
Taekookmin
Fandom: Bts
Criado: 25/08/2026
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Entre o Silêncio e a Escolha
O silêncio no escritório da presidência da Kim & Jeon Holdings era tão espesso que parecia físico, uma barreira invisível que separava as três pessoas ali presentes. O sol de fim de tarde filtrava-se pelas persianas de vidro, desenhando linhas douradas sobre a mesa de carvalho negro, mas não havia calor naquele ambiente.
Jimin estava de pé, a postura impecável que sua função de secretária exigia, mas seus olhos, geralmente brilhantes e cheios de uma doçura perspicaz, estavam frios como o aço. Ela segurava apenas sua bolsa de couro legítimo, a mesma que Taehyung lhe dera no último aniversário, e um envelope pardo que continha sua carta de demissão.
— Eu não estou pedindo o impossível — disse Jimin, sua voz soando estranhamente calma, embora suas mãos tremessem levemente. — Estou pedindo o básico. Eu não quero mais ser a mulher que espera por ligações tarde da noite. Eu não quero mais ser o segredo que vocês guardam em um apartamento de luxo como se eu fosse um troféu proibido.
Jungkook, sentado na ponta da mesa, levantou-se num ímpeto. Sua mandíbula estava tensa, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o braço da cadeira. A impulsividade que o definia estava à flor da pele.
— Jimin, você sabe que não é assim! — ele exclamou, dando um passo em direção a ela, mas parando quando viu o recuo instintivo dela. — Nós amamos você. Eu amo você tanto quanto amo o Tae. Você é nossa.
— "Nossa" o quê, Jungkook? — Jimin rebateu, cruzando os braços sobre o peito, uma barreira defensiva clara. — "Nossa" amante? "Nossa" secretária eficiente? Porque, legalmente, vocês pertencem a outras pessoas. Suas alianças de casamento dizem outra coisa.
Taehyung, que até então permanecia em silêncio perto da janela, observando o movimento da cidade lá embaixo, finalmente se virou. Seu rosto era uma máscara de elegância e melancolia. Ele caminhou lentamente, a aura de calma que costumava ser um porto seguro agora parecendo apenas uma forma de evitar o confronto direto.
— Meu bem, por favor, vamos conversar com calma — Taehyung pediu, sua voz aveludada tentando suavizar as arestas do conflito. — Você sabe as implicações. As fusões das empresas, os contratos de família... Não é algo que se resolva em uma tarde. Nós cuidamos de você, não cuidamos?
Jimin soltou uma risada curta e amarga, uma lágrima solitária escapando e traindo sua fachada de força.
— Vocês cuidam da minha conta bancária, Taehyung. Vocês cuidam do meu conforto. Mas vocês não cuidam do meu lugar na vida de vocês. — Ela colocou o envelope sobre a mesa. — Terminem seus casamentos. Escolham a nossa família. Escolham a mim, da mesma forma que eu escolhi vocês dois acima da minha própria dignidade nos últimos dois anos.
Houve um silêncio mortal. Jungkook olhou para Taehyung, esperando uma reação, um plano, qualquer coisa. Mas Taehyung hesitou. Ele pensou na reação da imprensa, no escândalo que destruiria décadas de alianças corporativas, na dor de cabeça burocrática. E Jungkook, embora estivesse pronto para queimar o mundo por Jimin, sentiu o peso da responsabilidade que dividia com o parceiro de vida.
— Jimin... agora não dá — Jungkook sussurrou, o desespero começando a brilhar em seus olhos escuros. — Só nos dê mais tempo.
— O tempo acabou — Jimin declarou, a voz cortante. — Se a resposta não é um "sim" agora, então é um "não" para sempre.
Sem olhar para trás, ela girou sobre os calcanhares e saiu da sala. O som de seus saltos batendo contra o mármore do corredor ecoou como batidas de um coração quebrado.
Três dias haviam se passado.
O apartamento que Taehyung e Jungkook haviam comprado para Jimin era um santuário de luxo, mas para ela, parecia uma gaiola de ouro. Ela não atendia as ligações. Não respondia às mensagens que variavam entre as súplicas desesperadas de Jungkook e as tentativas racionais e carinhosas de Taehyung.
Jimin passou a maior parte do tempo encolhida no sofá, olhando para as flores que chegavam a cada hora — orquídeas brancas de Taehyung, rosas vermelhas intensas de Jungkook. Ela sentia falta do cheiro de sândalo de Taehyung e da risada competitiva de Jungkook. Sentia falta da forma como eles a encaixavam entre os dois na cama, fazendo-a se sentir a pessoa mais protegida do mundo. Mas a mágoa era um veneno persistente.
