
Taekookmin
Fandom: Bts
Criado: 25/08/2026
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Sombras Sob o Verniz de Cristal
O som rítmico dos saltos agulha de Jimin ecoava pelo corredor de mármore do trigésimo andar da Jeon-Kim Enterprises. Ela segurava um tablet contra o peito, a expressão impecavelmente neutra, enquanto seus olhos escaneavam as notificações de última hora. Para qualquer funcionário que passasse por ela, Park Jimin era a personificação da eficiência: uma secretária cuja elegância só era superada por sua competência implacável.
Ninguém desconfiava que, sob a blusa de seda branca, o colar de ouro que ela usava carregava as iniciais "J" e "T" escondidas sob a gola.
Ela parou diante da porta dupla de carvalho escuro da sala de reuniões principal. Antes de entrar, respirou fundo, ajustando a postura. O ar lá dentro estava pesado com o cheiro de café caro e o perfume amadeirado que ela mesma havia escolhido para Taehyung no Natal passado.
— Os relatórios de viabilidade da fusão com a ilha de Jeju estão prontos, senhores — disse Jimin, sua voz soando clara e profissional enquanto entrava na sala.
Sentado à cabeceira da mesa, Kim Taehyung mantinha uma caneta-tinteiro entre os dedos longos, os olhos fixos em um gráfico projetado. Ao lado dele, Jeon Jungkook tamborilava os dedos na mesa, uma expressão de tédio mal disfarçada que evaporou no instante em que Jimin cruzou a porta.
— Obrigado, senhorita Park — respondeu Taehyung, sem desviar os olhos do gráfico, embora o canto de seus lábios tenha tido um espasmo quase imperceptível. — Por favor, distribua as cópias para a diretoria.
Jungkook, por outro lado, foi menos sutil. Ele seguiu cada movimento de Jimin enquanto ela contornava a mesa. Quando ela se aproximou dele para entregar o documento, o CEO inclinou-se levemente para a frente, diminuindo a distância entre eles mais do que o estritamente profissional exigiria.
— Você está atrasada três minutos, senhorita Park — murmurou Jungkook, o tom de voz baixo e rouco, enviando um calafrio pela espinha dela. — Achei que tivéssemos discutido a importância da pontualidade hoje de manhã... antes de você sair da cama.
Jimin sentiu o rosto esquentar, mas não vacilou. Ela apenas inclinou a cabeça, mantendo o contato visual desafiador.
— O trânsito estava intenso, senhor Jeon. E alguns arquivos precisavam de uma revisão extra para garantir que nenhum detalhe... impulsivo... passasse despercebido.
Taehyung soltou um riso baixo, finalmente olhando para os dois.
— Jungkook, deixe-a trabalhar. Temos uma convidada chegando e precisamos manter as aparências.
Jimin franziu a testa levemente. "Convidada"? O cronograma que ela mesma organizara não mencionava nenhuma reunião externa para aquela hora. Antes que pudesse perguntar, a porta da sala se abriu e uma mulher alta, vestindo um terno vermelho vibrante e exibindo um sorriso predatório, entrou sem ser anunciada.
Era Kang Sora, a herdeira da principal concorrente da empresa e uma executiva conhecida por sua agressividade nos negócios — e por sua falta de escrúpulos na vida pessoal.
— Taehyung! Jungkook! — Sora exclamou, ignorando completamente a presença de Jimin. Ela caminhou direto para os dois homens, depositando um beijo no rosto de cada um. — Sinto muito pela interrupção, mas decidi que nossa parceria precisava de um toque mais... pessoal.
Jimin recuou um passo, cruzando os braços sobre o tablet. O instinto de secretária foi substituído por uma pontada aguda de ciúme que ela tentou desesperadamente sufocar. Ela observou como Sora se posicionou entre as cadeiras de Taehyung e Jungkook, colocando a mão sobre o ombro de Jungkook de forma possessiva.
— Senhorita Park — disse Taehyung, sua voz voltando ao tom frio e controlado que ele usava para o mundo exterior —, poderia nos trazer mais café? E, por favor, feche a porta ao sair.
Jimin sentiu o impacto das palavras como um tapa. Não era o pedido em si, mas a forma como ele a descartou diante daquela mulher, como se ela fosse apenas uma peça de mobília funcional. Ela olhou para Jungkook, esperando algum sinal de apoio, mas ele estava ocupado demais tentando desviar da mão de Sora que agora subia pelo seu braço, visivelmente desconfortável, mas sem dizer nada para não comprometer a diplomacia do momento.
