
Mister broomire!! :4
Fandom: Fundamental paper education FPE Advanced Class
Criado: 22/08/2026
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O Silêncio Forçado do Faxineiro
Os corredores da Paper School costumam ser um campo de batalha de papel picado, manchas de tinta e o caos habitual dos alunos da Classe Avançada. Para Mister Broomire, o mundo se resumia a uma única missão, escrita em letras garrafais no seu chapéu retangular: "GOTTA CLEAN". A limpeza não era apenas um trabalho; era a única coisa que mantinha sua sanidade naquele lugar de loucura.
Broomire arrastava seu aspirador de pó oval com um mau humor que parecia emanar de sua própria pele clara. Seus cabelos negros e irregulares, achatados como blocos de madeira, balançavam conforme ele se movia, cobrindo metade de seu rosto e ocultando parte de seu olhar de desprezo. Ele odiava a sujeira. Ele odiava o barulho. Mas, acima de tudo, ele odiava como aqueles alunos pareciam não ter respeito pelo chão que ele tanto se esforçava para manter impecável.
— Malditos... — resmungou ele, a voz rouca e carregada de irritação. — Não conseguem passar cinco minutos sem derrubar grafite ou rasgar um pergaminho.
Ele apertou a luva da mão direita, sentindo o material firme contra os dedos, enquanto a mão esquerda guiava a mangueira de sucção do aspirador. O som rítmico do motor era a única coisa que o acalmava, um ruído constante que abafava as risadas distantes nos outros blocos. O símbolo triangular em seu chapéu parecia vigiar o corredor como um terceiro olho autoritário.
De repente, a luz do corredor oscilou. Broomire parou, os olhos brancos com pupilas pretas estreitando-se em desconfiança. Ele mostrou os dentes afiados em um rosnado silencioso.
— Se for algum engraçadinho querendo pregar uma peça, é melhor aparecer logo — avisou, a voz ecoando pelas paredes brancas e frias. — Eu não tenho tempo para essas infantilidades.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Broomire deu um passo à frente, mas antes que pudesse ligar o aspirador novamente, algo emergiu das sombras de uma sala de aula aberta.
Uma mão.
Não era uma mão comum. Parecia feita de uma escuridão densa, quase como tinta fresca que nunca seca. Antes que Broomire pudesse reagir, a mão agarrou o colarinho inexistente de seu casaco branco com uma força sobre-humana.
— Mas o que...?! — O grito de Broomire foi interrompido por um tranco violento.
Ele cravou as botas pretas no chão, tentando resistir. O cinto em sua cintura rangeu sob a pressão. Ele tentou usar a mangueira do aspirador como arma, mas a mão o puxou para dentro do breu da sala com uma velocidade aterrorizante.
— Me solta! — ele rugiu, a raiva superando o medo por um breve segundo. — Você tem ideia de quanto custa este casaco?
Broomire lutou, chutando e socando o vazio, mas a mão era implacável. Ele sentiu o chão desaparecer sob seus pés e, por um instante, a sensação de queda livre o dominou. O mundo girou, as cores da escola foram substituídas por um vácuo absoluto, e então, a consciência o abandonou.
...
A primeira coisa que Broomire sentiu quando acordou foi a aspereza do chão contra sua bochecha. A segunda foi a restrição.
Ele tentou se levantar, mas seus membros não obedeceram. Seus pulsos estavam presos atrás das costas, e suas pernas estavam firmemente unidas. Ao abrir os olhos, a escuridão era quase total, mas ele podia sentir o aperto frio de cordas vermelhas envolvendo seu corpo. Elas estavam apertadas, cortando a circulação de seus braços e pernas.
Ele tentou gritar, mas apenas um som abafado e úmido saiu. Uma fita vermelha, grossa e resistente, cobria sua boca, prendendo seus dentes afiados e impedindo qualquer articulação.
"O que é isso? Onde eu estou?", a voz dele ecoou dentro de sua própria mente, carregada de um desespero que ele raramente se permitia sentir.
Ele se debateu violentamente no chão. O som das cordas rangendo contra o tecido de seu casaco branco era a única coisa que quebrava o silêncio opressor. Ele tentou usar a força das pernas para se impulsionar, mas a amarração era profissional, feita para imobilizar até a criatura mais resiliente.
Em meio ao seu frenesi, ele sentiu algo escorregar de sua cabeça.
O chapéu.
