
Swat
Fandom: Swat
Criado: 29/08/2026
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O Peso do Silêncio e do Aço
O sol mal havia começado a despontar no horizonte de Los Angeles quando o despertador tocou. Kuro Hatake esticou o braço musculoso, os músculos do tríceps saltando sob a pele clara, e desligou o ruído irritante antes que ele pudesse despertar completamente a mulher ao seu lado. Ele se virou de lado, apoiando o peso do corpo no cotovelo, e ficou observando Tatsuyo Nakamura por alguns instantes.
Mesmo dormindo, ela parecia alerta, uma característica de quem vivia sob a adrenalina da SWAT. Seus cabelos pretos, uma mistura de fios lisos e ondas suaves, estavam espalhados pelo travesseiro, contrastando com sua pele parda. Kuro sorriu, sentindo aquele calor familiar no peito. Ele tinha 23 anos, o corpo esculpido por anos de treino pesado e uma disposição que geralmente envolvia piadas de duplo sentido e um apetite insaciável por ela, mas naquele momento, ele só sentia uma proteção avassaladora.
Ele deslizou a mão por baixo do lençol, tocando levemente o ventre ainda plano de Tatsuyo. Três meses. Três semanas desde que o teste de farmácia e o exame de sangue confirmaram o que mudaria a vida deles para sempre.
— Se você continuar me encarando assim, vamos nos atrasar — sussurrou Tatsuyo, sem abrir os olhos, mas com um leve sorriso nos lábios.
— Eu não consigo evitar — Kuro respondeu, a voz rouca de sono. Ele se aproximou, depositando um beijo no ombro dela. — Você está radiante hoje. Deve ser a carga extra de hormônios... ou talvez seja só o fato de que eu sou um noivo maravilhoso.
Tatsuyo abriu os olhos pretos e profundos, encarando o rosto de traços marcantes e os cabelos brancos repicados de Kuro.
— Você é um convencido, Hatake. E um tarado — ela riu baixo, empurrando-o levemente. — Agora levanta. Temos que chegar ao QG em tempos separados, lembra?
O clima descontraído deu lugar a uma tensão sutil. Eles viviam sob o fio da navalha. O regulamento da SWAT era claro: relacionamentos entre membros da mesma equipe eram proibidos. Se Hicks ou a Comandante Cortez descobrissem que eles não apenas namoravam, mas eram noivos e moravam juntos, as consequências seriam severas. E agora, com um bebê a caminho, o segredo pesava como chumbo.
— Tatsu... — Kuro ficou sério, sentando-se na beira da cama. — Sobre hoje. O treino de campo com o Hondo vai ser pesado. Tem certeza que não quer pedir dispensa? Inventar uma gripe?
— Kuro, já conversamos sobre isso — ela disse, levantando-se e prendendo o cabelo num coque firme. — O uniforme da SWAT é grosso, ninguém vai notar nada por enquanto. Eu sou uma das melhores atiradoras da equipe 20-David. Se eu começar a faltar sem motivo, o Hondo vai ser o primeiro a perceber que algo está errado. Ele tem olhos de águia.
— Eu sei, mas... — Kuro se levantou, sua altura de 1,80 m dominando o espaço, o tanquinho definido brilhando sob a luz matinal. — Eu fico louco de preocupação. Cada vez que entramos em uma casa, cada vez que ouvimos "fogo livre", eu só consigo pensar em você. E nele. Ou nela.
Tatsuyo caminhou até ele, colocando as mãos pequenas no peito largo do noivo.
— Eu estou bem. Nós estamos bem. Só precisamos de mais um tempo para decidir como contar isso sem sermos expulsos da unidade.
No Quartel General da SWAT, o clima estava agitado. O vestiário masculino fervilhava com a conversa de Street, Tan e Luca. Kuro entrou, já exibindo seu sorriso sarcástico habitual para disfarçar a preocupação que o roía por dentro.
— E aí, Hatake! — Street exclamou, fechando seu armário. — Chegou cedo hoje. Algum milagre aconteceu ou a vizinha nova finalmente te deu um fora e você não teve por quem esperar?
— Muito engraçado, Street — Kuro respondeu, tirando a camisa e exibindo a musculatura que sempre arrancava comentários. — A verdade é que eu tenho energia de sobra. Diferente de você, que parece que foi atropelado por um tanque.
— O Hatake está mais estranho que o normal — comentou Tan, observando o amigo. — Ele está com aquele olhar de quem está escondendo o ouro. Ou de quem aprontou muito na noite passada.
Kuro deu uma piscadela, voltando ao seu personagem de "engraçadinho".
— Um mágico nunca revela seus segredos, Tan. Mas digamos que a noite foi... produtiva.
Enquanto isso, no vestiário feminino, o clima era mais silencioso. Tatsuyo terminava de ajustar o coldre quando Chris Alonso entrou. Chris era perspicaz, e a amizade entre as duas era estreita, o que tornava tudo mais difícil.
