Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Bacterian e Kuririn

Fandom: Dragon Ball

Criado: 24/08/2026

Tags

AçãoHumorCrack / Humor ParódicoAventuraCenário CanônicoHorror CorporalSobrevivência
Índice

O Fedor da Vingança: O Pesadelo de Kuririn

O sol estava se pondo no horizonte, tingindo o céu da Ilha do Papaya com tons de laranja e púrpura. O estádio do 21º Torneio de Artes Marciais, outrora vibrante com os gritos da multidão e o som de golpes trocados, agora estava mergulhado em um silêncio sepulcral. A maioria dos espectadores já havia partido para as festividades noturnas na cidade, e os outros lutadores haviam se retirado para descansar ou comemorar.

Kuririn, o pequeno ex-monge do Templo Orin, caminhava sozinho pelos corredores internos de pedra do estádio. Ele havia esquecido sua bolsa de pertences perto da área de aquecimento e, com sua habitual diligência, decidiu voltar para buscá-la antes de se encontrar com Goku e Mestre Kame para o jantar. O eco de seus próprios passos era o único som que preenchia o ambiente, até que um odor familiar — e aterrorizante — começou a impregnar o ar.

Era um cheiro que misturava ovos podres, lixo acumulado sob o sol de verão e meias que nunca haviam conhecido o sabão. Kuririn parou abruptamente, sentindo uma gota de suor frio escorrer por sua careca.

— Não pode ser... — sussurrou ele, cobrindo o nariz com a mão. — Esse cheiro... eu reconheceria em qualquer lugar do mundo.

De repente, a única porta de saída do corredor se fechou com um estrondo metálico. Kuririn correu até ela e puxou a maçaneta, mas estava trancada por fora. As luzes do corredor piscaram e se apagaram, deixando apenas a luz fraca de uma pequena janela alta no topo da parede.

— Ora, ora, ora... veja quem o destino trouxe direto para o meu colo.

A voz era rouca, úmida e carregada de uma satisfação maligna. Das sombras no final do corredor, uma figura massiva emergiu. Bacterian. O gigante obeso e desgrenhado parecia ainda mais ameaçador na penumbra. Saliva escorria pelos cantos de sua boca, e o muco brilhava sob seu nariz enquanto ele sorria, revelando os poucos dentes amarelados que lhe restavam.

— Bacterian! — exclamou Kuririn, recuando até bater as costas na porta trancada. — O que você está fazendo aqui? O torneio acabou por hoje!

— Para você, talvez — disse o gigante, soltando uma risada gutural que fez sua barriga imensa balançar perigosamente. — Mas para mim, a conta ainda não foi paga. Você me humilhou na frente de todos, nanico. Você usou aquele truque sujo de lembrar que não tem nariz para ignorar o meu... aroma natural.

— Não foi um truque! — protestou Kuririn, tentando encontrar uma rota de fuga. — É apenas a anatomia! Eu realmente não tenho nariz!

Bacterian soltou um bufo que liberou uma nuvem visível de vapor esverdeado.

— Não importa. Você me venceu, e agora eu vou te mostrar que, mesmo sem nariz, você pode sentir o peso da minha derrota.

Antes que Kuririn pudesse reagir com sua velocidade de lutador, Bacterian agiu com uma agilidade surpreendente para alguém do seu tamanho. Ele se lançou à frente, não com um soco, mas com um abraço esmagador. Kuririn tentou saltar, mas o chão estava escorregadio devido a uma substância oleosa que parecia brotar da pele de Bacterian. O pequeno careca deslizou e, num piscar de olhos, foi capturado pelos braços peludos e suados do gigante.

— Me solta! Você é nojento! — gritou Kuririn, debatendo-se desesperadamente.

— Fique quieto, baixinho — rosnou Bacterian, jogando o corpo de Kuririn no chão de pedra e, antes que ele pudesse se levantar, o gigante virou-se de costas.

