
Ele é pai?
Fandom: Tensei shitara slime datta Ken
Criado: 21/08/2026
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O Trono de Gelo e o Calor do Berçário
O ar no salão de conferências do Palácio Branco estava, como de costume, carregado de uma tensão silenciosa e gélida. O Octagrama não estava completo — a ausência de Rimuru Tempest era notável, deixando um vazio de vivacidade que geralmente equilibrava a seriedade do ambiente. Sentado em seu trono de gelo, Guy Crimson, o Primordial Vermelho, exalava uma aura de autoridade absoluta. Seus longos cabelos ondulados, da cor de sangue profundo, caíam como uma cascata de fogo sobre seus ombros, contrastando dramaticamente com a jaqueta escura aberta que revelava seu peito definido e os ornamentos prateados que tilintavam suavemente a cada movimento.
Leon Cromwell, o Imperador de Platina, mantinha sua expressão estoica enquanto discutia as flutuações de energia mágica nas fronteiras do continente. Guy ouvia com um desdém elegante, seus olhos carmesins, salpicados de ouro e prata, brilhando sob as luzes do salão.
— As barreiras estão estáveis, Leon — disse Guy, sua voz profunda ecoando pelas paredes de cristal. — Não há necessidade de tanto alarde por causa de resíduos de mana. Eu já providenciei para que Rain e Misery fizessem a limpeza periódica.
Ramiris, flutuando em círculos rápidos ao redor da cabeça de Guy, parecia entediada com a logística política. Ela parou de repente, pousando no braço do trono dele.
— Ei, Guy! — exclamou a pequena fada, puxando uma mecha do cabelo vermelho dele. — Onde estão os anjinhos? Está tudo muito quieto por aqui hoje. Geralmente eu já teria ouvido o Kenya gritando ou a Alice tentando capturar meu brilho.
Guy deu de ombros, um gesto casual que desmentia sua natureza perigosa.
— Estão brincando nos jardins internos com Misery e Rain — respondeu ele, voltando sua atenção para um mapa holográfico. — Elas têm ordens de mantê-los ocupados até terminarmos aqui.
Luminous Valentine, que até então observava a conversa com um olhar de superioridade, arqueou uma sobrancelha perfeitamente desenhada.
— "Anjinhos"? — questionou a Rainha dos Vampiros. — De quem você está falando, Guy? Não me diga que transformou seu palácio em uma creche para demônios menores.
Guy não respondeu de imediato, apenas sorriu de canto, um sorriso que poderia significar tanto diversão quanto uma ameaça latente. O silêncio foi quebrado por Milim Nava, que deu um salto em sua cadeira, os olhos brilhando de empolgação.
— Ah! Guy, a Alice gostou da pelúcia de dragão que eu trouxe na última visita? — perguntou a Lorde Demônio, ignorando completamente o clima de reunião. — Eu escolhi a mais fofa!
Guy suavizou a expressão por um milésimo de segundo, algo quase imperceptível para quem não o conhecesse bem.
— Ela adorou, Milim — respondeu Guy com uma voz estranhamente calma. — Na verdade, ela dorme com aquela pelúcia todos os dias. Se Misery tenta tirá-la para lavar, Alice quase inicia uma tempestade de vento no quarto.
O choque percorreu os membros do Octagrama que não estavam a par da situação. Dino, que parecia estar cochilando, abriu um olho, confuso. Leon franziu a testa, tentando processar a imagem do demônio mais antigo e temido do mundo discutindo bichos de pelúcia.
— Dorme com... uma pelúcia? — balbuciou Luminous. — Guy Crimson, do que diabos você está falando?
Antes que Guy pudesse retomar a postura de líder autoritário e explicar (ou simplesmente ignorar) a pergunta, as grandes portas duplas do salão se abriram com um estrondo suave, mas apressado. O som de passos pequenos e descompassados ecoou pelo mármore frio.
O grupo que entrou não era composto por cavaleiros ou demônios de alto escalão. Eram cinco crianças, e o estado delas era desolador.
Chloe O'Bell, a menina de quatro anos com um olhar misterioso e calmo, liderava o grupo, mas seus olhos estavam vermelhos e úmidos. Ryota, de apenas quatro anos, e Alice, de cinco, estavam em prantos, as lágrimas escorrendo livremente por seus rostos pequenos. Kenya, de cinco anos, e Gale, o mais velho com seis, tentavam manter a compostura, mas seus lábios tremiam e seus olhos brilhavam com o esforço de não chorar.
— Papai... — a voz de Alice saiu como um soluço agudo enquanto ela arrastava sua pelúcia de dragão pelo chão.
O silêncio no salão foi absoluto. A pressão mágica de Guy Crimson, que antes era como uma lâmina afiada, desapareceu instantaneamente, substituída por uma aura de calor e preocupação que ninguém ali presente jamais imaginou emanar do Primordial Vermelho.
Guy levantou-se do trono em um movimento fluido e, para o espanto total de Luminous e Leon, ele não caminhou, ele quase correu até as crianças. Ele se ajoelhou no chão frio, ignorando sua posição e sua dignidade como Lorde Demônio.
