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Fandom: Familia Rica e a unida
Criado: 22/08/2026
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Entre Malas, Simuladores e o Azul da Grécia
O sol da manhã filtrava-se pelas enormes janelas de vidro da cobertura em Mônaco, banhando a sala de estar em tons dourados. O apartamento, distribuído em dois andares de puro luxo e conforto, exalava um aroma suave de baunilha e café fresco. Para quem via de fora, era a residência de um dos pilotos mais promissores da McLaren, mas para Oscar e Lily, era simplesmente o refúgio onde a vida real acontecia, longe do asfalto quente e dos flashes incessantes do paddock.
No andar de cima, o movimento era intenso. Lily Zneimer, com sua elegância natural mesmo vestindo apenas um conjunto de linho confortável, supervisionava a organização das malas. O closet da família era, na verdade, uma ala inteira da casa, meticulosamente organizada por cores e estações.
— Agatha, você acha que três chapéus de sol para a Anna são suficientes? — perguntou Lily, voltando-se para a governanta de longa data da família. — Ela insiste que a Barbie sereia precisa de um guarda-sol próprio também.
Agatha riu suavemente enquanto dobrava um vestido floral minúsculo.
— Com a pequena Anna, senhora Piastri, nunca se sabe. Mas já separei um espaço na mala de brinquedos para os acessórios da Barbie.
Lily sorriu, sentindo aquele calor familiar no peito. Embora fosse formada em engenharia e compreendesse a aerodinâmica de um carro de Fórmula 1 tão bem quanto qualquer mecânico da McLaren, ela fizera a escolha consciente de ser a âncora da família. Ser "WAG", como a mídia rotulava, era apenas uma etiqueta superficial; para ela, a prioridade era garantir que Alex e Anna crescessem com a estabilidade que a carreira nômade de Oscar muitas vezes dificultava.
Perto dali, sentada em um tapete felpudo no canto do closet, a pequena Anna estava imersa em seu próprio mundo. Aos quatro anos, ela herdara a doçura da mãe e a calma observadora do pai. Ela penteava os cabelos de uma boneca com uma concentração adorável, alheia à agitação da viagem.
— Mamãe, a Grécia tem castelos de areia rosa? — Anna perguntou, levantando os olhos claros, cheios de curiosidade.
Lily abaixou-se e beijou o topo da cabeça da filha.
— Tem o mar mais azul que você já viu, meu amor. E podemos tentar construir um castelo rosa se levarmos os moldes certos.
Enquanto a paz reinava no andar superior, o som de motores acelerando — mesmo que virtuais — ecoava no escritório de Oscar no andar de baixo.
Oscar Piastri, o homem que mantinha a pulsação calma a trezentos quilômetros por hora, estava atualmente em uma disputa acirrada. Não contra Lando Norris ou Max Verstappen, mas contra um oponente muito mais implacável: seu filho de quatro anos, Alex.
Alex era o reflexo vivo de Oscar, desde o cabelo castanho claro até o humor sarcástico que já começava a florescer. Ele estava sentado em um simulador adaptado ao lado do pai, as mãos pequenas agarrando o volante com uma firmeza impressionante.
— Você está saindo da tangenciada na curva quatro, parceiro — comentou Oscar, com um sorriso de canto, sem tirar os olhos da tela. — Assim vai dar espaço para eu mergulhar por dentro.
— Eu estou guardando bateria para a reta, papai — rebateu Alex, com uma seriedade cômica. — Você me ensinou que a paciência é uma virtude, não foi?
Oscar soltou uma risada curta, impressionado com a memória do filho.
— Foi, eu disse isso. Mas não achei que usaria contra mim tão cedo.
— Eu vou ganhar de você e depois vou pedir para a mamãe dois sorvetes no jantar — Alex declarou, os olhos brilhando com a adrenalina da competição.
— Dois? Isso é negociação agressiva — disse Oscar, reduzindo a marcha para contornar o hairpin virtual. — Mas primeiro, você tem que ver a bandeira quadriculada.
A relação entre os dois era pautada por esses momentos. Oscar via em Alex não apenas um sucessor em potencial nas pistas, mas um companheiro de risadas. O menino já frequentava pistas de kart e demonstrava uma compreensão técnica que assustava até os engenheiros da McLaren quando ele visitava o MTC em Woking. No entanto, para Oscar, o mais importante era que Alex se divertisse.
O silêncio da corrida foi interrompido pelo som de passos leves na escadaria. Lily apareceu na porta, segurando Anna pela mão.
— Pilotos, o tempo de pista acabou — anunciou ela, cruzando os braços com um sorriso brincalhão. — Se não terminarmos de fechar essas malas agora, vamos acabar indo para Mykonos apenas com o que temos no corpo. E eu duvido que o Oscar queira passar as férias inteiras de uniforme de corrida.
Oscar desligou o motor do simulador e levantou-se, alongando o corpo atlético. Ele caminhou até Lily e depositou um beijo terno em sua testa, antes de pegar Anna no colo.
— A mamãe tem razão, Alex. O diretor de prova deu bandeira vermelha.
— Mas eu estava quase passando ele, mamãe! — protestou Alex, pulando do banco do simulador e correndo para abraçar as pernas de Lily.