O acessório retangular, sua marca registrada, caiu com um baque surdo no chão de cimento frio. Sem o chapéu, Broomire sentiu-se vulnerável, como se sua autoridade e sua identidade tivessem sido arrancadas. Em um movimento desajeitado, ele conseguiu rolar o corpo até que sua cabeça descansasse sobre o chapéu caído.
A base cilíndrica e o topo que representava a vassoura com chifres serviram como um travesseiro improvisado e patético. Deitado ali, amordaçado e amarrado, Mister Broomire sentiu a raiva borbulhar, transformando-se em um ódio quente que queimava em seu peito.
"Isso não pode estar acontecendo! Eu sou o zelador desta escola! Eu mantenho a ordem!", ele gritava mentalmente, as pupilas dilatando na escuridão. "Quem quer que tenha feito isso... eu vou moer essa pessoa no saco do meu aspirador! Eu vou limpar cada rastro da existência de quem ousou me tocar!"
Ele tentou mais uma vez se soltar, arqueando as costas e forçando os nós. As cordas vermelhas pareciam brilhar levemente no escuro, como se estivessem vivas ou imbuídas de algum tipo de energia. A cada movimento, elas pareciam apertar ainda mais, respondendo ao seu esforço com uma pressão agonizante.
A frustração atingiu o ápice. Broomire fechou os olhos com força, lágrimas de puro ódio ameaçando escapar. Ele, que sempre controlava o ambiente com sua vassoura e seu aspirador, agora era a sujeira descartada em um canto escuro.
"Por que ninguém está vindo?", ele pensou, o desespero começando a corroer sua raiva. "Miss Circle? Mister Demi? Alguém!"
Mas ele sabia a resposta. Na Paper School, o desaparecimento de um funcionário mal-humorado dificilmente causaria alarme imediato. Todos estavam ocupados demais com suas próprias obsessões e punições sangrentas.
O silêncio da sala escura foi subitamente quebrado por um som metálico distante. Um arrastar de correntes ou talvez o som de passos sobre metal.
Broomire congelou. Sua respiração, embora abafada pela fita, tornou-se pesada e errática. Ele tentou virar o rosto para a direção do som, mas seu pescoço estava rígido.
"Apareça!", ele exigiu mentalmente, embora apenas um gemido rouco saísse por trás da fita vermelha. "Apareça e me enfrente como um homem, ou seja lá o que você for!"
Uma luz fraca, quase imperceptível, começou a emanar do fundo do local. Não era uma luz reconfortante; era um brilho esverdeado e doentio que revelava apenas silhuetas distorcidas. Broomire viu a mangueira de seu aspirador jogada a alguns metros de distância, como uma serpente morta. Seu equipamento estava quebrado.
Aquela visão doeu mais do que as cordas.
— Mmmph! Mmmph! — Ele forçou a voz, tentando rasgar a fita com os dentes, mas o adesivo era forte demais.
Sua mente começou a divagar, a raiva se transformando em uma paranoia febril. Ele começou a imaginar quem poderia ter feito aquilo. Seria um aluno vingativo? Alguém que ele repreendeu por deixar migalhas no corredor? Ou seria algo pior? Algo que habitava as frestas da escola, algo que nem mesmo os professores ousavam encarar?
"Eu vou sair daqui", ele prometeu a si mesmo, o pensamento ecoando como um mantra em sua cabeça. "Eu vou sair daqui e vou limpar este lugar de uma vez por todas. Ninguém suja o meu chão. Ninguém me amarra como se eu fosse lixo."
Ele sentiu uma presença se aproximando. Não era o som de passos, mas uma mudança na pressão do ar, um frio que penetrava seu casaco e arrepiava sua pele clara. O cheiro de papel velho e ozônio preencheu o ambiente.
Broomire apertou os olhos, recusando-se a mostrar medo, mesmo que seu coração martelasse contra as costelas. Ele era Mister Broomire. Ele era o homem que mantinha a Classe Avançada nos eixos, pelo menos no que dizia respeito à higiene.
"Pode vir", ele pensou, os dentes afiados pressionados contra a fita vermelha. "Eu ainda tenho chifres neste chapéu. E eu ainda tenho muita raiva para gastar."
A sombra se alongou sobre ele, cobrindo-o completamente. Broomire, deitado sobre seu chapéu, encarou o vazio à sua frente, esperando o próximo movimento do seu captor, enquanto o eco de sua própria indignação era a única companhia no abismo silencioso.
