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Amor

Fandom: Star warw

Criado: 22/08/2026

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Entre a Honra e o Desejo

O sol de Coruscant se punha atrás dos arranha-céus infinitos, pintando o céu com tons de laranja sangue e violeta profundo. Na varanda privada dos aposentos senatoriais, a brisa leve trazia o som distante do tráfego incessante da capital galáctica, mas ali, o silêncio era tão denso que poderia ser cortado por um sabre de luz.

Tatsuyo Nakamura estava apoiada no parapeito de mármore. O vestido de seda escura fluía ao redor de seu corpo de 1,63m, contrastando com sua pele parda que parecia brilhar sob a luz do crepúsculo. Seus cabelos pretos e ondulados caíam em cascatas pelas costas, movendo-se suavemente com o vento. Ela fechou os olhos por um momento, tentando afastar a ansiedade que roía seu peito. Ser uma figura política central em tempos de guerra era exaustivo, mas não era a política que acelerava seu coração naquela tarde.

Era a presença dele.

Kuro Hatake estava parado a alguns passos atrás dela, na sombra projetada pelas colunas da entrada. Ele era a definição de uma contradição ambulante. Com 1,80m de altura e um porte físico musculoso que nem mesmo as túnicas Jedi conseguiam ocultar totalmente, ele emanava uma força bruta e, ao mesmo tempo, uma agitação contida. Seu cabelo branco curto e repicado brilhava sob a luz fraca, e seus olhos castanhos escuros estavam fixos nas costas de Tatsuyo com uma intensidade que beirava o perigoso.

Ele tinha 23 anos, e ela, 20. Eram jovens, mas carregavam o peso de mundos inteiros nos ombros. E carregavam algo mais: um segredo que nenhum dos dois tinha coragem de colocar em palavras.

Kuro deu um passo à frente, o som de suas botas de couro no chão de pedra ecoando no silêncio.

— A vista daqui nunca deixa de ser impressionante — comentou ele, sua voz profunda vibrando no ar. — Mas parece que a senadora não está apreciando a paisagem.

Tatsuyo virou-se lentamente, encontrando o olhar dele. Ela sentiu aquela familiar onda de calor subir pelo pescoço. Kuro tinha um jeito de olhar para ela que a fazia se sentir nua, como se ele pudesse ler não apenas seus pensamentos, mas seus desejos mais ocultos. Havia uma malícia natural nele, um traço de sua personalidade que muitos considerariam impróprio para um Jedi, mas que ela achava terrivelmente magnético.

— Às vezes, Kuro, a beleza de Coruscant parece uma máscara para a podridão que a guerra está espalhando — respondeu ela, tentando manter a voz firme. — É difícil apreciar o pôr do sol quando se sabe quantos sistemas estão sofrendo agora.

Kuro aproximou-se mais, parando a uma distância que desafiava o protocolo. O cheiro dele — uma mistura de ozônio, couro e algo puramente masculino — a envolveu. Ele inclinou a cabeça levemente para o lado, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.

— Você se preocupa demais com o universo, Tatsuyo — disse ele, baixando o tom de voz. — Às vezes, é preciso focar no que está bem na sua frente.

Tatsuyo sentiu o coração falhar uma batida.

— E o que está na minha frente, Jedi Hatake?

Kuro soltou um riso curto, seco, e deu mais um passo. Agora, ele estava tão perto que ela podia sentir o calor emanando de seu corpo musculoso. Ele estendeu a mão, mas hesitou por um segundo antes de tocar uma mecha do cabelo preto dela, enrolando-a entre os dedos enluvados.

— Um homem que está perdendo a paciência com o Código — confessou ele, os olhos escuros brilhando com uma luxúria mal disfarçada. — E uma mulher que é teimosa demais para admitir que sente o mesmo que eu.

Tatsuyo desviou o olhar, sentindo o rosto queimar.

— Você sabe que não podemos. O Conselho... a minha posição no Senado...

— O Conselho não está aqui — interrompeu Kuro, sua voz agora um sussurro rouco perto do ouvido dela. — E o Senado está a quilômetros de distância, discutindo impostos sobre rotas comerciais. Aqui, somos apenas nós.

Ele se inclinou, o peito largo quase encostando no ombro dela. Kuro sempre fora conhecido por sua audácia, por sua natureza levemente libertina que irritava os mestres mais conservadores. Ele não escondia que era um homem de paixões, e Tatsuyo era o centro de todas elas.

— Você é perigoso — murmurou ela, sem conseguir se afastar.

— Eu sou o seu protetor — corrigiu ele, a mão descendo do cabelo para o contorno do pescoço dela, o polegar roçando a pele macia. — Mas quem vai me proteger de você? Desde que voltamos de Naboo, eu não consigo dormir. Eu fecho os olhos e vejo você. Eu sinto o seu cheiro. Isso é tortura, Tatsuyo.

Tatsuyo finalmente olhou para ele, seus olhos pretos marejados de uma mistura de medo e desejo.

— Eu também sinto — admitiu ela, a voz falhando. — Cada vez que você sai para uma missão, eu sinto como se uma parte de mim fosse arrancada. Eu rezo para a Força, mesmo não sendo uma Jedi, para que você volte. Mas Kuro... se nos permitirmos isso, destruiremos tudo o que construímos.

Kuro soltou um suspiro pesado, a frustração evidente em seus ombros largos. Ele se afastou um centímetro, apenas o suficiente para olhar nos olhos dela com uma seriedade avassaladora.

