
Neon Lights
Fandom: Joe keery
Criado: 21/08/2026
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Notas e Acordes no Meio da Noite
A luz neon azul e rosa do "The Rusty Anchor" refletia no gelo do copo de uísque de Joe, mas seus olhos não estavam na bebida. Eles estavam fixos na mulher do outro lado do bar. Ela tinha uma postura relaxada, mas confiante, com o tipo de beleza latina que parecia iluminar o ambiente enfumaçado de uma forma que nenhuma lâmpada de palco conseguiria.
Joe Keery estava acostumado a ser o centro das atenções, seja nos sets de filmagem ou nos palcos com sua música, mas ali, naquela noite de terça-feira em um karaokê qualquer, ele se sentia apenas um espectador hipnotizado. Ele ajeitou o cabelo — aquele topete icônico que parecia ter vida própria — e chamou o garçom com um aceno discreto.
— Entregue isso para a moça de vestido preto na mesa do canto — disse Joe, apontando com o queixo. — Por conta da casa... ou melhor, por minha conta.
Minutos depois, ele a viu sorrir ao receber o drink. Ela olhou ao redor, os olhos escuros encontrando os dele com uma precisão cirúrgica. Emilly não hesitou. Ela pegou o copo, levantou-o em um brinde silencioso e caminhou em direção à mesa dele com um andar que exalava uma segurança magnética.
— Um Martini de maçã? — perguntou ela, sentando-se à frente dele sem ser convidada, o que fez Joe abrir um sorriso largo. — Você é do tipo que tenta adivinhar o paladar das pessoas ou apenas teve sorte?
— Eu gosto de pensar que tenho um instinto aguçado para o que combina com personalidades vibrantes — Joe respondeu, a voz aveludada carregada de um tom brincalhão. — Sou o Joe.
— Eu sei quem você é, Joe. Mas aqui, você é só o cara que me deve uma explicação por interromper minha conversa com as minhas amigas — Emilly rebateu, arqueando uma sobrancelha.
Joe riu, encostando-se na cadeira.
— Justo. Muito justo. E você é...?
— Emilly. E antes que pergunte, não, eu não vou pedir um autógrafo.
— Que alívio — Joe brincou, inclinando-se para a frente. — Porque eu ia pedir para você assinar a conta se eu ficasse sem dinheiro.
Eles riram, e a conversa fluiu com uma facilidade desconcertante. Emilly era rápida, engraçada e não se deixava intimidar pelo brilho da fama dele. Ela contou que estava no meio de um turbilhão acadêmico, terminando seu doutorado em Princeton, o que deixou Joe genuinamente impressionado.
— Uma doutora? Então eu deveria estar te chamando de "Vossa Excelência"? — perguntou ele, os olhos brilhando de diversão.
— "Doutora" serve, mas só quando eu estiver usando o jaleco — ela riu, tomando um gole de sua bebida. — E você? O que um astro do rock e das telas faz em um karaokê de quinta categoria numa terça à noite?
— Eu vim em busca de talentos escondidos — Joe disse, mudando o tom para algo mais desafiador. — Mas até agora, só ouvi versões terríveis de Bon Jovi.
Ele olhou para o palco pequeno, onde um homem tentava, sem sucesso, alcançar as notas altas de "Livin' on a Prayer".
— Você acha que consegue fazer melhor? — Joe perguntou, voltando o olhar para Emilly.
— Eu? — Ela soltou uma risada curta. — Joe, eu passo meus dias analisando dados e escrevendo teses. Não sou uma performer.
— Ah, não fuja disso. Eu vi como você estava batendo o pé no ritmo da música antes. Você tem ritmo. Eu te desafio.
Emilly estreitou os olhos, o espírito competitivo surgindo.
— Você está me desafiando? Um ator profissional e músico está desafiando uma estudante de doutorado exausta para um duelo de karaokê? Isso parece injusto.
— A vida é injusta, Emilly. Mas a música é democrática. Vai lá. Se você for mal, eu pago a próxima rodada. Se você for bem... bem, aí teremos um problema.