— Tatsu? — Chris chamou, franzindo a testa. — Você está bem? Está pálida.
— Só não dormi muito bem, Chris. Café demais e sono de menos — mentiu Tatsuyo, forçando um sorriso enquanto fechava o zíper do uniforme tático.
— Sei... — Chris não pareceu convencida. — Você tem andado muito quieta. E notei que está evitando os treinos de luta corpo a corpo com o Deacon.
— É só uma lesão leve no ombro, nada demais — Tatsuyo respondeu rapidamente, saindo do vestiário antes que Chris pudesse fazer mais perguntas.
Ela caminhou até seu armário no corredor principal e, certificando-se de que ninguém olhava, abriu a porta metálica. Escondido atrás de uma pilha de manuais táticos, estava um envelope pardo com os resultados dos últimos exames e a primeira ultrassonografia. Ela tocou o papel por um segundo, buscando forças, antes de fechar a porta.
O que ela não percebeu foi que, do fim do corredor, Hondo observava a interação. O líder da equipe não disse nada, mas cruzou os braços, os olhos cerrados em sinal de dúvida.
O treinamento da manhã foi intenso. Hondo havia preparado uma simulação de resgate de reféns em ambiente confinado. O calor dentro do traje tático era sufocante, e Tatsuyo sentiu a primeira onda de náusea forte desde que chegara ao QG.
— Equipe, avançar! — a voz de Hondo ecoou pelo rádio.
Kuro estava logo atrás de Tatsuyo. Ele percebeu quando ela hesitou por uma fração de segundo antes de entrar em uma sala. Ele se aproximou mais do que o protocolo exigia, quase colado às costas dela.
— Ei — ele sussurrou pelo canal privado do rádio, que eles haviam configurado ilegalmente semanas atrás. — Você está bem?
— Estou. Foca na missão, Kuro — ela rebateu, embora sua respiração estivesse pesada.
Eles limparam a sala com a precisão habitual. Street e Tan cuidavam dos flancos, enquanto Deacon e Luca davam cobertura externa. No entanto, ao final do exercício, quando todos se reuniram para o balanço, a tensão era palpável.
— Hatake — Hondo chamou, a voz grave e autoritária. — Por que você quebrou a formação de cobertura para ficar colado na Nakamura? Você quase atropelou a retaguarda dela.
Kuro limpou o suor da testa, tentando manter a calma.
— Só achei que ela estava com um ponto cego à esquerda, Hondo. Estava cobrindo o ângulo.
— A Nakamura não deixa pontos cegos, Kuro — Hondo deu um passo à frente, encarando o jovem oficial. — E você, Nakamura, parece que está operando a 80% da sua capacidade hoje. O que está acontecendo com vocês dois?
— Nada, senhor — Tatsuyo respondeu prontamente, mas sua voz falhou levemente.
— Nada? — Deacon interveio, cruzando os braços. — Vocês dois estão agindo como se estivessem ligados por um elástico. Onde um vai, o outro vai atrás. E Hatake, você está olhando para ela a cada cinco segundos como se ela fosse quebrar.
— Talvez ele esteja apenas admirando minha técnica superior, Deacon — Tatsuyo tentou brincar, mas ninguém riu.
— Chega — Hondo disse, com um tom que encerrava o assunto, mas seus olhos diziam que a conversa não havia terminado. — Vão para o banho. Temos patrulha em uma hora.
Mais tarde, no refeitório, o grupo estava reunido em uma mesa redonda. Kuro estava sentado ao lado de Luca, devorando um sanduíche enorme, enquanto Tatsuyo tentava comer uma salada, lutando contra o cheiro de fritura que vinha da cozinha e a deixava enjoada.
— Então, Hatake — Luca começou, cutucando o braço musculoso de Kuro. — Quando é que você vai admitir que está apaixonado?
Kuro quase engasgou com o pão.
— Do que você está falando, Luca? Eu amo a todos vocês. Sou um homem de muito amor para dar.
— Não venha com essa — Street riu. — Vimos você hoje. Você está protetor demais. E a Tatsu está estranha. Se eu não soubesse que é proibido, diria que vocês estão escondendo algo grande.
Tatsuyo sentiu um frio na espinha. Ela olhou para Kuro, e por um segundo, a comunicação silenciosa entre eles foi óbvia demais.
— Vocês estão imaginando coisas — disse ela, levantando-se abruptamente. — Eu vou verificar meu equipamento. Com licença.
Kuro observou-a sair, a preocupação estampada em seu rosto, esquecendo-se completamente de manter a fachada de "engraçadinho".
— Ela está bem, Kuro? — perguntou Chris, em voz baixa, apenas para ele ouvir.
Kuro olhou para Chris e viu que não havia malícia nos olhos dela, apenas preocupação genuína. Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo branco curto.
