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Fandom: Off campus

Criado: 25/08/2026

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O Equilíbrio Perfeito do Caos

A casa da Briar U nunca esteve tão silenciosa, o que, por si só, era um sinal de alerta. Geralmente, o som de discos de hóquei batendo contra as paredes improvisadas ou os gritos de Dean Di Laurentis ecoando após uma vitória no videogame preenchiam cada centímetro do lugar. Mas naquela tarde de terça-feira, o único som audível era o da chuva batendo levemente contra as janelas da sala de estar.

Kellen estava sentada no sofá, cercada por livros de anatomia que pareciam zombar de sua capacidade de concentração. Ela tentou focar em um diagrama do sistema circulatório, mas sentiu um par de mãos grandes e calejadas pousarem em seus ombros, começando uma massagem lenta e precisa.

— Você está tensa, Kel. — A voz de Garrett era um bálsamo, profunda e carregada de um carinho que sempre a fazia desarmar. — Se continuar franzindo a testa desse jeito, vai acabar com uma dor de cabeça antes mesmo de terminar o primeiro capítulo.

Kellen soltou um suspiro longo, deixando a cabeça pender para trás até encostar no abdômen firme de Garrett.

— Eu só sinto que meu cérebro está prestes a derreter, G. Como vocês conseguem decorar táticas de jogo e ainda passar nas provas?

Garrett riu baixo, inclinando-se para beijar o topo da cabeça dela.

— O segredo é ter um capitão que não aceita notas baixas — ele brincou, embora todos soubessem que ele era o mais dedicado do grupo.

— O segredo, na verdade, é fazer pausas para o prazer. — A voz arrastada de Dean veio da porta da cozinha.

Ele surgiu segurando um copo de uísque barato, o cabelo loiro perfeitamente bagunçado e aquele sorriso de lado que gritava problemas — do tipo que Kellen adorava. Dean se aproximou, sentando-se no braço do sofá, invadindo o espaço pessoal de Kellen com a confiança de quem sabia que era bem-vindo.

— Você estuda demais, boneca. — Ele estendeu a mão e fechou o livro dela com um baque seco. — O que você precisa é de uma distração. E eu sou um especialista em distrações.

— Dean, deixe ela em paz — resmungou uma voz vinda do canto mais escuro da sala.

Logan estava jogado em uma poltrona, com um boné abaixado sobre os olhos. Ele parecia estar dormindo, mas Kellen sabia que ele estava atento a cada movimento. Logan era o silêncio que equilibrava o barulho de Dean. Ele carregava um peso nos ombros que raramente discutia, uma melancolia que o tornava enigmático e terrivelmente atraente.

— Eu não estou incomodando — rebateu Dean, piscando para Kellen. — Estou oferecendo meus serviços de consultoria em relaxamento.

— Seus serviços geralmente envolvem terminar sem roupas e com os vizinhos reclamando do barulho — Logan disse, levantando o boné apenas o suficiente para encarar Dean com um olhar cético.

— E alguém aqui está reclamando? — Dean arqueou uma sobrancelha, desafiador.

Kellen olhou de um para o outro, sentindo o calor subir pelo pescoço. Era assim que a vida deles funcionava. Um quadrante de personalidades distintas que, por algum milagre da física ou do destino, orbitavam ao redor dela.

— Onde está o Tucker? — perguntou Kellen, tentando mudar de assunto antes que Dean e Logan começassem uma discussão sobre quem era a melhor "distração".

— Na cozinha — respondeu Garrett, ainda massageando os ombros dela. — Ele decidiu que você parecia pálida hoje de manhã e resolveu fazer aquela canja de galinha que a mãe dele ensinou.

Como se fosse invocado, John Tucker apareceu na sala. Ele usava um avental por cima da camiseta de treino, e o cheiro de comida caseira o seguia como um rastro reconfortante. Tucker era a base daquela casa. Enquanto os outros eram fogo e tempestade, ele era a terra firme.

— O jantar está quase pronto — anunciou Tucker, limpando as mãos no avental. Ele caminhou até Kellen e colocou a mão em sua testa, verificando a temperatura. — Você está um pouco quente. Estudou demais de novo?

— Eu estou bem, Tuck. Só um pouco cansada.

— Você vai comer, tomar um banho e dormir — ele decretou com aquela autoridade suave que ninguém ousava questionar. — Sem livros, sem hóquei e, definitivamente, sem o Dean tentando te levar para o quarto antes das oito da noite.

— Ei! — Dean exclamou, fingindo ofensa. — Eu tenho sentimentos, sabia?

— Você tem hormônios, Dean. É diferente — Logan cortou, finalmente se levantando da poltrona e caminhando em direção ao grupo.

