
Oliver!
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 25/08/2026
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O Reflexo Distorcido do Lápis e do Sangue
A escuridão na Paper School nunca fora algo que assustasse Oliver. Afinal, ele era o mestre das travessuras, o valentão que percorria os corredores com um sorriso sarcástico e o estômago cheio de sabonete. Mas, ao abrir os olhos, a escuridão que o rodeava não era a familiar penumbra dos armários ou das salas de aula vazias. Era um vazio denso, frio e metálico.
Oliver tentou levar a mão à cabeça, sentindo uma pontada de tontura, mas seus membros não obedeceram. O som metálico de correntes e couro retesado ecoou pelo ambiente. Ele estava deitado em uma cama de metal gélida. Ao tentar se debater, percebeu a gravidade da situação: estava preso.
Seu braço esquerdo, o lápis afiado que costumava usar para intimidar os outros, estava algemado firmemente. Suas pernas, braços, mãos e pés estavam presos por algemas pesadas e cordas pretas que apertavam sua pele. Para seu horror, ele percebeu que estava sem sua camisa preta listrada e suas meias. Estava apenas com suas bermudas brancas, vulnerável e exposto de uma forma que nunca permitira a ninguém, exceto talvez à Alice.
— Que brincadeira é essa? — rosnou Oliver, sua voz falhando levemente pela irritação e pelo estresse. — Zip? Edward? Se isso for um trote, eu juro que vou transformar o lanche de vocês em sabão em pó!
Ele forçou os pulsos contra as algemas, o metal rangendo contra a estrutura da cama. O pânico começou a borbulhar sob sua fachada de valentão. Ele era Oliver, o garoto com o "A+" no cabelo, o namorado da temida Alice. Ele não deveria estar em uma posição de fraqueza.
— Zip! Edward! Me tirem daqui agora! — gritou ele, a voz ecoando no vazio.
Um riso baixo, arrastado e terrivelmente familiar surgiu das sombras atrás de sua cabeça. Não era o riso agudo de Zip ou a risada contida de Edward. Era uma distorção de sua própria voz.
Uma figura emergiu da escuridão, posicionando-se logo atrás dele, fora de seu campo de visão total, mas perto o suficiente para que Oliver sentisse o hálito frio em sua nuca. Era ele, mas não era ele. Era uma versão sombria, manchada de uma malícia que ia além das travessuras escolares. Era Danger Oliver.
O sósia inclinou-se, aproximando os lábios do ouvido de Oliver.
— Shh... por que tanto barulho, irmãozinho? — sussurrou Danger Oliver, a voz carregada de um carinho venenoso.
O corpo de Oliver tencionou instantaneamente. O termo "irmãozinho" agiu como um gatilho, trazendo memórias fragmentadas de uma infância que ele tentara enterrar sob camadas de arrogância e pedaços de sabonete. O ódio brilhou em seus olhos, substituindo o medo inicial por uma fúria incandescente.
— Não me chame assim! — Oliver cuspiu as palavras, tentando girar a cabeça para encarar o intruso. — Eu não tenho irmão. E você não é nada além de um pesadelo mal acabado. Saia de perto de mim!
Danger Oliver soltou uma risadinha, caminhando lentamente ao redor da cama de metal, permitindo que Oliver visse sua silhueta distorcida.
— Você sempre foi tão barulhento, Oliver. Sempre gritando por atenção, sempre se escondendo atrás daquela garota monstro ou daqueles dois idiotas — Danger Oliver parou, observando as amarras. — Eles não vêm te salvar. Eles nem sabem que você sumiu.
— Eles vão me achar! — Oliver rebateu, embora a dúvida começasse a corroer sua confiança. — E quando acharem, o Edward vai te esmagar e a Zip vai...
— A Zip vai fazer o quê? — Danger interrompeu, aproximando-se mais. — Ela é apenas uma criança brincando de ser má. Eu sou a realidade que você esqueceu.
Oliver, em um surto de adrenalina e puro ódio, tentou avançar o pescoço para morder a mão de Danger Oliver, que se aproximava de seu rosto. Seus dentes estalaram no ar, errando o alvo por milímetros.
— Ora, ora... o cachorrinho ainda tem dentes — Danger Oliver comentou, sem se abalar.