— Certamente, senhor Kim — respondeu Jimin, a voz agora gélida.
Ela deu meia-volta e saiu, fechando a porta com um pouco mais de força do que o necessário.
No corredor, o orgulho de Jimin começou a queimar. Ela não era apenas a secretária. Ela era a mulher que cuidava deles quando estavam doentes, que conhecia os medos mais profundos de Jungkook e os sonhos mais silenciosos de Taehyung. Mas ali, naquele prédio de vidro, ela era invisível.
Duas horas depois, a reunião finalmente terminou. Jimin estava em sua mesa, digitando furiosamente, quando a porta do escritório principal se abriu e Sora saiu, seguida pelos dois.
— Então, está combinado — disse Sora, parando perto da mesa de Jimin e lançando-lhe um olhar de cima a baixo, carregado de desdém. — Jantar às oito. Mal posso esperar para ter vocês dois só para mim, sem interrupções de escritório.
Jungkook abriu a boca para falar, mas Taehyung foi mais rápido.
— Estaremos lá, Sora. Até a noite.
Assim que a executiva desapareceu no elevador, o silêncio caiu sobre o andar. Jimin não levantou a cabeça. Seus dedos continuaram voando sobre o teclado, embora ela estivesse apenas digitando letras aleatórias agora.
— Jimin-ah... — Jungkook começou, dando um passo em direção à mesa dela.
— Senhor Jeon, o senhor tem uma ligação pendente com o setor financeiro — interrompeu ela, a voz desprovida de qualquer emoção. — E senhor Kim, o seu carro já está sendo preparado para o jantar de negócios.
Taehyung suspirou, aproximando-se e tentando colocar a mão sobre a dela, que estava sobre a mesa. Jimin recolheu a mão instantaneamente, cruzando os braços e finalmente olhando para eles. Seus olhos estavam brilhando, não de lágrimas, mas de uma fúria contida.
— Não comecem — disse ela, em voz baixa para que nenhum outro funcionário ouvisse. — "Sem interrupções de escritório"? É assim que vocês pretendem lidar com isso?
— É apenas um jantar estratégico, meu amor — explicou Taehyung, mantendo a calma que costumava irritá-la nesses momentos. — A família Kang controla as rotas de distribuição que precisamos. Se Sora acha que tem uma chance de nos seduzir, ela baixa a guarda nas negociações.
— E para isso vocês precisam me tratar como se eu fosse um fantasma? — Jimin levantou-se, a cadeira raspando o chão. — Eu vi o jeito que ela tocou em você, Jungkook. E você nem se mexeu.
— Eu fiquei paralisado! — Jungkook exclamou, a impulsividade tomando conta. — Eu odiei aquilo tanto quanto você. Mas o Tae disse que precisávamos ser cordiais. Eu queria ter tirado a mão dela de mim com um chute, mas estamos no meio da empresa!
— O problema não é a empresa, Jungkook. O problema é que, para o resto do mundo, eu não sou nada para vocês — Jimin sentiu o nó na garganta apertar. — Eu aceito o segredo. Eu aceito as formalidades. Mas eu não aceito ser colocada em segundo plano enquanto vocês flertam com herdeiras para conseguir contratos.
— Nós não estávamos flertando — Taehyung tentou intervir, mas Jimin já estava pegando sua bolsa.
— Façam um bom jantar, senhores. Eu terminarei os relatórios de casa. Se precisarem de mim, liguem para a recepção.
Ela saiu antes que qualquer um deles pudesse segurá-la.
A cobertura onde os três moravam era um refúgio de luxo e conforto, mas naquela noite, Jimin sentia que o espaço era vasto e vazio demais. Ela estava sentada no sofá, enrolada em um cobertor, com uma taça de vinho intocada na mesa de centro. Ela tentara chorar, mas o orgulho fora mais forte. Ela estava apenas... cansada.
Cansada de ser a "senhorita Park" durante doze horas por dia.
A porta da frente se abriu por volta das onze da noite. Ela ouviu os passos pesados de Jungkook e o som mais suave dos sapatos de Taehyung. Ela não se mexeu.
— Ela está aqui — sussurrou Jungkook.
Jimin sentiu o sofá afundar ao seu lado. Jungkook, ainda vestindo o terno, mas com a gravata frouxa e o cabelo bagunçado, tentou puxar o cobertor dela.
— Minnie... por favor, olhe para mim.