Com um movimento pesado e deliberado, Bacterian sentou-se. Kuririn sentiu o mundo escurecer quando a imensa massa de carne, coberta pela malha cor de ônix, desceu sobre ele. O peso era sufocante, mas o pior estava por vir.

Bacterian começou a balançar sua bunda de um lado para o outro, esmagando Kuririn contra o chão frio. O pequeno lutador estava preso sob a circunferência massiva do gigante, seu rosto enterrado contra o tecido sujo que mal conseguia conter a pele áspera de Bacterian.

— Sinta isso, Kuririn! — gritou Bacterian, rindo enquanto continuava o movimento de balanço. — É a vingança do homem que nunca tomou banho! Você acha que é superior porque treina com o Mestre Kame? Aqui embaixo, você é apenas um tapete!

Kuririn tentava empurrar, mas era como tentar mover uma montanha de gelatina sólida e fedorenta. O calor que emanava de Bacterian era insuportável, e o cheiro, agora concentrado e potencializado pelo atrito, parecia penetrar não pelos canais respiratórios que ele não tinha, mas diretamente pelos poros de sua pele e por seus olhos lacrimejantes.

— Por favor... — a voz de Kuririn saiu abafada. — Eu vou desmaiar...

— Ah, mas a festa está apenas começando — disse Bacterian, parando o balanço por um momento. — Eu comi três quilos de repolho estragado e ovos de mil anos antes da nossa luta. Meu estômago está uma sinfonia de gases, e eu guardei o melhor para o final.

Kuririn arregalou os olhos, sentindo uma vibração profunda vindo do corpo acima dele.

— Não... você não teria coragem...

— Observe-me.

Um som longo, agudo e estrondoso ecoou pelo corredor vazio. O ar ao redor deles pareceu vibrar com a intensidade da liberação. Uma nuvem tóxica, invisível mas palpável, envolveu os dois. Kuririn sentiu como se seus pulmões estivessem sendo preenchidos com chumbo derretido. Mesmo sem nariz, a sensação química daquele ataque era tão violenta que ele começou a tossir violentamente.

— Isso... isso é um crime contra a humanidade! — tossiu Kuririn, as lágrimas correndo por seu rosto.

— Isso é arte marcial orgânica! — rebateu Bacterian, soltando outra risada que terminou em um soluço úmido. — Diga-me, pequeno monge, como é estar preso no epicentro do meu poder?

Bacterian inclinou-se para trás, apoiando o peso de suas costas contra a parede, mas mantendo Kuririn firmemente preso sob seu traseiro. Ele pegou um pedaço de carne seca que estava escondido em algum lugar de suas braçadeiras e começou a mastigar, deixando a saliva escorrer sobre o peito peludo.

— Sabe, Kuririn — disse Bacterian, agora com um tom de voz quase casual, apesar da situação grotesca —, as pessoas me olham e sentem nojo. Elas não entendem a disciplina que é necessária para manter esse nível de... pureza natural. Eu não toco em água há vinte anos.

— Daria para perceber mesmo se você não falasse! — exclamou Kuririn, tentando desesperadamente cavar um buraco no chão de pedra para escapar.

— A disciplina é a chave — continuou o gigante, ignorando o protesto. — Você treina seus músculos, eu treino meu ecossistema. Cada bactéria no meu corpo é uma aliada. E hoje, elas estão todas celebrando em cima da sua cabeça careca.

Ele deu outro balanço vigoroso, fazendo Kuririn soltar um gemido de dor e asfixia. O pequeno careca sentia que estava perdendo a consciência. O peso de Bacterian era uma coisa, mas o isolamento térmico e olfativo era uma tortura que nenhum treinamento no Templo Orin o havia preparado para enfrentar.

— Por que você está fazendo isso agora? — perguntou Kuririn, sua voz enfraquecendo. — Você já perdeu o torneio. Isso não vai mudar o resultado.

