
Fuck
Fandom: Alien stage
Criado: 27/08/2026
Tags
O Começo de um Longo Caos
A luz do sol da tarde batia contra as janelas da sala de aula, criando padrões geométricos de poeira que dançavam no ar. Till estava esparramado em sua cadeira, a cabeça apoiada na mão e o olhar perdido em algum ponto irrelevante da lousa. O terceiro ano do ensino médio era um porre, e o fato de Mizi ter faltado naquele dia tornava tudo dez vezes mais insuportável. Sem a energia caótica dela para distraí-lo, ele era obrigado a ouvir Luka dissertar sobre a importância da Revolução Industrial para Hyuna, que parecia mais interessada em desenhar caveiras na borda do caderno do namorado.
— Luka, querido, eu juro que se você falar mais uma data, eu vou ter um colapso — Hyuna comentou, rindo e afastando a mão dele. — A gente está no meio do ano, dá um tempo para o seu cérebro.
— A consistência é a chave para o sucesso acadêmico, Hyuna — Luka respondeu, ajeitando os óculos com o dedo indicador. — E você deveria estar revisando também.
Till soltou um suspiro pesado, fechando os olhos verdes por um momento. Ele estava prestes a reclamar do barulho quando a porta da sala se abriu com um rangido seco. A professora interrompeu a explicação, e o burburinho da turma morreu instantaneamente.
Dois jovens entraram. O primeiro era alto, de cabelos pretos impecavelmente penteados e uma expressão que misturava tédio e curiosidade. Logo atrás dele, uma garota baixa, de pele muito pálida e cabelos curtos e escuros, caminhava com as mãos nos bolsos, parecendo querer estar em qualquer lugar, menos ali.
— Pessoal, atenção — anunciou a professora. — Temos dois novos alunos transferidos. Eles se mudaram recentemente e vão concluir o ano conosco. Por favor, apresentem-se.
O garoto deu um passo à frente, exibindo um sorriso de canto que parecia ensaiado, mas amigável.
— Eu sou o Ivan. Tenho 18 anos. Vim de outra escola porque me mudei para perto daqui — ele disse, a voz calma e descontraída. Ele indicou a garota ao lado com o polegar. — E essa é minha irmã, Sua.
Sua varreu a sala com seus olhos roxos, parando por um breve segundo em cada rosto, antes de soltar um suspiro quase imperceptível.
— Oi — ela disse, de forma seca.
Ivan inclinou a cabeça para o lado, olhando para ela com um brilho de deboche nos olhos pretos.
— Nossa. Que apresentação emocionante. Quase chorei.
— Cala a boca — Sua respondeu imediatamente, sem sequer olhar para ele.
Hyuna, que observava a cena da segunda fileira, soltou uma risadinha abafada. Ela gostou da energia da dupla na hora. A professora, querendo retomar o controle, apontou para as carteiras vazias perto do grupo de Hyuna.
— Podem se sentar ali, perto de Hyuna, Luka e Till.
Assim que os dois se acomodaram, Hyuna se virou na cadeira, apoiando os braços no encosto.
— Relaxa. A gente é tranquilo — ela disse, abrindo um sorriso largo.
Ivan, que já estava tirando um pirulito do bolso, arqueou uma sobrancelha.
— "A gente é tranquilo" parece exatamente o que alguém suspeito falaria.
Hyuna soltou uma gargalhada alta, chamando a atenção de alguns colegas.
— Gostei de você. Sou a Hyuna. Esse nerd de óculos é o Luka, meu namorado, e aquele com cara de quem vai morder alguém é o Till.
— Eu não vou morder ninguém, porra — Till resmungou, embora não parecesse realmente bravo.
— Sou o Ivan — repetiu o novato, já com o doce na boca. — E a sombra ali é a Sua.
Sua não disse nada. Ela apenas abriu um livro que já estava em sua mochila e começou a ler, ignorando a interação social como se fosse um ruído de fundo.
— Ela é sempre assim? — perguntou Luka, observando a garota com curiosidade acadêmica.
— Na maioria do tempo — Ivan respondeu, dando de ombros. — Ela só não gosta de falar sem necessidade. É um conceito alienígena para mim, pessoalmente.
— Percebi — Luka comentou, sério. — A comunicação verbal é fundamental para a coesão social, mas o silêncio também tem seu valor introspectivo.
Ivan piscou, processando a frase.
— Caralho, Luka. Você fala de um jeito muito estranho.
— Eu disse que ele era nerd — Hyuna brincou, dando um tapinha no ombro de Luka.
