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Amor

Fandom: Star wars

Criado: 21/08/2026

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RomanceDramaAngústiaFicção CientíficaÓpera EspacialGravidez Não Planejada/IndesejadaDivergênciaCenário Canônico
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O Eco do Destino nos Jardins de Naboo

O crepúsculo de Naboo tingia o céu com tons de violeta e ouro, refletindo-se nas águas calmas que cercavam o palácio. Para Tatsuyo Nakamura, aquela visão sempre fora um sinônimo de paz, mas, naquela tarde, o horizonte parecia carregar o peso de uma tempestade invisível. Ela estava parada na varanda, seus cabelos ondulados e pretos caindo em cascatas pelas costas, contrastando com a pele parda que reluzia sob a luz suave das lanternas de plasma. Seus olhos pretos, geralmente decididos e firmes como convinha a uma senadora, estavam nublados por uma mistura de medo e uma alegria avassaladora.

Ela apertou o parapeito de pedra fria, sentindo o vento leve agitar seu vestido de seda. O segredo que carregava não era apenas uma vida nova; era um desafio direto às leis que governavam a galáxia, ao Código Jedi e ao equilíbrio precário de sua própria existência política.

Passos pesados e rítmicos ecoaram no corredor atrás dela. Tatsuyo não precisou se virar para saber quem era. Ela reconheceria aquela presença na Força em qualquer lugar da orla exterior. Era uma energia vibrante, intensa e, ultimamente, carregada de uma ansiedade que a preocupava.

Kuro Hatake atravessou o limiar da varanda. Ele era a própria definição de uma contradição ambulante. A pele branca destacava as cicatrizes leves de batalhas recentes, e o cabelo branco, curto e repicado, estava desalinhado pelo uso do capacete de voo. Com seus 1,80 de altura e o corpo musculoso moldado por anos de treinamento rigoroso, ele emanava um magnetismo que poucos conseguiam ignorar. Mas eram seus olhos castanhos escuros que, naquele momento, buscavam os de Tatsuyo com uma urgência quase dolorosa.

— Você está quieta demais — disse Kuro, sua voz grave quebrando o silêncio da noite. — A reunião com o Conselho não foi produtiva?

Tatsuyo finalmente se virou, forçando um sorriso que não chegou aos olhos.

— A política é sempre a mesma, Kuro. Palavras vazias para problemas reais. Mas não é sobre o Senado que eu estava pensando.

Kuro se aproximou, diminuindo a distância entre eles até que ela pudesse sentir o calor que emanava dele. Ele estendeu a mão, tocando o rosto dela com uma delicadeza que contrastava com a força que ele demonstrava no campo de batalha.

— O que foi, então? — perguntou ele em voz baixa. — Eu sinto sua agitação. É como se houvesse uma estática na Força ao seu redor.

Tatsuyo respirou fundo, fechando os olhos por um momento para saborear o toque dele. Ela sabia que, como um dos cavaleiros mais poderosos da Ordem, Kuro sentia tudo com uma intensidade dobrada. Não havia como esconder a verdade por muito mais tempo.

— Kuro... algo mudou — começou ela, a voz falhando levemente. — Algo que vai mudar tudo para nós. Para sempre.

Kuro franziu a testa, a preocupação vincando sua testa jovem, mas marcada pelas responsabilidades da guerra.

— O Chanceler? Ou os Separatistas? Se alguém te ameaçou, Tatsuyo, eu juro que...

— Não é uma ameaça — interrompeu ela, pegando a mão dele e levando-a lentamente até seu ventre. — É um milagre. E um problema.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Kuro ficou imóvel, a palma da mão repousando sobre o tecido fino do vestido dela. Por alguns segundos, ele não pareceu processar a informação. Então, seus olhos se arregalaram e ele pareceu perder o fôlego. Na Força, Tatsuyo sentiu uma explosão de emoções vindo dele: choque, terror puro e, por fim, uma luz radiante de puro amor.