— O que aconteceu? — perguntou Guy, sua voz agora doce e aveludada, carregada de um carinho paternal que fez Ramiris quase cair de susto. — Por que esses rostinhos estão tristes?
— A gente cansou de brincar lá fora — soluçou Ryota, escondendo o rosto na perna de Guy. — A Misery disse que você estava ocupado, mas a gente queria você.
— E a mamãe não volta logo? — perguntou Kenya, a voz falhando enquanto ele finalmente deixava uma lágrima cair. — Tá tudo muito grande e gelado sem o Rimuru aqui.
Guy suspirou, um som cheio de uma paciência infinita. Ele puxou Alice e Ryota para um abraço, enquanto Chloe se aproximava silenciosamente, encostando a cabeça em seu ombro. O Primordial Vermelho, o terror dos mundos, estava agora servindo de apoio para cinco crianças carentes.
— Shhh, está tudo bem — disse Guy, acariciando os cabelos de Alice. — Eu sei que o Rimuru faz falta, ele também me faz falta. Mas eu estou aqui, não estou?
Ele olhou por cima do ombro, a expressão mudando instantaneamente para uma ordem absoluta quando viu Misery e Rain paradas na porta, parecendo culpadas.
— Misery, Rain! — ordenou ele, embora sem o tom cortante de costume. — Tragam as mamadeiras. Agora. E tragam aqueles biscoitos de mel que o Rimuru deixou preparados na cozinha.
As duas servas demoniais se curvaram apressadamente e desapareceram em um borrão de movimento.
— Guy... — começou Leon, a voz carregada de incredulidade. — Você... você é o pai? E o Rimuru é a... mãe?
Guy olhou para Leon, um brilho de desafio em seus olhos carmesins, mas sem soltar as crianças.
— Algum problema com isso, Leon? — questionou Guy, voltando a ninar Alice em seus braços. — Rimuru e eu chegamos a um acordo. E essas crianças... elas são nossa responsabilidade. Se alguém tiver algum comentário depreciativo a fazer, sugiro que o guarde para si, a menos que queira testar se meu instinto protetor é tão forte quanto meu poder destrutivo.
Milim bateu palmas, radiante.
— Eu disse que ele era um bom papai! — gritou ela.
Luminous estava sem palavras, observando Guy Crimson limpar o nariz de Ryota com um lenço de seda finíssima que provavelmente valia um reino inteiro.
— Eu quero colo — pediu Gale, o mais velho, perdendo a luta contra o cansaço e a tristeza.
Guy, com uma facilidade impressionante, acomodou as crianças ao seu redor. Ele se sentou no degrau do trono, deixando de lado a imponência do assento real para ficar ao nível deles.
— Venham aqui, todos vocês — chamou ele.
Rain e Misery retornaram em segundos, carregando bandejas com mamadeiras mornas e lanches. Guy pegou a mamadeira de Chloe e a entregou com um beijo na testa da menina. Para Alice, ele apenas a segurou mais firme, permitindo que ela se aninhasse em seu peito, onde os ornamentos de prata serviam de brinquedo para suas mãos pequenas.
— A reunião acabou por hoje — declarou Guy, sem olhar para os outros Lordes Demônios. — Meus filhos precisam de atenção. Podem se retirar.
— Mas Guy, ainda não discutimos as rotas comerciais do oeste! — protestou Leon, embora sua voz soasse incerta diante da cena doméstica.
— As rotas podem esperar — retrucou Guy, sua voz voltando a ter aquele tom de autoridade, mas abafada pelo peso de Alice dormindo em seu colo. — O bem-estar deles não. Agora, saiam.
Um por um, os membros do Octagrama se retiraram, ainda processando a visão surreal. Ramiris foi a última a sair, dando um tchauzinho silencioso para as crianças que começavam a se acalmar sob o cuidado de Guy.
Quando o salão finalmente ficou em silêncio, restando apenas Guy, as crianças e suas duas servas fiéis, o Primordial relaxou os ombros. Ele olhou para o teto alto do palácio, pensando no Slime que havia mudado sua vida de formas que ele nunca imaginou.
— Vocês dão mais trabalho do que enfrentar o Veldora em um dia ruim — sussurrou Guy, um sorriso genuíno e terno brincando em seus lábios.
— Papai? — murmurou Chloe, quase pegando no sono.
— Sim, pequena?
— Você conta a história do dragão de novo?
Guy Crimson, o ser mais antigo e orgulhoso do mundo, suspirou profundamente, ajeitou a faixa vermelha em sua cintura e começou a contar, com uma voz suave, a história de um dragão que protegia seu tesouro mais precioso: não ouro ou joias, mas o calor de uma família.
Naquele momento, o Continente de Gelo não parecia tão frio, e o Trono de Gelo não era nada comparado ao calor das crianças que confiavam plenamente no demônio que o mundo temia, mas que elas chamavam simplesmente de pai.