Ele notou como Oliver, em seu esforço para atacar, acabou esticando os braços presos, deixando as axilas completamente expostas e abertas devido à posição das algemas superiores. Danger Oliver sorriu, um brilho sádico nos olhos. Ele pegou um pequeno frasco de vidro de um bolso oculto, contendo um líquido que brilhava com uma luz pálida e doentia.
— O que é isso? O que você vai fazer? — Oliver perguntou, sua respiração ficando errática.
Danger Oliver não respondeu com palavras. Ele derramou uma gota do líquido viscoso no próprio dedo indicador. Com a outra mão, ele segurou firmemente o ombro de Oliver, imobilizando qualquer tentativa de giro.
— Vamos ver se você ainda é tão durão quando o seu próprio corpo se volta contra você — disse Danger.
Sem aviso, Danger Oliver pressionou o dedo molhado diretamente no centro da axila exposta de Oliver.
— AAAAAAAARGH! — O grito de Oliver rasgou o silêncio da sala.
Não era apenas cócegas ou um toque comum. O líquido parecia queimar e eletrizar os nervos simultaneamente. A sensação era insuportável, uma mistura de dor aguda e uma sensibilidade extrema que fazia seus músculos entrarem em espasmo. Oliver arqueou as costas contra o metal, o rosto ficando vermelho, as lágrimas começando a arder nos cantos de seus olhos contra sua vontade.
— Pare! Por favor, pare! — ele implorou, a voz embargada pelo choque. — Edward! Zip! Alguém!
— Eles não podem te ouvir, pequeno Oliver — provocou Danger, girando o dedo lentamente, intensificando a sensação excruciante. — Você está sozinho com o seu passado.
Oliver sentiu o calor subir pelo pescoço, o rosto corado de vergonha e dor física. Ele odiava estar naquela posição. Ele era o predador, não a presa. Ele tentou morder a própria língua para não gritar novamente, mas a agonia era muito focada, muito intensa.
Danger Oliver retirou o dedo, observando com satisfação o estado deplorável de sua contraparte. Oliver estava ofegante, o peito subindo e descendo rapidamente, o cabelo branco bagunçado espalhado pela mesa de metal.
— Você faz muito barulho — Danger Oliver disse, pegando um objeto de couro preto sobre uma mesa auxiliar que Oliver não tinha visto antes.
Era uma mordaça, um mordedor de couro grosso com tiras reforçadas. Antes que Oliver pudesse protestar, Danger Oliver forçou o dispositivo em sua boca. Oliver tentou fechar os dentes, mas o sósia foi mais rápido, prendendo as fivelas atrás de sua cabeça com uma eficiência cruel.
Oliver levantou o pescoço o máximo que pôde, desviando o olhar, recusando-se a encarar os olhos frios de Danger Oliver. Ele sentia o gosto do couro e do metal, a humilhação queimando mais do que o líquido de antes.
— Assim está melhor — Danger comentou, passando a mão pelo rabo de cavalo de Oliver, puxando-o levemente para forçá-lo a olhar para cima. — Você fica mais bonito em silêncio.
Oliver emitiu um som abafado, um rosnado de protesto que morreu na mordaça. Ele estava no seu limite. O estresse, a dor e a confusão mental o estavam levando ao colapso.
Danger Oliver então pegou uma coberta pesada e escura. Com movimentos deliberados, ele começou a envolver o corpo de Oliver, apertando o tecido sobre as cordas e as algemas, criando uma espécie de casulo que restringia ainda mais qualquer movimento. Para finalizar, ele pegou um pano largo e o amarrou firmemente por cima da mordaça de couro, abafando completamente qualquer som que Oliver tentasse emitir.
Agora, Oliver era apenas um volume sob a coberta, preso, amordaçado e completamente à mercê de sua versão sombria.
— Mmmph! Mmmmmmph! — Oliver se debatia, o som saindo como murmúrios irritados e desesperados por baixo das camadas de pano.
Seus olhos, no entanto, permaneciam fixos no teto escuro. Por dentro, ele gritava os nomes de Zip e Edward, esperava que Alice sentisse que algo estava errado, que ela derrubasse as paredes daquela escola para encontrá-lo. Mas, enquanto Danger Oliver se afastava para as sombras, deixando-o na escuridão total novamente, Oliver percebeu que, pela primeira vez na vida, a prova que ele tinha que enfrentar não tinha respostas no verso da folha.
Ele estava preso em seu próprio pesadelo, e o "A+" em seu cabelo nunca pareceu tão pesado.