— Você está... — Ele não conseguiu terminar a frase, a voz embargada.

— Sim — confirmou ela, as lágrimas finalmente transbordando. — Eu descobri hoje cedo. Estamos esperando um filho, Kuro.

Kuro caiu de joelhos diante dela, não por fraqueza, mas como se o peso daquela revelação fosse grande demais para ser suportado de pé. Ele encostou a testa na barriga dela, soltando um suspiro trêmulo.

— Um filho — sussurrou ele, a voz abafada. — Meu e seu.

— O que vamos fazer? — perguntou Tatsuyo, passando as mãos pelos cabelos brancos dele. — Se o Conselho descobrir, você será expulso da Ordem. E a minha posição no Senado...

Kuro levantou o rosto, e Tatsuyo viu algo novo em seus olhos castanhos. Não era mais apenas o brilho do guerreiro ou a sombra da dúvida. Era uma determinação feroz, algo que beirava a possessividade, mas que era alimentado por um afeto profundo.

— Eu não me importo com a Ordem — declarou ele, levantando-se para ficar na altura dela novamente. — Eu não me importo com títulos ou com o que os mestres dizem sobre apego. Esse bebê... ele é a única coisa real em meio a toda essa guerra.

— Mas eles vão nos separar, Kuro — disse ela, o medo voltando a crescer. — Você sabe como eles são. Eles veem o amor como um caminho para o lado sombrio.

— Eles não vão tocar em você. Nem nele — afirmou Kuro, segurando os ombros dela com firmeza. — Eu vou proteger vocês dois, mesmo que tenha que enfrentar a galáxia inteira.

Tatsuyo sentiu um arrepio. A intensidade de Kuro sempre a atraíra, mas agora havia uma nota de desespero em sua promessa que a assustava. Ela o abraçou apertado, escondendo o rosto no peito dele, sentindo os batimentos acelerados de seu coração.

— Eu tive visões, Tatsuyo — confessou ele, a voz agora um sussurro rouco contra o ouvido dela.

Ela se afastou um pouco para olhar para ele.

— Visões?

— Sonhos. Fragmentos de algo que eu não entendia até agora — explicou Kuro, desviando o olhar para o horizonte escuro. — Eu via dor. Eu via você sofrendo. Eu não sabia o porquê, mas agora... agora eu entendo que é o medo de perder o que acabamos de ganhar.

— Kuro, visões são perigosas — advertiu ela, lembrando-se das lições que ele mesmo já havia lhe contado sobre a natureza mutável do futuro. — Elas podem nos levar a cometer erros por medo.

— Eu não vou deixar que nada aconteça com você — insistiu ele, e a escuridão em seus olhos pareceu se aprofundar por um instante. — Eu vou encontrar uma maneira de garantir que você esteja segura. Existe poder além do que os Jedi ensinam, Tatsuyo. Conhecimentos que podem salvar vidas.

— Do que você está falando? — perguntou ela, sentindo um frio súbito que não vinha do vento noturno.

— Nada que você precise se preocupar agora — disse ele, voltando a suavizar a expressão e beijando a testa dela. — Apenas saiba que esse bebê é a minha vida. Você é a minha vida.

Eles ficaram ali, abraçados sob o manto das estrelas de Naboo, dois seres ligados por um segredo que poderia incendiar a galáxia. Tatsuyo sentia a vida pulsando dentro de si, uma pequena centelha de esperança em tempos de trevas. Mas, ao olhar para Kuro, ela não pôde deixar de notar como a luz das lanternas criava sombras longas e distorcidas atrás dele.

— Prometa-me uma coisa — pediu ela, segurando o rosto dele entre as mãos.

— Qualquer coisa — respondeu ele prontamente.

— Que não importa o que aconteça, você não vai se perder para me salvar. O amor não deve ser uma prisão, Kuro. Deve ser a nossa liberdade.

