
Traumas
Fandom: Wednesday
Criado: 29/08/2026
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Sinfonia da Dissonância
A primeira coisa que registrou foi o cheiro. Uma mistura acre de óleo de motor, poeira antiga e o odor metálico de ferrugem. Não era o aroma familiar de formaldeído e livros mofados de seu quarto em Nevermore, nem o cheiro de terra úmida e decomposição de seu mausoléu familiar. Era algo cru, industrial e desagradavelmente terreno.
Wandinha Addams abriu os olhos. A luz que se infiltrava por uma janela suja e rachada era cinzenta e impiedosa, desenhando longas sombras sobre o ambiente. Ela estava deitada de lado, sobre um colchão fino e gasto, coberta por um cobertor áspero que arranhava sua pele. Sua cabeça latejava com uma dor surda, um eco persistente de algo que ela não conseguia nomear.
Análise da situação. Fato número um: ela não estava em seu quarto. Estava em uma espécie de garagem ou oficina abandonada. Ferramentas velhas pendiam de um painel na parede, e a silhueta de um carro coberto por uma lona se destacava no canto. Fato número dois: ela estava nua. A constatação veio sem alarme, apenas como um dado frio e objetivo. O cobertor era a única coisa que a cobria. Fato número três: ela não estava sozinha.
Um calor corporal que não era o seu emanava de trás dela. Um braço pesado repousava sobre sua cintura, possessivo mesmo na inconsciência. A respiração da outra pessoa era um sopro quente e constante em sua nuca, fazendo os pelos finos dali se arrepiarem em protesto.
Com a precisão cirúrgica de quem desarmaria uma bomba, Wandinha moveu-se. Lentamente, ela se virou sob o cobertor, seus olhos escuros e impassíveis prontos para catalogar a identidade de seu companheiro de leito. Sua mente já formulava teorias: um sequestro mal executado, um ritual bizarro de algum culto local que ela vinha investigando, talvez até mesmo um experimento sociológico perverso de seus pais.
Mas nada a preparou para o rosto que a encarava no sono.
Tyler Galpin.
O ar pareceu congelar em seus pulmões, uma reação fisiológica que ela detestava por sua ineficiência. Ali estava ele, o barista de sorriso fácil que se revelara um monstro. O Hyde. O garoto cujas mãos haviam aterrorizado Jericho e matado inocentes sob o comando de uma mestra psicopata. Seu rosto, em repouso, parecia quase inocente. As linhas de tensão que costumavam marcar sua testa estavam suavizadas, os cílios escuros projetando sombras sobre as maçãs do rosto. Uma pequena cicatriz perto da sobrancelha, que ela nunca notara antes, era um detalhe perturbadoramente humano.
O braço dele ainda a segurava. Sua pele nua contra a dele. A intimidade da situação era tão grotesca, tão fundamentalmente errada, que por um instante a mente analítica de Wandinha vacilou. Repulsa e uma fúria gélida começaram a borbulhar em seu estômago. Isso tinha que ser um truque. Mais uma de suas manipulações.
Com um movimento rápido e brutal, ela agarrou o pulso dele e o torceu.
Tyler acordou com um grunhido de dor, seus olhos se abrindo em pânico e confusão.
— Ai! O que... — Sua voz era um murmúrio rouco. Ele piscou, tentando focar, e então a viu. — Wandinha?
O choque em seu rosto era genuíno. Ele se afastou abruptamente, o que o fez cair do colchão estreito com um baque surdo no chão de cimento. O cobertor foi puxado com ele, expondo Wandinha ao ar frio da garagem por um segundo antes que ela o puxasse de volta para se cobrir, o rosto uma máscara impenetrável.
Tyler, agora sentado no chão, olhou para si mesmo, para a nudez completa, e depois para ela, enrolada no cobertor. O pânico em seus olhos se transformou em puro horror.
— O que... o que aconteceu? Onde... — Ele olhou ao redor, reconhecendo o próprio refúgio improvisado. — O que você está fazendo aqui? O que nós estamos fazendo aqui?
A voz de Wandinha era um silvo baixo, cortante como obsidiana.
— Essa é a pergunta que eu pretendo que você responda, Galpin. Antes que eu decida usar suas ferramentas para extrair a informação de maneiras mais criativas.
Ele se levantou de um salto, o constrangimento da nudez momentaneamente esquecido em face da ameaça velada. Ele se apressou em pegar um par de calças jeans jogadas sobre uma cadeira de metal.
— Eu não sei! — ele retrucou, a voz embargada enquanto vestia a calça apressadamente. — Eu juro, Wandinha, eu não me lembro de nada. A última coisa que eu lembro... eu estava no bar.
