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Trocada.

Fandom: Enhypen

Criado: 27/08/2026

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O Silêncio entre as Notificações

A luz azul do celular iluminava o quarto escuro, refletindo-se nas lágrimas que teimavam em descer, quentes e silenciosas, pelo rosto de S/N. O brilho da tela parecia zombar da dor física que latejava em suas têmporas. Era uma enxaqueca daquelas que faziam o mundo girar, acompanhada por calafrios que a faziam se encolher sob três camadas de cobertores.

Mas a dor no peito era pior.

Ela desbloqueou o celular mais uma vez, os dedos trêmulos deslizando pelo feed do Twitter. Não precisou rolar muito para encontrar o que temia. Postado há apenas dez minutos: uma foto de Ni-ki e Hana, sua "melhor amiga". Na imagem, ele fazia uma careta engraçada enquanto ela segurava um termômetro, ambos com filtros de orelhas de gato. A legenda dizia: "Cuidando da melhor paciente do mundo. Fique boa logo, Nana!" acompanhada de um emoji de coração branco.

S/N fechou os olhos, sentindo uma pontada aguda na cabeça. Aquele coração branco era, ironicamente, o que Ni-ki costumava usar com ela no início do namoro. "É puro e calmo, como você", ele dizia. Agora, parecia que a pureza e a calma haviam migrado para outra pessoa.

Nos últimos meses, o relacionamento deles havia se tornado uma sombra do que fora um dia. Ni-ki, o prodígio da dança do Enhypen, sempre fora intenso e dedicado. No começo, essa intensidade era voltada para S/N. Eram ligações de madrugada, visitas surpresa após os ensaios exaustivos e uma cumplicidade que parecia inquebrável. Mas, gradualmente, o nome de Hana começou a surgir em cada conversa. O que eram "ensaios extras" se tornaram "saídas para desestressar com a Hana". O que eram "momentos nossos" se tornaram "fotos em grupo onde apenas os dois pareciam existir".

S/N pegou o celular e, com a visão embaçada, digitou uma mensagem para ele.

“Riki, eu realmente não estou bem. Minha cabeça parece que vai explodir e eu estou com muita febre. Você pode vir? Por favor?”

Ela esperou. Cinco minutos. Dez minutos. Viu o "Digitando..." aparecer e desaparecer várias vezes, fazendo seu coração acelerar de ansiedade. Finalmente, a notificação chegou.

— S/N, eu realmente não posso agora. A Hana está com uma gripe horrível, a febre dela não baixa e ela está sozinha em casa. O que você tem é só uma dor de cabeça, toma um remédio e tenta dormir. Amanhã a gente se fala.

O ar pareceu faltar nos pulmões de S/N. Ela leu a mensagem uma, duas, três vezes. "Só uma dor de cabeça". A negligência nas palavras dele cortava mais do que qualquer lâmina. Ele estava na casa dela. Novamente.

Com os dedos gelados, ela começou a digitar, a raiva finalmente superando a tristeza por um breve momento.

— Só uma dor de cabeça? Riki, eu estou passando mal de verdade. E você está na casa dela... de novo. Você postou uma foto rindo com ela há dez minutos. Se ela está tão mal assim, como vocês têm tempo para filtros de gato?

A resposta veio quase instantaneamente, carregada de uma defensividade que S/N já conhecia bem.

— Não começa com o ciúme, por favor. Eu postei aquilo para distrair ela. Você sabe que ela é minha melhor amiga desde o trainee. Eu não posso simplesmente abandonar ela quando ela precisa. Você é forte, sempre se virou sozinha. Ela é mais sensível.

S/N soltou uma risada amarga que terminou em um gemido de dor física.

— Eu sou forte porque você me obrigou a ser — ela sussurrou para o quarto vazio, antes de digitar. — Você se lembra da última vez que saímos sozinhos, Riki? Sem ela? Sem você checar o celular para ver se ela mandou mensagem?

— Lá vem você de novo — Ni-ki respondeu. — Eu estou cansado disso, S/N. Eu trabalho o dia todo, danço até meus pés sangrarem e, quando tento ser um bom amigo, você me ataca. Eu pensei que você me apoiasse.

— Eu apoio o meu namorado — S/N digitou, as lágrimas agora molhando a tela do celular. — Mas eu não sei mais quem você é. Ou melhor, eu sei quem você é para ela. Para ela, você é o Riki atencioso, o que cuida, o que está presente. Para mim, você é o Ni-ki que visualiza minhas mensagens e esquece de responder. O Ni-ki que me trata como um compromisso chato na agenda.

