
seu inimigo te beijou
Fandom: personagem fora do mundo das animações
Criado: 27/08/2026
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Entre o Ódio e a Gravidade
O corredor do dormitório da universidade parecia mais estreito do que o normal naquela noite. A luz fluorescente piscava de forma intermitente, criando sombras longas que pareciam acompanhar o ritmo da minha respiração descompassada. Eu ainda conseguia sentir o gosto amargo da discussão que tivemos na área comum. As palavras de Maike ainda ecoavam na minha mente como estilhaços de vidro: afiadas, precisas e feitas para ferir.
Entrei no nosso quarto compartilhado e bati a porta com força, sem me importar se os vizinhos ouviriam. Aquele quarto era pequeno demais para o ego dele e para a minha paciência. Maike era a definição de uma contradição ambulante. Ele era o nerd prodígio da computação, sempre com aqueles óculos de armação preta descansando sobre a ponte do nariz, os olhos escuros focados em linhas de código que ninguém mais entendia. Mas ele também tinha 1,89m de altura, ombros largos que pareciam ocupar todo o espaço do ambiente e uma presença que, por mais que eu tentasse negar, era avassaladora.
Nós nos odiávamos desde o primeiro dia. Ele achava que eu era impulsiva demais; eu achava que ele era um arrogante que se escondia atrás de equações.
Joguei minha mochila no canto e me deitei na cama, cobrindo o rosto com as mãos. O silêncio do quarto durou apenas alguns minutos. O som da maçaneta girando me fez enrijecer o corpo.
Eu não precisei olhar para saber que era ele. O cheiro de sândalo e café que sempre o acompanhava preencheu o ar.
— Achei que você fosse passar a noite na biblioteca para evitar olhar para a minha cara — eu disse, a voz abafada pelas minhas mãos, sem me mover.
Ouvi o clique da porta sendo trancada. O som me fez sentar abruptamente na cama. Maike estava parado ali, encostado na madeira escura da porta. A luz fraca do abajur refletia nas lentes de seus óculos, ocultando seus olhos por um segundo. Ele estava com a camisa levemente amassada e os primeiros botões abertos, revelando a pele clara do pescoço.
— Este também é o meu quarto — disse ele, com aquela voz grave e pausada que sempre me irritava. — E eu não sou do tipo que foge de uma briga.
— Você já disse tudo o que tinha para dizer lá embaixo, Maike. Por que não me deixa em paz? — rebati, sentindo a raiva borbulhar novamente.
Ele deu um passo à frente. A estatura dele era intimidadora, especialmente quando ele me olhava daquele jeito, de cima para baixo, com uma intensidade que parecia despir todas as minhas defesas.
— Eu não disse tudo — afirmou ele, caminhando lentamente em direção à cama.
— Pois guarde para amanhã. Eu vou dormir.
Virei as costas para ele e me encolhi debaixo do cobertor, fechando os olhos com força. Eu esperava que ele fosse para a cama dele, do outro lado do quarto, que ele ligasse o notebook e me ignorasse como fazia na maioria das noites. Mas o colchão afundou atrás de mim.
Meu coração deu um salto. O calor do corpo dele estava perigosamente próximo.
— O que você está fazendo? — perguntei, a voz falhando levemente. — A sua cama é a outra.
— Eu sei onde é a minha cama — sussurrou ele, perto do meu ouvido.
Antes que eu pudesse reagir, senti o braço pesado dele envolver minha cintura. Com um movimento firme e possessivo, Maike me puxou para trás, colando minhas costas ao peito dele. O contraste entre a frieza das suas palavras anteriores e o calor do seu toque era desconcertante.
— Me solta, Maike! — eu protestei, embora minhas mãos tenham subido instintivamente para os braços dele, sentindo os músculos rígidos sob a pele.
— Cala a boca — ordenou ele, mas não havia raiva na voz, apenas uma urgência sombria.
