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Kook

Fandom: Outer Banks

Criado: 25/08/2026

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DramaAngústiaDor/ConfortoRomanceCenário CanônicoTentativa de SuicídioEstudo de PersonagemDivergência
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Onde o Sal Cura a Traição

O tecido de seda do vestido azul-claro de Amelí parecia pesar toneladas enquanto ela caminhava pelos jardins bem cuidados da mansão Cameron. Ela havia passado a tarde inteira cuidando dos cachos escuros, garantindo que cada mecha estivesse perfeita, e retocando a maquiagem para que JJ Maybank finalmente a visse não apenas como uma "garota legal", mas como a mulher que ele dizia amar.

Amelí sempre fora a ponte. Sendo a melhor amiga de infância de Rafe Cameron e Topper Thornton, ela passava os dias ouvindo insultos contra os Pogues, mas nunca se calava. Ela defendia JJ com unhas e dentes. Quando Rafe dizia que ele era um "lixo da Ilha", ela o lembrava de que JJ tinha um coração que nenhum deles entendia.

Ou, pelo menos, era o que ela acreditava.

A música da festa Kook estava alta, mas o som das risadas vindo de trás do gazebo de madeira era inconfundível. Ela reconheceria a risada rouca de JJ em qualquer lugar. Sorrindo, Amelí apertou o pequeno envelope na mão — o mapa que ela havia roubado do escritório do próprio pai naquela tarde, arriscando sua confiança e sua segurança por ele.

— Cara, eu não acredito que ela realmente caiu nessa — a voz de John B ecoou, carregada de um alívio misturado com deboche.

Amelí parou, o sorriso congelando em seu rosto.

— Eu disse que ela era moleza — respondeu JJ. O tom de voz dele não era o mesmo que ele usava quando estavam sozinhos. Não era doce. Era frio. — Um pouco de papo furado sobre "querer algo sério" e ela faz qualquer coisa. A garota é obcecada por mim.

— E o mapa? — perguntou Pope.

— Tá na mão. Ela disse que trazia hoje. Assim que eu pegar aquela porcaria, a gente cai fora e eu não preciso mais fingir que aguento os papos de Kook dela. É um sacrifício necessário pelo ouro, pessoal.

O mundo de Amelí girou. O envelope em sua mão pareceu queimar sua pele. Ela sentiu como se o ar tivesse sido sugado de seus pulmões. "Porra, como eu pude ter sido tão idiota?", pensou ela, as lágrimas começando a embaçar sua visão.

Ela não conseguiu se conter. Antes que pudesse processar a dor, seus pés a levaram para frente do grupo. Os Pogues se sobressaltaram. JJ empalideceu instantaneamente, a cerveja quase caindo de sua mão.

— Amelí... — ele começou, dando um passo à frente. — Não é o que parece.

— Não? — A voz dela saiu quebrada, mas afiada como uma lâmina. — Porque pareceu exatamente que você me usou. Parece que cada vez que você disse que me amava, você estava apenas contando os minutos para pegar o que queria do meu pai.

— Olha aqui — disparou Kie, cruzando os braços, tentando proteger o grupo —, a gente precisa desse mapa para algo maior do que os seus sentimentos, Amelí. Você é uma Kook mimada. Sempre teve tudo. Um mapa não é nada para você, mas é tudo para nós.

— Uma Kook mimada? — Amelí riu, uma risada seca e sem vida. — Eu defendi vocês. Eu briguei com o Rafe, com o Topper... eu quase fui expulsa de casa por sua causa, JJ!

— Amelí, calma — JJ tentou tocar o braço dela.

— Não encosta em mim! — Ela gritou, jogando o envelope no chão, aos pés dele. — Aqui está o seu mapa. Espero que o ouro valha a pena, porque você acabou de perder a única pessoa que realmente se importava se você estava vivo ou morto.

Ela se virou e saiu correndo, ignorando os chamados. Sarah Cameron, que estava observando de longe e tinha ouvido o final da discussão, correu na direção oposta, procurando desesperadamente por seu irmão.

