
Entre o amor e o gelo
Fandom: O diabo veste prada
Criado: 21/08/2026
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O Morango no Inverno de Cristal
O som dos saltos agulha de Miranda Priestly contra o mármore da Elias-Clark era o prenúncio de uma tempestade para qualquer um que estivesse no caminho. Exceto que, para Miranda, o mundo havia parado de girar no momento em que ela cruzou a porta de seu escritório e viu a nova candidata à segunda assistente.
Andrea Sachs estava ali, parada, usando uma saia de poliéster que deveria ser crime em trinta e dois países e um suéter folgado que escondia o que Miranda, com seu olhar clínico, já sabia ser um corpo escultural. Mas não foi o desastre fashion que paralisou a Rainha da Moda. Foram os olhos. Aqueles olhos castanhos, profundos e doces, que brilhavam com uma ingenuidade tão pura que Miranda sentiu um aperto desconhecido no peito.
Ali, naquele exato segundo, Miranda Priestly, a mulher de gelo, caiu. Ela não apenas se interessou; ela se tornou obcecada.
— Sente-se — ordenou Miranda, sua voz saindo mais rouca do que o pretendido.
Andrea obedeceu, tropeçando levemente nos próprios pés.
— Meu nome é Andrea Sachs, eu me formei na Northwestern e...
— Eu sei quem você é — interrompeu Miranda, aproximando-se lentamente. Ela circulou a mesa, os olhos azuis fixos em Andrea como um predador observa uma presa preciosa. Ela parou a centímetros da morena, sentindo o perfume de sabonete barato e algo que lembrava frutas frescas. — Você é... desajeitada. Um pequeno moranguinho silvestre perdido em um campo de espinhos.
Andrea franziu a testa, confusa.
— Perdão, Sra. Priestly? Moranguinho?
Miranda deu um sorriso de lado, um movimento imperceptível que qualquer outra pessoa interpretaria como escárnio, mas que era, na verdade, o ápice do seu deleite.
— É o que você parece, Andrea. Tão vermelha e... doce. Vá até a recepção. O cargo é seu.
Assim que Andrea saiu da sala, fechando a porta com um suspiro de alívio, a expressão de Miranda mudou instantaneamente. Ela pegou o telefone e ligou para Nigel.
— Nigel, venha aqui agora. E traga o catálogo da Chanel. Eu encontrei algo que precisa ser lapidado, e eu não vou deixar ninguém mais tocar nela.
Nas semanas que se seguiram, o escritório da Runway tornou-se um teatro de adoração oculta. Miranda tratava todos com o desprezo habitual — ou pior. Emily vivia à beira de um colapso nervoso, e os editores tremiam a cada "That's all". Mas, quando Andrea entrava na sala, uma calma sobrenatural envolvia Miranda.
Para Andrea, no entanto, a experiência era aterrorizante. Ela achava que Miranda a odiava. A chefe a chamava de "moranguinho" constantemente, o que Andrea interpretava como uma piada sobre sua falta de estilo. Miranda a mantinha por perto até tarde, exigia tarefas impossíveis e, sempre que passava por ela, deixava um toque "acidental" no ombro ou um ajuste desnecessário em seu cabelo.
— Ela me odeia, Nigel — desabafou Andrea no ateliê, enquanto provava um par de botas que Miranda havia "ordenado" que ela usasse. — Ela me chama de fruta, ri da minha cara toda vez que eu falo sobre jornalismo sério e me olha como se quisesse me devorar.
Nigel trocou um olhar cúmplice com Emily e Serena, que estavam por perto. Eles viam a verdade. Viam como Miranda ficava imóvel, quase hipnotizada, observando Andrea trabalhar. Viam como os olhos de Miranda brilhavam de luxúria e proteção.
— Querida — disse Nigel, ajustando a bota no pé de Andrea —, se a Miranda te odiasse, você já estaria na rua há muito tempo. Ela está apenas... apreciando a vista.
— Ela está rindo de mim — insistiu Andrea, a voz doce carregada de tristeza. — Hoje ela passou por mim e disse que meu brilho labial era "apetitoso". Ela é cruel.
Naquela tarde, o clima pesou. Christian Thompson estava rondando a mesa de Andrea, tentando convencê-la a sair para um drinque. Miranda observava tudo através do vidro de seu escritório, os nós dos dedos brancos de tanto apertar a caneta. O ciúme era uma chama ácida em suas veias.
— Andrea! — A voz de Miranda chicoteou pelo corredor.
Andrea pulou da cadeira e correu para a sala.
— Sim, Miranda?
A platinada estava de pé, a silhueta impecável contra a luz da janela. Ela caminhou até Andrea, encurralando a jovem contra a porta fechada. A aura de Miranda era poderosa, fria para o mundo, mas ardente para Andrea.
— O que aquele homem queria? — perguntou Miranda, a voz baixa, perigosamente perto do ouvido de Andrea.
— Ele... ele só estava me convidando para sair, Sra. Priestly. Eu disse que tinha muito trabalho.
Miranda levou a mão ao rosto de Andrea, o polegar traçando o lábio inferior da assistente. Andrea estremeceu, os olhos castanhos arregalados em choque e medo.
— Você não vai a lugar nenhum com ele — sussurrou Miranda. — Você é minha, moranguinho. Você ainda não percebeu?
— Sua... sua assistente? — gaguejou Andrea, o coração martelando contra as costelas. — Eu sei que sou fiel ao meu trabalho, eu prometo que não vou deixar ele me distrair...
Miranda soltou uma risada curta, uma mistura de frustração e adoração.
— Você é tão ingênua que chega a ser doloroso. Vá pegar meu café. E jogue fora o cartão que ele te deu. Se eu vir aquele homem perto de você novamente, eu farei com que ele nunca mais escreva uma linha sequer neste país.
Andrea saiu da sala trêmula. Ela tinha certeza: Miranda Priestly era louca e a odiava com todas as forças. Mal sabia ela que, naquela mesma noite, Miranda passaria horas olhando para uma foto de Andrea, planejando como transformar o guarda-roupa daquela menina — e sua vida — em algo que pertencesse apenas a ela.
— Ela é tão doce — murmurou Miranda para o quarto vazio, a obsessão brilhando em seus olhos azuis como gelo sob o sol. — E ela será minha. Custe o que custar.
A perseguição estava apenas começando, e Miranda Priestly não aceitava nada menos que a rendição total do seu pequeno moranguinho.
