lábios. — O grande valentão da Paper School, reduzido a isso. Tão vulnerável. Tão... pequeno.
Ele estendeu a mão e tocou suavemente a mecha arrepiada no topo da cabeça de Oliver, que se encolheu ao toque.
— Você se lembra das nossas brincadeiras quando éramos crianças, Oliver? — Danger Oliver continuou, sua voz assumindo um tom nostálgico e doentio. — Lembra-se de quando eu te trancava no armário de materiais e dizia que os professores nunca te encontrariam? Ou de quando eu quebrava seus lápis favoritos só para ver você chorar?
Oliver fixou o olhar no outro, seus olhos faíscando de ódio. Ele tentou avançar, tentando morder a mão de Danger Oliver que agora se aproximava de seu rosto, mas a mordaça de bola tornava o gesto ineficaz, resultando apenas em um clique metálico de seus dentes contra o couro.
— Ora, ora, ainda tentando morder? — Danger Oliver riu alto, o som ecoando nas sombras. — Algumas coisas nunca mudam. Você sempre foi um animalzinho selvagem, não é? Mas agora, você é o meu animalzinho.
Ele se aproximou ainda mais, sussurrando perto do ouvido de Oliver, que tremia de raiva contida.
— Você acha que é malvado porque faz bullying com os outros alunos? — Danger Oliver zombou. — Você não sabe o que é a verdadeira maldade. Eu sou o que você vê no espelho quando as luzes se apagam. Eu sou o medo que você esconde atrás desse "A+" idiota.
Oliver fechou os olhos com força, tentando bloquear a voz, mas as memórias estavam voltando. Ele se lembrava de se esconder debaixo da cama, ouvindo os passos pesados de Danger Oliver no quarto ao lado. Ele se lembrava da sensação de ser um rascunho inacabado, sempre à sombra de uma versão mais sombria e poderosa de si mesmo.
— Mmmph! — Oliver forçou um som, tentando empurrar a mesa com as pernas presas.
— Fique quieto — Danger Oliver disse, sua voz tornando-se subitamente fria e cortante. — Eu ainda não terminei de lembrar. Lembra daquela vez que você tentou fugir e eu te prendi no porão por três dias? Você comeu papel para não passar fome. Acho que foi ali que seu gosto por coisas estranhas começou, não foi? O sabonete é só uma tentativa de limpar o gosto daquele porão da sua boca.
Oliver sentiu uma lágrima de frustração escapar pelo canto do olho. Ele não era aquele garotinho assustado mais. Ele era Oliver! Ele tinha amigos! Ele tinha o lápis!
— Mas não se preocupe, irmãozinho — Danger Oliver disse, passando a mão pelo braço de lápis de Oliver. — Eu não vim aqui para te matar. Eu vim para te lembrar de quem você realmente é. Você não pertence àquela escola colorida com seus amigos patéticos. Você pertence aqui, na escuridão, comigo.
Danger Oliver pegou um pequeno pedaço de sabonete do bolso de Oliver — o que ele estava comendo antes — e o segurou diante dos olhos do garoto amarrado.
— Quer um pouco? — Ele perguntou com um tom sarcástico. — Ou prefere que eu te dê algo mais... permanente para mastigar?
Oliver tentou cuspir na direção dele, mas a mordaça impediu qualquer coisa além de um som de engasgo. Ele estava furioso, seu rosto agora quase roxo de tanto esforço para se libertar.
— Você está ficando irritado? — Danger Oliver riu, deleitando-se com a reação. — Ótimo. A raiva te torna real. A raiva te torna parecido comigo.
Ele começou a andar novamente, a luz da lâmpada fazendo sua sombra dançar de forma grotesca nas paredes invisíveis da sala escura.
— Zip e Edward nem devem ter notado que você sumiu — continuou Danger Oliver, sua voz vindo de algum lugar atrás de Oliver. — Eles provavelmente estão rindo de alguma outra coisa agora. Eles não se importam com o Oliver real. Eles só gostam do palhaço que você finge ser.
Oliver balançou a cabeça violentamente, negando as palavras. Ele sabia que eles eram amigos. Eles eram um trio. Mas, no fundo de sua mente, a semente da dúvida, plantada por anos de tormento nas mãos de sua versão sombria, começou a brotar.
— Eu vou te deixar aqui por um tempo — Danger Oliver disse, sua voz começando a se afastar, tornando-se um eco nas sombras. — Para você pensar. Para você lembrar de cada momento em que eu te fiz sentir pequeno. E quando eu voltar... bem, talvez a gente brinque de algo novo.
— Mmmph! Mmmph-nnn! — Oliver gritou contra a mordaça, seu corpo se contorcendo na cadeira de metal enquanto a figura de Danger Oliver desaparecia na escuridão total.
A luz fraca da lâmpada acima dele piscou uma última vez antes de se estabilizar em um brilho pálido e solitário. Oliver estava sozinho. O silêncio da sala escura era pesado, quebrado apenas pelo som de sua própria respiração errática e abafada.
Ele olhou para seus pulsos amarrados, para o braço de lápis que agora parecia inútil, e sentiu uma onda de isolamento que não sentia há anos. Ele era o valentão da Paper School, o garoto que todos temiam ou odiavam, mas ali, naquele vazio, ele era apenas Oliver. E Danger Oliver estava certo sobre uma coisa: as memórias do passado eram cordas muito mais difíceis de romper do que as que prendiam seus braços.
Oliver fechou os olhos, a mordaça de couro ainda pressionando sua língua, e pela primeira vez em muito tempo, ele não estava planejando uma pegadinha. Ele estava apenas tentando não desaparecer na própria sombra.
