
Silêncio confortante
Fandom: Alien stage
Criado: 23/08/2026
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Tons de Rosa, Azul e Sinais Silenciosos
A tela do celular de Hyuna brilhou na escuridão do quarto, iluminando seu rosto com um sorriso que ela não conseguia conter. Eram quase onze da noite de segunda-feira, mas o sono era a última coisa em sua mente.
Mizi: “Surpresa! Adivinha quem acabou de desfazer a última mala?”
Hyuna sentou-se rapidamente na cama, os dedos voando pelo teclado.
Hyuna: “Não brinca! Você já está aqui na cidade? Por que não avisou antes, sua doida? Eu teria ido te buscar no aeroporto!”
Mizi: “Queria fazer um suspense, sabe como é. Minha avó finalmente resolveu que era hora de voltar e, bom, aqui estou eu. E tem mais: meus documentos já foram aprovados. Começo na sua escola na quarta-feira.”
Hyuna soltou um gritinho abafado, chutando as cobertas.
Hyuna: “CARALHO! Mizi, isso é sério? A gente vai estudar juntas de novo? O 3º ano vai ser lendário agora. Você não tem noção do quanto eu senti sua falta, garota.”
Mizi: “Eu também, Huna. Prepare-se, porque eu não mudei nada. Na verdade, estou mais insuportável. Vejo você na quarta?”
Hyuna: “Com certeza! Vou estar na frente do portão te esperando.”
Hyuna bloqueou o celular e se jogou de volta nos travesseiros. O grupo de amigos que ela construíra no último ano era incrível, mas Mizi... Mizi era sua base desde o primeiro ano. A volta dela era a peça que faltava para aquele ano letivo ser perfeito.
Na manhã de terça-feira, o corredor da escola estava o caos habitual de um terceiro mês de aulas. Hyuna caminhava entre Luka e Sua, enquanto Ivan e Till vinham logo atrás, mergulhados no que parecia ser a terceira discussão do dia.
— Eu já disse, Ivan, se você encostar no meu fone de novo, eu vou quebrar a sua cara na frente de todo mundo — rosnou Till, ajeitando a alça da mochila. Seu cabelo cinza estava mais bagunçado que o normal, e a gravata do uniforme estava pendurada de qualquer jeito no pescoço.
Ivan, impecável em seu paletó preto e gravata perfeitamente ajustada, exibiu aquele sorriso de lado que sempre fazia o canino superior aparecer.
— Credo, Till, quanta agressividade. Eu só queria ver se você ainda estava ouvindo aquele rock depressivo de sempre. É ruim para a alma, sabia? — Ivan riu, os olhos pretos brilhando de diversão ao ver a veia na testa de Till saltar.
— Vai se ferrar, seu projeto de engomadinho — Till resmungou, apressando o passo.
Luka, que caminhava calmamente com seu uniforme organizado e óculos no lugar, suspirou.
— Vocês dois não cansam? É cedo demais para tanta energia negativa.
Hyuna parou de repente no meio do corredor, virando-se para o grupo com uma expressão radiante.
— Gente, foco aqui! Tenho uma notícia incrível.
Sua, que estava quieta ao lado de Hyuna com seu livro pressionado contra o peito e o uniforme todo fechado até o último botão, inclinou a cabeça, curiosa.
— Lembram que eu falei de uma amiga antiga que morava fora? A Mizi? — Hyuna perguntou, gesticulando com as mãos. — Ela voltou! E vai começar a estudar aqui amanhã.
Ivan cruzou os braços, encostando-se nos armários.
— Mizi? Nome diferente. E aí, ela é bonita ou é do tipo que vai andar com o Till no porão ouvindo música de funeral?
— Cala a boca, Ivan — Till disparou, embora também parecesse minimamente interessado.
— Ela é maravilhosa, Ivan. E se você tentar suas gracinhas de provocador com ela, é capaz dela te dar uma resposta que vai te deixar sem fala por uma semana — Hyuna riu, dando um tapinha no ombro de Sua. — Você vai adorar ela, Sua. Ela é super gente boa.
