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Lights of Love

Fandom: Joe Keery

Criado: 21/08/2026

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Acordes, Bisturis e Outras Notas Altas

O ar dentro do The Silver Mic estava saturado com o cheiro de cerveja artesanal, perfume barato e aquela expectativa elétrica que só uma noite de karaokê em Los Angeles consegue proporcionar. O letreiro de neon azul e rosa refletia nas mesas de madeira gasta, criando um ambiente que oscilava entre o aconchegante e o caótico.

Joe Keery estava sentado em um dos nichos de couro do fundo, tentando — e falhando miseravelmente — passar despercebido. Com seu cabelo castanho perfeitamente bagunçado, que parecia ter vida própria, e um sorriso de canto que já havia derretido metade da internet, ele apenas relaxava com um copo de uísque. Ele amava a energia do lugar; ali, entre vozes desafinadas e aplausos entusiasmados, ele era apenas Joe, não o astro de Stranger Things ou o músico sob o pseudônimo de Djo.

Foi então que ele a viu.

Do outro lado do salão, encostada no balcão, estava uma mulher que parecia irradiar uma luz própria. Ela era morena, com traços latinos marcantes e um sorriso que, mesmo de longe, parecia ser a coisa mais genuína naquele bar. Ela ria de algo que a amiga dizia, jogando a cabeça para trás, e Joe sentiu um solavanco estranho no peito. Ela tinha uma aura de quem trabalhava duro, mas que, naquele momento, só queria esquecer o mundo lá fora.

Joe não era do tipo tímido. Ele era extrovertido por natureza, alimentado pela curiosidade e pelo charme que parecia fluir de seus poros. Ele chamou o garçom com um aceno discreto.

— Vê aquela moça de vestido verde no balcão? — Joe apontou sutilmente. — Mande um Gin Fizz para ela. Por minha conta.

Ele observou enquanto o garçom entregava a bebida. Viu o momento exato em que ela franziu o cenho, confusa, e depois olhou ao redor até que seus olhos encontrassem os dele. Joe ergueu o copo de uísque em um brinde silencioso, sustentando o olhar com um brilho travesso nos olhos castanhos.

Para sua surpresa e deleite, ela não apenas sorriu de volta; ela pegou o copo e caminhou decidida em direção à mesa dele.

— Sabe, em alguns lugares, mandar uma bebida sem dizer oi é considerado um movimento de quem tem medo de levar um "não" na cara — disse ela, deslizando para o banco à frente dele com uma confiança que o deixou momentaneamente sem palavras.

Joe riu, o som rico e vibrante.

— E em outros lugares, é considerado o movimento de um cavalheiro que sabe apreciar a beleza à distância — ele rebateu, inclinando-se para a frente. — Eu sou o Joe.

— Emilly — ela respondeu, estendendo a mão. A pele dela era quente. — E então, Joe, além de mandar bebidas misteriosas, o que você faz da vida quando não está escondido em cantos escuros de bares?

— Eu tento não desafinar muito no chuveiro — ele brincou, omitindo a parte da fama por um segundo. — E você? Deixe-me adivinhar... artista? Designer?

Emilly soltou uma risada curta e deliciosa.

— Longe disso. Eu estudo Medicina em Stanford. Estou em Los Angeles apenas para um estágio curto e para tentar não ter um colapso nervoso antes das provas finais.

Joe arregalou os olhos, genuinamente impressionado.

— Medicina? Stanford? Uau. Então eu estou na presença de um gênio. Devo começar a te chamar de Doutora?

— Por favor, não — ela riu, balançando a mão. — Aqui eu sou só a Emilly que precisa desesperadamente de uma folga dos livros de anatomia. Minha vida é uma sucessão de plantões, café frio e termos em latim que eu mal consigo pronunciar às três da manhã.

— Eu entendo o sentimento da rotina maluca — comentou Joe, seus olhos suavizando. — Minha agenda é basicamente um quebra-cabeça que alguém jogou no liquidificador. Entre sets de filmagem e estúdios de gravação, às vezes esqueço em que fuso horário estou.

Eles continuaram conversando, e a química era palpável. Havia um flerte leve, uma troca de provocações que parecia natural, como se se conhecessem há anos. Joe estava encantado com a inteligência dela e com a forma como ela não parecia nem um pouco intimidada por ele.

No palco, um homem terminava uma versão sofrível de uma música do Journey. Joe olhou para o microfone e depois para Emilly, um plano se formando em sua mente.

— Então, futura doutora... você disse que veio aqui para relaxar. O palco está aberto. Qual é o seu diagnóstico para aquela plateia?

Emilly olhou para o palco e depois voltou para Joe, arqueando uma sobrancelha.

— Ah, não. Nem pensar. Eu prefiro observar.

— O quê? — Joe fingiu choque, colocando a mão no peito. — Uma mulher tão esforçada e corajosa em Stanford tem medo de um microfone e trinta pessoas levemente embriagadas?

— Não é medo — ela retrucou, os olhos brilhando com o desafio. — É preservação auditiva.

— Eu duvido — Joe provocou, aproximando o rosto do dela. — Eu aposto que você tem uma voz incrível e está apenas tentando ser humilde. Eu te desafio. Se você subir lá e cantar, eu pago a próxima rodada. E eu escolho a música.

Emilly estreitou os olhos, um sorriso desafiador brincando em seus lábios.

— E se eu for bem?

— Se você for bem, eu subo lá com você e fazemos um dueto. E eu deixo você escolher a música.

— Fechado, Keery.