No salão principal, Rafe e Topper bebiam algo caro, observando a multidão com tédio, até que Sarah surgiu, ofegante.

— Rafe! Topper! — Ela agarrou o braço do irmão.

— O que foi, Sarah? — Rafe perguntou, franzindo a testa ao ver o estado da irmã.

— Os Pogues... o JJ. Eles destruíram a Amelí. Ela descobriu que ele só a usou pelo mapa. Kie a chamou de Kook mimada e ela... ela saiu correndo. Ela parecia destruída.

O rosto de Rafe mudou instantaneamente. A apatia deu lugar a uma fúria gélida que Topper compartilhou no mesmo segundo.

— Onde ela está? — Topper perguntou, já se movendo.

— Eu não sei, ela correu para o lado da praia — Sarah respondeu.

Rafe e Topper não esperaram. Eles conheciam Amelí melhor do que ninguém. Eles sabiam que, para ela, o mundo só fazia sentido em um lugar.

— A água — disseram os dois em uníssono.

Enquanto isso, Amelí já estava na areia. Seus dedos trêmulos desamarraram as sandálias de salto, jogando-as em qualquer lugar. Ela não se importava com o vestido de grife, nem com o penteado que levara três horas para fazer, esperando que JJ a achasse bonita. Nada disso importava. O sal em seu rosto não era apenas das lágrimas, era o chamado do oceano.

Ela caminhou para dentro do mar. A água fria da noite atingiu seus tornozelos, depois os joelhos. O peso do vestido molhado era um conforto, como uma âncora que a impedia de flutuar para longe em sua própria dor. Ela continuou andando até que a água atingisse seus ombros.

Ali, no silêncio do oceano, onde o único som era o das ondas quebrando suavemente, Amelí finalmente se permitiu desabar. Ela abraçou os próprios joelhos, boiando levemente, chorando em silêncio. A imensidão azul era a única coisa que nunca mentia para ela.

— Amelí! — A voz de Rafe ecoou da areia, mas ela não se virou.

Segundos depois, ela ouviu o barulho da água sendo cortada. Dois corpos mergulharam e nadaram em sua direção com urgência. Ela sentiu braços fortes a rodearem.

— Ei, a gente te achou — a voz de Topper estava calma, mas cheia de preocupação. Ele a segurou por um lado, enquanto Rafe a envolvia pelo outro.

Rafe não disse nada de imediato. Ele apenas a puxou para o seu peito, ignorando o fato de que seu terno caro estava ficando arruinado pela água salgada. Ele a abraçou com uma força protetora, como se pudesse filtrar toda a dor dela para si mesmo.

— Eu fui tão idiota, Rafe — ela soluçou contra o ombro dele. — Eu acreditei nele.

— Você não é idiota por ter um coração, Amelí — Rafe murmurou, sua voz sombria. — Ele é o idiota por achar que sairia impune depois de tocar no que é nosso.

— A gente está aqui — Topper disse, colocando a mão nas costas dela, mantendo-os todos flutuando. — Ninguém mais vai encostar em você.

Na areia, os Pogues haviam chegado. JJ estava na frente, parado onde a água encontrava a terra, observando a cena. Ele viu a garota que ele dizia amar nos braços dos dois caras que ele mais odiava no mundo. E, pela primeira vez, ele percebeu que a proteção que Rafe e Topper ofereciam a Amelí era algo que ele nunca conseguiria replicar, porque ele a tinha quebrado.

Rafe levantou o olhar da curva do pescoço de Amelí e fixou os olhos em JJ. Não havia xingamentos, apenas um olhar de promessa. Uma promessa de que a ilha ficaria muito pequena para JJ Maybank a partir daquela noite.

— Vamos tirar você daqui — sussurrou Topper.

Eles começaram a conduzi-la de volta para a areia, um de cada lado, como guardiões. Amelí não olhou para trás. Ela não olhou para JJ, nem para o mapa caído na grama. Ela apenas se deixou levar pelos únicos que, apesar de todos os seus defeitos, nunca tinham deixado que ela se afogasse.

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