
Quem é esse garoto?!
Fandom: the beginning after the end
Criado: 29/08/2026
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Sombras do Passado e Promessas de Sangue
O acampamento nas Clareiras Bestiais estava mergulhado em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo estalar da lenha na fogueira central. Tessia Eralith, a princesa dos elfos e líder daquela unidade, revisava os mapas táticos com uma expressão severa que não condizia com sua idade. Ao seu redor, seus companheiros de equipe — Darvus, Caria e Stannard — observavam-na com uma mistura de respeito e curiosidade.
Desde que haviam formado aquele grupo, Tessia sempre fora um enigma. Ela era uma líder excepcional, mas havia momentos em que seus olhos verdes se perdiam no horizonte, carregados de uma saudade que nenhum deles conseguia decifrar.
— Eu estou dizendo, Caria, ela está em outro planeta hoje — sussurrou Darvus, girando uma de suas machadinhas com destreza. — E tudo começou depois daquela carta que chegou ontem.
Caria, ajustando suas manoplas de combate, lançou um olhar de advertência ao guerreiro.
— Deixe-a em paz, Darvus. Ser uma princesa e líder em tempos de guerra não é fácil. Além disso, ela tem responsabilidades que nós nem imaginamos.
— Não é só política — interveio Stannard, sem tirar os olhos de um pequeno artefato mágico que estava calibrando. — O avô dela, o Comandante Virion, mencionou um nome outro dia. "Aquele pirralho atrevido", ele disse, rindo de um jeito que eu nunca vi o velho rir. Ele parecia quase... orgulhoso. Como se falasse de um neto.
Darvus bufou, cruzando os braços sobre o peito largo.
— Um neto? O Comandante só tem a Tessia. A menos que haja algum prodígio escondido por aí que nunca ouvimos falar. Mas eu duvido. Se esse sujeito existisse, ele estaria aqui na linha de frente, não se escondendo nas sombras.
Antes que Caria pudesse retrucar, o som de passos rápidos e grama sendo esmagada chamou a atenção do grupo. Uma figura pequena, mas ágil, surgiu entre as árvores, correndo em direção ao círculo da fogueira com uma energia contagiante.
— Tess! Tess! — gritou a voz feminina e jovem.
Tessia levantou a cabeça instantaneamente, e um sorriso radiante, o primeiro em semanas, iluminou seu rosto.
— Ellie? O que você está fazendo aqui? É perigoso sair do perímetro!
Eleanor Leywin, a irmã mais nova de Arthur, parou ofegante na frente de Tessia, segurando seu arco com uma mão e apoiando a outra no joelho para recuperar o fôlego. Seus olhos brilhavam de excitação.
— Eu não aguentei esperar! — exclamou a garota, ignorando os olhares confusos de Darvus e dos outros. — Recebemos uma mensagem através do vínculo de Sylvie. Ele está voltando, Tess! Meu irmão está voltando em breve!
O mundo pareceu parar para Tessia. A postura rígida da comandante desmoronou, dando lugar a uma vulnerabilidade que sua equipe nunca tinha visto.
— Ele... ele está mesmo voltando? — a voz de Tessia falhou levemente. — Arthur está voltando?
— Sim! E a mamãe já está preparando tudo em Dicathen. Ela disse que ele parece diferente, mais forte, mas que ainda é o mesmo Art de sempre.
Darvus pigarreou alto, interrompendo o momento.
— Com licença, "Art"? Quem exatamente é esse Arthur que faz a nossa líder parecer que acabou de ganhar a guerra sozinha?
Ellie virou-se para a equipe, notando-os apenas agora. Ela sorriu de forma travessa, uma expressão que lembrava muito a de seu irmão.
— Ah, vocês devem ser a equipe da Tess. Eu sou a Ellie. E o Arthur é o meu irmão mais velho. O melhor espadachim, o melhor mago e, honestamente, a pessoa mais superprotetora e irritante do mundo.
— O irmão dela? — Stannard franziu o cenho. — Eu não sabia que você tinha um irmão, Tessia. E pelo que entendi, ele não é um elfo.
Tessia corou levemente, voltando a guardar seus mapas.
— Ele não é meu irmão, Stannard. Arthur é... um amigo de infância.
— Um amigo de infância que o Comandante Virion trata como neto? — Darvus se levantou, caminhando até elas. — E que faz você suspirar pelos cantos? Escute aqui, pequena Ellie, eu já ouvi muitas histórias de "prodígios", mas geralmente são apenas contos inflados. Se esse seu irmão é tão bom assim, por que nunca o vimos?
Ellie cruzou os braços, encarando o guerreiro muito maior que ela sem um pingo de medo.
— Você não o viu porque ele estava treinando com os Asuras. E confie em mim, se ele te ouvir falando assim da Tess, ele provavelmente vai te enterrar no chão antes que você consiga sacar essas machadinhas.