Emilly se levantou, ajeitou o vestido e caminhou até o DJ do karaokê. Joe observou, fascinado. Ele esperava algo seguro, talvez uma música pop fácil. Mas quando as primeiras notas de Valerie, na versão da Amy Winehouse, começaram a tocar, ele se ajeitou no banco, surpreso.

Quando Emilly começou a cantar, o bar pareceu silenciar por um segundo. A voz dela era rica, cheia de alma, com um timbre levemente rouco que combinava perfeitamente com a batida. Ela não estava apenas cantando; ela estava se divertindo, movendo-se com uma graça natural que prendia a atenção de todos.

Joe estava hipnotizado. Ela era brilhante em Stanford e, pelo visto, brilhante em qualquer coisa que decidisse fazer. Quando ela terminou, sob aplausos entusiasmados, ela apontou diretamente para ele com um olhar vitorioso.

Joe se levantou, batendo palmas, e caminhou até o palco sob o olhar curioso das pessoas que começavam a reconhecê-lo.

— Ok, ok — disse ele, pegando o segundo microfone que o DJ ofereceu. — Eu admito a derrota. Você é um espetáculo, Emilly.

— Eu sei — ela sussurrou perto do ouvido dele, o hálito quente fazendo a nuca de Joe arrepiar. — Agora, promessa é promessa. E eu escolhi a nossa música.

Ela fez um sinal para o DJ. Joe riu quando ouviu a introdução de Don't Go Breaking My Heart.

— Sério? Elton John e Kiki Dee? — Joe perguntou, já entrando no ritmo.

— É um clássico, Joe. Tente acompanhar o ritmo, se conseguir — ela provocou.

O que se seguiu foi um espetáculo de química pura. Joe, com sua presença de palco natural e voz afinada, e Emilly, com seu brilho e talento surpreendente, transformaram o karaokê em um show particular. Eles flertavam abertamente durante os versos, trocando olhares cúmplices e rindo das partes mais dramáticas da música. Joe girou Emilly no meio do palco, e a risada dela foi o som mais bonito que ele ouviu em toda a semana.

Quando a música acabou, a plateia estava em êxtase. Eles desceram do palco ainda rindo, a adrenalina correndo pelas veias.

— Você canta muito bem para um "amador" — Emilly disse, enquanto voltavam para a mesa, o tom de voz carregado de ironia carinhosa.

— Eu faço o que posso — Joe respondeu, recuperando o fôlego. — Mas sério, Emilly... você é incrível. Como você consegue conciliar essa energia com a faculdade de medicina?

Ela suspirou, sentando-se novamente, mas desta vez mais perto dele.

— É difícil. Às vezes sinto que estou correndo uma maratona que nunca termina. Mas noites como esta... conhecer pessoas interessantes como você... fazem o esforço valer a pena. E você? Como lida com a pressão de ser quem você é?

Joe olhou para o copo, pensativo.

— É uma faca de dois gumes. Eu amo o que faço, amo criar, mas a exposição cansa. Por isso gosto de lugares assim. Onde posso ser desafiado por futuras médicas a cantar Elton John.

Eles conversaram por mais uma hora, mergulhando em tópicos mais profundos: os medos dela sobre a residência, a paixão dele pela composição, os filmes favoritos de ambos. A rotina de ambos era caótica, movida a prazos e expectativas altas, e talvez fosse por isso que a conexão foi tão instantânea. Eles eram dois viciados em trabalho que finalmente haviam encontrado um momento de pausa um no outro.

O bar começou a esvaziar, as luzes de serviço piscando suavemente para indicar o fechamento.

— Eu realmente preciso ir — disse Emilly, com um toque de pesar na voz. — Meu alarme toca em cinco horas e o hospital não perdoa atrasos.

— Eu te acompanho até o carro — Joe ofereceu prontamente.

Eles caminharam pelo estacionamento fresco da noite de Los Angeles. O silêncio entre eles não era desconfortável; era carregado de uma promessa.

— Eu me diverti muito hoje, Joe. De verdade — disse ela, parando ao lado de um SUV compacto.

— Eu também. E não digo isso só porque perdi a aposta — Joe sorriu, aquele sorriso que parecia iluminar a rua mal iluminada. — Escuta, eu sei que sua vida é uma loucura em Stanford e a minha é um circo itinerante, mas... eu adoraria te ver de novo. Talvez um jantar onde ninguém nos desafie a cantar?

Emilly riu, pegando o celular na bolsa.

— Um jantar soa perfeito. Mas aviso logo: sou muito exigente com a comida.

— E eu sou muito persistente em impressionar — ele rebateu.

Eles trocaram números, os dedos se tocando brevemente enquanto devolviam os aparelhos. Joe sentiu aquela faísca novamente.

— Boa sorte no hospital amanhã, Doutora — ele disse, inclinando-se e deixando um beijo suave na bochecha dela.

— Boa sorte com o seu "chuveiro", Joe — ela brincou, entrando no carro.

Joe ficou parado no estacionamento, observando as lanternas traseiras do carro dela desaparecerem na curva. Ele passou a mão pelo cabelo, soltando um suspiro longo e satisfeito. A vida dele era agitada, cheia de barulho e luzes, mas, pela primeira vez em muito tempo, ele sentia que tinha encontrado uma melodia que valia a pena seguir.

Ele pegou o celular e enviou uma mensagem rápida antes mesmo de chegar ao seu próprio carro:

"Já estou praticando para o nosso próximo dueto. Tente descansar, você foi incrível hoje."

A resposta veio segundos depois, fazendo-o sorrir no escuro:

"Menos conversa, mais prática, Keery. Boa noite."

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