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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 23/08/2026

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Sombras de Infância e Correntes de Giz

O silêncio do quarto escuro era cortado apenas pelo som da respiração errática de Oliver e pelo ruído metálico das correntes que prendiam seus pulsos e tornozelos à estrutura da cama. O ambiente cheirava a poeira e a algo metálico, como grafite e sangue seco. Oliver, o valentão da Paper School, aquele que sempre tinha um sorriso malicioso no rosto e um pedaço de sabonete entre os dentes, agora se via em uma posição de vulnerabilidade que nunca imaginou enfrentar.

Seu braço esquerdo, o grande lápis que ele costumava usar para intimidar os outros e desenhar o caos nos corredores, estava estendido e preso. Ele tentou, em um ato de desespero, inclinar o ângulo do braço para que a ponta afiada do grafite pudesse alcançar o couro das tiras ou o metal das algemas. A dor irradiava pelo seu ombro a cada movimento brusco, mas o medo de Danger Oliver era maior que qualquer desconforto físico.

Justo quando ele achou que teria ângulo suficiente, uma mão fria e familiar, mas carregada de uma intenção maligna, envolveu a haste de madeira do seu braço-lápis.

— Tsc, tsc... — a voz de Danger Oliver surgiu das sombras, um sussurro que parecia vir de dentro da própria cabeça de Oliver. — Ainda tentando lutar, irmãozinho? Você sempre foi tão teimoso.

Danger Oliver puxou o braço de Oliver com uma força brutal, torcendo o ângulo de forma não natural.

— Agh! — Oliver soltou um gemido abafado, o som morrendo contra o mordedor de couro preto que preenchia sua boca. Seus olhos se arregalaram, as pupilas contraindo-se enquanto lágrimas de dor e frustração começavam a arder nos cantos.

Danger Oliver não parou por aí. Ele se inclinou sobre o corpo de Oliver, sua presença obscurecendo a pouca luz que restava. Ele era uma imagem distorcida, uma versão de Oliver que parecia ter saído de um pesadelo feito de tinta preta e intenções cruéis. Ele se posicionou sobre Oliver, sentindo a resistência do garoto sob ele.

Com uma lentidão torturante, Danger Oliver aproximou o rosto do lado da cabeça de Oliver. Ele observou o lóbulo da orelha do irmão, o pequeno pedaço de pele que tremia com o pavor. Sem aviso, Danger Oliver usou a língua, traçando o contorno da orelha antes de sugar o lóbulo com uma possessividade doentia.

Oliver sentiu um arrepio de puro horror percorrer sua espinha. Seu rosto esquentou violentamente, um rubor de vergonha e raiva tingindo suas bochechas brancas. Ele se debateu com renovado vigor, as molas da cama rangendo em protesto, as algemas cortando sua pele.

— Mmmph! Mmm-mmph! — ele gritava contra a mordaça, tentando dizer ao seu captor o quanto ele o odiava, o quanto aquilo era errado.

Danger Oliver se afastou apenas o suficiente para olhar Oliver nos olhos, um sorriso sombrio curvando seus lábios. Ele deslizou um dedo longo pelo pescoço de Oliver, descendo até a borda da mordaça de couro. Ele sentiu a vibração dos protestos de Oliver contra o material.

— Você quer falar, não quer? — Danger Oliver perguntou, sua voz suave demais, perigosa demais. — Quer chamar pelos seus amiguinhos? O Edward? A Zip? Eles não podem ouvir você, Oliver. Eles estão ocupados vivendo as vidinhas medíocres deles enquanto você está aqui... comigo. Onde você pertence.

Oliver balançou a cabeça freneticamente, seus cabelos brancos espalhando-se pelo travesseiro como fios de seda sujos. Danger Oliver aproximou o dedo dos lábios de Oliver, pressionando-o contra o couro.

— Se eu tirar isso, você vai ser um bom menino? Ou eu vou ter que te dar um motivo real para gritar? — O tom de ameaça era inegável.

Oliver parou de se debater por um segundo, seus olhos fixos nos do outro. Ele assentiu levemente, uma submissão forçada apenas para ter a chance de recuperar sua voz.

