
Mister Demi x Engel !
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 24/08/2026
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O Silêncio de Papel
A escuridão na Paper School nunca fora tão absoluta. O ar estava saturado com o cheiro metálico de grafite e o aroma seco de papel velho, mas havia algo mais — um odor acre de medo que parecia emanar das próprias paredes.
Mister Demi foi o primeiro a recobrar a consciência. Sua cabeça latejava, um ritmo insistente que acompanhava as batidas aceleradas de seu coração. Ele tentou levar a mão à testa para ajustar seus óculos, mas seus braços não obedeceram. O pânico, frio e cortante, subiu por sua espinha como uma nota dissonante em uma sinfonia perfeita.
Ele abriu o olho esquerdo, o único visível sob a franja que imitava teclas de piano, e a visão demorou a focar. Ele não estava em sua sala de música. Ele estava em pé, mas seu corpo parecia pesado, restringido. Ao tentar dar um passo à frente, sentiu a aspereza das cordas brancas que o prendiam firmemente a um pilar de sustentação.
— Socorro! — gritou ele, sua voz saindo mais aguda e trêmula do que o normal. — Por favor, alguém me ajude! Eu não consigo me mexer!
O grito ecoou pelo salão vazio, ricocheteando nas superfícies planas e sem vida. O movimento brusco de Demi e o som de sua voz desesperada acabaram por despertar a figura ao seu lado.
Engel sentiu o mundo girar antes mesmo de abrir os olhos. Suas penas azuis e vermelhas estavam levemente amassadas contra a madeira do pilar onde também fora amarrado, de costas para o professor. Ele tentou flexionar seus dedos pontiagudos e afiados, mas as cordas estavam estrategicamente posicionadas para imobilizar seus antebraços pretos.
— O que... onde... — Engel murmurou, a confusão nublando sua mente gentil.
— Engel? É você? — Demi perguntou, a voz falhando. — Graças a Deus! Eu não sei o que aconteceu, eu estava organizando as partituras e então... tudo ficou escuro!
— Professor Demi! — Engel exclamou, finalmente despertando por completo. O susto o atingiu como um golpe físico. Ele começou a se debater, a pequena cauda branca chicoteando inutilmente contra o macacão preto. — Socorro! Alguém nos tire daqui! Miss Circle? Miss Bloomie?
Os dois gritaram em uníssono por alguns minutos, um dueto de puro terror que preenchia o vácuo da escola silenciosa. No entanto, ninguém veio. O único som de resposta era o ranger das cordas contra suas roupas.
Engel, percebendo que o pânico de Mister Demi estava chegando a um nível perigoso — o professor estava hiperventilando, fazendo seus suspensórios pretos subirem e descerem freneticamente —, forçou-se a respirar fundo. Ele sempre fora o protetor, aquele que cuidava dos outros. Não podia falhar agora.
— Professor, escute! — disse Engel, tentando suavizar o tom de voz, apesar do suor que começava a escorrer por seu rosto. — Precisamos manter a calma. Olhe pelo lado positivo... pelo menos eles não amordaçaram a gente. Podemos continuar chamando até que alguém...
A frase de Engel foi interrompida pelo som seco de passos se aproximando. Não eram passos humanos comuns; eram batidas rítmicas e pesadas, como o som de compassos de metal batendo no chão de linóleo.
Antes que pudessem ver quem era, a escuridão pareceu se fechar sobre eles novamente. Mãos rápidas e precisas surgiram do nada.
— Não! Espere! — gritou Demi, mas suas palavras foram abafadas por um tecido branco e grosso que foi forçado contra sua boca e amarrado com força atrás de sua nuca, entre seus chifres pretos e os lápis decorativos.
Engel tentou morder, tentou lutar com toda a força de seus braços fortes, mas a imobilização era perfeita. Em segundos, um pano idêntico foi passado por sua boca, silenciando suas promessas de proteção.
O silêncio que se seguiu foi muito pior do que os gritos.
Mister Demi arregalou o olho verde-claro, as lentes de seus óculos refletindo a penumbra. Ele tentou falar, mas tudo o que saiu foi um som abafado e desesperado.
— Mmmph! Mmm-mmmph! — O professor sacudia a cabeça, o corte chanel de seus cabelos brancos balançando violentamente. O tecido apertava suas bochechas, forçando sua mandíbula a uma posição desconfortável.
Engel, logo atrás dele, estava em um estado de agitação frenética. O suor ensopava sua camisa polo branca, fazendo com que as listras azuis e vermelhas nas mangas parecessem brilhar sob a luz fraca. Ele usava toda a sua força física para tentar romper as cordas, seus dedos afiados arranhando o ar, mas o ângulo era impossível.
— Mmmppphh! Hmmm! — Engel soltou um som abafado, uma mistura de rosnado e soluço. A frustração de não poder proteger o professor, ou a si mesmo, o consumia.
Eles lutaram por tempo que pareceu durar horas. Demi tentava deslizar o corpo para baixo, na esperança de que o cinto de seu macacão ou os fechos brancos prendessem em algo que pudesse afrouxar os nós. Engel, por sua vez, tentava usar a força das pernas, suas polainas listradas roçando no chão enquanto ele buscava alavancagem com seus sapatos de salto.
O esforço físico começou a cobrar seu preço. O calor no ambiente parecia ter subido dez graus. O suor agora ardia nos olhos de Engel, e ele não podia limpá-lo. Mister Demi sentia o tecido da mordaça ficar úmido com sua respiração quente e acelerada, o que o deixava ainda mais ansioso.
— Mmm... — Demi gemeu baixinho, a exaustão finalmente vencendo o pânico inicial. Seus ombros caíram, e ele encostou a parte de trás da cabeça no pilar, fechando o olho por um momento. As lágrimas começaram a traçar caminhos silenciosos por trás de seus óculos.
Engel ouviu o som de desistência do professor. Ele sentiu a vibração do corpo de Demi relaxando contra o dele através da madeira do pilar. O garoto de cabelos brancos parou de se debater. Seus pulmões ardiam, e o som de sua própria respiração abafada pelo pano branco era a única coisa que ele conseguia ouvir.
Ele percebeu que, por enquanto, estavam derrotados.
— Mmmph... — Engel murmurou, um som baixo, quase um lamento, direcionado a Demi. Era uma tentativa de consolo, um sinal de que ele ainda estava ali, mesmo que estivesse tão impotente quanto o mestre de música.
Demi respondeu com um som abafado e trêmulo, um ruído baixinho que mal escapava por baixo do pano branco. Era um som de tristeza, uma nota melancólica que nenhuma de suas partituras jamais conseguiria capturar.
Ali, amarrados e silenciados no coração de uma escola que se tornara um pesadelo de papel, o professor e o aluno compartilharam um momento de absoluta vulnerabilidade. As penas na cabeça de Engel pendiam desanimadas, e a nota musical estampada na camisa de Demi parecia um símbolo de uma harmonia que fora quebrada à força.
Eles não sabiam quem os havia colocado ali, nem o que viria a seguir. Tudo o que restava era o som abafado de suas respirações e a esperança de que, no mundo de papel, alguém ainda soubesse ler os pedidos de socorro escritos no silêncio.
