
Jujutsu kaisen possibilidades
Fandom: Jujutsu Kaisen
Criado: 22/08/2026
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O Peso das Emoções e a Coragem de Sentir
A luz do entardecer filtrava-se pelas janelas do dormitório da Escola Jujutsu de Tóquio, pintando o corredor de um laranja melancólico. Hitoshi Konami estava encostado na parede, observando as raízes pretas de seu cabelo ruivo no reflexo de um extintor de incêndio. Ele se sentia exausto. Não era o cansaço físico de um treinamento com Gojo, mas aquela exaustão que vinha de dentro, um peso no peito que tornava cada interação social uma tarefa monumental.
Sua técnica amaldiçoada permitia que ele manipulasse sentimentos, mas, ironicamente, ele era incapaz de organizar os seus próprios. A depressão era uma névoa constante, e a insônia deixava seus olhos vermelhos ainda mais profundos e afiados, como se ele estivesse permanentemente à beira de um colapso.
— Hitoshi! Aí está você! — A voz vibrante de Itadori Yuuji ecoou pelo corredor.
Hitoshi nem sequer levantou a cabeça. Ele apenas fechou os olhos, desejando que pudesse se fundir à parede. Ultimamente, ele vinha evitando a todos. Nobara, sua prima, já tinha desistido de tentar arrastá-lo para compras após ele dar respostas monossilábicas por uma semana inteira. Megumi, respeitando o espaço alheio, apenas lançava olhares preocupados de longe.
Itadori parou na frente dele, com aquele sorriso que parecia ter o poder de iluminar até os cantos mais sombrios da alma de Hitoshi.
— Cara, você sumiu. A gente ia pedir pizza, mas você não atendeu a porta. Tá tudo bem? — perguntou Yuuji, a voz suavizando para um tom de genuína preocupação.
Hitoshi suspirou, o som saindo arrastado.
— Eu só... não tenho sentido muita vontade de ficar perto de ninguém agora, Itadori. Estou meio mal. Só isso.
Itadori inclinou a cabeça, estudando o rosto pálido e as olheiras de Hitoshi. Ele não forçou uma conversa profunda, não tentou dar lições de moral sobre "pensamento positivo".
— Entendi — disse Itadori, simplesmente. — Às vezes a gente só precisa de um tempo na nossa própria cabeça. Mas não esquece que a gente tá aqui, beleza?
Hitoshi apenas assentiu levemente e saiu andando, os ombros curvados. Ele esperava que Itadori desistisse, que o achasse estranho ou frio demais. Mas Itadori Yuuji não era uma pessoa comum.
Nos dias seguintes, o isolamento de Hitoshi foi suavemente invadido. Na manhã seguinte, ao abrir a porta do quarto para ir treinar, ele encontrou um post-it amarelo colado na madeira. "Bom dia, Hitoshi! Não esquece de tomar café!" com um desenho malfeito de um sol sorridente.
Hitoshi sentiu o rosto esquentar, mas amassou o papel e o guardou no bolso, tentando ignorar o pequeno salto que seu coração deu.
Na tarde do mesmo dia, enquanto ele lia sozinho sob uma árvore, uma pequena flor silvestre foi deixada sobre seu livro por uma mão rápida que desapareceu antes que ele pudesse protestar. E então, vieram os abraços.
Itadori tinha o hábito de aparecer do nada e envolver Hitoshi em seus braços fortes. Hitoshi, com seus 1,78m, era magro e parecia quase frágil perto da constituição robusta e atlética de Yuuji.
— Só um abraço de energia! — exclamava Itadori, apertando-o.
Hitoshi ficava paralisado. O calor do corpo de Yuuji, o cheiro de sabão e suor típico de quem treinou o dia todo, e a sensação de ser protegido por aqueles braços faziam o rapaz ruivo entrar em curto-circuito. Ele ficava vermelho até as orelhas, as mãos tremendo sem saber onde se apoiar.
— Itadori... solta... as pessoas estão olhando — gaguejava Hitoshi, sentindo-se pequeno e vulnerável, uma sensação que seu lado masoquista secretamente apreciava, embora sua mente depressiva o repreendesse por isso.
O ápice do constrangimento aconteceu num final de tarde, quando Hitoshi passava pelo corredor dos banheiros masculinos. Itadori estava saindo, apenas com uma toalha pendurada no pescoço, o vapor saindo da porta aberta.
— Ah, Hitoshi! A água tá ótima. Não quer aproveitar e tomar banho comigo? Economiza tempo e a gente coloca o papo em dia! — sugeriu Yuuji com a naturalidade de quem convida alguém para tomar um sorvete.