Wandinha estreitou os olhos. O bar. Fragmentos começaram a emergir da névoa em sua mente. Ela estava em Jericho seguindo uma pista sobre um suposto grupo que se reunia para "comungar com os espíritos esquecidos". Uma pista que, em retrospecto, parecia absurdamente teatral. Ela entrara em um bar de beira de estrada chamado "O Corvo Sedento", um lugar fétido com cheiro de cerveja barata e desespero. Ela se sentara em um canto escuro, pedindo um café preto, observando.
— Eu também estava lá. — sua voz era um murmúrio. Ela procurou por suas roupas, encontrando-as em uma pilha desordenada perto do colchão. Seu vestido preto, suas meias, suas botas. Tudo ali. Com uma eficiência desprovida de pudor, ela se vestiu sob o cobertor, emergindo totalmente paramentada, como uma valquíria se preparando para a batalha.
Tyler já estava vestido, passando as mãos pelo cabelo em um gesto de pura agonia.
— Eu vi você entrar. — disse ele, a voz baixa. — Eu... eu não ia falar com você. Achei melhor não. Mas você parecia... estranha.
— Defina "estranha". — ela ordenou, cruzando os braços.
— Você estava meio... fora de sintonia. Cambaleando um pouco quando se sentou. Eu achei que você estivesse bêbada, o que não fazia sentido. Você pediu um café. Eu lembro do barman te entregando. Depois disso... é tudo um borrão. Um borrão e uma dor de cabeça infernal.
A mente de Wandinha trabalhava furiosamente, conectando os pontos. A bebida. Alguém havia colocado algo em sua bebida. E, a julgar pelo estado de Tyler, na dele também. A ironia era tão amarga que quase a fez sorrir. Ela, sempre tão vigilante, tão desconfiada, drogada em um bar de quinta categoria.
— Alguém nos drogou. — ela concluiu, a afirmação pairando no ar frio como uma sentença.
Tyler a encarou, o alívio por ela não estar acusando-o diretamente misturado com o pavor da implicação.
— Drogados? Por quê? Quem faria isso?
— Talvez o alvo fosse eu. — ponderou Wandinha, seus olhos percorrendo a garagem, catalogando cada detalhe. — E você foi apenas um dano colateral. Ou talvez o alvo fosse você. Um monstro fugitivo é um alvo tentador. Ou, a possibilidade mais perturbadora... o alvo éramos nós dois. Juntos.
A ideia era tão repulsiva que Tyler recuou um passo.
— Ninguém sabe que eu estou aqui. Eu tenho me mantido escondido desde... desde que me soltaram. — sua voz falhou na última parte. Ele não conseguia encontrar os olhos dela. A culpa era um manto pesado que ele carregava a todo momento. — Eles me liberaram para a custódia do meu pai. Terapia obrigatória. Mas... eu não conseguia ficar naquela casa. Não depois de tudo. Eu venho para cá. Ninguém sabe deste lugar. Era da minha mãe.
Wandinha não ofereceu simpatia. A menção de sua mãe, no entanto, registrou-se em sua mente. A fonte do gene do Hyde. A origem de sua maldição.
— Sua falta de discrição não é da minha conta. — ela disse, friamente. — O fato é que acordamos juntos, sem memória da noite anterior, em uma situação que sugere...
Ela parou. A palavra não queria se formar. A imagem de seu corpo entrelaçado ao dele era uma violação de cada princípio que ela defendia.
Tyler entendeu a hesitação. Seu rosto se contorceu em uma máscara de autoaversão.
— Não... Nós não podemos ter... — ele sussurrou, mais para si mesmo do que para ela. — Eu nunca... Eu não faria...
— Você faria qualquer coisa que seu mestre mandasse. — ela cuspiu a verdade, cruel e precisa.
A acusação o atingiu como um soco.
— Eu não sou mais ele! — Tyler gritou, a voz quebrando. — Ela se foi! Laurel está morta! Você não entende? Eu estou livre, mas eu não consigo... não consigo me livrar dele. Do que ele fez. Do que eu fiz. — Ele apontou para a própria cabeça. — Está tudo aqui. Todas as noites. Os gritos, o sangue... Eu acordo suando, tremendo, sem saber se sou eu ou o monstro.
Ele afundou na cadeira de metal, a cabeça entre as mãos, seu corpo tremendo com soluços reprimidos. Era uma exibição de vulnerabilidade patética e crua. A parte lógica de Wandinha a advertiu que poderia ser mais uma performance magistral, uma tentativa de ganhar sua simpatia. Mas a parte observadora, a detetive nela, notou os tremores incontroláveis em suas mãos, a genuína angústia em sua voz, o suor frio que brilhava em sua testa. Aquilo não parecia ensaiado. Aquilo parecia o som de uma alma se partindo.
Ela permaneceu em silêncio, observando-o. Compaixão era uma emoção estranha e inútil para ela, mas a cena à sua frente evocava uma curiosidade clínica. Era fascinante observar a desconstrução do predador.
— Seu arrependimento é irrelevante. — ela disse por fim, a voz neutra. — O que importa é descobrir quem orquestrou isso e por quê. Precisamos refazer nossos passos.
Foi então que ela sentiu.
Começou como um desconforto profundo, uma pontada surda no baixo-ventre. Ela a ignorou, atribuindo-a à tensão ou aos efeitos residuais da droga. Mas então a dor se intensificou, transformando-se em uma cãibra aguda e lancinante, tão forte que lhe roubou o fôlego. Um pequeno arquejo escapou de seus lábios e ela instintivamente levou uma mão ao abdômen, pressionando o local.
Tyler levantou a cabeça, o rosto manchado de lágrimas secas.
— Wandinha? Você está bem?
A dor a atravessou novamente, uma onda violenta que a fez curvar-se ligeiramente. Não era uma dor comum. Não era menstrual, não era indigestão. Era uma dor muscular interna, profunda, uma dor de esforço excessivo, de trauma físico. E sua localização era inconfundível.
Seu útero.
O sangue gelou em suas veias. A mente de Wandinha, sempre um passo à frente, conectou as peças finais do quebra-cabeça com uma clareza horrível e inegável. A nudez. A cama compartilhada. A perda de memória. E agora, a evidência física, a resposta de seu próprio corpo a um evento que sua mente havia bloqueado.
Não havia sido apenas uma noite de esquecimento.
Houve um ato carnal.
A constatação não veio com paixão ou vergonha, mas com uma violação fria e cerebral. Seu corpo, seu templo de escuridão e controle, havia sido usado sem seu consentimento consciente. E a dor era o testemunho brutal desse fato.
Ela se endireitou, o rosto mais pálido do que o normal, mas os olhos queimando com uma nova e terrível intensidade.
— Não. — ela respondeu à pergunta dele, a voz baixa e perigosamente calma. — Eu não estou bem.
Tyler se levantou, dando um passo cauteloso em sua direção.
— O que foi? O que você está sentindo?
Wandinha ergueu uma mão para detê-lo, uma barreira invisível, mas potente. Seu olhar encontrou o dele, e pela primeira vez, ele viu algo além da frieza e do desprezo. Viu a fúria de uma tempestade se formando no horizonte, escura e cheia de relâmpagos.
— Aparentemente, Galpin, — ela disse, cada palavra caindo como uma lasca de gelo, — nossa noite perdida foi mais... produtiva do que imaginávamos. Meu corpo está me fornecendo um relatório detalhado do que minha mente se recusa a lembrar.
A compreensão demorou um segundo para atingi-lo. Ele olhou para a mão dela em seu abdômen, para a palidez de seu rosto, para a fúria em seus olhos. E então ele entendeu. O horror em seu rosto foi tão absoluto que era quase uma caricatura.
— Não... — ele engasgou, recuando como se ela o tivesse queimado. — Não, não, não. Isso não pode ser. Nós... nós não...
— Os fatos são teimosos. — ela o cortou, a voz desprovida de qualquer emoção, exceto uma determinação gélida. — Fomos drogados e manipulados para... copular. A questão é: por quem? E com que propósito doentio?
Tyler parecia que ia vomitar. Ele se apoiou na parede fria da garagem, a respiração ofegante. A ideia de ter tocado nela, de ter estado com ela daquela maneira, especialmente sob a influência de uma droga, era uma nova camada de inferno sobre a qual ele não tinha controle. Era uma violação para ambos.
— Eu não queria isso, Wandinha. — ele disse, a voz um fio. — Juro pela vida do meu pai, juro por tudo que eu... eu nunca teria...
— Suas intenções são um ponto de dados secundário no momento. — ela interrompeu, já em modo de investigação. A dor física era um incômodo, mas a ofensa intelectual, a manipulação, isso era o que alimentava sua ira. — Alguém nos queria juntos. Alguém queria que isso acontecesse. Por quê? É um ritual? Uma forma de chantagem? Uma piada cósmica doentia?
Ela começou a andar pela garagem, os passos medidos e precisos, apesar da dor que ainda pulsava em seu ventre. Sua mente era um turbilhão de possibilidades, cada uma mais sombria que a anterior.
— A droga. Precisamos saber que droga foi usada. — ela murmurou para si mesma. — Poderia nos dar uma pista sobre a origem. O barman. Ele nos serviu. Ele viu alguma coisa? Ou ele estava envolvido?
Tyler a observava, a mente girando. A culpa, o medo, a confusão... mas por baixo de tudo, uma nova emoção começou a surgir. Uma centelha de propósito. Por meses, ele esteve à deriva em um mar de auto-ódio, um fantasma assombrado por seus próprios crimes. Ele queria provar que havia mudado, que era mais do que o monstro de Laurel Gates, mas não sabia como. Ele era apenas uma vítima tentando convencer a todos, e a si mesmo, de sua própria vitimização.
Agora, o destino, em sua crueldade irônica, havia lhe dado uma chance. Uma chance terrível, nascida de uma violação, mas uma chance mesmo assim. Ajudá-la. Proteger a mesma garota que ele havia aterrorizado. Encontrar a pessoa que fez isso com eles. Talvez, apenas talvez, fosse um caminho. Não para o perdão, talvez ele nunca o merecesse, mas para a expiação.
— Eu vou ajudar. — ele disse, a voz mais firme do que antes.
Wandinha parou de andar e se virou para ele, uma sobrancelha arqueada em ceticismo.
— E por que eu aceitaria a ajuda de meu algoz?
— Porque eu estava lá. — ele insistiu, dando um passo à frente. — Porque fizeram isso comigo também. E porque... porque eu conheço Jericho. Conheço as pessoas, os lugares. E porque, queira você ou não, estamos nisso juntos. — Ele fez uma pausa, engolindo em seco. — E porque eu te devo. Eu te devo mais do que eu posso pagar em uma vida inteira, Wandinha. O que fizeram com você ontem à noite... aconteceu por minha causa. De alguma forma, eu sei que aconteceu. Minha presença te colocou em perigo. De novo. Deixe-me consertar isso. Deixe-me, pelo menos, tentar consertar isso.
Seu discurso era desesperado, mas havia uma sinceridade que Wandinha não podia ignorar completamente. Sua lógica ditava que um cúmplice relutante, mas com conhecimento local, era mais útil do que nenhum cúmplice. E a expressão no rosto dele... não era a do manipulador sedutor que ela conhecera. Era a de um homem quebrado tentando juntar os próprios cacos.
— Sua dívida comigo é um abismo sem fundo, Galpin. Não se iluda pensando que um único ato pode sequer começar a preenchê-lo. — ela afirmou, sua voz não deixando espaço para esperança. — No entanto, sua utilidade como recurso local é... aceitável. Temporariamente.
Ela se aproximou dele, parando a centímetros de distância. Seus olhos escuros eram como poços, e ele sentiu como se ela pudesse ver cada segredo sujo em sua alma.
— Mas entenda isto. — ela continuou, a voz baixando para um sussurro ameaçador. — Você não é meu parceiro. Você não é meu amigo. Você é uma ferramenta. E no momento em que sua utilidade acabar, ou no momento em que eu suspeitar de qualquer traição, por menor que seja, eu vou te descartar. De forma permanente e dolorosa. Estamos entendidos?
O frio em sua voz era mais assustador do que qualquer grito. Tyler engoliu em seco, o nó em sua garganta apertado. Ele assentiu, incapaz de falar.
— Sim. — ele conseguiu dizer, a voz rouca.
— Ótimo. — Wandinha recuou, a intensidade diminuindo para uma frieza controlada. — Nosso primeiro passo é voltar ao "Corvo Sedento". Precisamos examinar a cena do crime. Você vai me levar. E pelo caminho, você vai me contar tudo. Tudo sobre o que tem feito desde que foi solto. Cada pessoa com quem falou, cada lugar que frequentou. Sua vida é agora uma prova em minha investigação. Não omita nada.
Tyler apenas assentiu novamente. Era um acordo com o diabo, ele sabia. Uma aliança forjada no inferno de uma noite esquecida. Mas era a única coisa que ele tinha.
Wandinha olhou ao redor da garagem, para o colchão desfeito no chão, um altar profanado de um ritual que eles não escolheram. A dor em seu ventre havia diminuído para uma pulsação constante, um lembrete sombrio e físico de sua vulnerabilidade. Pela primeira vez em muito tempo, ela não estava no controle. E ela odiava isso mais do que a morte.
— Vamos. — ela ordenou, virando-se e caminhando em direção à porta da garagem sem olhar para trás. — Temos um mistério para resolver. E um culpado para punir.
Tyler a observou ir, uma figura esguia e sombria contra a luz cinzenta da manhã. Ela era fúria e propósito encarnados. Ele pegou uma jaqueta velha, o cheiro de sua mãe impregnado no tecido, um fantasma de conforto e maldição.
Ao sair da garagem para o ar frio e úmido, ele viu Wandinha parada perto da estrada, imóvel como uma gárgula. Eles não eram mais apenas uma garota e um monstro, a vítima e seu predador. Eram as duas peças centrais de um quebra-cabeça doentio. Uma sinfonia de dissonância que alguém havia composto para eles.
E Wandinha Addams, ele sabia, não descansaria até encontrar o maestro e fazê-lo se arrepender amargamente de cada nota. E ele, Tyler Galpin, a seguiria nessa descida ao inferno, porque talvez, apenas talvez, fosse o único caminho para fora do seu.
