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Amor

Fandom: Mundo real

Criado: 29/08/2026

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Sob o Véu da Jaqueta de Couro

O ar dentro do Cassino Golden Lotus era denso, saturado por uma mistura enjoativa de perfumes caros, fumaça de charuto e o cheiro metálico de desespero disfarçado de luxo. Kuro Hatake caminhava pelo salão principal com a confiança de quem pertencia àquele submundo, embora cada fibra de seu corpo estivesse em alerta máximo. Seus cabelos brancos, curtos e repicados, brilhavam sob as luzes de neon, e o sorriso de canto que ele exibia para os seguranças era sua melhor arma de infiltração.

Com 1,80m de altura e um físico que não passava despercebido nem sob a camisa social levemente aberta, Kuro fazia o tipo "bon vivant" perfeito. Mas seus olhos castanhos escuros, rápidos e analíticos, registravam cada câmera, cada saída de emergência e, principalmente, cada rosto.

Ele estava ali há duas semanas. Duas semanas ouvindo risadas forçadas e observando a podridão que se escondia atrás das cortinas de veludo vermelho. A agência tinha certeza: o Golden Lotus não era apenas um cassino de alta classe; era o centro de uma rede de tráfico humano.

— O quarto 402 já está preparado, senhor Hatake — disse o gerente, um homem de olhos frios e sorriso oleoso, entregando-lhe um cartão magnético. — A pequena Tatsuyo está esperando. Espero que ela seja do seu agrado... embora ela ainda precise aprender a ser um pouco mais "receptiva".

Kuro sentiu um nó de raiva apertar sua garganta, mas manteve a expressão relaxada.

— Gosto das difíceis — mentiu Kuro, piscando para o homem. — Dá mais sabor à vitória.

Ele se virou e caminhou em direção ao corredor dos quartos, sentindo o peso da responsabilidade em seus ombros. Ele vinha observando Tatsuyo Nakamura desde o primeiro dia. Enquanto as outras garotas circulavam entre os clientes, rindo alto e buscando atenção, Tatsuyo era como um fantasma. A pele parda denunciando sua ascendência japonesa, os longos cabelos pretos ondulados caindo como um manto de proteção sobre as costas, e aqueles olhos pretos... olhos que gritavam por socorro, mesmo quando ela permanecia em silêncio absoluto.

Kuro a vira tremer toda vez que um homem se aproximava. Vira o terror puro em seu rosto quando era levada para os andares superiores. Ele a escolhera não por desejo, mas por necessidade. Ela era o elo mais fraco daquela corrente de horrores, a vítima que ainda não tinha sido completamente quebrada pelo sistema. E ele precisava dela para derrubar aquele lugar.

Ao chegar à porta do 402, ele respirou fundo, passou o cartão e entrou.

O quarto era opulento, com uma cama de casal enorme coberta por lençóis de seda. Mas a visão que o recebeu partiu o coração treinado do agente. Tatsuyo estava sentada na beirada da cama. Ela vestia uma lingerie preta mínima, rendada e provocante, que deixava quase todo o seu corpo exposto. Quando o clique da porta ecoou no silêncio, ela se contraiu violentamente, os ombros subindo até as orelhas em um reflexo de pavor.

Ela não olhou para ele. Manteve a cabeça baixa, os cabelos pretos escondendo o rosto, enquanto tentava desesperadamente cobrir os seios e as coxas com os braços e as mãos pequenas. Ela tremia de forma visível, um tremor fino que vinha do fundo da alma.

Kuro fechou a porta atrás de si e trancou-a. Ele não se aproximou da cama imediatamente. Ficou ali parado, deixando que ela se acostumasse com sua presença no ambiente.

— Não precisa ter medo — disse ele, a voz baixinha, perdendo todo o tom sarcástico que usava lá fora.

Tatsuyo não respondeu. Ela apenas se encolheu mais, parecendo querer desaparecer dentro de si mesma.

Kuro deu alguns passos lentos e, em vez de subir na cama ou forçar qualquer contato, ele se ajoelhou no chão de carpete, bem na frente dela, mantendo uma distância respeitosa. Ele queria estar abaixo do nível dos olhos dela, para não parecer uma ameaça.

— Tatsuyo, olhe para mim — pediu ele suavemente.

Lentamente, ela levantou o rosto. Os olhos pretos estavam marejados, e a respiração era curta e errática.

— Por favor... — a voz dela era apenas um sussurro quebrado. — Por favor, seja rápido.

Kuro sentiu uma pontada de fúria contra os homens que a colocaram naquela situação, mas manteve o rosto calmo.

— Eu não vou encostar em você, Tatsuyo. Eu não vim aqui para isso.

Ela franziu a testa, a confusão nublando o medo por um breve segundo.

— O quê? O dono disse... você pagou...

— Eu paguei pelo seu tempo, não pelo seu corpo — explicou Kuro, mantendo as mãos visíveis sobre os joelhos. — Meu nome é Kuro Hatake. Eu não sou quem eles pensam que eu sou.

Tatsuyo o encarou, desconfiada. Seus olhos percorreram o rosto dele, o tanquinho definido que transparecia sob a camisa fina, a postura de predador que ele tentava suavizar.

— Você é um deles — afirmou ela, a voz tremendo. — Você vem aqui toda noite. Eu vi você rindo com eles.