Emilly levantou-se, ajeitando o vestido.
— Prepare sua carteira, Keery.
Ela caminhou até o DJ do karaokê e sussurrou algo. Joe observou, curioso, esperando algo seguro, talvez uma balada pop lenta. Mas quando os primeiros acordes de "Valerie", na versão da Amy Winehouse, começaram a tocar, ele ergueu as sobrancelhas.
Emilly pegou o microfone e, no momento em que abriu a boca, o bar pareceu silenciar. Sua voz era rica, cheia de alma, com um timbre levemente rouco que dominava a melodia com uma facilidade absurda. Ela não estava apenas cantando; ela estava se divertindo, movendo os quadris levemente e apontando para Joe durante o refrão.
Joe estava paralisado. Ela era incrível. Quando ela terminou, sob aplausos entusiasmados de todos no bar, ela voltou para a mesa com um sorriso vitorioso no rosto.
— E então? — perguntou ela, recuperando o fôlego. — Onde está minha bebida gratuita?
— Esqueça a bebida — Joe disse, levantando-se e pegando a mão dela. — Você me humilhou. Agora é minha vez de tentar salvar minha honra, mas eu não vou sozinho.
— O quê? Não, Joe! — ela protestou, rindo, enquanto ele a puxava de volta para o palco.
— Ah, você começou isso. Agora vamos terminar juntos.
Joe falou com o DJ e, segundos depois, a introdução de "Don't Go Breaking My Heart" começou a ecoar. Emilly revirou os olhos, mas não conseguiu conter o riso.
— Sério? Elton John e Kiki Dee? — ela sussurrou enquanto ele entregava o microfone a ela.
— É um clássico! — Joe exclamou, já entrando no personagem.
O dueto foi pura eletricidade. Eles flertavam abertamente no palco, trocando versos e olhares que faziam a química entre eles ser quase palpável para qualquer um que estivesse assistindo. Joe usava seu charme natural, fazendo gestos dramáticos, enquanto Emilly respondia com uma confiança que o deixava cada vez mais encantado. Eles terminaram a música rindo, quase sem fôlego, com os rostos muito próximos um do outro antes de descerem do palco sob uma salva de palmas.
De volta à mesa, a atmosfera havia mudado. A brincadeira ainda estava lá, mas havia algo mais profundo, uma faísca que nenhum dos dois esperava encontrar em uma noite comum.
— Ok, eu admito — disse Joe, secando o suor da testa com um guardanapo. — Você é muito melhor do que eu esperava. E eu esperava muito.
— E você não é nada mal para um amador — ela brincou, fazendo-o rir.
— Escuta — Joe disse, sua voz tornando-se um pouco mais séria, embora o sorriso ainda estivesse lá. — Eu não quero que a noite termine aqui. Eu sei que é tarde e que você provavelmente tem que salvar o mundo com sua tese amanhã, mas... você gostaria de sair comigo? De verdade?
Emilly olhou para ele, estudando seus olhos. Ela viu sinceridade ali, por trás da fachada de celebridade.
— Eu adoraria, Joe. Mas minha vida está um caos com o final do doutorado. Princeton consome cada segundo que eu não estou dormindo.
— Eu também não sou o homem mais livre do mundo — Joe confessou. — Tenho gravações começando na próxima semana, ensaios, viagens de divulgação... Mas a gente pode dar um jeito.
— Um jeito, é? — Emilly sorriu. — E como seria esse "jeito"?
Joe inclinou-se, o rosto a centímetros do dela.
— A gente descobre. Um passo de cada vez. O que você faz para relaxar entre uma tese e outra?
— Eu corro — ela respondeu. — No parque, todas as manhãs, às sete. É o único momento em que meu cérebro desliga.
Joe fez uma careta cômica de dor.
— Sete da manhã? Isso é um crime contra a humanidade, Emilly.
— Pegue ou largue, Keery.
Joe soltou um suspiro dramático, mas seus olhos brilhavam.