Naquela noite, a campainha tocou insistentemente. Jimin sabia quem era. Ela se recusou a abrir até ouvir o som da chave reserva girando na fechadura. Jungkook entrou primeiro, parecendo um homem que não dormia há décadas. Suas roupas estavam levemente desalinhadas, algo raro para o diretor executivo da Jeon Industries.
— Jimin, pelo amor de Deus, pare de nos ignorar! — Jungkook explodiu assim que a viu. Ele atravessou a sala em passos largos. — Eu estou enlouquecendo. Eu não consigo trabalhar, eu não consigo pensar, eu quase bati o carro hoje porque não conseguia tirar sua imagem chorando da minha cabeça.
Taehyung entrou logo atrás, fechando a porta com cuidado. Ele carregava uma caixa pequena, mas seus olhos estavam fixos em Jimin, analisando cada detalhe do rosto dela, notando as olheiras e o inchaço nos olhos.
— Saiam daqui — Jimin disse, levantando-se e mantendo a distância. — Eu pedi demissão. Eu não sou mais nada de vocês.
— Você é tudo para nós — Taehyung disse suavemente, aproximando-se com a cautela de quem lida com um animal ferido. — Jimin, o Jungkook não sabe lidar com a ausência, e eu... eu não sei lidar com o seu silêncio. Ele me mata por dentro.
— Então façam o que eu pedi — ela desafiou, o queixo erguido apesar do tremor nos lábios. — Ou vocês vieram aqui apenas para me dar mais joias e esperar que eu volte a sorrir e a organizar a agenda de vocês?
Jungkook rosnou, uma mistura de frustração e desejo.
— Você acha que é sobre a droga da agenda? — Ele se aproximou, segurando-a pelos ombros. Jimin tentou se soltar, mas ele era firme, embora não bruto. — Eu sinto falta de você me irritando de manhã. Sinto falta de como você defende o Tae quando eu sou teimoso demais. Eu sinto falta da nossa vida, Jimin!
— Que vida, Jungkook? — Ela gritou, as lágrimas finalmente transbordando. — A vida em que eu fico sentada no fundo de um carro com vidros fumê enquanto vocês posam para fotos com suas esposas em tapetes vermelhos? Eu vi a foto ontem. Vocês dois, elas, a "família perfeita". Onde eu estava naquela foto? Ah, eu estava em casa, pedindo comida sozinha porque vocês tinham um jantar de gala.
Jungkook soltou-a como se tivesse levado um choque. O desespero em seu rosto era palpável. Ele odiava vê-la chorar, e saber que ele era a causa o deixava em frangalhos.
— Eu não aguento mais ver você assim — Jungkook murmurou, passando as mãos pelo cabelo, visivelmente perturbado. — Tae, faz alguma coisa! A gente não pode perder ela.
Taehyung deu um passo à frente, colocando-se entre os dois. Ele pegou a mão de Jimin, que estava fria, e a levou aos lábios.
— Nós conversamos — Taehyung começou, sua voz séria, despida de qualquer artifício profissional. — Passamos as últimas quarenta e oito horas com advogados. Jungkook queria quebrar tudo, sair gritando aos quatro ventos no meio de uma reunião de acionistas. Eu tentei ser mais... estratégico.
Jimin olhou para ele, a esperança lutando contra o ceticismo em seu peito.
— E? — ela perguntou, a voz falha.
— E percebemos que não existe estratégia que valha a pena se você não estiver lá para comemorar a vitória conosco — Taehyung continuou. Ele abriu a pequena caixa que trazia. Não era um colar, nem brincos. Eram dois documentos dobrados e um anel novo, diferente de qualquer um que ela já tivesse visto, com três pedras preciosas entrelaçadas. — Estes são os papéis do divórcio. Já foram assinados por nós. Nossas ex-esposas já receberam os termos das partilhas.
Jimin congelou. Ela olhou para os papéis e depois para Jungkook, que assentiu vigorosamente, embora houvesse um brilho de ansiedade em seus olhos.
— Eu não me importo com as ações, Jimin — Jungkook disse, sua voz rouca e determinada. — Eu não me importo se o conselho tentar me tirar da presidência. Se eu tiver que começar do zero, eu começo, desde que você esteja lá para me chamar de idiota quando eu agir por impulso.