— Faz parte do meu trabalho — ele disse, aproximando-se apenas alguns centímetros, ainda de joelhos. — Eu sou um agente infiltrado de uma força-tarefa federal. Estamos investigando este lugar há meses. Tráfico humano, lavagem de dinheiro... nós sabemos o que acontece aqui, Tatsuyo.

Ela soltou uma risada nervosa, quase histérica.

— Um policial? Aqui? Você está mentindo. Eles matam policiais. Eles... eles vão matar você se ouvirem isso.

— Eles não vão ouvir. — Kuro apontou discretamente para um pequeno dispositivo que ele havia colocado na mesa de cabeceira ao entrar, um bloqueador de sinal e áudio portátil. — Eu sei que é difícil acreditar. Mas eu escolhi você porque eu vi o que estão fazendo com você. Eu vi como você se assusta. Eu não podia deixar que outro homem entrasse por essa porta hoje.

Tatsuyo continuava a tremer. O frio do ar-condicionado e o terror da situação a faziam bater os dentes. Ela ainda tentava se cobrir, sentindo-se vulnerável e humilhada naquela roupa mínima.

Kuro percebeu o desconforto dela. Sem fazer movimentos bruscos, ele levou a mão ao zíper de sua própria jaqueta de couro preta, que ele usava por cima da camisa social desabotoada. Ele a despiu e a estendeu para ela.

— Tome. Vista isso.

Ela hesitou, olhando para a jaqueta como se fosse uma armadilha.

— Pegue, Tatsuyo. Você está com frio e eu não suporto ver você assim.

Com as mãos trêmulas, ela pegou a peça de roupa. A jaqueta era pesada, quente e cheirava a algo limpo, como sândalo e chuva, um contraste gritante com o cheiro de luxúria barata do cassino. Ela vestiu a jaqueta, que ficou enorme em seu corpo pequeno de 1,63m. Kuro a ajudou a fechar o zíper até o queixo, cobrindo cada centímetro da lingerie humilhante.

Tatsuyo pareceu relaxar um pouco, os ombros baixando minimamente enquanto se afundava no couro quente.

— Por que eu deveria acreditar em você? — perguntou ela, a voz um pouco mais firme, embora ainda carregada de suspeita.

Kuro suspirou e tirou um pequeno distintivo oculto de um compartimento secreto em seu cinto, junto com uma foto plastificada de sua identificação real.

— Este sou eu. Kuro Hatake, Agente Especial. — Ele mostrou os documentos a ela. — Eu sei que você foi trazida para cá há três meses. Sei que eles retiveram seus documentos e disseram que sua família estaria em perigo se você fugisse.

Tatsuyo arregalou os olhos.

— Como você sabe da minha família?

— Porque nós estamos rastreando as comunicações do dono — respondeu ele seriamente. — Tatsuyo, eu estou aqui para tirar você desse lugar. Não só você, mas todas as outras. Mas eu preciso de provas sólidas. Preciso saber onde eles guardam os registros reais, os nomes dos compradores e onde ficam os outros cativeiros.

Ela desviou o olhar, as lágrimas voltando a cair.

— Eu não posso. Eles vão me matar. Eles têm câmeras em todos os lugares, eles sabem de tudo.

— Eles não sabem de nada agora — assegurou Kuro, estendendo a mão, mas parando antes de tocá-la, esperando por sua permissão. — Eu prometo, pela minha vida, que nada vai acontecer com você. Você está protegida agora. Eu só preciso que você confie em mim.

Tatsuyo olhou para a jaqueta de Kuro, sentindo o calor dele ainda impregnado no tecido. Ela olhou para o homem ajoelhado à sua frente, um homem que poderia ter feito qualquer coisa com ela, mas que escolheu se humilhar no chão para que ela se sentisse segura.

— Você realmente vai me tirar daqui? — perguntou ela, a voz carregada de uma esperança dolorosa. — Para longe desse lugar? Para longe dele?

— Eu vou tirar você daqui hoje, se for preciso — afirmou Kuro com determinação. — Mas se você puder me ajudar a conseguir o que preciso, garantiremos que eles nunca mais toquem em nenhuma outra garota.

Tatsuyo respirou fundo, o peito subindo e descendo sob a jaqueta de couro. O silêncio no quarto era absoluto, quebrado apenas pelo som distante da música do cassino que vazava pelas paredes.

— Eles... eles têm um cofre — sussurrou ela, inclinando-se para frente. — No escritório do andar de cima. Mas não é um cofre comum.

Kuro sentiu a adrenalina percorrer suas veias. Ele estava perto.

— Me conte tudo, Tatsuyo — incentivou ele, oferecendo um sorriso encorajador, o primeiro sorriso verdadeiro que ela via em seu rosto. — Não tenha pressa. Temos a noite toda reservados para nós, e ninguém vai nos interromper.

Tatsuyo olhou para a porta trancada e depois de volta para Kuro. Pela primeira vez em meses, a sombra do medo em seus olhos pretos começou a dar lugar a uma faísca de coragem.

— Tudo começou quando eles me prometeram um emprego em um restaurante... — começou ela, a voz ainda baixa, mas começando a desenrolar o fio da história que Kuro tanto precisava ouvir.

Kuro permaneceu ali, ajoelhado aos pés dela, ouvindo cada palavra com a atenção de quem guardava um tesouro. Ele sabia que o caminho para a liberdade seria perigoso, mas olhando para Tatsuyo agora, envolta em sua jaqueta e finalmente começando a falar, ele sabia que não sairia daquele cassino sem ela. Nem que tivesse que queimar o Golden Lotus inteiro até o chão.

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