
Oliver x ∆lice!
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 23/08/2026
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A Surpresa Felpuda do Coelhinho Travesso
Os corredores da Paper School estavam estranhamente silenciosos naquela tarde, o que geralmente significava que algo estava muito errado ou que Oliver estava planejando sua próxima travessura com Zip e Edward. O cheiro de papel velho e grafite pairava no ar, misturado ao aroma químico e floral de sabonete de lavanda — o lanche favorito de Oliver, que ele costumava mastigar como se fosse chocolate.
∆lice caminhava com passos pesados e decididos, suas garras arranhando levemente o chão de papel. A garota demônio estava com fome, e não era de sabonete. Seus olhos brilhavam com uma fome específica, um desejo canibal que só o seu namorado, Oliver, conseguia satisfazer — ou melhor, instigar. Ela o procurava há vinte minutos, passando pelas salas de aula vazias e desviando das poças de tinta que decoravam o chão.
— Oliver? — ela chamou, sua voz ecoando com uma distorção demoníaca. — Onde você está, meu lanchinho? Não me faça ter que caçar você... sabe que eu fico irritada quando estou com fome.
Ela virou o corredor que levava aos dormitórios abandonados, uma área da escola que a maioria dos alunos evitava por puro terror. Foi então que ela viu algo incomum. No meio do corredor, de costas para ela, estava uma figura alta e esguia. Os longos cabelos brancos, que normalmente chegavam aos tornozelos em um rabo de cavalo baixo, estavam lá, mas o resto da silhueta parecia... diferente.
∆lice acelerou o passo, sem paciência para jogos de esconde-esconde. Ela não estava prestando atenção por onde andava, seus olhos focados na marca de "A+" vermelha que se destacava no cabelo dele, até que seu joelho colidiu com algo macio e felpudo que sobressaía da base das costas do rapaz.
— Mas o que...? — ∆lice murmurou, parando abruptamente.
Ela havia esbarrado em um pequeno e pomposo rabinho de coelho branco, preso estrategicamente na cintura de Oliver.
O rapaz deu um pequeno pulo, claramente pego de surpresa pelo impacto súbito, e se virou lentamente sobre os calcanhares. ∆lice sentiu o ar escapar de seus pulmões, e suas bochechas, normalmente pálidas, arderam em um tom intenso de carmesim.
Oliver não estava usando seu uniforme habitual de listras brancas e pretas. Em vez disso, ele estava equilibrado em saltos altos rosas vertiginosos que faziam suas pernas longas e esbeltas parecerem infinitas, envoltas em meias-calças pretas translúcidas que brilhavam sob a luz fraca da escola. O corpo dele estava apertado em um collant rosa vibrante que realçava cada linha de sua estrutura magra, com um decote firme e discreto no busto.
Pulseiras brancas adornavam seus pulsos — inclusive o braço de lápis, que parecia estranhamente cômico e charmoso naquela composição — e uma gola branca elegante circulava seu pescoço, finalizada com uma gravata borboleta preta impecável. No topo da cabeça, entre seus chifres pretos, um par de orelhas de coelho rosa balançava suavemente.
Mas o que mais chamou a atenção de ∆lice foi o acessório em seu rosto: uma pequena cenoura de brinquedo, servindo como uma mordaça que prendia sua boca, presa por tiras elásticas.
— Mmmph! Mmm-mmph! — Oliver soltou sons abafados, seus olhos brilhando com uma alegria travessa.
Ele não parecia nem um pouco envergonhado. Pelo contrário, ele balançou o corpo levemente, fazendo o rabinho de coelho tremer, e inclinou a cabeça para o lado, olhando para ∆lice com uma expressão de pura curiosidade e diversão.
— Oliver... — ∆lice começou, a voz falhando enquanto ela tentava processar a visão à sua frente. — O que diabos você está fazendo vestido assim? E onde conseguiu isso?
Oliver deu um passo à frente, o som dos saltos batendo no chão de papel com um estalido seco. Ele soltou mais uma série de sons abafados e ruidosos, gesticulando com o braço de lápis em direção a ela, claramente feliz por ela ter "esbarrado" nele.
— Mph-mmph, mph! — Ele tentou dizer algo, os olhos semicerrados em um sorriso que a mordaça não permitia ver completamente.