Hitoshi estacou. A imagem de Itadori, com o peito definido ainda úmido e aquele sorriso despreocupado, foi demais para seu sistema nervoso. Ele sentiu o sangue subir todo para o rosto, a pressão cair por um segundo e seus olhos vermelhos se arregalarem em pânico absoluto.
— Eu... eu... não... tchau! — Ele deu meia-volta e saiu quase correndo, deixando um Itadori confuso para trás.
Mais tarde, quando Hitoshi já estava mais calmo, Itadori o encontrou novamente na varanda.
— Ei, Hitoshi. Vai ter um festival aqui perto amanhã à noite. Eu queria muito que você fosse comigo. Acho que ia te fazer bem sair um pouco dessa escola. O que acha?
Hitoshi olhou para o horizonte. O esforço constante de Itadori em incluí-lo, mesmo com seu humor sombrio, estava começando a quebrar suas defesas.
— Tudo bem — murmurou Hitoshi. — Eu vou.
O festival estava lotado. Luzes coloridas, o cheiro de comida de rua e o som de risadas preenchiam o ar. Hitoshi sentia-se um pouco sobrecarregado, mas a presença constante de Itadori ao seu lado era como uma âncora.
— Ué, que estranho — comentou Itadori, olhando ao redor. — Tá cheio de decoração de coração e flores vermelhas.
— Itadori... — Hitoshi começou, sentindo o rosto queimar. — Você não sabia? É um festival de Dia dos Namorados.
Itadori parou e olhou em volta, processando a informação.
— Ahhh! Por isso a Nobara disse que ia sair com a Maki-san e o Fushiguro fez aquela cara de tédio e disse que preferia lutar com uma maldição de nível especial a vir aqui. Eles sabiam!
Hitoshi baixou a cabeça, escondendo o rosto entre as mechas ruivas.
— A gente devia ir embora. Vão achar que somos um casal.
Para sua surpresa, Itadori apenas riu e, com uma naturalidade desconcertante, segurou a mão de Hitoshi. Seus dedos se entrelaçaram com firmeza.
— E qual o problema? Deixa eles acharem. Vem, eu tô com fome!
Hitoshi foi puxado pelo meio da multidão, o coração batendo tão forte que ele tinha certeza de que Itadori podia sentir através da palma da mão. Eles pararam em uma barraca de comida.
— Dois udons, por favor! — pediu Itadori.
Quando o prato foi entregue, Hitoshi sentiu seus olhos brilharem. Udon era sua comida favorita, o conforto em forma de massa. Ele começou a comer, sentindo-se genuinamente feliz pela primeira vez em semanas. Itadori o observava com um olhar terno, limpando uma gota de caldo do canto da boca de Hitoshi com o polegar, o que quase fez o ruivo engasgar.
Depois, eles acabaram entrando no "Túnel do Amor", uma atração clássica. O barquinho deslizava suavemente pela água escura, cercado por luzes suaves.
— Sabe, Hitoshi — começou Itadori, sua voz mais baixa por causa do eco do túnel —, você fica muito mais bonito quando está relaxado assim.
Hitoshi desviou o olhar, o clima de tensão crescendo entre eles.
— Não diga bobagens, Itadori. Eu sou um desastre.
— Um desastre bem fofo, então — rebateu Yuuji com uma piscadela.
A última parada foi a roda gigante. À medida que a cabine subia, as luzes da cidade lá embaixo tornavam-se pequenos pontos brilhantes. O silêncio se instalou, interrompido apenas pelo leve rangido da estrutura. Hitoshi olhou para as próprias mãos, a melancolia voltando a sussurrar em seu ouvido.
— Itadori... você acha que algum dia eu posso ser amado de verdade por alguém? — A pergunta saiu pequena, carregada de toda a sua insegurança. — Tipo, eu sou uma pessoa difícil. Não sou saudável mentalmente, tenho insônia, sou frio... Às vezes acho que sou quebrado demais para alguém querer consertar. Quem ia querer amar alguém como eu?
Itadori, que estava olhando para a vista, virou-se para ele com uma expressão séria que Hitoshi raramente via. Ele se aproximou, diminuindo o espaço no pequeno banco da cabine.
— Hitoshi, olha para mim.
O ruivo obedeceu, encontrando os olhos castanhos e intensos de Yuuji.
— Eu não quero te consertar, porque você não é um objeto quebrado. Você é uma pessoa incrível que está passando por um momento difícil. E sobre alguém te amar... — Itadori respirou fundo. — Eu amo você. Desde o primeiro dia que te vi no pátio, com esse jeito reservado e esses olhos que parecem ver além da alma das pessoas. Eu amo tudo em você, até a parte que você odeia.
Hitoshi sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. Ele começou a tremer, o rosto ficando vermelho enquanto algumas lágrimas teimosas escapavam.
— Yuuji... você não pode estar falando sério.