— Sete da manhã no parque. Eu estarei lá. Mas não espere que eu cante Elton John naquele horário.
Eles saíram do bar juntos, caminhando sob as luzes da cidade até o carro dela. O combinado estava feito, mas o que nenhum dos dois sabia era o quanto aquelas corridas matinais se tornariam o alicerce de algo muito maior.
Nas duas semanas seguintes, o ritual se repetiu. Joe, apesar de estar exausto pelas longas horas no set de filmagem, aparecia no parque pontualmente. Ele não corria tanto quanto ela — na verdade, ele geralmente aparecia com dois cafés e caminhava ao lado dela nos últimos vinte minutos do percurso dela. Eram vinte minutos curtos, mas intensos. Eles falavam sobre tudo: desde as frustrações dela com a banca examinadora até as inseguranças dele sobre uma nova música que estava escrevendo.
— Você parece cansado hoje — Emilly comentou em uma dessas manhãs, diminuindo o passo para caminhar ao lado dele.
— Gravei até às quatro da manhã — Joe admitiu, entregando o copo de café para ela. — Mas eu não perderia meus vinte minutos por nada.
Emilly sentiu o coração aquecer.
— Você é louco, sabia?
— É o que dizem por aí — ele sorriu, parando em frente a ela. — Mas vale a pena.
No entanto, a bolha de tranquilidade estourou quando Joe precisou viajar. O trabalho o chamava para o outro lado do oceano, uma turnê de divulgação e gravações que o manteriam longe por dois meses.
— Dois meses é muito tempo — Emilly disse na última manhã antes da viagem dele.
— A gente vai se falar todos os dias — Joe prometeu, segurando as mãos dela. — Eu quero que isso funcione, Emilly.
E eles falaram. Mensagens de texto durante as madrugadas dele, chamadas de vídeo rápidas nos intervalos dela. Eles compartilharam fotos de pratos de comida, capturas de tela de músicas e desabafos sobre o cansaço. A distância, em vez de esfriar a conexão, pareceu destilá-la, tornando cada conversa mais significativa.
Quando os dois meses finalmente passaram, o reencontro foi marcado não em um parque ou em um bar de karaokê, mas em um restaurante reservado, longe dos flashes e do barulho.
Joe estava sentado à mesa, batendo os dedos nervosamente na toalha, quando a viu entrar. Emilly estava radiante. O doutorado estava quase no fim, e o brilho de alívio em seus olhos só a tornava mais bonita.
Quando ela se aproximou, Joe se levantou e, sem dizer uma palavra, a envolveu em um abraço apertado.
— Você voltou — ela sussurrou contra o peito dele.
— Eu disse que voltaria — ele respondeu, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. — Senti sua falta. E não era só por causa do café matinal.
— Eu também senti a sua — Emilly confessou, a confiança latina dando lugar a uma vulnerabilidade doce. — Foi estranho correr sem ter alguém para reclamar do horário.
Eles se sentaram e a conversa fluiu como se os dois meses tivessem sido apenas dois dias. A conexão que começou com um drink e um desafio de karaokê havia se transformado em algo sólido, real.
— Sabe — Joe disse, pegando a mão dela por cima da mesa —, eu já conheci muita gente, Emilly. Mas ninguém me faz rir e me desafia ao mesmo tempo como você.
— É o meu doutorado em "Lidar com Joe Keery" — ela brincou, mas seu olhar era terno. — Eu acho que a gente tem algo aqui, não tem?
— Com certeza temos — Joe sorriu, aquele sorriso que derretia corações, mas que agora era direcionado apenas a ela. — E desta vez, eu não vou a lugar nenhum sem te levar comigo, nem que seja só por vídeo.
Eles sabiam que a vida continuaria sendo uma correria de horários conflitantes e carreiras exigentes, mas ali, naquele jantar, eles perceberam que a música que começaram a cantar juntos naquela noite de karaokê ainda estava longe de terminar. E, honestamente, nenhum dos dois queria que a canção chegasse ao fim.
