Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Oliver !!:3

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 22/08/2026

Tags

UA (Universo Alternativo)AngústiaPsicológicoSombrioHorrorEstudo de PersonagemHorror Corporal
Índice

Reflexos de Grafite e Sabão

A Paper School nunca foi um lugar de paz, e Oliver era a principal razão disso. Com seus longos cabelos brancos que quase varriam o chão e o rabo de cavalo baixo balançando a cada passo, ele caminhava pelos corredores com a confiança de quem era o dono do lugar. Em sua mão direita, ele segurava uma barra de sabão de lavanda, da qual tirou uma mordida generosa, mastigando-a como se fosse o mais fino chocolate. O gosto alcalino e a textura cremosa eram o seu lanche favorito, algo que fazia os outros alunos sentirem náuseas só de olhar.

— Hm, esse é dos bons. — Oliver murmurou para si mesmo, sentindo as bolhas se formarem levemente nos cantos de sua boca.

Ele olhou para o seu braço esquerdo, o lápis gigante que substituía seu membro real, e sorriu de forma travessa. Ele estava planejando algo grande. Edward e Zip deviam estar esperando por ele perto dos armários para a pegadinha do dia, mas Oliver sentiu um calafrio repentino percorrer sua espinha. A marca vermelha de "A+" em seu cabelo pareceu arder por um segundo.

O corredor, antes barulhento com o eco dos passos dos alunos, mergulhou em um silêncio antinatural. Oliver parou de mastigar. Ele sentiu uma presença. Alguém muito alto, alguém que exalava um cheiro de papel queimado e tinta velha.

Uma mão fria e pesada pousou em seu ombro. Oliver congelou.

— Ora, ora... se não é o meu pequeno reflexo. — A voz era um sussurro rouco, uma versão distorcida da sua própria voz, carregada de malícia e escuridão.

Oliver sentiu o hálito frio de Danger Oliver contra sua orelha. A versão sombria dele, uma figura que parecia ter saído de um pesadelo de nanquim, inclinou-se para frente.

— Olá, irmãozinho. — sussurrou Danger Oliver.

Oliver saltou para frente, virando-se bruscamente, o rosto vermelho de uma mistura de susto e fúria. As meias brancas até o joelho deslizaram levemente no chão polido enquanto ele apontava seu braço de lápis para a figura à sua frente.

— Não me chama assim! — gritou Oliver, os dentes cerrados. — O que você está fazendo aqui? Sai de perto de mim, seu estranho!

Danger Oliver não se abalou. Seus olhos brilhavam com uma intensidade cruel, e ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles com uma velocidade desumana. Antes que Oliver pudesse reagir ou correr, a mão enluvada de sua contraparte sombria avançou, agarrando-o firmemente pelo colarinho da camisa preta listrada.

— Você sempre foi tão barulhento, Oliver. — Danger Oliver disse, levantando-o do chão com facilidade. — Mas hoje, ninguém vai ouvir o seu barulho.

— Me solta! Edward! Zip! — Oliver gritou a plenos pulmões, chutando o ar com suas botas pretas. — Socorro!

Danger Oliver soltou uma risada seca e, com um movimento rápido, arrastou Oliver para uma porta que o garoto nunca tinha notado antes. Era uma entrada para uma sala escura, um vazio absoluto onde a luz parecia ser devorada pelas paredes.

Assim que entraram, a escuridão os envolveu. Oliver tentou gritar novamente, sua voz falhando pelo pânico crescente.

— Edwar... — A voz de Oliver foi abafada instantaneamente quando a mão de Danger Oliver cobriu sua boca com força.

— Fica quieto. — Danger Oliver ordenou, o tom de voz gélido. — Se você der mais um pio, eu garanto que o seu precioso lápis não será a única coisa quebrada aqui.

Oliver fez sons de irritação abafados, tentando morder a palma da mão que o silenciava, mas era inútil. Ele se debatia, sentindo o relógio em seu pulso esquerdo apertar contra a pele enquanto Danger Oliver o empurrava contra uma cadeira de madeira velha no centro da sala.

Com movimentos precisos e cruéis, Danger Oliver começou a amarrar Oliver. Cordas ásperas envolveram seus pulsos e tornozelos, prendendo-o firmemente à cadeira. Quando a mão finalmente saiu de sua boca, Oliver não perdeu tempo.

— SOCORRO! ZIP! ALGUÉM ME AJUDA! ESSE LOUCO VAI... — O grito foi cortado abruptamente.

