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Neon Lights

Fandom: Joe keery

Criado: 21/08/2026

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Notas de Rodapé e Acordes no Parque

O letreiro de neon do Blue Note piscava de forma intermitente, banhando a calçada úmida de Nova York em tons de azul e rosa. Lá dentro, o cheiro de cerveja artesanal e o som de vozes animadas criavam a atmosfera perfeita para uma noite de terça-feira. Joe Keery estava sentado em um canto discreto, tentando — e falhando miseravelmente — passar despercebido. O topete volumoso e perfeitamente bagunçado era quase uma marca registrada, e o brilho divertido em seus olhos castanhos revelava que ele estava gostando do caos do karaokê.

Foi então que ele a viu.

Do outro lado do bar, encostada no balcão de mogno, estava uma mulher que parecia irradiar uma energia própria. Ela era morena, com traços latinos marcantes e um sorriso que parecia pronto para desarmar qualquer um. Ela ria de algo que a amiga dizia, jogando a cabeça para trás com uma confiança que fez Joe esquecer momentaneamente o copo de uísque em sua mão.

Ele não era do tipo que hesitava. Chamou o garçom, sussurrou algo e apontou discretamente para a mesa dela. Minutos depois, um Martini clássico foi colocado à frente de Emilly. Ela franziu o cenho, olhou para o garçom e depois seguiu o gesto dele até encontrar os olhos de Joe.

Ele ergueu o próprio copo em um brinde silencioso, um sorriso de lado brincando em seus lábios.

Emilly não se intimidou. Ela pegou a taça, deu um gole generoso e, com passos decididos, atravessou o bar em direção à mesa dele.

— Sabe, em Princeton a gente aprende que não se deve aceitar bebidas de estranhos com cabelos tão... esculturais — disse ela, puxando a cadeira e sentando-se sem ser convidada.

Joe soltou uma risada rouca, o som genuíno que seus fãs tanto amavam, mas que ali pertencia apenas a ela.

— Esculturais? Vou levar isso como um elogio acadêmico — respondeu ele, inclinando-se para frente. — Sou o Joe.

— Eu sei quem você é, Joe Keery — ela deu de ombros, divertida. — Mas aqui, você é só o cara que me deve uma explicação por interromper minha conversa. Eu sou a Emilly.

— Prazer, Emilly. E a explicação é simples: você parecia a pessoa mais interessante deste bar, e eu sou um péssimo perdedor quando se trata de curiosidade.

Eles passaram a hora seguinte mergulhados em uma conversa fluida. Joe era rápido nas piadas, e Emilly devolvia cada provocação com uma inteligência afiada. Ela contou sobre o estresse do doutorado em Princeton, e ele falou sobre a loucura das turnês e dos sets de filmagem. O flerte era palpável, uma eletricidade que corria entre os copos de vidro.

— Tudo bem, engraçadinho — disse Emilly, apontando para o palco onde um homem tentava, sem sucesso, cantar Bon Jovi. — Você é o astro do rock, o cara da TV. Mas duvido que tenha coragem de subir ali agora.

Joe arqueou as sobrancelhas, o desafio brilhando em seus olhos.

— Eu? Eu vivo disso, Emilly. O desafio real é você. Você tem cara de quem canta apenas no chuveiro para não assustar os vizinhos.

Emilly soltou uma risada desafiadora e levantou-se, estendendo a mão para ele.

— Vamos ver quem assusta quem.

Eles subiram ao palco sob alguns aplausos curiosos. A música escolhida foi “Dreams” do Fleetwood Mac. Quando os primeiros acordes soaram, Emilly assumiu o microfone. A voz que saiu dela era rica, aveludada e perfeitamente afinada. Joe ficou momentaneamente paralisado; ela não era apenas boa, ela era incrível.

Ele se juntou a ela no refrão, as vozes se misturando em uma harmonia natural que fez o bar inteiro silenciar. Durante a ponte da música, Joe se aproximou, o rosto a centímetros do dela, cantando diretamente para ela. O flerte que antes era apenas verbal transformou-se em algo magnético.

— Você canta muito bem para uma futura doutora — sussurrou ele no final da música, ainda perto demais enquanto o público aplaudia.

— E você é bem mais do que um rostinho bonito e um cabelo icônico — respondeu ela, a respiração levemente ofegante.

Naquela noite, antes de se despedirem, o convite para um encontro real foi feito. Mas a realidade da vida de ambos bateu à porta logo na manhã seguinte.

Joe tinha uma agenda insana: gravações de um novo filme durante o dia e sessões de estúdio para seu projeto musical, Djo, à noite. Emilly estava na reta final da redação de sua tese, o que significava horas intermináveis na biblioteca e reuniões com orientadores.

A solução? O parque.

— Eu corro todos os dias às sete da manhã perto do reservatório — disse ela por telefone, dois dias depois. — É o único momento em que meu cérebro não está processando dados estatísticos.