Kuro sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo lindo e melancólico, realçando sua beleza quase irreal sob o luar.

— Eu prometo que farei o que for necessário para que sejamos uma família.

Aquelas palavras deveriam ter trazido conforto total, mas Tatsuyo sentiu uma pontada de incerteza. Ela sabia que Kuro a amava com uma força que desafiava as estrelas, mas também sabia que esse mesmo amor era a chama que poderia purificar ou consumir tudo ao seu redor.

— Venha — disse ela, tentando mudar o clima. — O jantar deve estar sendo servido. Precisamos manter as aparências, pelo menos por enquanto.

— As aparências — repetiu Kuro, com um tom de desdém. — Estou cansado de me esconder, Tatsuyo. Cansado de fingir que você é apenas uma aliada política quando você é a razão pela qual eu ainda luto nesta guerra idiota.

— Eu sei, meu amor. Eu também estou. Mas por ele... — ela tocou novamente o ventre — ... precisamos ser cautelosos.

Kuro assentiu, embora a tensão em seus ombros não tivesse desaparecido completamente. Ele a conduziu para dentro, sua mão protetora pousada na base das costas dela.

Enquanto caminhavam pelos corredores luxuosos do palácio, o silêncio entre eles era preenchido por pensamentos não ditos. Kuro já estava traçando planos em sua mente, caminhos que a Ordem Jedi jamais aprovaria. Ele via a gravidez de Tatsuyo como um sinal, uma prova de que o destino dele não estava atado a velhos códigos de conduta, mas sim a ela.

Para Tatsuyo, cada passo era um lembrete da fragilidade de sua situação. Ela olhou para o perfil de Kuro, para a linha forte de sua mandíbula e a determinação em seu olhar. Ele era seu herói, seu marido secreto e, agora, o pai de seu filho. Mas ela se perguntava se a galáxia permitiria que eles tivessem o final feliz que tanto desejavam.

— Kuro? — chamou ela, parando antes de entrarem no salão principal.

— Sim?

— Você está feliz? — A pergunta era simples, mas carregava o peso de todas as suas dúvidas.

Kuro parou e olhou para ela. Pela primeira vez naquela noite, a sombra de preocupação desapareceu de seu rosto, substituída por uma ternura pura e absoluta. Ele a puxou para um beijo rápido, mas carregado de promessa.

— Eu nunca estive tão feliz e tão aterrorizado ao mesmo tempo — confessou ele com sinceridade. — Mas, acima de tudo, eu me sinto completo. Obrigado por isso, Tatsuyo.

Ela sorriu, sentindo um pouco da tensão deixar seu corpo. Se eles tivessem um ao outro, talvez pudessem realmente enfrentar o que estava por vir.

— Nós vamos conseguir — disse ela, mais para si mesma do que para ele.

— Sim — concordou Kuro, embora seus olhos castanhos brilhassem com uma intensidade que sugeria que ele faria qualquer sacrifício para tornar aquelas palavras verdadeiras. — Nós vamos.

Enquanto entravam no salão, as luzes artificiais ofuscaram a beleza natural do crepúsculo. Lá fora, a galáxia continuava em guerra, planetas caíam e o lado sombrio crescia nas sombras do Senado. Mas ali, naquele momento, o universo de Kuro Hatake e Tatsuyo Nakamura havia se reduzido a uma única e nova vida que começava a florescer, um segredo guardado no coração de Naboo, esperando o momento de mudar o destino de todos.

Kuro olhou uma última vez para o céu através da janela, sua mão inconscientemente fechando-se em um punho. Ele não permitiria que o destino decidisse por ele. Ele seria o mestre de seu próprio futuro, custasse o que custasse. E Tatsuyo, sentindo a mudança na energia dele, apenas rezou para que o amor deles fosse forte o suficiente para resistir à tempestade que ela sabia que estava chegando.

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