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Engel x mister demi

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 28/08/2026

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DramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoHorrorSuspenseSobrevivênciaEstudo de Personagem
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Sinfonia de Silêncio e Sombras

O frio do chão de concreto da Paper School parecia subir pela espinha de Mister Demi, intensificando o tremor que já dominava seu corpo. Quando ele abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi a restrição sufocante. Cordas ásperas envolviam seus braços, tronco e pernas, apertando seu traje de professor e imobilizando seus movimentos. O pânico foi imediato, uma onda elétrica que o fez arquejar.

— Socorro! Alguém me ajude! — gritou Demi, sua voz falhando pela timidez habitual, agora substituída por um terror genuíno.

Ao seu lado, um vulto começou a se mexer. Engel, o aluno conhecido por sua bravura e por sempre tentar proteger os colegas, despertou com um solavanco. Seus olhos se arregalaram ao perceber que estava na mesma situação: amarrado da cabeça aos pés, as penas coloridas em seu cabelo balançando conforme ele lutava inutilmente contra os nós.

— Mister Demi? O que está acontecendo? — Engel exclamou, o desespero tingindo seu tom de voz. — Socorro! Tem alguém aí? Por favor, nos soltem!

— Engel, eu não sei... eu não lembro de nada! — Demi soluçava, tentando desesperadamente soltar as mãos pretas e pontiagudas, mas as cordas eram firmes demais.

Engel, apesar de estar aterrorizado, tentou manter a compostura que costumava ter para acalmar os outros alunos. Ele olhou para o professor de música, tentando forçar um sorriso reconfortante, embora seus próprios lábios estivessem tremendo.

— Calma, Mister Demi. Por favor, tente respirar — disse Engel, buscando o olhar verde-claro do professor por trás dos óculos. — Olhe pelo lado bom... pelo menos eles não nos amordaçaram. Ainda podemos gritar, alguém vai nos ouvir eventualmente.

Mal as palavras saíram da boca do garoto, o som de passos pesados e rítmicos ecoou pelo corredor escuro. Antes que pudessem reagir, mãos invisíveis nas sombras agiram com rapidez cirúrgica. Tiras largas de fita adesiva cinza foram pressionadas contra suas bocas com força.

— Mmmph?! — O grito de Engel foi cortado instantaneamente.

Mister Demi arregalou o único olho visível, sentindo a textura fria e colante da fita sobre seus lábios. O pânico atingiu um novo patamar. Agora, o silêncio era o seu maior inimigo.

Eles começaram a produzir sons abafados e desesperados. "Mmm-hmmm! Hmmm!", tentavam articular pedidos de ajuda que morriam na barreira adesiva. O esforço fazia com que os ombros de Demi subissem e descessem rapidamente, e o suor frio começasse a brotar em sua testa, perto de seus pequenos chifres pretos.

No meio da luta frenética, os dois acabaram se encarando. A proximidade forçada e a situação vulnerável fizeram com que um rubor intenso subisse pelas bochechas de ambos. Engel desviou o olhar por um segundo, envergonhado por sua previsão otimista ter falhado tão drasticamente, enquanto Demi sentia o coração martelar contra as costelas, o rosto queimando de humilhação e medo.

Foi então que o silêncio da sala permitiu que eles notassem algo que o pânico inicial havia mascarado. Demi olhou para baixo e sentiu um calafrio adicional. Seus pés estavam descalços. Suas botas de salto, que ele sempre usava com tanto cuidado, estavam jogadas a alguns metros de distância no chão frio.

Ao lado dele, Engel percebeu o mesmo. Seus sapatos pretos e suas polainas listradas em azul e vermelho haviam sido removidos e descartados como lixo. Ambos estavam sentados no chão, com as pernas esticadas e os pés completamente expostos à poeira e ao ar gélido da escola.

— Mmmmmmph! — Demi soltou um som agudo e abafado, o rosto ficando ainda mais vermelho. A sensação de exposição era insuportável para o professor tímido. Ele tentou encolher os pés, mas as cordas em seus tornozelos garantiam que eles permanecessem esticados e visíveis.

Engel tentou mexer os dedos dos pés, sentindo a vulnerabilidade da situação. Ele olhou para Mister Demi e viu o professor tremendo violentamente, as mechas de cabelo Chanel cobrindo parcialmente seu rosto em pânico. O garoto tentou emitir um som mais calmo, uma espécie de murmúrio baixo para tentar chamar a atenção do professor e sinalizar que eles ainda estavam juntos naquilo.

— Hmmm... hmmm-mmm... — murmurou Engel, tentando fazer contato visual novamente.

Demi olhou para ele, as lágrimas começando a embaçar seus óculos. Ele viu o esforço de Engel em manter a coragem, mesmo estando tão indefeso quanto ele. O professor de música, cujas mãos eram geralmente dedicadas a reger sinfonias e tocar piano, agora só conseguia produzir ruídos guturais e sem ritmo.

Eles estavam presos em uma partitura de terror, onde cada som abafado era uma nota de desespero. A visão de seus sapatos jogados no chão era um lembrete cruel de que quem quer que os tivesse colocado ali, tinha total controle sobre eles. A Paper School nunca pareceu tão vasta e silenciosa, e a segurança que Engel sempre tentava proporcionar parecia uma memória distante.

Demi fechou o olho, tentando imaginar o som de um metrônomo para acalmar seu pulso, mas tudo o que conseguia ouvir era a própria respiração pesada através do nariz e os sons abafados que Engel continuava a fazer ao seu lado, ambos compartilhando o mesmo medo, o mesmo rubor e a mesma esperança de que aquele pesadelo de papel chegasse ao fim.

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