— Estou falando seríssimo. Tão sério que... Hitoshi Konami, você quer namorar comigo?
O mundo pareceu parar. Hitoshi abriu a boca, mas nenhum som saiu. Seu cérebro simplesmente travou. O pânico de ser amado, o medo de falhar e a alegria avassaladora colidiram dentro dele, resultando em um silêncio absoluto. A roda gigante terminou sua volta, e eles saíram da cabine.
Itadori estava visivelmente murcho. Ele interpretou o silêncio como uma rejeição educada. O caminho de volta para a escola foi silencioso e desconfortável.
Quando chegaram ao portão principal da escola, Itadori começou a se despedir.
— Bom, a gente se vê amanhã, Hitoshi. Desculpa se eu deixei as coisas estranhas...
Antes que ele pudesse se afastar, Hitoshi esticou a mão e agarrou a manga da jaqueta de Itadori com força. Ele estava de cabeça baixa, o corpo tremendo levemente.
— Espera! — exclamou Hitoshi, a voz embargada. — Eu... eu não sou uma pessoa boa, Itadori! Eu sou instável, eu sou feio quando acordo porque não durmo nada, eu sou ridículo com essas crises de tristeza e... e eu sinto prazer na dor às vezes, eu sou estranho! Eu não mereço alguém como você, que é luz pura. Eu sou um abismo, Yuuji!
Itadori parou e, de repente, sua expressão mudou de tristeza para uma leve irritação. Ele segurou os ombros de Hitoshi com firmeza, forçando-o a olhar para cima.
— Para com isso agora! — deu uma bronca, a voz firme. — Não ouse falar assim do cara que eu amo. Hitoshi, você é a pessoa mais linda que eu já vi. Suas raízes pretas aparecendo? Eu acho estiloso. Seus olhos vermelhos? São hipnotizantes. E a sua empatia... o jeito que você sente o mundo de forma tão intensa por causa da sua técnica... é a coisa mais bonita que existe. Você não é um abismo, você é profundo, e eu não tenho medo de mergulhar.
— Para, Itadori... para de dizer essas coisas — pediu Hitoshi, tentando se desvencilhar, o coração martelando no peito.
Em vez de parar, Itadori fez a única coisa que poderia silenciar as inseguranças de Hitoshi naquele momento. Ele se inclinou e o beijou.
Foi um beijo urgente, cheio de promessa e calor. Hitoshi arregalou os olhos por um segundo, mas logo se entregou, agarrando-se ao pescoço de Itadori como se ele fosse seu único oxigênio. O beijo tinha gosto de udon, de festival e de uma esperança que Hitoshi achava que tinha perdido para sempre.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. Hitoshi tinha o rosto banhado em lágrimas e uma cor carmesim nas bochechas.
— Você tem certeza? — sussurrou Hitoshi, a voz falha. — Você tem certeza que vai conseguir dar conta de todas as bagagens que eu carrego? Das noites em claro, das crises... de tudo?
Itadori sorriu, aquele sorriso grande e bobo que Hitoshi tanto amava, e colou sua testa na dele.
— Eu sempre vou estar aqui para te ajudar, Hitoshi. Eu te prometo, é uma promessa de verdade. Eu nunca faria nenhum mal a você, e muito menos deixaria você fazer mal a si mesmo. A gente carrega esse peso junto, beleza?
Hitoshi soltou um suspiro trêmulo, sentindo um peso enorme ser levantado de seus ombros.
— Então tá... — Ele deu um pequeno sorriso, o primeiro sorriso genuíno em muito tempo. — Eu aceito. Eu quero ser seu namorado.
Itadori deu um pulo para trás, os olhos brilhando.
— ISSO! — Ele gritou, jogando os braços para o alto e começando a fazer uma dancinha de vitória ali mesmo no portão da escola. — VOCÊ OUVIU ISSO, MUNDO? ELE DISSE SIM!
— Itadori, fala baixo! — Hitoshi tentou repreendê-lo, escondendo o rosto nas mãos, morrendo de vergonha, mas rindo ao mesmo tempo.
— Não tem "fala baixo" agora! Eu sou o cara mais sortudo da feitiçaria jujutsu! — Yuuji correu até Hitoshi, pegou-o no colo e começou a girá-lo no ar.
— Me solta, seu bobo! — Hitoshi ria, a sensação de felicidade sendo tão estranha quanto maravilhosa.
Naquela noite, pela primeira vez em meses, Hitoshi Konami não precisou de remédios ou de horas encarando o teto. Ele adormeceu sentindo o calor do post-it que Itadori tinha deixado em sua mão antes de irem para seus respectivos quartos. A batalha contra a depressão ainda não tinha acabado, mas agora, ele tinha um sol particular para iluminar o caminho.