O restante da manhã passou de forma surpreendentemente rápida. Ivan se provou uma adição fácil ao grupo; ele era sociável, fazia piadas rápidas e parecia ter um estoque infinito de doces. Sua, por outro lado, permanecia como uma esfinge. Ela não era tímida — quando precisava pedir uma caneta ou responder à professora, fazia-o com uma clareza cortante —, mas ela claramente não tinha paciência para conversa fiada.
Durante o intervalo, enquanto comiam no pátio, Hyuna começou a fazer o "mapa da mina" da escola para os novatos.
— E tem a Mizi — Hyuna mencionou, depois de falar de alguns professores chatos. — Ela faz parte do nosso grupo, mas faltou hoje porque, bem... é a Mizi. Ela provavelmente está dormindo até agora.
Ivan inclinou a cabeça, interessado.
— E essa Mizi? — perguntou ele, girando o palito do pirulito entre os dentes.
— É nossa amiga — respondeu Hyuna.
— Ela é legal?
— É — Hyuna sorriu, seus olhos brilhando com uma ponta de malícia. — Muito.
Ivan fez uma pausa, olhando para o grupo de forma analítica.
— Ela é bonita?
O efeito da pergunta foi imediato. Hyuna virou o rosto tão rápido para Till que quase teve um torcicolo. Luka apenas suspirou, prevendo o que viria. Till, que estava tomando um suco de caixinha, engasgou levemente e sentiu as orelhas esquentarem.
— Que foi? — Till disparou, a voz subindo uma oitava.
— Nada — Hyuna disse, segurando o riso com a mão na boca.
Ivan alternou o olhar entre os dois, um sorriso travesso crescendo em seu rosto pálido.
— Qual foi? Por que o clima pesou?
— Ela não vai querer ficar com você — Till disse, tentando soar indiferente, mas falhando miseravelmente no tom agressivo.
Hyuna não aguentou e começou a rir alto.
— Você tá com ciúmes, Till? Sério? O cara chegou faz duas horas!
— Não tô com ciúmes, porra! Só tô falando a real. A Mizi não é pro seu bico, novato.
Ivan riu, achando a reação do garoto de cabelos cinzas fascinante.
— Calma, estressadinho. Eu não vou roubar sua garota.
— Ela não é minha garota! — Till exclamou, cruzando os braços e desviando o olhar, o rosto agora visivelmente vermelho.
— O Till gosta dela desde o primeiro ano — Hyuna confidenciou a Ivan, ignorando os protestos do amigo. — E ele é péssimo em esconder.
— Eu percebi — Ivan comentou, achando graça no jeito rebelde e impaciente de Till. Havia algo na irritação dele que Ivan achou... interessante. — Mas sério, relaxa. Eu realmente não vou fazer isso.
— Por quê? — Hyuna perguntou, curiosa. — A Mizi é o tipo de quase todo mundo.
Ivan deu de ombros, terminando seu doce.
— Porque eu sou gay.
O silêncio caiu sobre a mesa por três segundos. Luka foi o primeiro a quebrar o gelo, ajeitando os óculos.
— Não haveria como saber sua orientação apenas pela aparência — afirmou ele, como se estivesse constatando um fato científico. — A heteronormatividade impõe pressuposições que nem sempre condizem com a realidade individual.
Ivan olhou para Luka com uma expressão de choque genuíno.
— Puta que pariu, Luka. Você é real ou é um robô programado com um dicionário?
— Sou real, asseguro-lhe — Luka respondeu, impassível.
Till parecia ter relaxado um pouco, embora ainda estivesse emburrado. Ivan, por sua vez, sentiu um pequeno puxão de diversão ao observar Till. O jeito como ele ficava todo eriçado por causa de Mizi era engraçado, mas havia algo na energia caótica do garoto que atraía Ivan de uma forma que ele ainda não sabia explicar.
Mais tarde, após o sinal final, Hyuna pegou o celular de Ivan e Sua para adicioná-los ao grupo de mensagens do "bonde".
— Pronto. Agora vocês fazem parte oficialmente da bagunça — ela anunciou.
Quando chegaram em casa, as notificações começaram a apitar.
[Grupo: Sobreviventes do 3º ano]
Hyuna: Gente, adicionei os novatos! Ivan e a irmã dele, Sua. Ivan: Salve. Ivan: Cadê o Luka? Já tá estudando pra prova do ano que vem? Hyuna: Aula de esgrima. Ele leva isso a sério demais. Ivan: Esgrima? Pqp, o cara é um lorde vitoriano mesmo. Luka: É uma atividade que exige disciplina e reflexos, Ivan. Deveria experimentar. Sua: Ivan, para de encher o saco dos outros e vai arrumar suas caixas. Ivan: Me obriga. Sua: Idiota.
Ivan riu, jogando-se na cama. Ele gostava daquela dinâmica.