Houve um longo silêncio. S/N olhava para o teto, vendo as luzes dos carros que passavam na rua refletirem nas paredes. Ela se lembrou de quando Ni-ki prometeu que, não importava o quão famoso o Enhypen ficasse, ela sempre seria sua prioridade. Aquela promessa agora parecia uma piada de mau gosto.

O celular vibrou.

— Se você vai agir assim toda vez que eu estiver com a Hana, talvez a gente precise de um tempo. Eu não tenho energia para lidar com esse drama agora. A Hana acabou de acordar e eu vou fazer um chá para ela. Melhoras para sua "dor de cabeça".

Aquilo foi o ponto de ruptura. Algo dentro de S/N, algo que ela vinha tentando manter unido com fios de esperança e memórias antigas, simplesmente quebrou. A dor de cabeça parecia ter atingido o ápice, mas sua mente estava estranhamente lúcida.

— Não precisa de tempo, Riki — ela escreveu, as mãos agora firmes. — O tempo já passou. Você já fez sua escolha há muito tempo, eu só demorei para perceber. Fica com o seu chá, fica com a sua "melhor paciente". Fica com ela, porque você já não está comigo há meses.

— O que você está dizendo? — Ni-ki respondeu em segundos. — Você está terminando por causa de uma bobagem dessas? Só porque eu estou ajudando uma amiga?

S/N sentou-se na cama, ignorando a tontura.

— Não é por causa de hoje, Riki. É por causa de todos os dias em que eu me senti invisível. É por causa de cada vez que você me comparou a ela e me fez sentir insuficiente. É porque eu não quero ser a pessoa que você procura quando está entediado, enquanto ela é a pessoa que você procura para compartilhar a vida. Acabou. Por favor, não venha atrás de mim amanhã.

— S/N, para com isso. Você está agindo por impulso porque está doente. Amanhã você vai se arrepender.

— A única coisa de que me arrependo — ela digitou, sentindo um peso enorme sair de seus ombros, apesar da tristeza — é de ter esperado tanto tempo para admitir que eu já te perdi para ela. Adeus, Riki. Cuida bem da Hana. Pelo visto, ela precisa mais de você do que o nosso namoro precisava.

Ela não esperou a resposta. Bloqueou o número dele, silenciou as notificações e, pela primeira vez em meses, desligou o celular completamente.

O silêncio que se seguiu no quarto era pesado, mas era um silêncio honesto. S/N se deitou novamente, fechando os olhos. A dor de cabeça ainda estava lá, latejando ritmicamente, mas a ansiedade sufocante que a acompanhava sempre que via o nome de Ni-ki online havia desaparecido.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, em um apartamento bem decorado, o celular de Ni-ki vibrou uma última vez sobre a mesa de centro. Ele olhou para a tela, a confusão estampada em seu rosto jovem.

— Riki? O chá está pronto? — a voz de Hana veio do sofá, suave e manhosa.

Ni-ki olhou para a cozinha, depois para o celular. Ele tentou ligar para S/N, mas caiu direto na caixa postal. Tentou mandar uma mensagem no KakaoTalk, mas o ícone de "entregue" não apareceu.

— Riki? — Hana chamou novamente.

— Já vai — ele respondeu, mas sua voz soou oca.

Pela primeira vez em muito tempo, Ni-ki sentiu um frio estranho no estômago. Ele olhou para a foto que havia postado no Twitter, para os sorrisos filtrados e a legenda carinhosa. De repente, a imagem parecia superficial. Ele pensou em S/N sozinha, com febre, em um quarto escuro, e na forma como ele havia minimizado sua dor.

Ele se sentou no banquinho da cozinha, com a caneca de chá quente nas mãos, sentindo o peso do silêncio que S/N havia deixado para trás. Ele sempre achou que ela estaria lá, independentemente do que acontecesse. Ela era sua base, sua segurança.

Mas, ao olhar para o celular bloqueado, Ni-ki percebeu, com um aperto tardio no coração, que até a base mais forte desmorona quando é negligenciada por tempo demais. Ele tinha a amiga, tinha o Twitter, tinha a atenção de Hana. Mas, em algum lugar entre um post e um chá, ele havia perdido a única pessoa que o amava antes mesmo de ele saber quem queria ser.

E, naquela noite, enquanto a febre de Hana baixava, o mundo de Ni-ki começou a esfriar de uma maneira que nenhum chá ou desculpa poderia aquecer.

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