— Ela está... passando por um momento difícil. Só isso.
— Se precisar de ajuda, sabe que pode contar conosco — Chris disse, embora seu olhar indicasse que ela suspeitava de algo muito mais profundo do que uma simples fase difícil.
No final do turno, o QG estava mais calmo. Kuro caminhou até o armário de Tatsuyo. Ele sabia que ela já tinha saído para o estacionamento para manter a discrição, mas ela havia esquecido o celular sobre o banco.
Ao abrir o armário dela para guardar o aparelho, ele viu o envelope pardo que ela tanto escondia. Ele hesitou. Sabia o que era, mas a necessidade de ver, de sentir que era real, foi maior. Ele puxou a imagem da ultrassonografia. Era apenas um pequeno ponto, uma mancha cinzenta e branca, mas era o filho deles.
— O que é isso, Hatake?
A voz de Hondo soou como um trovão no silêncio do corredor.
Kuro gelou. Ele fechou o armário rapidamente, mas não foi rápido o suficiente. Hondo estava parado ali, com a expressão de quem acabara de montar um quebra-cabeça complexo.
— Hondo... eu... — Kuro começou, mas as palavras sumiram.
— Minha sala. Agora. E chame a Nakamura. Ela ainda está no estacionamento, eu vi o carro dela.
Dez minutos depois, o clima dentro da sala de Hondo era de funeral. Tatsuyo estava sentada ao lado de Kuro, suas mãos entrelaçadas sob a mesa, escondidas da vista do líder. Hondo estava atrás de sua mesa, o envelope pardo que ele confiscara de Kuro repousando sobre o tampo de madeira.
— Eu não sou idiota — Hondo começou, a voz baixa e controlada. — Eu vi os olhares. Vi a proteção excessiva. Vi a mudança de comportamento. Mas isso... — ele apontou para o envelope — ...isso muda tudo.
— Hondo, a culpa é minha — Kuro disparou, a voz firme. — Eu a convenci a manter em segredo. Eu não queria que ela perdesse o emprego que ama.
— Não coloque isso só nas costas dele — Tatsuyo interrompeu, olhando Hondo nos olhos. — Nós somos noivos. Moramos juntos há seis meses. E eu descobri a gravidez há três semanas. Eu não contei porque não queria ser afastada do campo. Eu ainda posso lutar.
Hondo suspirou, recostando-se na cadeira.
— Vocês sabem as regras. Relacionamentos na equipe comprometem o julgamento. E uma gravidez em campo? Isso é um risco de segurança não só para você, Tatsuyo, mas para toda a equipe. Se o Kuro se distrair para te proteger e um atirador aproveitar a brecha, alguém morre.
— Eu sei — Kuro baixou a cabeça. — Mas eu a amo. E eu amo esse bebê.
Hondo olhou para os dois. Ele via a força do vínculo entre eles, algo que ia muito além de um simples flerte de escritório. Era uma família se formando sob o teto da SWAT.
— Eu não vou reportar isso à Cortez ou ao Hicks... ainda — disse Hondo, fazendo o coração de ambos saltar. — Mas, Nakamura, você está fora das operações de campo a partir de amanhã. Vou te alocar na análise tática e inteligência. E Hatake, se eu vir você vacilar um segundo que seja por causa de assuntos pessoais, você está fora da 20-David.
— Obrigado, Hondo — Tatsuyo disse, as lágrimas finalmente ameaçando cair.
— Não me agradeçam ainda. Vamos ter que inventar uma história muito boa para o resto da equipe e para o comando sobre o porquê da sua transferência súbita, Tatsuyo. E quanto ao noivado... mantenham isso trancado a sete chaves.
Eles saíram da sala de Hondo em silêncio. Quando chegaram ao estacionamento, a noite já havia caído sobre Los Angeles. Kuro puxou Tatsuyo para um abraço apertado, escondidos entre as viaturas.
— Nós vamos conseguir, não vamos? — ela perguntou, escondendo o rosto no peito dele.
Kuro beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro familiar de seu shampoo.
— Sim, nós vamos. Eu sou o Kuro Hatake, lembra? Eu sempre tenho um plano. E agora, eu tenho o motivo mais forte do mundo para garantir que tudo dê certo.
Ele se afastou um pouco, um sorriso malicioso voltando ao seu rosto.
— Mas agora que o Hondo já sabe... você acha que podemos comemorar em casa? Eu andei lendo que grávidas têm desejos... e eu estou com um desejo enorme de te mostrar o quanto eu te amo.
Tatsuyo riu, batendo levemente no braço dele.
— Você não tem jeito, Kuro.
— Nenhum — ele concordou, piscando para ela antes de abrirem as portas de seus carros separados, prontos para enfrentar mais um dia de segredos, mas agora, com um pouco menos de peso sobre os ombros.