Ele parou ao lado de Kellen e, por um momento, a fachada de "garoto problemático e quieto" caiu. Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, um gesto tão terno que fez o coração de Kellen errar uma batida.

— Tucker tem razão — Logan murmurou. — Você precisa descansar.

Kellen olhou para os quatro. Garrett, o porto seguro; Dean, a chama incessante; Logan, a profundidade silenciosa; e Tucker, o cuidado constante. Ela se perguntava, às vezes, como tinha ido parar ali, no centro daquele furacão de testosterona e afeto.

— Eu não sei o que faria sem vocês — ela admitiu, a voz baixa.

— Provavelmente teria notas melhores — Dean brincou, mas seus olhos brilhavam com uma sinceridade rara.

— Ou morreria de tédio — Garrett acrescentou, puxando-a para que ela se levantasse.

Eles se dirigiram para a mesa da cozinha. O ambiente era simples, mas para Kellen, era o lugar mais luxuoso do mundo. Tucker serviu a sopa, garantindo que Kellen tivesse a maior porção. Durante a refeição, a dinâmica habitual se instalou. Dean contava histórias exageradas sobre o treino, Garrett analisava as jogadas com seriedade, Logan fazia comentários sarcásticos e Tucker apenas observava, garantindo que todos estivessem alimentados e felizes.

— A propósito — começou Dean, limpando a boca e olhando fixamente para Kellen —, nós estávamos conversando.

— Isso é sempre perigoso — Kellen sorriu, bebendo um pouco de água.

— É sério — Garrett interveio, sua expressão tornando-se mais suave. — Sabemos que as finais estão chegando e que você está se pressionando muito. Queremos que saiba que, não importa o que aconteça, estamos aqui. Se precisar que a gente te ajude a estudar, a gente ajuda. Se precisar que a gente te tire de casa, a gente tira.

— E se precisar que a gente expulse o Dean do quarto para você dormir em paz, eu mesmo faço o serviço — Logan completou, recebendo um chute de Dean por baixo da mesa.

Kellen sentiu os olhos marejarem. A intensidade do que viviam era, às vezes, avassaladora. Amar quatro homens tão diferentes exigia um coração grande, mas eles tornavam tudo tão natural.

— Obrigada, meninos. De verdade.

— Não precisa agradecer, Kel — Tucker disse, pegando a mão dela sobre a mesa. — Você cuida da gente do seu jeito. Deixa a gente cuidar de você do nosso.

Após o jantar, a rotina de "cuidado" de Tucker entrou em vigor. Dean, surpreendentemente, não protestou quando Garrett levou Kellen para o andar de cima. Logan ficou encarregado de ajudar Tucker com a louça, um acordo silencioso que eles faziam para dar espaço um ao outro.

No quarto, o ar era mais fresco. Garrett ajudou Kellen a se livrar do moletom pesado e entregou a ela uma de suas camisetas de hóquei, que ficava enorme nela.

— Vai tomar seu banho. Eu vou arrumar a cama — ele disse com um beijo na testa.

Quando Kellen saiu do banheiro, envolta no calor do banho e no perfume de Garrett, encontrou não apenas ele, mas os outros três também espalhados pelo quarto. Dean estava deitado na base da cama, Logan encostado na parede perto da janela, e Tucker sentado na poltrona do canto.

— O que é isso? Uma conferência? — ela perguntou, sorrindo.

— Uma guarda de honra — Dean respondeu, abrindo os braços. — Hoje ninguém dorme sozinho.

A cama de Garrett era grande o suficiente para acomodar a bagunça que eles eram. Kellen se deitou no meio, com Garrett de um lado e Logan do outro. Dean se acomodou aos pés da cama, cruzando os braços e apoiando a cabeça nos pés de Kellen, enquanto Tucker, após apagar as luzes principais, sentou-se na beirada por um momento antes de encontrar seu espaço.

— Vocês são ridículos — Kellen sussurrou na escuridão, sentindo o calor dos corpos ao seu redor.

— Somos loucos por você — a voz de Logan soou perto de seu ouvido, rouca e sincera. — Há uma diferença.

— Durma, Kel — Tucker pediu, sua voz sendo a última coisa que ela ouviu antes que o cansaço finalmente a vencesse.

Naquela noite, entre o capitão, o rebelde, o safado e o protetor, Kellen não sonhou com anatomia ou provas. Ela sonhou com o gelo das arenas, com risadas em cozinhas bagunçadas e com a certeza de que, não importa o quão difícil fosse o mundo lá fora, dentro daquela casa, ela sempre teria quatro razões para voltar para casa.

O silêncio finalmente reinou na casa da Briar U, mas desta vez, não era um sinal de alerta. Era o som da paz de cinco corações que finalmente tinham encontrado seu ritmo.

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