— Eu acredito em você, pequeno — disse Lily, acariciando o cabelo do filho. — Mas agora, preciso que você vá ajudar a Agatha a escolher quais carrinhos vão na sua mochila de mão. Só cabem cinco, lembra?
Alex arregalou os olhos, encarando o desafio logístico.
— Só cinco? Isso é impossível! Eu preciso de pelo menos dez para um Grande Prêmio completo!
— Negocie com a Agatha — sugeriu Oscar, piscando para o filho.
Enquanto Alex corria escada acima, Oscar suspirou, sentindo o peso das últimas semanas de corrida finalmente evaporar. As férias de verão eram o único momento em que ele podia desligar o "modo piloto" e ser apenas o Oscar de Lily.
— Você está bem? — perguntou Lily, percebendo o olhar distante do marido.
— Sim — respondeu ele, puxando-a para mais perto com o braço que não segurava Anna. — Só estava pensando na sorte que eu tenho. A temporada é insana, as viagens não param... mas vir para casa e encontrar vocês três é o que mantém minha cabeça no lugar.
— Nós somos o seu porto seguro, Oscar — sussurrou Lily, encostando a cabeça no ombro dele. — E a Grécia vai ser perfeita. Sem e-mails, sem telemetria, apenas sol e mar.
— E sorvete! — exclamou Anna, que até então estava distraída brincando com o lóbulo da orelha do pai. — O Alex disse que vai ganhar dois sorvetes!
Oscar riu, descendo a filha ao chão.
— O Alex é um negociador ambicioso, Anna. Mas acho que todos nós merecemos dois sorvetes nessas férias.
— Eba! — Anna saiu saltitando em direção ao seu quarto, gritando para o irmão que ela também teria direito ao prêmio.
Lily e Oscar ficaram sozinhos na sala por um momento. O silêncio da cobertura era preenchido apenas pelo som distante das crianças brincando no andar de cima.
— Você já conferiu se pegou o seu passaporte? — perguntou Lily, voltando ao seu modo organizacional.
— Está na gaveta do escritório, junto com o seu — respondeu Oscar, calmo como sempre. — Eu sou um piloto de precisão, Lily. Não esqueço o essencial.
— Ah, é? E onde estão os seus óculos de sol favoritos? Aqueles que você disse que não podia viver sem?
Oscar travou por um segundo, a expressão de dúvida cruzando seu rosto jovem.
— Eu... eu acho que deixei no carro.
Lily soltou uma risada cristalina, aquela que Oscar tanto amava.
— Estão na mesa da entrada, Oscar. Eu já peguei para você. O que seria de você sem a sua engenheira de pista particular?
— Eu estaria perdido em uma volta de aquecimento eterna — admitiu ele, envolvendo a cintura dela com as mãos. — Obrigado, Lily. Por tudo. Por cuidar de tudo enquanto eu estou a trezentos por hora.
— Eu faço isso porque amo vocês — disse ela, o olhar suave encontrando o dele. — Agora, vamos. Temos um avião para pegar e duas crianças que acham que a Grécia é um parque de diversões gigante.
— E não é? — brincou Oscar.
Horas depois, a rotina de aeroporto e jatos privados desenrolou-se com a discrição que o casal tanto prezava. Oscar usava um boné baixo e óculos escuros, não por arrogância, mas para garantir que o tempo com os filhos não fosse interrompido por pedidos de fotos. Ele carregava Alex em um braço e uma mochila nas costas, enquanto Lily guiava Anna.
Dentro do avião, Alex já estava debruçado sobre a janela, observando as nuvens.
— Papai, o avião é mais rápido que o seu carro? — perguntou o menino.
— Em linha reta, sim, Alex. Mas ele não faz as curvas de Spa-Francorchamps tão bem quanto a minha McLaren — respondeu Oscar, acomodando-se na poltrona ao lado do filho.
Anna, por sua vez, já estava aninhada no colo de Lily, assistindo a um filme da Barbie no tablet, com seus fones de ouvido cor-de-rosa. O ambiente era de pura paz.
Enquanto o jato ganhava altitude, deixando para trás o burburinho de Mônaco em direção às águas cristalinas das Cíclades, Oscar olhou para o lado. Lily lia um livro, Alex simulava manobras com um carrinho na bandeja da poltrona e Anna cochilava serenamente.
Ali, a dez mil metros de altura, Oscar Jack Piastri não era o vencedor de GPs ou a estrela da McLaren. Ele era apenas um pai e um marido. E, para ele, esse era o único pódio que realmente importava.
— Lily? — chamou ele em voz baixa.
— Sim? — ela respondeu, fechando o livro e olhando para ele.
— Obrigado por me lembrar de desacelerar.
Lily sorriu, alcançando a mão dele e entrelaçando seus dedos.
— As melhores paisagens a gente só vê quando não está correndo, Oscar.
Ele apertou a mão dela, fechou os olhos e, pela primeira vez em meses, permitiu-se não pensar na próxima chicane, mas sim no azul infinito que os esperava na Grécia. A família estava unida, e isso era tudo o que ele precisava para recarregar suas baterias antes que as luzes se apagassem novamente na próxima pista.