— Estarei lá — prometeu Joe.

Durante as duas semanas seguintes, aquele se tornou o ritual deles. Joe, muitas vezes tendo dormido apenas quatro horas após sair do estúdio, aparecia com dois copos de café. Ele não corria — ele não era exatamente um entusiasta do cardio matinal —, mas caminhava ao lado dela ou a esperava em um banco específico.

Eram vinte minutos. Apenas vinte minutos de conversas rápidas, risadas sobre o sono dele e as reclamações dela sobre a academia.

— Você parece um guaxinim com essas olheiras, Keery — brincou Emilly em uma manhã de neblina, parando de correr para pegar o café da mão dele.

— Um guaxinim muito talentoso e dedicado, por favor — ele respondeu, ajeitando a touca que escondia o cabelo bagunçado. — Como está a tese?

— Me matando. Mas ver sua cara de sono ajuda a lembrar que existe um mundo fora dos livros.

— Eu vou viajar amanhã — disse ele, o tom de voz mudando para algo mais sério. — Gravações na Europa. Dois meses.

Emilly parou de beber o café, olhando-o nos olhos. Havia uma pontada de decepção, mas ela sorriu, confiante.

— Dois meses passam rápido, Joe. E eu estarei ocupada demais tentando não ser reprovada para sentir tanto a sua falta.

— Mentirosa — ele riu, puxando-a para um abraço rápido, sentindo o cheiro de perfume e suor que, estranhamente, ele já adorava. — Eu vou ligar.

E ele ligou.

Os dois meses seguintes foram preenchidos por chamadas de vídeo em fusos horários impossíveis. Joe ligava dos sets na Itália, ainda maquiado, e Emilly atendia da biblioteca de Princeton, sussurrando para não ser expulsa. Eles compartilhavam fotos de almoços, músicas que estavam ouvindo e os pequenos detalhes do dia a dia. A conexão, longe de esfriar, solidificou-se através das palavras.

Quando Joe finalmente pousou em Nova York, a primeira coisa que fez foi mandar uma mensagem: “O guaxinim está de volta. Jantar às 20h?”

O restaurante era pequeno, à luz de velas, longe dos holofotes. Quando Joe viu Emilly entrar, vestindo um vestido escuro que realçava sua pele morena, ele sentiu um frio no estômago que nenhum palco jamais lhe dera.

Ele se levantou, e o encontro de seus olhares confirmou o que as mensagens já sugeriam: a química do karaokê não fora um acaso.

— Você está incrível — disse ele, puxando a cadeira para ela.

— E você finalmente dormiu mais de seis horas, pelo que vejo — brincou ela, mas seus olhos brilhavam de admiração.

O jantar fluiu com uma facilidade assustadora. Eles não falavam mais como estranhos que se conheceram em um bar, mas como pessoas cujas vidas já estavam entrelaçadas pelos últimos meses de confidências.

— Eu senti falta disso — admitiu Joe, mexendo no vinho. — De ver você rir pessoalmente. O FaceTime não faz justiça ao seu senso de humor.

— E eu senti falta de desafiar você — Emilly sorriu, inclinando-se sobre a mesa. — Sabe, eu terminei meu penúltimo capítulo hoje. Acho que mereço uma comemoração.

— E o que você tem em mente, Doutora?

Emilly olhou para ele, a confiança latina transbordando em cada gesto.

— Menos conversa e mais ação, Keery.

Joe sorriu, pagou a conta e eles saíram para a noite fresca de Nova York. Caminharam de mãos dadas até o apartamento dela, o silêncio entre eles sendo preenchido pelo som da cidade e pela expectativa.

Ao chegarem à porta, Joe a prensou levemente contra a parede, as mãos perdidas na cintura dela.

— Eu esperei dois meses por isso — sussurrou ele.

— Eu esperei sessenta dias de corridas solitárias no parque — rebateu ela, passando os braços pelo pescoço dele.

O beijo foi lento, profundo e carregado de toda a saudade acumulada. Havia uma sintonia ali que ia além da atração física; era o reconhecimento de duas almas que, apesar das agendas impossíveis e dos mundos diferentes, haviam encontrado um ritmo comum.

— Definitivamente — disse Joe, recuperando o fôlego enquanto testava a maciez da pele do pescoço dela —, Princeton deveria fazer um estudo sobre como você é viciante.

— E você — Emilly sorriu, puxando-o para dentro do apartamento — deveria parar de falar e me mostrar se ainda lembra como fazer um dueto.

Naquela noite, não houve karaokê, nem câmeras, nem livros de doutorado. Havia apenas Joe e Emilly, descobrindo que, às vezes, a melhor música é aquela que se cria no silêncio de um encontro esperado por tempo demais. A conexão era real, sólida e, para a surpresa de ambos, estava apenas começando.

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