Danger Oliver sorriu, satisfeito, e com um movimento rápido, desfez a fivela atrás da cabeça de Oliver. O mordedor caiu, e Oliver imediatamente cuspiu, tentando recuperar o fôlego e a dignidade.

— Seu... seu doente! — Oliver explodiu, a voz rouca e carregada de veneno. — Edward e Zip vão te encontrar! Eles vão acabar com você! Me solta agora!

Danger Oliver soltou uma risada baixa e seca, um som que não tinha alegria.

— Eles não são nada, Oliver. Apenas distrações. Você se esqueceu de quem realmente cuidava de você nas sombras.

Sem qualquer aviso, as mãos de Danger Oliver moveram-se com uma eficiência cruel. Ele começou a puxar a camisa preta de Oliver, rasgando o tecido onde os botões resistiam. Oliver gritou em protesto, sentindo o ar frio da sala atingir sua pele. Em poucos instantes, ele foi deixado apenas de cueca, exposto e vulnerável sob o olhar predatório de sua versão sombria.

— Pare com isso! Isso é nojento! Você é louco! — Oliver gritava, seu corpo tremendo de raiva e humilhação.

— Nojento? — Danger Oliver repetiu, deslizando a mão espalmada pelo peito de Oliver, sentindo o batimento acelerado do coração do garoto. — Nós somos feitos da mesma matéria, Oliver. Não há nada em você que eu não conheça.

A mão de Danger Oliver parou sobre o peito de Oliver, os dedos se fechando em torno do mamilo do garoto. Ele beliscou com força, uma dor aguda e súbita que fez Oliver arquear as costas contra o colchão.

— AAAAAAH! — O grito de Oliver ecoou pelas paredes de papel da escola, um som de pura agonia. — Pára! Por favor, pára!

— Por que eu pararia? — Danger Oliver sussurrou, aproximando-se novamente do ouvido de Oliver. — Estamos apenas começando a brincar. Você se lembra de quando éramos crianças? De como você sempre queria ser o mais forte? Onde está toda essa força agora?

Oliver tentou morder a mão de Danger Oliver quando ela passou perto de seu rosto, mas o outro foi mais rápido, segurando o queixo de Oliver com força suficiente para deixar marcas.

— Você sempre foi um animalzinho selvagem — Danger Oliver provocou, tocando o relógio no pulso de Oliver com um desdém gelado. — Tic-tac, Oliver. O tempo está passando, e ninguém está vindo salvar você.

Oliver sentiu as primeiras lágrimas quentes escorrerem por seu rosto. Ele se sentia pequeno, uma criança novamente, perdida em um jogo que ele não podia vencer. Ele pensou em Zip, na maneira como eles costumavam rir enquanto jogavam aviõezinhos de papel. Pensou em Edward e em suas invenções. Eles pareciam estar a galáxias de distância agora.

— Por favor... — Oliver murmurou, sua voz falhando. — Por que você está fazendo isso?

Danger Oliver não respondeu com palavras. Ele apenas olhou para Oliver com uma mistura de ódio e uma afeição distorcida. Ele estendeu a mão e tocou o rosto de Oliver, limpando uma lágrima com o polegar, um gesto que teria sido gentil se não fosse tão sinistro.

— Porque você tentou me esquecer, irmãozinho — Danger Oliver disse, sua voz tornando-se um sussurro frio enquanto ele se afastava para a beira da cama. — Você tentou ser normal. Tentou ter "amigos". Mas você nunca será um deles. Você é meu.

Danger Oliver caminhou até o interruptor na parede. Ele olhou para Oliver uma última vez, o brilho de seus olhos sendo a última coisa visível antes de ele apagar a luz.

— Tente não gritar muito alto no escuro — a voz de Danger Oliver veio do nada. — Ninguém gosta de um perdedor barulhento.

A porta se fechou com um estrondo metálico, deixando Oliver na escuridão absoluta.

— Zip! Edward! Alguém! — Oliver gritou até sua garganta arder, debatendo-se contra as algemas até seus pulsos sangrarem.

Mas o único som que retornava para ele era o eco de seus próprios gritos nas paredes vazias da Paper School. Ele estava sozinho com suas memórias, suas correntes e a sombra de quem ele costumava ser. O silêncio que se seguiu foi mais aterrorizante do que qualquer grito, uma promessa silenciosa de que a noite estava apenas começando.

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