— Jungkook... — Jimin sussurrou, a mão cobrindo a boca.
— Eu fui um covarde, Jimin — Taehyung admitiu, a elegância dando lugar a uma vulnerabilidade crua. — Eu tive medo de mudar a estrutura da minha vida porque passei anos construindo essa imagem. Mas quando eu entrei naquele escritório hoje e você não estava lá... quando eu cheguei em casa e o Jungkook estava jogado no chão da sala, bebendo e olhando para uma foto sua... eu percebi que a estrutura já tinha caído. Sem você, não há casa. Não há nós.
Jimin olhou de um para o outro. Jungkook, o fogo intenso que a aquecia e a protegia com uma possessividade que, embora às vezes exagerada, a fazia se sentir a pessoa mais importante do mundo. Taehyung, a água calma e profunda que a compreendia sem palavras e cuidava de cada detalhe do seu bem-estar.
— Vocês realmente fizeram isso? — ela perguntou, a voz sumindo.
— O processo vai ser barulhento — Jungkook avisou, dando um passo final para fechar o espaço entre eles, envolvendo a cintura dela com seus braços fortes. — A imprensa vai cair matando. Minha mãe provavelmente vai me deserdar. Mas eu não dou a mínima. Eu só quero poder andar na rua segurando a mão do Tae de um lado e a sua do outro.
— Vai levar um tempo para tudo se estabilizar — Taehyung acrescentou, aproximando-se por trás dela, abraçando-os dois, criando aquele círculo de calor que Jimin tanto amava. — Mas a partir de hoje, Jimin, você não é mais um segredo. Você é a nossa escolha. Publicamente. Legalmente. Emocionalmente.
Jimin desmoronou, mas não de tristeza. Ela se virou nos braços de Jungkook e escondeu o rosto em seu peito, soluçando de alívio, enquanto sentia a mão de Taehyung acariciando seus cabelos com uma ternura infinita.
— Eu achei que vocês iam me deixar ir — ela confessou entre soluços.
— Nunca — Jungkook afirmou, apertando-a mais, sua possessividade agora transformada em um compromisso inabalável. — Eu prefiro perder a empresa do que perder o seu sorriso.
Taehyung beijou o topo da cabeça de Jimin e depois a têmpora de Jungkook.
— Nós somos um time, lembra? — Taehyung sussurrou. — Um time um pouco complicado, talvez um pouco escandaloso para os padrões de Seul, mas somos nós.
Jimin se afastou um pouco, limpando as lágrimas, e olhou para os dois homens que eram seu mundo. A determinação de Jungkook e a serenidade de Taehyung se fundiam, criando algo que ela finalmente sentia que podia chamar de lar.
— Vai ser difícil — Jimin disse, recuperando um pouco de sua postura firme. — Vocês sabem que eu vou ter que lidar com toda a organização dessa bagunça, não sabem? Como secretária, eu diria que vocês foram extremamente impudentes com esses contratos de divórcio.
Jungkook soltou uma risada alta, aquela risada que iluminava o rosto dele e fazia o coração de Jimin saltar.
— Lá está ela — ele disse, beijando-a com paixão, um beijo que selava a promessa de um novo começo.
Taehyung sorriu, aquele sorriso quadrado e charmoso que derretia qualquer resistência.
— Então, Srta. Park... ou futura Sra. Kim-Jeon... — ele brincou, fazendo-a corar — ...acho que temos muito trabalho a fazer.
Jimin sorriu, unindo suas mãos às deles. O caminho à frente seria cheio de julgamentos e desafios, mas pela primeira vez, ela não estava escondida nas sombras. Ela estava exatamente onde pertencia: no centro do amor deles, pronta para enfrentar o mundo, não mais como um segredo, mas como a peça que finalmente completava o quebra-cabeça.
— Primeiro — Jimin disse, voltando ao seu tom profissional, embora seus olhos brilhassem de amor —, Jungkook, você vai tomar um banho e trocar essa camisa amassada. Taehyung, você vai ligar para a assessoria de imprensa. E depois... depois nós vamos jantar. Em um restaurante com janelas bem grandes.
Jungkook sorriu, puxando-a para outro abraço, enquanto Taehyung assentia, finalmente em paz.
— Sim, senhora — eles responderam em uníssono, e naquele momento, o silêncio do apartamento foi substituído pela promessa de uma vida vivida sob a luz do sol.
