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Beijo com seu inimigo

Fandom: personagem fora do mundo das animações

Criado: 27/08/2026

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RomanceFatias de VidaHistória DomésticaEstudo de PersonagemRomance
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Entre a Lógica e o Desejo

O silêncio do apartamento era preenchido apenas pelo som suave da chuva batendo contra a vidraça do quarto. Eu estava deitada, perdida em algum pensamento irrelevante, sentindo o cansaço do dia pesar sobre meus ombros. A luz do abajur criava sombras longas nas paredes, e o edredom parecia o único refúgio seguro contra o mundo lá fora. Foi quando ouvi o rangido familiar da porta.

Maike estava parado no batente. Ele era uma presença impossível de ignorar, mesmo quando tentava ser discreto. Com seus 1,89m de altura, ele parecia preencher todo o espaço da entrada. O cabelo preto estava levemente bagunçado, caindo sobre a armação dos óculos que ele insistia em usar, mesmo quando não estava debruçado sobre algum código de programação ou livro técnico. Ele era o que muitos chamariam de "nerd", mas havia algo naquela inteligência ácida e naquele porte físico que subvertia qualquer estereótipo. Ele era irritante, sim — dono da razão e mestre em ironias —, mas era, acima de tudo, terrivelmente sexy.

Sem dizer uma palavra, ele caminhou em direção à cama. Seus passos eram decididos. Ele não pediu licença; ele raramente pedia. Maike simplesmente se sentou na borda do colchão, fazendo a estrutura ranger sob seu peso, e logo em seguida se deitou ao meu lado.

Senti o calor do seu corpo antes mesmo do toque. Ele se aproximou, deslizando o braço por baixo da minha cintura e me puxando para perto com uma possessividade que me fez perder o fôlego. Nossos corpos se encontraram, alinhando-se perfeitamente. A frieza do meu pijama de seda contrastava com a quentura da pele dele, que transparecia através da camiseta fina.

Ele me encarou. Por trás das lentes dos óculos, aqueles olhos pretos, profundos como um abismo, brilhavam com uma intensidade que eu conhecia bem. Era o olhar de quem estava prestes a quebrar todas as suas próprias regras de lógica.

— Você demorou a notar que eu cheguei — disse ele, a voz rouca vibrando contra o meu pescoço.

— Eu estava ocupada tentando ter um momento de paz — respondi, embora meu coração já estivesse martelando contra as costelas. — Coisa que você claramente não respeita.

Maike soltou um riso curto, anasalado, e inclinou o rosto, aproximando o nariz do meu.

— A paz é superestimada. Especialmente quando eu posso pensar em formas muito melhores de ocupar o seu tempo.

Antes que eu pudesse retrucar com alguma ironia à altura, ele eliminou a distância entre nós. O beijo foi faminto, urgente, como se ele estivesse esperando por aquele momento desde o segundo em que saiu de casa pela manhã. Suas mãos, grandes e firmes, apertaram minha cintura, trazendo-me ainda mais para perto, se é que isso era possível. O gosto dele era uma mistura de café e algo puramente masculino, uma combinação que sempre me desarmava.

Quando nos separamos apenas para recuperar o ar, ele não se afastou. Manteve a testa colada à minha, a respiração pesada.

— Você é irritante, Maike — sussurrei, sentindo o calor subir pelo meu rosto.

— E você adora isso — rebateu ele, um sorriso convencido brincando nos lábios. Ele ajeitou os óculos com a mão livre, mas não desviou o olhar. — Admita. Sua vida seria um tédio absoluto se eu não estivesse aqui para questionar cada uma das suas decisões lógicas.

— Minhas decisões são perfeitamente lógicas. Você é que gosta de complicar as coisas com a sua arrogância intelectual.

Maike riu novamente, e dessa vez o som foi mais aberto, mais relaxado. Ele rolou um pouco, ficando parcialmente sobre mim, apoiado nos cotovelos. A diferença de tamanho era gritante; ele me envolvia completamente.

— Arrogância? Eu chamo de precisão. Existe uma diferença fundamental entre estar certo e ser arrogante. Eu apenas tenho a sorte de estar quase sempre certo.

— Viu? É exatamente disso que eu estou falando — eu disse, revirando os olhos, mas minhas mãos já haviam encontrado o caminho para a nuca dele, enredando-se nos fios pretos e macios do seu cabelo.

— Você reclama, mas suas mãos dizem outra coisa — provocou ele, baixando o rosto novamente, roçando os lábios na curva da minha mandíbula. — O que a sua lógica diz sobre isso agora?

— Diz que eu deveria te chutar da cama por ser tão convencido.

— Mas? — Ele parou, esperando a conclusão, a voz descendo uma oitava, tornando-se um sussurro perigoso.

— Mas... eu estou muito cansada para lutar contra alguém do seu tamanho.

— Uma mentira estratégica — comentou ele, beijando o ponto sensível logo abaixo da minha orelha. — Eu aceito. Desde que o resultado final seja eu ficando exatamente onde estou.

Ficamos em silêncio por alguns instantes, apenas sentindo a presença um do outro. Maike tinha esse poder. Ele podia ser a pessoa mais exasperante do mundo em um debate sobre física ou cinema clássico, mas, na intimidade do nosso quarto, ele se tornava um ímã. Havia uma vulnerabilidade escondida atrás daquela fachada de gênio incompreendido, algo que ele só mostrava para mim entre quatro paredes.

— O que foi? — perguntei, notando que ele me observava com uma seriedade incomum.

— Nada — respondeu ele, embora seus dedos estivessem traçando padrões invisíveis no meu braço. — Só estava pensando que, estatisticamente, as chances de eu encontrar alguém que me suporte são mínimas. E, no entanto, aqui estamos nós.

— Você está tentando ser romântico usando estatística? — brinquei, sentindo um aperto doce no peito.

— É a minha linguagem, você sabe. — Ele tirou os óculos e os colocou na mesa de cabeceira, revelando o olhar sem filtros. Sem a barreira das lentes, ele parecia ainda mais intenso. — O que eu quero dizer é que... não importa o quanto a gente discuta ou o quanto eu te irrite, não há outro lugar no mundo onde eu preferiria estar.

Eu o puxei para baixo, selando nossos lábios novamente. Dessa vez, o beijo não foi faminto, mas profundo e lento, carregado de uma promessa silenciosa. Maike se acomodou melhor entre minhas pernas, o peso do seu corpo sendo um lembrete constante da sua realidade física, da sua força.

— Menos conversa, Maike — murmurei contra sua boca.

— Finalmente uma sugestão lógica — respondeu ele, antes de me calar com um beijo que prometia durar a noite inteira.

A chuva continuava a cair lá fora, mas dentro daquele quarto, o mundo se resumia ao calor da pele, ao ritmo das respirações sincronizadas e à certeza de que, apesar de todas as irritações e discussões, éramos a equação perfeita. Maike, com todo o seu intelecto e sua altura intimidadora, era o único que sabia exatamente como desvendar os meus mistérios, um beijo de cada vez.

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