Ivan: Ei, cadê a tal da Mizi que o Till quer casar? Till: VAI SE FERRAR, IVAN! Hyuna: Ela deve estar hibernando. O sono da beleza dela dura 15 horas.
Alguns minutos depois, uma nova notificação surgiu.
Mizi: quem são esses Mizi: acordei agora, o que eu perdi??
Hyuna rapidamente fez as apresentações digitais. Mizi, como esperado, foi um furacão de energia mesmo por texto.
Mizi: Aaaah, novatos!! Que tudooo! Mizi: Ivan, vi sua foto de perfil, gostei do estilo. Mizi: E a Sua? Oi Sua!!
Sua: Oi.
Houve um breve intervalo na conversa.
Mizi: Nossa, econômica ela kkkkk Mizi: Tudo bem, Sua? Você é sempre assim ou só tá cansada da mudança?
Sua: Sou assim.
Mizi: Entendi... Meio seca, né? Mizi: Mas relaxa, eu falo por nós duas! Amanhã a gente se conhece direito, vou te mostrar os melhores lugares pra matar aula.
Sua: Não tenho interesse em matar aula. E você fala demais.
O grupo ficou em silêncio por um minuto inteiro. Ivan, na sua cama, assobiou baixinho. "Eita", pensou ele.
Mizi: Nossa, grossa. Só tava tentando ser legal. Sua: Tá.
Mizi não respondeu mais no grupo principal. No entanto, em seu quarto, ela bufou, jogando o celular no travesseiro. "Que garota insuportável", pensou. Ela pegou o celular de volta e salvou o contato de Sua como: "Babaca".
Enquanto isso, Sua, sentada em sua mesa de estudos, olhava para a foto de perfil de Mizi — uma garota de cabelos rosa e azul sorrindo de forma radiante. Ela franziu o cenho e salvou o contato como: "Inconveniente".
Ivan: Ih, gente. Acho que a química não rolou kkkkk Hyuna: Eles se conheceram hoje e já se odeiam. Till: Impressionante.
O dia seguinte na escola começou com uma tensão palpável. O grupo estava reunido no corredor principal, perto dos armários. Hyuna, Luka, Till e os dois novatos conversavam sobre o professor de física quando Mizi apareceu no fim do corredor.
Ela estava radiante, como sempre. O uniforme estava perfeitamente "errado": a saia um pouco mais curta do que as normas permitiam, a camisa social com o último botão aberto e a gravata frouxa pendurada no pescoço. Seus cabelos rosa com pontas azuis brilhavam sob as luzes fluorescentes.
— Mizi! — Hyuna acenou.
Mizi caminhou até eles com um sorriso confiante. Ela deu um "toca aqui" em Ivan, que retribuiu com um sorriso de canto.
— E aí, Ivan. Prazer em te ver ao vivo — ela disse, a voz cheia de carisma natural.
Então, seus olhos dourados se voltaram para a figura menor e pálida ao lado dele. O sorriso de Mizi não desapareceu, mas tornou-se algo mais desafiador. As duas ficaram em silêncio por alguns segundos, uma analisando a outra como se estivessem em um duelo de faroeste.
— Então você é a Sua — Mizi disse, cruzando os braços.
Sua nem sequer mudou sua postura. Ela continuou com as mãos nos bolsos, o olhar roxo fixo e inexpressivo.
— Sou.
— Você fala pouco mesmo. Pessoalmente é ainda mais... quieta — comentou Mizi, com um tom levemente debochado.
— E você fala bastante — Sua rebateu, a voz seca como um deserto.
Mizi arqueou uma sobrancelha, dando um passo à frente.
— Algum problema com isso?
— Não — respondeu Sua, sem desviar o olhar.
— Então tá.
O silêncio que se seguiu foi desconfortável para todos, menos para as duas, que pareciam estar medindo forças. Till olhou para Hyuna com uma expressão de puro pavor.
— Isso vai dar merda — ele sussurrou.
Hyuna, no entanto, tinha um sorriso divertido no rosto.
— Com certeza.
O sinal tocou, ecoando pelo corredor e quebrando o transe. O grupo começou a se mover em direção à sala de aula. Ivan passou o braço pelos ombros de Till, que tentou se esquivar, mas acabou cedendo à folga do novato.
— Vai ser um ano interessante, Tillzinho — Ivan disse, pegando mais um doce.
— Não me chama assim, porra — Till resmungou, mas não se afastou.
Enquanto entravam na sala, Mizi e Sua passaram uma pela outra na porta. Nenhuma delas cedeu espaço, os ombros se roçando levemente. Mizi revirou os olhos e Sua soltou um suspiro de impaciência.
A história daqueles seis estava apenas começando, e entre corações escondidos, provocações constantes e uma rivalidade instantânea, o terceiro ano prometia ser tudo, menos comum.