Ele me virou na cama com uma facilidade irritante, forçando-me a encará-lo. O espaço entre nós havia desaparecido. Os óculos dele estavam levemente caídos, e pela primeira vez naquela noite, vi o fogo nos seus olhos pretos. Não era o fogo do ódio que estávamos acostumados a trocar. Era algo muito mais denso.
— Você me odeia tanto assim? — perguntou ele, a mão subindo da minha cintura para o meu pescoço, o polegar acariciando minha mandíbula.
— Você sabe que sim — respondi, arfando.
— Mentirosa — murmurou ele.
Maike não deu tempo para uma tréplica. Ele avançou, selando nossos lábios em um beijo que não tinha nada de gentil. Era um beijo faminto, carregado de toda a frustração, a rivalidade e o desejo reprimido que vínhamos acumulando há meses. As mãos dele se emaranharam nos meus cabelos, puxando minha cabeça levemente para trás para aprofundar o contato.
Eu deveria tê-lo empurrado. Deveria ter gritado. Mas, em vez disso, minhas mãos agarraram a gola da sua camisa, puxando-o para mais perto, como se eu estivesse tentando consumir a mesma energia que ele despejava em mim. O beijo tinha gosto de desafio.
Ele se afastou apenas alguns milímetros, a respiração quente batendo contra o meu rosto. Seus olhos percorreram cada detalhe do meu semblante, como se estivesse decifrando um código complexo.
— Eu não aguento mais essa distância — confessou ele, a voz rouca, quase um rosnado.
— Isso não muda o fato de que você é um idiota — eu respondi, embora meus dedos estivessem ocupados demais traçando a linha dos seus ombros.
— E você é a pessoa mais insuportável que eu já conheci — disse ele, com um meio sorriso cínico que o deixava terrivelmente atraente. — Mas é a única que eu quero no meu quarto. No meu lado da cama.
— Você é um nerd convencido, Maike.
— E você está perdidamente rendida por esse nerd — rebateu ele, aproximando-se novamente.
— Talvez — sussurrei, antes de puxá-lo pela nuca para outro beijo.
Desta vez, o ritmo mudou. A urgência deu lugar a uma exploração mais lenta e deliberada. Maike deslizou a mão por baixo da minha blusa, a pele fria encontrando o calor da minha cintura, arrancando-me um suspiro baixo. Ele conhecia cada ponto de pressão, cada centímetro que me fazia estremecer.
— A gente ainda se odeia? — perguntei entre beijos, a mente nublada.
— Com certeza — respondeu ele, descendo os beijos para o meu pescoço, fazendo-me arquear as costas. — Mas o ódio é uma emoção muito intensa para ser desperdiçada apenas com palavras.
Ele retirou os óculos e os jogou em qualquer lugar sobre a mesa de cabeceira. Sem aquele filtro, a expressão de Maike era crua. Ele não era apenas o gênio da turma; ele era um homem que sabia exatamente o que queria. E, naquele momento, o alvo de toda a sua atenção era eu.
— Você fala demais — eu disse, tentando retomar o fôlego.
— Então me faça calar a boca — desafiou ele, prendendo minhas mãos acima da minha cabeça.
A tensão no quarto era quase palpável, uma eletricidade que fazia os pelos do meu corpo se arrepiarem. Ali, na penumbra daquele dormitório universitário, a fronteira entre a inimizade e a paixão havia sido permanentemente apagada. Maike se inclinou novamente, e eu soube que, não importava o quanto brigássemos na manhã seguinte, aquela noite pertencia a algo que nenhum de nós dois conseguia mais controlar.
— Eu te desafio a tentar — sussurrei contra seus lábios.
Maike sorriu, um sorriso predatório e charmoso, antes de me calar da única forma que eu desejava naquele momento. O mundo lá fora, com suas regras e lógicas, não existia mais. Só existia o peso do corpo dele sobre o meu e a certeza de que, entre o ódio e a gravidade, nós tínhamos finalmente colidido.