Sua sorriu levemente e fez um sinal rápido com a mão, perguntando se ela era legal.
— Muito legal — confirmou Luka, sorrindo para a namorada. — Se a Hyuna gosta tanto dela, deve ser uma ótima pessoa. Estou ansioso para conhecê-la.
— Só não esperem nada normal — avisou Hyuna, fazendo mistério. — Vocês vão ver amanhã.
Quarta-feira chegou com uma expectativa palpável para Hyuna. O primeiro horário passou como um borrão. No segundo horário, o grupo estava espalhado pela sala de aula habitual. O professor de literatura precisou sair por alguns instantes para buscar um material na coordenação, deixando a turma em um burburinho controlado.
Till estava debruçado sobre a mesa, rabiscando o caderno com força, enquanto Ivan, sentado atrás de Sua, cutucava o ombro da irmã apenas para vê-la suspirar de irritação. Luka e Hyuna conversavam baixo sobre o trabalho de história.
A porta se abriu e o professor entrou, mas não estava sozinho.
O silêncio caiu sobre o grupo de amigos quase instantaneamente. A garota ao lado do professor era impossível de ignorar. Ela usava a saia do uniforme bem curta e a blusa social com o último botão aberto, a gravata frouxa dando um ar despojado que contrastava com a rigidez da escola. Mas era o cabelo que chamava a atenção: longos fios cor-de-rosa que terminavam em um azul vibrante nas pontas. Seus olhos dourados percorreram a sala com uma confiança calma.
— Pessoal, esta é a nova aluna, Mizi. Ela está se juntando a nós a partir de hoje. Mizi, pode ocupar aquela carteira vazia ali no fundo.
Mizi sorriu, e Hyuna quase pulou da cadeira.
— Mizi! Aqui! — Hyuna exclamou, acenando freneticamente.
Mizi piscou para ela e caminhou até o fundo da sala. Ela se sentou logo atrás de Till e ao lado de Sua.
— Puta merda, Hyuna! — Mizi disse assim que se acomodou, a voz carregada de um sarcasmo afetuoso. — Você não disse que o uniforme dessa escola era tão sem graça. Tive que dar meu toque pessoal.
— Caralho, você tá linda! — Hyuna se virou para trás, ignorando completamente o fato de que a aula estava prestes a recomeçar. — Eu não acredito que você voltou mesmo. Olha para esse cabelo!
— Gostou? — Mizi jogou uma mecha para trás. — Minha avó quase teve um infarto quando eu apareci com o azul, mas ela supera.
Hyuna, transbordando animação, começou a apontar para o grupo.
— Mizi, esses são os idiotas que eu te falei. Esse loiro com cara de santo é o Luka, meu namorado.
Luka deu um sorriso gentil e acenou.
— Prazer, Mizi. Hyuna falou muito de você.
— Imagino que sim. Espero que nada muito comprometedor — Mizi brincou, voltando os olhos dourados para os outros.
— Aquela ali é a Sua — continuou Hyuna, apontando para a menina de cabelos pretos ao lado de Mizi. — E o chato atrás dela é o Ivan, irmão dela. E esse com cara de quem comeu limão é o Till.
Till apenas resmungou um "oi" sem levantar muito a cabeça, enquanto Ivan abriu seu sorriso característico.
— Então você é a lendária Mizi? — Ivan perguntou, inclinando-se para frente. — A Hyuna esqueceu de mencionar que você parecia um personagem de anime.
Mizi arqueou uma sobrancelha, encarando Ivan de cima a baixo.
— E ela esqueceu de mencionar que você parece um mordomo que planeja envenenar a família no jantar. Prazer, "mordomo".
Till soltou uma risada curta e genuína, o que fez Ivan fechar a cara por um milésimo de segundo antes de voltar a rir.
— Gostei dela — admitiu Ivan.
Hyuna então tocou no braço de Mizi e baixou um pouco o tom de voz, embora não houvesse tristeza em sua fala, apenas informação.