— Como foi o jantar? — perguntou ela, a voz rouca, sem desviar o olhar da parede. — A comida estava boa? A companhia foi... estimulante?
— Foi um desastre — Taehyung apareceu na frente dela, ajoelhando-se no tapete entre suas pernas. Ele segurou as mãos frias de Jimin nas suas. — Nós saímos depois de trinta minutos. Jungkook quase causou um incidente diplomático quando ela tentou sugerir que nós dois deveríamos "dar um tempo" das nossas namoradas imaginárias para sair com ela.
Jimin finalmente olhou para Taehyung. Ele parecia genuinamente exausto, a postura impecável de CEO desmoronada diante dela.
— Eu não aguentei, Jimin — Jungkook admitiu, deitando a cabeça no ombro dela e abraçando sua cintura com força. — Eu disse a ela que não havia namorada imaginária nenhuma. Eu disse que o meu coração já pertencia à mulher mais incrível do mundo e que ela não chegava aos seus pés.
Jimin sentiu uma leve hesitação.
— Você disse isso? Na frente dela?
— Eu disse — confirmou Jungkook, apertando-a mais. — Taehyung tentou me chutar por baixo da mesa, mas depois ele concordou. Ele disse que a parceria não valia o seu choro.
Taehyung sorriu tristemente, acariciando o rosto de Jimin com o polegar.
— Eu demoro para tomar decisões, você sabe disso. Eu penso nos lucros, nos acionistas, na logística... mas quando vi você saindo daquela sala hoje, com aquele olhar de quem estava sendo ferida por nós... nada disso importou. Eu não quero um império se você não estiver sentada no trono ao nosso lado, mesmo que o mundo ainda não saiba o seu nome.
Jimin sentiu a primeira lágrima escapar. O orgulho que a mantinha rígida começou a derreter sob o calor do toque deles.
— Eu me sinto tão pequena às vezes — confessou ela, a voz falhando. — Como se eu fosse apenas uma conveniência entre as reuniões de vocês.
— Nunca — Jungkook protestou, levantando a cabeça para olhá-la nos olhos. O brilho protetor e possessivo estava lá, mas temperado com uma doçura que ele só reservava para ela e Taehyung. — Você é o que nos mantém inteiros, Jimin. Sem você, eu e o Tae seríamos apenas dois homens de negócios frios tentando destruir o mundo. Você é a nossa paz.
Taehyung inclinou-se e beijou a testa dela, depois a ponta do nariz.
— Nós vamos mudar as coisas — prometeu ele. — Não podemos anunciar tudo amanhã por causa dos contratos de moralidade da empresa, mas Sora não vai mais colocar os pés naquele escritório. E eu vou contratar uma assistente para você. Não quero mais que você sinta que seu único papel é nos servir café enquanto somos desrespeitosos.
Jimin soltou um suspiro trêmulo, deixando o cobertor cair e abraçando o pescoço de Taehyung, enquanto Jungkook a envolvia por trás.
— Eu amo vocês dois — murmurou ela, escondendo o rosto no pescoço de Taehyung. — Mas se vocês me chamarem de "senhorita Park" com aquele tom de novo, eu juro que demito vocês da minha vida.
Jungkook soltou uma risada alta, beijando a bochecha dela repetidamente.
— Sim, senhora! — brincou ele. — Na verdade, eu estava pensando... já que você é tão boa em organizar nossas vidas... que tal organizar uma viagem? Só nós três. Sem telefones, sem executivas de vermelho, sem relatórios.
Jimin sorriu, sentindo o coração finalmente voltar ao ritmo normal.
— Eu posso verificar a agenda — disse ela, voltando ao seu tom profissional por apenas um segundo antes de morder o lábio. — Mas aviso logo: a secretária vai exigir um bônus por danos morais.
— E o que seria esse bônus? — Taehyung perguntou, seus olhos brilhando com uma intensidade romântica e travessa.
Jimin puxou os dois para mais perto, sentindo-se, enfim, exatamente onde pertencia.
— Atenção total. Começando agora.
Naquela noite, entre as paredes de vidro da cobertura que vigiava Seul, não havia CEOs ou secretárias. Havia apenas três pessoas que, contra todas as probabilidades e regras sociais, haviam encontrado a perfeição no caos de serem três. E Jimin, com sua inteligência emocional afiada, sabia que, embora o mundo lá fora ainda fosse um desafio, dentro daqueles braços, ela jamais seria colocada em segundo plano novamente.
