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Gravidez de Melia

Fandom: Streaming chinês Wanglin e Melia

Criado: 29/08/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoGravidez Não Planejada/IndesejadaConsertoHistória Doméstica
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O Silêncio de um Oceano de Distância

As luzes de Xangai pareciam um sonho febril na memória de Melia. Sentada em sua varanda em São Paulo, sentindo a brisa úmida da tarde brasileira, ela olhava para a tela do celular, onde o algoritmo do TikTok insistia em lhe mostrar o rosto que ela mais tentava esquecer. Wanglin.

Ele estava em uma live, o sorriso de canto que derretia milhares de seguidoras brilhando sob a iluminação profissional do estúdio. Melia fechou os olhos, sentindo um nó na garganta. Quem diria que um comentário bobo em um vídeo de dança terminaria em uma viagem impulsiva para o outro lado do mundo? E quem diria que aquela semana mágica, vivendo um romance de dorama entre as ruas iluminadas e os jantares escondidos, deixaria um presente permanente em seu ventre?

Ela tocou a barriga, ainda discreta sob o vestido solto, mas já firme o suficiente para lembrá-la de que sua vida havia mudado para sempre.

— Você não pode esconder isso dele para sempre, Melia.

A voz de Rinah veio da porta da varanda. A melhor amiga segurava duas xícaras de chá, seus olhos carregados de uma preocupação que Melia já não aguentava mais ver.

— Eu não estou escondendo — mentiu Melia, pegando a xícara —. Eu só estou... esperando o momento certo.

— O momento certo era antes de você carimbar o passaporte no Galeão — rebateu Rinah, sentando-se na cadeira de vime ao lado dela. — Ele é o pai, Melia. Ele tem o direito de saber que o "tchau" no aeroporto não foi o fim da história.

— Ele é um ídolo, Rinah! — Melia finalmente explodiu, as lágrimas que ela vinha segurando finalmente transbordando. — A carreira dele na China é tudo. Se a agência descobre que ele engravidou uma brasileira que ele conheceu na internet, a vida dele acaba. Eu não quero ser o motivo da ruína dele.

Rinah suspirou, olhando para o celular de Melia que ainda exibia a live pausada.

— E você vai ser o quê? Um fantasma? Ele te procura, Melia. Ele manda mensagens. Eu vejo as notificações no seu celular.

Melia não respondeu. Ela sabia que Wanglin a procurava. As mensagens no WeChat eram constantes: "Por que você ficou tão fria?", "Sinto sua falta", "Quando você volta?". Ela simplesmente não conseguia digitar a verdade. Como dizer "estou grávida" em mandarim sem quebrar o coração de ambos?

Do outro lado do mundo, o clima era diferente. Wanglin estava exausto. A live tinha acabado, mas o vazio em seu peito parecia crescer a cada minuto. Ele se jogou no sofá do camarim, ignorando os assistentes que corriam de um lado para o outro.

Ele pegou o telefone e abriu a conversa com Melia. A última mensagem dela tinha sido há três dias, um simples "estou ocupada, falamos depois". Aquilo não era a Melia que ele conhecera. A Melia que ele conhecera era vibrante, falante, a mulher que o fizera esquecer as pressões da fama e o fizera sentir como um homem comum pela primeira vez em anos.

— O que eu fiz de errado? — sussurrou ele para o teto.

Foi então que uma notificação diferente surgiu. Não era de Melia. Era um direct no Instagram, de uma conta que ele reconheceu imediatamente: Rinah.

Wanglin franziu o cenho. Ele e Rinah haviam conversado poucas vezes enquanto Melia estava na China, geralmente para combinar surpresas ou logísticas de transporte. Por que ela estaria entrando em contato agora, contornando a amiga?

Ele abriu a mensagem. O texto estava em inglês, direto e urgente.

"Wanglin, precisamos conversar. É sobre a Melia. Ela vai me matar por te contar isso, mas eu não posso mais carregar esse segredo sozinha enquanto vejo vocês dois sofrerem."

O coração de Wanglin deu um solavanco.

— O que aconteceu? — digitou ele rapidamente, as mãos tremendo. — Ela está doente? Ela sofreu um acidente?

A resposta demorou alguns minutos, que pareceram horas. Quando o ícone de digitação finalmente parou e a mensagem apareceu, o mundo de Wanglin parou.

"Ela não está doente. Ela está grávida, Wanglin. De quatro meses. Ela voltou para o Brasil porque ficou com medo de prejudicar sua carreira. Ela te ama, mas está aterrorizada."

Wanglin sentiu o ar faltar. Ele se levantou abruptamente, derrubando uma garrafa de água da mesa lateral. O barulho atraiu a atenção de seu empresário, que entrou no camarim com uma expressão severa.

— Wanglin? O que foi? Temos uma sessão de fotos em dez minutos.

Wanglin olhou para o homem, mas não o viu. Ele via apenas o rosto de Melia, o brilho nos olhos dela quando eles caminharam pelo Bund em Xangai, e a tristeza que ele não entendeu quando ela se despediu no portão de embarque.

— Cancele tudo — disse Wanglin, a voz rouca, mas firme.

— O quê? Você enlouqueceu? — O empresário deu um passo à frente. — Temos contratos, marcas, multas milionárias!