∆lice cruzou os braços, tentando recuperar sua postura de demônio intimidador, embora o rubor em seu rosto a entregasse completamente. A visão de Oliver, o valentão da escola, o garoto que comia sabonete e atormentava os outros, vestido como um coelhinho de luxo, era demais para o seu autocontrole.
— Tire essa cenoura da boca e fale direito, Oliver! — ordenou ela, embora houvesse uma nota de riso contido em sua voz. — Eu não consigo entender nada do que você está resmungando.
Oliver negou com a cabeça vigorosamente, apontando para a mordaça e depois para ∆lice, fazendo um gesto de "não" com o dedo indicador da mão direita. Ele parecia estar se divertindo com a frustração dela. Ele se aproximou mais, invadindo o espaço pessoal de ∆lice, e se inclinou para que seus rostos ficassem quase no mesmo nível, apesar da diferença de altura causada pelos saltos.
— Mmmph-mph-mmph! — Ele insistiu, os sons saindo mais agudos agora, como se estivesse tentando contar uma piada interna.
— Oliver, eu estou falando sério! — ∆lice exclamou, embora suas mãos estivessem tremendo levemente de desejo e confusão. — Você sabe que eu sou canibal, não sabe? Ver você vestido de comida... de coelho... não ajuda muito a minha fome.
Oliver deu uma risadinha abafada por trás da cenoura de plástico. Ele levou a mão ao relógio no pulso esquerdo, bateu no vidro e depois apontou para um bilhete que estava preso na gola branca de seu pescoço. ∆lice se aproximou, seus olhos demônios focando na caligrafia bagunçada de Zip e Edward.
O bilhete dizia: "Propriedade da ∆lice. Não comer (a menos que seja a namorada)".
∆lice sentiu um calor percorrer seu corpo. Ela olhou para Oliver, que agora fazia uma pose exagerada, colocando as mãos na cintura e empinando o busto, as orelhas de coelho caindo levemente sobre os olhos.
— Então os seus amigos ajudaram você com isso? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha. — Edward deve ter passado horas projetando esses saltos para aguentar o seu peso, e Zip provavelmente roubou esse collant de algum lugar.
Oliver assentiu freneticamente, parecendo orgulhoso da colaboração de seu grupo de valentões. Ele então apontou para a própria boca novamente, fazendo sons de esforço, como se estivesse tentando forçar as palavras através do plástico da cenoura.
— — Mmm... Aa-lice... — A voz saiu extremamente distorcida e baixa.
— O quê? Não consigo ouvir. — Ela se aproximou mais, seu nariz quase tocando a cenoura. — Diga de novo. Diga alguma coisa de verdade.
Oliver respirou fundo, o peito subindo e descendo sob o tecido rosa justo. Ele fez um esforço hercúleo, as cordas vocais vibrando contra o obstáculo.
— — Mmmph... amo... você... — foi o que pareceu sair.
∆lice parou por um momento, o coração batendo forte contra as costelas. Ela estendeu a mão, suas garras roçando suavemente a bochecha de Oliver, contornando a tira da mordaça.
— Você é um idiota completo, Oliver — ela sussurrou, sua voz agora carregada de uma afeição sombria. — Um idiota delicioso e ridículo.
Oliver respondeu com um olhar de "eu sei", e então, em um movimento rápido, ele usou o braço de lápis para cutucar levemente o ombro de ∆lice, antes de se virar e começar a caminhar pelo corredor com um rebolado exagerado, o rabinho de coelho balançando de um lado para o outro de forma provocativa.
— Ei! Aonde você pensa que vai? — gritou ∆lice, começando a segui-lo.
Oliver olhou por cima do ombro, os olhos brilhando de malícia. Ele apontou para a sala de artes no final do corredor, que ele sabia estar vazia àquela hora, e fez um gesto para que ela o seguisse, soltando um último som abafado que soou estranhamente como uma risada desafiadora.
— Mph-mph!
∆lice rosnou baixinho, um som que era metade fome e metade diversão pura.
— Ah, você vai se ver comigo, coelhinho. Eu espero que você tenha trazido sabonete extra, porque depois que eu tirar essa cenoura da sua boca, você vai ter muito o que explicar... e eu vou ter muito o que saborear.
Eles desapareceram pela porta da sala de artes, deixando o corredor silencioso novamente, exceto pelo eco distante do clique-claque dos saltos rosas de Oliver e o som abafado de sua alegria travessa. Na Paper School, as aulas podiam ser perigosas, mas os intervalos eram, sem dúvida, muito mais interessantes.