— Mizi, a Sua é muda. Ela entende tudo o que você fala, só não fala de volta, beleza?
Mizi parou por um momento, olhando para Sua. A menina pálida de olhos roxos sustentou o olhar, esperando a reação comum de pena ou desconforto que a maioria das pessoas demonstrava.
Em vez disso, Mizi sorriu de um jeito caloroso e, para a surpresa absoluta de todos na mesa, suas mãos começaram a se mover com uma fluidez impressionante.
— Oi, Sua. É um prazer conhecer você. Ignora esses caras, eles parecem dar muito trabalho — sinalizou Mizi, os movimentos rápidos e precisos.
Sua arregalou os olhos. Seus lábios se entreabriram em choque antes de um sorriso radiante iluminar seu rosto. Ela respondeu imediatamente, as mãos voando em sinais.
— Você sabe falar comigo? — Sua sinalizou, a expressão cheia de esperança.
— Eu aprendi há alguns anos — Mizi respondeu em sinais, piscando para ela. — Minha vizinha onde eu morava era surda e nos tornamos melhores amigas. Fiquei feliz em saber que posso conversar com você direito.
O resto do grupo estava estático. Till tinha parado de rabiscar o caderno e olhava para Mizi como se ela tivesse acabado de conjurar fogo com as mãos. Ivan estava com a boca levemente aberta, e até Luka parecia ter perdido as palavras.
— Que porra foi essa? — Till soltou, a voz saindo mais alta do que pretendia.
— Mizi! — Hyuna exclamou, boquiaberta. — Você nunca me disse que sabia língua de sinais!
Mizi deu de ombros, voltando a falar verbalmente enquanto ainda mantinha contato visual com Sua.
— Você nunca perguntou, Huna. E a gente só se falava por texto, não tinha muito como eu demonstrar.
— Caralho, ela sabe mesmo — murmurou Ivan, cruzando os braços e olhando para a irmã, que parecia mais animada do que ele a vira em semanas. — Eu sou irmão dela e mal consigo passar do "bom dia" e "cadê meu carregador" sem me perder nos sinais.
— Talvez seja porque você é preguiçoso, Ivan — Mizi provocou, voltando-se para Sua e fazendo um sinal que claramente era uma piada interna sobre o irmão dela, pois Sua soltou uma risadinha silenciosa, cobrindo a boca com a mão.
— Ei! Eu entendi que foi sobre mim! — Ivan reclamou, embora houvesse um brilho de satisfação no fundo de seus olhos ao ver a irmã tão integrada.
— Como você aprendeu tão rápido? — perguntou Luka, genuinamente impressionado. — Eu tento praticar com a Sua, mas ainda me sinto um pouco lento.
— Prática diária — Mizi respondeu de forma simples. — Quando você quer muito contar uma fofoca para alguém e a única forma é por sinais, você aprende em tempo recorde.
O professor bateu com a régua na mesa, chamando a atenção da turma.
— Muito bem, chega de recepção. Abram os livros na página oitenta e quatro.
Mizi pegou seu material, mas antes de se focar na aula, ela deu um toque leve no ombro de Sua e sinalizou rapidamente:
— Depois você me mostra os melhores livros da biblioteca?
Sua assentiu vigorosamente, os olhos roxos brilhando.
Till, que ainda processava a chegada daquela garota furacão, sentiu Ivan cutucar suas costas com a ponta da caneta.
— O que foi, desgraçado? — Till sussurrou irritado.
— A novata é interessante, não acha? — Ivan sussurrou de volta, com aquele sorriso irritante. — Pelo menos agora você tem alguém para te irritar além de mim.
— Ninguém me irrita mais do que você, Ivan. Morra — Till respondeu, mas não havia o ódio de sempre na voz.
Hyuna olhou para o lado, vendo Mizi já rabiscando algo na margem do caderno e trocando olhares cúmplices com Sua. Ela sentiu um calor no peito. O grupo estava diferente, mais completo. E, pelo visto, o terceiro ano estava apenas começando a ficar interessante.