— Eu disse para cancelar tudo — repetiu ele, pegando sua jaqueta e sua mochila. — Eu vou para o Brasil.

— Você não pode simplesmente ir para o Brasil! Você é uma figura pública!

Wanglin parou na porta e olhou para trás.

— Eu sou um pai. E eu já perdi tempo demais.

Enquanto isso, no Brasil, o clima na casa de Melia estava tenso. Rinah havia saído para "comprar pão", mas Melia percebeu o nervosismo da amiga. Ela sentia que algo estava prestes a ruir, como se o muro de silêncio que ela construiu estivesse cheio de rachaduras.

— Melia? — Rinah entrou na sala, o celular na mão.

— Você está estranha desde cedo, Rinah. O que aconteceu?

— Eu fiz uma coisa — admitiu Rinah, a voz falhando. — Eu não conseguia mais ver você chorando escondida no banheiro e ele postando vídeos com cara de quem perdeu o chão.

Melia sentiu o sangue fugir do rosto.

— O que você fez?

— Eu contei para ele, Melia. Eu contei tudo.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Melia sentiu uma mistura de alívio e pânico absoluto.

— Como você pôde? — sussurrou Melia, as lágrimas voltando. — Você não tinha o direito!

— Eu tinha o dever! — Rinah exclamou. — Você ia criar essa criança sozinha por causa de uma suposição? Por causa de uma agência de talentos na China? Ele merece saber que tem um filho, e esse bebê merece um pai que o ame.

Melia se sentou no sofá, cobrindo o rosto com as mãos. O pânico começou a ceder lugar a uma pergunta inevitável.

— O que... o que ele disse?

— Ele não disse muito — Rinah se aproximou e sentou ao lado dela —. Ele só perguntou se você estava bem. E depois parou de responder.

— Viu? — Melia riu amargamente. — Ele deve estar apavorado. Ele deve estar ligando para os advogados dele agora mesmo para saber como abafar o caso.

— Você não conhece o homem que você ama, Melia — disse Rinah, suavemente.

Trinta horas depois, o interfone do apartamento de Melia tocou. Eram três da manhã. Melia, que sofria de insônia devido à gravidez e à ansiedade, atendeu com o coração na boca.

— Pois não?

— Sou eu.

A voz era baixa, cansada e falava em um inglês com sotaque chinês que ela reconheceria em qualquer lugar do mundo. Melia sentiu os joelhos fraquejarem.

— Wanglin?

— Abra a porta, Melia. Por favor.

Ela não pensou. Não pensou na bagunça da sala, no seu pijama de algodão velho ou no fato de que não usava maquiagem há dias. Ela correu até a porta e a abriu.

Lá estava ele. Usando um boné preto, uma máscara descartável pendurada no queixo e olheiras profundas de quem cruzou o globo sem dormir. Ele carregava apenas uma mochila.

Eles se olharam por um longo tempo. O corredor do prédio estava silencioso, mas o ar entre eles vibrava com tudo o que não fora dito.

— Você veio — sussurrou ela.

— Você achou que eu não viria? — A voz dele quebrou.

Wanglin deu um passo à frente, entrando no apartamento e fechando a porta atrás de si. Ele não a beijou de imediato. Em vez disso, seus olhos baixaram lentamente para a barriga dela. Com a mão trêmula, ele se aproximou.

— Posso? — perguntou ele.

Melia assentiu, incapaz de falar.

Quando a palma da mão dele tocou o tecido fino do vestido dela, sentindo o calor e a curva da vida que crescia ali, Wanglin fechou os olhos e encostou a testa na dela.

— Por que você fugiu de mim? — perguntou ele, em mandarim, a língua que ele usava quando as emoções eram grandes demais para o inglês.

— Eu estava com medo — respondeu ela, também em mandarim, lembrando-se das aulas que tivera por causa dele. — Eu não queria destruir sua vida.

Wanglin se afastou apenas o suficiente para segurar o rosto dela com as duas mãos.

— Melia, olhe para mim. Minha vida não é um palco. Minha vida não são os seguidores. Minha vida é o que eu senti quando te vi pela primeira vez naquele aeroporto. Nada disso faz sentido se você não estiver lá.

— E sua carreira? Sua agência?

— Eu não me importo — disse ele, com uma determinação que ela nunca vira antes. — Se eles não aceitarem minha família, eu encontrarei outro caminho. Mas eu nunca, nunca vou deixar você passar por isso sozinha.

Melia desabou em seus braços, chorando de alívio. O peso que ela carregava nos ombros há meses finalmente desapareceu.

— Rinah te contou... — disse ela entre soluços.

— Ela salvou a nossa família — corrigiu Wanglin, beijando o topo da cabeça dela. — Eu vou ficar aqui, Melia. Pelo tempo que for necessário. Até o bebê nascer, e depois disso.

Naquela noite, sob o céu de São Paulo, o oceano que os separava secou. Não importava o que os tabloides chineses diriam na manhã seguinte, ou o que os contratos previam. Ali, naquele pequeno apartamento, Wanglin e Melia não eram um ídolo e uma fã que se conheceram por acaso no TikTok. Eles eram apenas dois jovens prestes a começar a maior aventura de suas vidas.

Rinah, observando da fresta da porta de seu próprio quarto, sorriu e finalmente foi dormir. Sua missão estava cumprida. O silêncio havia acabado.

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