— Não se trata de troféus, seu idiota — disse Bacterian, limpando o nariz com a mão e depois esfregando-a na própria perna. — Trata-se de respeito. Você me fez parecer um palhaço. Agora, você vai ficar aqui até eu me sentir satisfeito. E eu tenho muito gás acumulado, Kuririn. Muito mesmo.

Bacterian soltou outro peido, desta vez curto e seco, mas que parecia ter a densidade de uma parede de tijolos. Kuririn sentiu sua visão escurecer nas bordas. Ele pensou em Goku, pensou nas Esferas do Dragão, pensou em como seria uma morte indigna perecer sob o traseiro de um homem que cheirava a esgoto.

— Eu... eu preciso sair daqui... — murmurou Kuririn.

Ele começou a concentrar seu Ki. Embora fosse apenas uma criança e ainda estivesse no início de sua jornada de poder, a necessidade de sobrevivência aguçou seus sentidos. Ele não podia usar um Kamehameha ali, o espaço era muito pequeno e a explosão poderia soterrar ambos, mas ele podia concentrar sua energia em um ponto de pressão.

— O que foi? Ficou quietinho de repente? — zombou Bacterian. — Já aceitou seu destino como meu almofadão pessoal?

Kuririn não respondeu. Ele sentiu a umidade da pele de Bacterian através de sua própria roupa, o calor opressor e o cheiro que parecia ter ganhado vida própria, sussurrando insultos em seus ouvidos. Ele reuniu toda a sua força nas pernas e nos braços.

— Agora! — gritou o pequeno careca.

Com um esforço explosivo, Kuririn não tentou empurrar Bacterian para cima, mas sim girar seu próprio corpo como um pião. A manobra inesperada, combinada com a oleosidade da pele do gigante, fez com que Kuririn escorregasse para fora da "zona de impacto" como um sabonete molhado.

Ele rolou pelo corredor, tossindo e ofegando, aspirando o ar (relativamente) limpo das partes mais altas do corredor.

Bacterian, pego de surpresa pelo movimento, tombou para o lado com um baque que fez o chão tremer.

— Ora, seu pirralho liso! — rugiu o gigante, tentando se levantar, o que era um processo lento e barulhento.

Kuririn não esperou. Ele viu a pequena janela no alto da parede. Com um salto acrobático, ele impulsionou-se nas paredes laterais, usando a técnica de corrida vertical que havia praticado nas montanhas.

— Adeus, Bacterian! — gritou Kuririn. — E, pelo amor de tudo que é sagrado, compre um sabonete!

Ele atravessou a janela, quebrando o vidro e a moldura de madeira, e caiu do lado de fora, na grama fresca do pátio do estádio. Ele rolou várias vezes e depois ficou deitado de costas, olhando para as estrelas e respirando profundamente.

— Ar... ar puro... — disse ele, com um sorriso fraco. — Nunca mais vou reclamar do cheiro de peixe do Mestre Kame.

Lá dentro, ele ainda podia ouvir os gritos de frustração de Bacterian e o som de mais um peido estrondoso que, felizmente, agora estava contido por paredes de pedra.

Kuririn levantou-se, limpando a poeira e o suor (e outras substâncias que ele preferia não identificar) de suas roupas. Ele começou a correr em direção ao hotel onde seus amigos estavam. Ele precisava de três banhos, um esfregão de aço e, talvez, pedir ao Shenlong para apagar aquela memória específica de sua mente.

Enquanto corria, ele pensou que, no final das contas, o torneio de artes marciais era realmente um lugar onde se aprendia de tudo — inclusive que a vingança pode ser um prato que se serve não apenas frio, mas extremamente fedorento. E Kuririn, o pequeno guerreiro careca, tinha sobrevivido para contar a história, embora decidisse, naquele momento, que guardaria os detalhes mais "aromáticos" apenas para si mesmo.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic