
belial!:3
Fandom: Fundamental paper education Advanced Class
Criado: 29/08/2026
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O Preço do Fogo Silenciado
O ar nos corredores da instalação abandonada era pesado, saturado com o cheiro de papel velho, mofo e algo metálico que Belial Ignis reconhecia muito bem: o aroma do medo. Para um político de sua estatura, acostumado a navegar pelas águas turvas da diplomacia e do poder, aquele ambiente era o oposto de tudo o que ele representava. Belial não estava ali para debater leis ou angariar votos. Ele estava ali como um pai.
Seus passos eram pesados, as garras de metal nas pontas de suas luvas enormes arranhando levemente o chão de concreto. O fogo em seu olho direito oscilava, uma chama pequena, mas intensa, que servia como sua bússola emocional. Ele havia recebido a informação anônima horas atrás. Benedict, seu filho, o motivo de suas noites sem sono e de sua busca incessante, estava sendo mantido naquele complexo nos arredores da Paper School.
— Eu vou te encontrar, Benedict — murmurou ele contra a gola alta que escondia sua boca, a voz saindo como um rosnado abafado.
Ao dobrar um corredor mal iluminado, Belial avistou uma porta de metal reforçada. Seus sentidos de dragão dispararam. O terceiro olho, geralmente oculto sob os chifres e a gema carmesim em sua testa, pulsou com uma luz fraca. Ele sentiu a presença de seu sangue ali dentro. Sem hesitar, ele usou sua força descomunal para arrombar a trava, as garras rasgando o metal como se fosse pergaminho.
O que ele viu partiu seu coração flamejante.
No centro da sala fria, Benedict Ignite estava preso a uma cadeira de metal aparafusada ao chão. O jovem humanoide dragão estava coberto de poeira e hematomas. Cordas grossas de cânhamo prendiam seus braços e pernas, mas o que mais chocou Belial foi a mordaça. Uma tira de pano escuro estava amarrada com força excessiva em volta da boca de Benedict, impedindo qualquer grito ou súplica.
— Mmmph! Mmm-mmmph! — Benedict começou a se debater violentamente assim que viu a silhueta imponente de seu pai. Seus olhos estavam arregalados, transbordando terror, e ele balançava a cabeça freneticamente.
Belial correu em sua direção, as asas de espinhos vermelhos em suas costas brilhando com uma intensidade perigosa.
— Benedict! Calma, eu estou aqui! — Belial ajoelhou-se à frente do filho, suas mãos enormes e blindadas tentando delicadamente encontrar o nó da corda. — Eu vou tirar você daqui agora mesmo. Ninguém mais vai tocar em você.
No entanto, a agitação de Benedict não era apenas alívio. Era um aviso.
Antes que Belial pudesse desamarrar a primeira corda, um som sibilante ecoou do teto. Uma rede feita de fios metálicos eletrificados caiu sobre o político, prendendo suas asas e seus chifres. Belial soltou um rugido de dor quando a descarga elétrica percorreu seu corpo, fazendo suas chamas oscilarem violentamente.
— Uma armadilha... — rosnou ele, tentando rasgar a rede, mas seus movimentos foram interrompidos por um impacto na nuca.
Vultos sombrios emergiram das sombras da sala. Eram figuras rápidas, especialistas em contenção. Antes que a consciência de Belial se esvaísse por completo, ele sentiu mãos ásperas forçando sua cabeça para trás. Um pano grosso e amargo foi empurrado para dentro de sua boca, e uma tira de couro foi afivelada com força atrás de sua nuca, prendendo a mordaça sobre sua gola alta.
Quando Belial finalmente recuperou a clareza, o mundo estava inclinado. Ele não estava mais de pé. Seus braços foram puxados para trás de um pilar de sustentação, presos por correntes que drenavam sua energia térmica. Suas pernas estavam atadas com a mesma corda que prendia Benedict. E, o pior de tudo, o silêncio era absoluto.
— Mmmgh... hnnn... — Belial tentou falar, mas a mordaça era eficiente. O pano pressionava sua língua e preenchia sua cavidade bucal, abafando qualquer som articulado.
À sua frente, a poucos metros, Benedict ainda estava preso. O filho olhava para o pai com uma mistura de culpa e desespero. As lágrimas escorriam pelo rosto do jovem dragão, molhando a mordaça de pano que já estava encharcada.
— Mmm-mmmph! — Benedict tentou gritar, jogando o corpo para frente e para trás. A cadeira rangia contra o chão, mas os parafusos não cediam.
Belial sentiu uma fúria cega queimar em seu peito. A gema em sua testa brilhou em um tom de vermelho sangue, e o terceiro olho se abriu completamente, observando o ambiente em busca de uma fraqueza. Ele era um político, um líder, um dragão de poder imenso, e ali estava ele, reduzido a um prisioneiro silenciado ao lado de seu filho desaparecido.
Ele começou a se debater. Os músculos de seus braços, sob a túnica cinza-escura, retesaram-se contra as correntes. O som do metal batendo contra a pedra ecoava na sala, acompanhado pelos gemidos abafados e desesperados de pai e filho.
— Hnnn-hnnn! — Belial forçou a voz, tentando passar confiança para Benedict, mas o som saiu apenas como um lamento gutural e contido.
Ele olhou nos olhos de Benedict, tentando transmitir uma mensagem silenciosa: "Não desista".
Benedict, no entanto, estava em seu limite. O sequestro prolongado e agora a visão de seu pai, a figura que ele considerava invencível, também capturado, o levaram ao pânico total. Ele começou a hiperventilar, o peito subindo e descendo rapidamente, os sons abafados tornando-se mais agudos e frenéticos.
— Mmmph! Mmmph! Mmm-mmm-mmmph! — O jovem dragão se contorcia, as cordas cortando sua pele, mas ele não parava.
Belial intensificou seus esforços. O calor começou a emanar de seu corpo, o esquema de cores vermelho e preto de sua pele parecendo brilhar sob a luz fraca. Ele precisava queimar aquelas cordas, mas as correntes em seus pulsos eram feitas de um material dissipador de calor. Cada grama de energia que ele produzia era absorvida pelo metal frio.
— Hnghh! — Belial inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos com força. A frustração era uma chama mais dolorosa do que qualquer ferimento físico.
De repente, passos ecoaram no corredor novamente. Uma figura entrou na sala, caminhando com uma calma aterrorizante. O sequestrador não usava máscara, mas seu rosto era indiferente, como se estivesse lidando com objetos, e não com seres vivos.
— É uma visão e tanto — disse o estranho, parando entre Belial e Benedict. — O grande Belial Ignis, o político que todos admiram, o homem que recusou a presidência por um sentimentalismo barato. E aqui está você. Silenciado. Exatamente como a oposição gostaria.
Belial lançou um olhar assassino ao homem. Se seus olhos pudessem incinerar, o sequestrador não seria nada além de cinzas.
— Mmmgh-nnn! — Belial rugiu através da mordaça, o som vibrando em seu peito e saindo como um trovão abafado.
O homem riu, aproximando-se de Benedict e colocando uma mão sobre a cabeça do jovem, que encolheu-se o máximo que as cordas permitiam.
— Não se preocupe, pequeno Ignite. Seu pai veio salvar você, e agora vocês podem ficar juntos... pelo tempo que lhes resta.
— Mmmph! — Benedict soltou um som de puro terror, seus olhos fixos no pai, implorando por uma intervenção que Belial, naquele momento, não podia prover.
O sequestrador virou-se para Belial, ajustando a faixa vermelha no traje do político com um toque sarcástico.
— Você passou anos procurando por ele, Belial. A ironia é que, agora que o encontrou, você não pode dizer uma única palavra de conforto a ele. E ele não pode chamar por você. É o silêncio perfeito.
O homem caminhou até a porta, apagando a luz principal da sala e deixando apenas a luminescência fraca das chamas de Belial para iluminar o local.
— Aproveitem o tempo em família — disse ele, antes de fechar a porta pesada e trancá-la por fora.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelos sons da respiração pesada e dos esforços inúteis. Belial não parou de lutar. Ele ignorou a dor do metal em seus pulsos e focou toda a sua vontade no terceiro olho. Se ele não pudesse usar sua força física ou seu fogo, ele usaria sua mente.
Ele olhou para Benedict. O jovem dragão tinha parado de se debater por um momento, exausto, as lágrimas ainda escorrendo por baixo da mordaça.
— Mmm-mmm — murmurou Belial, suavemente desta vez.
Ele começou a balançar o corpo em um ritmo constante, batendo as correntes contra o pilar. Clang. Clang. Clang. Era um código, um sinal de que ele ainda estava ali, de que ele não tinha desistido.
Benedict levantou a cabeça. Ele reconheceu o ritmo. Era uma antiga canção de ninar que Belial costumava cantar antes de Benedict desaparecer, uma melodia que falava sobre a força das chamas eternas.
Inspirado pelo pai, Benedict voltou a lutar. Ele não se debatia mais de forma aleatória; ele começou a usar o peso de seu corpo para tentar inclinar a cadeira, esperando que o atrito pudesse afrouxar os parafusos ou romper as cordas.
Os dois continuaram naquela dança desesperada de sons abafados e movimentos restritos. O tempo parecia não passar na escuridão daquela sala. Belial sentia o suor escorrer por seu rosto, por baixo dos chifres, e o pano da mordaça tornava-se cada vez mais desconfortável, mas ele não parava.
— Hnnnn-gh! — Com um esforço supremo, Belial sentiu um dos elos da corrente ceder minimamente.
A chama em seu olho direito brilhou com uma intensidade renovada. Ele não era apenas um político. Ele era um dragão. E dragões não eram feitos para serem enjaulados ou silenciados.
Ele olhou para Benedict e, através da mordaça, esboçou o que seria um sorriso de determinação. Eles sairiam dali. O fogo de Belial Ignis ainda não tinha se apagado, e ele reduziria aquele lugar a cinzas antes de permitir que seu filho sofresse mais um segundo de silêncio forçado.
O som das correntes batendo contra o pilar tornou-se mais alto, um hino de resistência em meio ao desespero abafado. A busca por Benedict Ignite tinha chegado a um ponto crítico, e Belial estava pronto para queimar o mundo, se necessário, para garantir que as próximas palavras de seu filho fossem ouvidas em liberdade.