Danger Oliver pegou um pano grosso e sujo, dobrando-o rapidamente. Ele o forçou na boca de Oliver e o amarrou atrás de sua cabeça com um nó cego e apertado. Oliver sentiu o tecido seco contra sua língua, o gosto de poeira substituindo o sabor do sabão. Seus olhos se arregalaram, brilhando com uma fúria impotente. Ele tentou gritar, mas tudo o que saiu foram sons abafados e desesperados: "Mmmph! Mmm-mmph!".

— Isso é bem melhor. — Danger Oliver comentou, observando sua obra. — Agora, vamos para um lugar onde a poeira combina com as suas memórias.

Ele empurrou a cadeira — que estranhamente tinha rodinhas rangentes — em direção a um alçapão no canto da sala. Com um chute, ele abriu a entrada para o porão. O ar que subiu era frio e cheirava a mofo e abandono. Oliver foi jogado, cadeira e tudo, para baixo, aterrissando com um solavanco que fez seus chifres pretos vibrarem.

O porão era um labirinto de caixas velhas e papéis rasgados. Danger Oliver desceu as escadas lentamente, cada passo ecoando como uma sentença. Ele parou na frente de Oliver, que estava vermelho de raiva, os cabelos brancos espalhados pelo chão como um manto sujo.

— Você se lembra, não lembra, Oliver? — Danger Oliver começou a circular a cadeira, provocando-o. — Lembra de quando éramos apenas um? Antes de você decidir que ser um valentão engraçadinho era melhor do que enfrentar a verdade?

Oliver balançou a cabeça freneticamente, tentando se soltar das cordas. Ele não queria lembrar. As imagens de sua infância, de momentos de fraqueza e solidão que ele havia enterrado sob camadas de travessuras e bullying, começaram a emergir.

— Você era tão fraco. — Danger Oliver continuou, inclinando-se para ficar cara a cara com ele. — Chorando pelos cantos porque não conseguia desenhar direito com a mão esquerda. Olha para você agora... substituindo o que perdeu por um pedaço de grafite. Você é um rascunho inacabado, irmãozinho.

A raiva de Oliver atingiu o ponto de ebulição. Ele se inclinou para frente com toda a força que tinha, tentando morder a mão de Danger Oliver através do pano, seus olhos faiscando como brasas.

Danger Oliver apenas sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. Ele levantou o dedo indicador e o pressionou firmemente contra o pano que cobria a boca de Oliver, bem no centro, forçando a cabeça do garoto para trás.

— Shhh. — Danger Oliver sussurrou, a voz carregada de uma autoridade sombria. — Silêncio. Os desenhos ruins não falam. Eles apenas esperam para serem apagados.

Oliver sentiu uma lágrima de frustração queimar o canto de seu olho, mas ele a segurou. Ele não daria esse prazer ao seu captor. Danger Oliver se afastou, caminhando em direção à escada.

— Fique aí sozinho com seus pensamentos, Oliver. Talvez assim você perceba que o sabonete não tira o gosto amargo do que você realmente é.

Danger Oliver subiu e fechou o alçapão com um estrondo metálico. A escuridão total retornou, restando apenas o som da respiração pesada e abafada de Oliver.

Sozinho no porão, Oliver entrou em um estado de frenesi. Ele começou a se debater violentamente, a cadeira balançando perigosamente de um lado para o outro. "Mmmph! Mmm-MMMPH!". Ele tentava gritar pelos nomes de seus amigos, imaginando Zip rindo de alguma piada ou Edward ajustando seus óculos, mas o silêncio do porão era absoluto.

Ele tentou usar a ponta do seu braço de lápis para cortar as cordas, mas o ângulo era impossível e seus movimentos estavam restritos demais. Cada tentativa de grito apenas cansava seus pulmões e apertava o nó do pano em sua boca. A frustração se transformou em um estresse sufocante.

Ele era o valentão da Paper School. Ele era quem colocava os outros em situações ridículas. Como ele pôde acabar assim? Preso por uma sombra de si mesmo, em um porão escuro, incapaz de emitir um único som claro.

Oliver parou por um momento, ofegante. O suor fazia suas mechas de cabelo grudarem em sua testa. Ele olhou para o nada, a marca de "A+" em seu cabelo parecendo zombar dele na escuridão. Ele não desistiria, mas, pela primeira vez em muito tempo, o medo era mais forte que a sua vontade de fazer uma pegadinha. O silêncio era seu maior inimigo, e Danger Oliver sabia disso.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic