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Fandom: Nenhum

Criado: 25/08/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaEstudo de Personagem
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O Encontro das Linhas de Sangue

O corredor do Hospital Albert Einstein exalava aquele cheiro estéril de antisséptico e silêncio contido, um contraste gritante com o turbilhão de emoções que Emanuel carregava no peito. Ágata, sua filha de oito meses com Sara, havia tido uma febre persistente durante a madrugada. Como um homem acostumado a ter o controle de impérios — desde seus estúdios de tatuagem premiados em Londres e Nova York até seus investimentos imobiliários —, a vulnerabilidade de um bebê era a única coisa que desarmava sua fachada de racionalidade.

Ao seu lado, Sara caminhava com a confiança de quem era dona do mundo, mesmo em um ambiente hospitalar. O vestido justo em tom carmim e os saltos altos anunciavam sua presença antes mesmo de ela abrir a boca. O cabelo loiro, impecavelmente escovado, caía sobre os ombros, e o brilho nos olhos não era de medo, mas de uma impaciência característica.

— Ela já está melhor, Manu. O médico disse que é apenas o nascimento dos dentes — disse Sara, ajeitando a alça da bolsa de grife. — Você precisa relaxar ou vai acabar tendo um infarto antes dos trinta.

Emanuel não respondeu de imediato. Ele apertava a mão de Sara com força, buscando o ancoradouro que ela sempre representou. O relacionamento deles era feito de fogo e transparência absoluta. Quando ele conhecera Eduarda, meses atrás, na festa da família de Sara, a atração fora imediata e avassaladora. Ele não escondera nada da esposa. Sara, com sua mente pragmática e desprovida de ciúmes convencionais, dera a bênção. "Se ela te faz sentir essa paz que eu não dou, traga-a para nós", ela dissera.

Mas Eduarda havia desaparecido. Após aquela única noite de entrega total, onde Emanuel sentira a fragilidade e a doçura da jovem bailarina em seus braços, ela sumira sem deixar rastros. Ele a procurou, mas a timidez dela parecia ter servido como um manto de invisibilidade.

— Eu só não gosto de não saber o que está acontecendo, Sara — murmurou Emanuel, o rosto rígido, a barba por fazer conferindo-lhe um ar ainda mais severo.

Eles dobraram o corredor em direção à saída da ala pediátrica quando o mundo de Emanuel parou.

Sentada em uma das poltronas de espera, com o rosto escondido pelo cabelo castanho escuro que caía em ondas naturais, estava Eduarda. Ela usava um vestido de algodão leve, azul claro, e parecia ainda mais delicada do que ele se lembrava. Mas o que paralisou o sangue nas veias de Emanuel não foi apenas a presença dela.

Nos braços de Eduarda, enrolada em uma manta de tricô branca, estava um bebê.

Eduarda balançava o corpo suavemente, sussurrando palavras de conforto para a pequena criatura que tinha os mesmos olhos observadores e intensos de Emanuel.

— Eduarda? — A voz dele saiu como um trovão baixo, carregada de uma mistura perigosa de choque e reconhecimento.

A jovem deu um pulo, os olhos grandes e expressivos transbordando pavor imediato. Ela apertou o bebê contra o peito esguio, um gesto instintivo de proteção.

— E-Emanuel? — A voz dela era um sopro, trêmula como uma folha ao vento.

Sara, ao lado dele, estreitou os olhos. Ela não recuou; pelo contrário, deu um passo à frente, observando a cena com uma curiosidade analítica. Ela reconheceu a menina da festa. Viu a pele alva, a expressão doce... e então olhou para a criança.

— Porra, Manu... — Sara murmurou, com um sorriso irônico surgindo nos lábios perfeitamente pintados. — Acho que a Ágata acabou de ganhar uma irmã.

Emanuel não ouviu o comentário da esposa. Ele estava cego pela fúria que começava a borbulhar sob sua pele. Ele caminhou em direção a Eduarda, cada passo ressoando no piso de granito como uma sentença.

— O que é isso, Eduarda? — perguntou ele, a voz cortante, o tom de quem está acostumado a exigir obediência. — Quantos meses ela tem?

Eduarda encolheu-se na poltrona, as lágrimas já começando a rolar por seu rosto fino. Ela parecia uma boneca de porcelana prestes a se estraçalhar.

— Ela... ela tem oito meses — respondeu ela, quase inaudível.

Emanuel sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Oito meses. A mesma idade de Ágata. A conta fechava perfeitamente com a noite em que ele a possuíra com uma urgência que nunca sentira antes.

— Oito meses? — Ele rugiu, atraindo olhares de enfermeiras e outros pais no corredor. — Você teve uma filha minha e não me disse nada? Você sumiu! Eu procurei por você, e você estava escondendo o meu sangue em algum buraco?

— Eu não sabia onde você morava! — Eduarda explodiu em um choro soluçante, a passividade dando lugar ao desespero. — Eu tentei... eu não sabia seu sobrenome completo, a casa era da família da Sara, eu tive medo! Meus pais me ajudaram, mas eu... eu achei que você não me queria, que era só uma noite...

— Como você ousa? — Emanuel se inclinou sobre ela, a estatura imponente criando uma sombra ameaçadora. — Você não tinha o direito de decidir isso sozinha. Ela é minha. Você tem noção do que eu posso fazer com você? Eu tenho recursos, Eduarda. Eu posso tirar essa criança de você em um estalar de dedos por ter omitido a paternidade.

Eduarda soltou um ganido de dor, abraçando a pequena Maya com tanta força que a bebê começou a choramingar.

— Não! Por favor, não faz isso! — Ela implorava, a voz quebrada pela angústia. — Eu cuido dela, ela é tudo que eu tenho... eu sou professora, eu faço faculdade, ela não passa necessidade...

— Chega, Emanuel — a voz de Sara interveio, fria e firme. Ela colocou a mão no ombro do marido, sentindo a tensão muscular dele. — Você está assustando a menina e a criança. Olhe para ela, ela está prestes a desmaiar.

Emanuel virou o rosto para Sara, os olhos injetados de raiva.

— Ela escondeu minha filha, Sara! Por oito meses!

— E você vai resolver isso gritando em um hospital? — Sara arqueou uma sobrancelha, mantendo a calma que Emanuel perdera. Ela se virou para Eduarda e, para a surpresa da jovem, o olhar da loira não tinha malícia, mas uma espécie de aceitação curiosa. — Oi, Eduarda. Lembra de mim? Sou a Sara. A "mulher oficial", se é que a gente pode usar termos tão cafonas.

Eduarda assentiu, soluçando, sem conseguir formular uma frase.

— Escuta aqui — continuou Sara, cruzando os braços, o que destacava seu busto avantajado. — O Emanuel é um idiota quando perde o controle, mas ele não vai tirar a bebê de você. Não se eu não deixar. Mas você vai ter que vir com a gente. Agora.

— Para onde? — perguntou Eduarda, a voz falhando.

— Para nossa casa — disse Emanuel, recuperando parte da sua frieza autoritária, embora a respiração ainda estivesse pesada. — Nós vamos conversar. E você não vai a lugar nenhum com a minha filha sem que eu saiba cada passo que você dá.

— Eu moro com meus pais... eles estão me esperando no estacionamento — tentou argumentar Eduarda, buscando qualquer apoio em sua timidez.

— Mande uma mensagem para eles — ordenou Emanuel, pegando o celular do bolso e já discando para seu motorista. — Diga que você está com o pai da Maya. Diga que você está segura. Se eles criarem problema, eu mesmo falo com eles.

— Manu, menos — Sara repreendeu, embora desse um tapinha carinhoso no braço dele. — Eduarda, querida, respira. A Maya é linda. Ela tem a cara desse brutamontes, coitada. Vamos sair daqui antes que a segurança nos expulse.

Emanuel estendeu a mão, não para Eduarda, mas para a bebê. Seus dedos grandes e calejados pela máquina de tatuar tocaram a bochecha macia de Maya com uma leveza inesperada. O contraste entre sua fúria de segundos atrás e a ternura do toque era desconcertante.

— O nome dela é Maya? — ele perguntou, a voz subitamente rouca.

— Sim... Maya — confirmou Eduarda, limpando o rosto com a manga do vestido.

— É um nome bonito — disse ele, fixando os olhos nos de Eduarda. Havia uma promessa ali, algo entre o cuidado e a possessividade. — Mas a partir de hoje, nada mais será escondido. Você entende? Nada.

Eduarda apenas assentiu, sentindo-se pequena diante daquela força da natureza que era Emanuel e da presença vibrante de Sara. Ela sempre fora uma observadora, alguém que buscava a paz nos quadros de história da arte e na leveza do ballet, mas agora estava sendo arrastada para o centro de um furacão.

O trajeto até a mansão de Emanuel foi cercado por um silêncio tenso. Eduarda ia no banco de trás, ao lado da cadeirinha onde Ágata dormia, enquanto segurava Maya no colo. Ela observava a interação entre Emanuel e Sara na frente. Eles discutiam detalhes de um estúdio em Berlim como se nada tivesse acontecido, mas Emanuel olhava pelo retrovisor a cada trinta segundos, os olhos fixos na bebê e na mulher que ele nunca esquecera.

Ao chegarem na residência, uma construção moderna de vidro e aço que exalava riqueza, Eduarda sentiu-se ainda mais deslocada.

— Entre — disse Emanuel, abrindo a porta do carro para ela. Seu tom não era mais agressivo, mas ainda mantinha uma rigidez de comando. — Sara, leve a Ágata para o quarto. Eduarda, venha comigo para o escritório.

— Não seja tão duro, Emanuel — Sara piscou para Eduarda. — Se ele começar a rosnar demais, me grite. Vou pedir para a governanta preparar um chá para você, você parece que vai quebrar ao meio.

Eduarda seguiu Emanuel pela casa. O escritório dele era repleto de desenhos, esboços de tatuagens complexas e prêmios de design. Ele se sentou atrás da pesada mesa de carvalho e apontou para a cadeira à frente.

— Sente-se.

Eduarda obedeceu, ajeitando Maya, que agora estava acordada e olhava curiosa para o ambiente.

— Eu quero entender — começou ele, cruzando os braços sobre o peito largo. — Por que você não voltou àquela casa? Por que não procurou saber quem era o dono da festa?

— Eu procurei na internet... mas eu só sabia que o dono era um tatuador famoso chamado Emanuel — explicou ela, a voz ganhando um pouco de firmeza pela necessidade de se defender. — Apareceram tantos nomes. E eu sou tímida, Emanuel. Eu tive vergonha. Quando descobri a gravidez, entrei em pânico. Achei que você fosse um homem casado que só queria se divertir com a convidada da festa da esposa.

Emanuel soltou um suspiro pesado, a tensão nos ombros cedendo levemente.

— Eu sou um homem casado. Mas a Sara não é uma esposa comum. Eu contei a ela sobre você no dia seguinte. Eu contei que você tinha despertado algo em mim que eu não sabia que existia.

Eduarda arregalou os olhos.

— Você contou? E ela... ela não se importou?

— Sara quer minha felicidade. E ela sabe que eu a amo. Mas ela também viu o que eu vi em você.

Ele se levantou e caminhou até o lado dela, agachando-se para ficar na altura de seus olhos. A proximidade física fez o coração de Eduarda disparar. Ele cheirava a perfume importado e a algo metálico, talvez tinta, um aroma que a remetia instantaneamente àquela noite.

— Eu fiquei furioso porque perdi oito meses da vida dela — ele disse, a voz agora baixa e vibrante. — E porque você passou por isso sozinha quando eu tenho o mundo para te oferecer. Eu não vou tirar a Maya de você, Eduarda. Eu fui um animal no hospital porque o choque me tirou o chão.

Eduarda sentiu uma lágrima solitária escorrer.

— Você me assustou.

— Eu sei. E sinto muito por isso. Mas entenda uma coisa: eu não sou um homem de meias medidas. Eu quero a Maya na minha vida todos os dias. E eu quero você também.

— Mas e a Sara? — perguntou ela, confusa.

— A Sara já deu a bênção dela antes mesmo de saber da Maya. Agora, sabendo que temos uma filha... ela vai ser a primeira a exigir que você se mude para cá.

Eduarda olhou para as próprias mãos, pequenas e delicadas.

— Eu não sei se consigo... eu sou só uma estudante, uma professora de ballet. Minha vida é simples.

Emanuel segurou o queixo dela, forçando-a a olhá-lo.

— Sua vida agora é comigo. Eu vou cuidar de tudo. Você terá seus estudos, suas aulas, mas terá a proteção da minha família. E você vai descobrir que, apesar da aparência, a Sara pode ser sua maior aliada.

Nesse momento, Sara entrou no escritório, trazendo uma bandeja com chá e biscoitos. Ela se encostou na porta, observando a cena com um sorriso de canto.

— Já terminaram o drama? — perguntou ela. — A governanta já está preparando o quarto de hóspedes, que, aliás, é maior que o meu primeiro apartamento. Eduarda, querida, não olhe assim para mim. Eu não mordo, a menos que me peçam.

Eduarda não pôde evitar um pequeno sorriso nervoso diante da audácia de Sara. Havia algo naquela mulher loira e exuberante que, apesar de ser o oposto dela, transmitia uma segurança estranha.

— Eu preciso falar com meus pais — disse Eduarda.

— Nós vamos falar com eles juntos — declarou Emanuel, levantando-se e oferecendo a mão para ajudá-la a levantar. — Mas primeiro, você vai comer e descansar. Você está pálida.

Ele pegou Maya do colo de Eduarda. A bebê, em vez de chorar, agarrou um dos dedos tatuados do pai e deu um sorriso banguela. O coração de Emanuel derreteu-se por completo, uma rachadura definitiva em sua armadura de controle.

— Ela é perfeita — murmurou ele.

Sara aproximou-se e colocou a mão no ombro de Eduarda, guiando-a para fora do escritório.

— Ela é a cara dele, não é? Um horror de genética forte — brincou Sara. — Mas não se preocupe, Eduarda. Nós vamos dar um jeito. O Emanuel é meio bruto, mas ele é louco por quem é dele. E, pelo que vejo, você e essa pequena agora são dele. E minhas também, de certa forma.

Eduarda caminhou pelo corredor da mansão, sentindo que sua vida havia mudado de rumo em uma curva fechada. Ela ainda tinha medo, ainda se sentia insegura diante de tanta opulência e da personalidade esmagadora de Emanuel, mas, ao olhar para trás e ver o homem mais poderoso que já conhecera ninando sua filha com um olhar de pura adoração, ela sentiu que, talvez, o caos estivesse apenas começando a se transformar em uma nova e estranha forma de paz.

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