— Eu morreria por você — disse ele, sem um pingo de hesitação. — Eu destruiria galáxias para garantir que você estivesse segura. O que é um Código comparado ao que eu sinto quando você me olha assim?

— É a nossa honra — respondeu ela, embora suas mãos estivessem tremendo.

— A honra é uma cama fria, Tatsuyo — rebateu ele, o sorriso malicioso retornando, desta vez carregado de uma tensão sexual palpável. — E eu prefiro muito mais o calor de outra coisa.

Ele deslizou a mão pela cintura dela, puxando-a para mais perto. A diferença de altura fazia com que ela tivesse que inclinar a cabeça para trás para encará-lo. O contraste entre a pele parda dela e a pele branca dele, sob a luz crepuscular, era uma imagem de pura beleza proibida.

— Kuro, alguém pode ver... — sussurrou ela, embora suas mãos tivessem subido para descansar no peito firme dele, sentindo os batimentos acelerados através do tecido da túnica.

— Deixe que vejam — rosnou ele, aproximando o rosto do dela. — Deixe que saibam que o "herói sem medo" da República foi derrotado por uma senadora de olhos pretos.

A tensão entre eles era como um fio elétrico prestes a romper. O amor que sentiam, cultivado em silêncio por meses, em olhares roubados e palavras não ditas, estava finalmente transbordando. Kuro, com seu jeito impetuoso e seu desejo ardente, não estava mais disposto a fingir. E Tatsuyo, cansada de ser a voz da razão em um mundo que estava enlouquecendo, sentia sua resistência desmoronar.

— Por que você tem que ser assim? — perguntou ela, um sorriso fraco surgindo nos lábios enquanto ela lutava contra o desejo de beijá-lo.

— Assim como? — Kuro roçou o nariz no dela, sua respiração quente contra a boca dela.

— Tão... impossível. Tão convencido. Tão...

— Tarado? — completou ele, com um brilho divertido nos olhos. — Eu prefiro o termo "apreciador das coisas finas". E você, Tatsuyo, é a coisa mais fina que esta galáxia já produziu.

Ela riu, uma risada curta e nervosa que foi abafada quando ele finalmente diminuiu a distância. Não foi um beijo, ainda não. Foi apenas o toque dos lábios dele contra o canto da boca dela, uma promessa devastadora do que viria a seguir.

— Kuro... — o nome dele saiu como um suspiro.

— Diga que me quer — ordenou ele, a voz baixa e possessiva. — Diga que isso não é apenas a Força pregando peças em nós.

Tatsuyo fechou os olhos, entregando-se à sensação da mão dele apertando sua cintura. A lógica dizia para ela se afastar, para lembrar-se de seus deveres, da guerra, do perigo de um Jedi se envolver emocionalmente. Mas o coração dela, batendo em uníssono com o dele, falava mais alto.

— Eu te amo — confessou ela, as palavras finalmente saindo como um segredo libertado de uma prisão. — Eu te amo tanto que chega a doer.

Kuro paralisou por um milésimo de segundo. A confissão dela pareceu atingi-lo com mais força do que qualquer explosão que ele já tivesse enfrentado no campo de batalha. Seus olhos castanhos escureceram ainda mais, e a expressão de malícia deu lugar a algo muito mais profundo e vulnerável.

— Você não tem ideia do que acabou de fazer — murmurou ele.

Sem esperar mais, Kuro selou seus lábios nos dela. Foi um beijo faminto, carregado de toda a frustração e desejo que vinham acumulando. Era o colapso de duas estrelas, uma explosão de sentimentos que eles tentaram, em vão, suprimir. As mãos de Tatsuyo subiram para o cabelo branco e repicado dele, puxando-o para mais perto, enquanto Kuro a envolvia com seus braços poderosos, como se tentasse fundir o corpo dela ao dele.

Naquele momento, a República poderia cair. O Império poderia surgir. A guerra poderia consumir todos os sistemas estelares. Mas ali, naquela varanda em Coruscant, nada disso importava.

Kuro separou o beijo apenas o suficiente para encostar a testa na dela, ambos ofegantes. O suor brilhava em suas têmporas, e a eletricidade entre eles era quase visível.

— Agora não tem mais volta — disse ele, a voz trêmula pela emoção. — Você é minha, Tatsuyo. E eu sou seu. Que se dane o Conselho.

Tatsuyo olhou para o homem à sua frente — seu protetor, seu amor, seu pecado. Ela sabia que o caminho à frente seria pavimentado com mentiras e perigo. Sabia que Anakin e Padmé, as figuras que eles representavam naquele jogo de destino, tinham enfrentado tragédias. Mas, olhando para Kuro, para a determinação em seu rosto musculoso e o amor em seus olhos, ela não conseguia se importar.

— Então que sejamos nós contra a galáxia — respondeu ela, puxando-o para outro beijo.

A noite caiu sobre Coruscant, escondendo os dois amantes nas sombras da varanda. O céu estava cheio de estrelas, cada uma delas um mundo, cada uma delas uma testemunha silenciosa do amor proibido que acabara de florescer entre um Jedi rebelde e uma senadora idealista. Eles sabiam que não podiam se amar, mas, naquela noite, eles provaram que o amor não pede permissão para existir. Ele simplesmente é. E para Kuro e Tatsuyo, isso era o suficiente para desafiar o universo.

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