— Com os Asuras? — Caria soltou um assobio baixo. — Isso é impossível para um humano.
— Para um humano comum, talvez — disse Tessia, sua voz agora firme e carregada de uma ponta de orgulho que ela não conseguia esconder. — Mas Arthur Leywin nunca foi comum. Ele foi o primeiro Lanceiro humano, embora o título tenha sido mantido em segredo por um tempo. Ele é o motivo pelo qual ainda temos uma chance nesta guerra.
Darvus soltou uma gargalhada cética.
— Um Lanceiro? Aquele garoto da idade da Tess? Agora eu realmente quero conhecê-lo. Quero ver se ele é tudo isso ou se é apenas o coração da Tessia falando mais alto.
— Você não deveria desafiá-lo, Darvus — avisou Ellie, com um brilho de aviso nos olhos. — O Art leva muito a sério a segurança da Tess. E ele é... bem, ele é meio ciumento.
— Ciumento? — Darvus estufou o peito. — Eu sou um guerreiro de elite da casa Clarell. Eu não tenho medo de um garoto com complexo de herói.
Tessia apenas balançou a cabeça, escondendo um sorriso. Ela sabia o que aconteceria. Arthur tinha uma maneira muito específica de lidar com pessoas que subestimavam a ele ou ao vínculo que os dois compartilhavam.
— Ele chegará em dois dias — disse Ellie, voltando sua atenção para Tessia. — Ele pediu para avisar que... ele não esqueceu da promessa.
O rosto de Tessia ficou vermelho instantaneamente, e ela desviou o olhar, tentando manter a compostura diante de seus subordinados. A "promessa" de construírem um futuro juntos após a guerra era algo que ela guardava como um tesouro em seu coração, mas ouvir Ellie mencionar isso em voz alta era outra história.
— Certo, Ellie. Obrigada. Agora, volte para o acampamento principal com os guardas. Eu irei em breve.
Assim que a menina partiu, o clima no grupo mudou. O mistério em torno de Arthur Leywin havia crescido exponencialmente.
— Então — começou Stannard, limpando os óculos —, o misterioso Arthur é um Lanceiro, treinado por deuses, e o interesse romântico da nossa princesa. Por que eu sinto que nossa vida está prestes a ficar muito mais complicada?
— Complicada? — Caria sorriu. — Vai ser divertido ver o Darvus ser colocado no seu devido lugar.
— Ninguém vai me colocar em lugar nenhum! — protestou Darvus. — Eu vou desafiá-lo para um duelo assim que ele pisar aqui. Um teste de habilidade, de homem para homem.
Dois dias se passaram em uma expectativa angustiante. Tessia estava mais eficiente do que nunca, mas sua atenção estava claramente dividida. Quando o sinal de alerta soou na entrada do acampamento, não era um sinal de ataque, mas de uma chegada autorizada.
Um grupo de soldados se afastou, abrindo caminho. No centro, caminhava um jovem que parecia emanar uma aura de autoridade e poder que fazia o ar parecer pesado. Seus cabelos castanho-avermelhados balançavam levemente com o vento, e seus olhos azuis, profundos como o oceano, escaneavam o ambiente com uma frieza calculista que só relaxou quando encontraram a figura de Tessia.
Ele vestia roupas de viagem simples, mas a espada em suas costas e a maneira como ele se movia — como um predador no topo da cadeia alimentar — diziam tudo o que precisava ser dito.
— Arthur! — Tessia não conseguiu se conter. Ela correu, esquecendo a etiqueta e a posição, e se lançou nos braços dele.
O jovem a recebeu com um abraço firme, enterrando o rosto em seus cabelos por um momento antes de afastá-la o suficiente para olhar em seus olhos.
— Eu disse que voltaria, Tess — disse Arthur, sua voz era calma, mas carregava um peso de experiência que não condizia com sua aparência jovem.
— Você demorou demais, seu idiota — sussurrou ela, com lágrimas nos olhos.
Atrás deles, a equipe de Tessia observava a cena em choque. Darvus, embora impressionado pela presença do recém-chegado, não estava disposto a recuar. Ele deu um passo à frente, limpando a garganta.
— Então você é o famoso Arthur Leywin?
Arthur soltou Tessia lentamente, virando-se para o guerreiro. Seus olhos azuis tornaram-se gélidos em um instante, avaliando Darvus de cima a baixo. A pressão no ar aumentou, fazendo Stannard dar um passo atrás involuntariamente.
— E você seria...? — perguntou Arthur, o tom de voz desprovido de qualquer emoção.
— Darvus Clarell. Sou o companheiro de equipe da Tessia. E eu ouvi dizer que você é algum tipo de prodígio. Eu gostaria de ver se a sua espada é tão afiada quanto a sua reputação.
Tessia suspirou, colocando a mão na testa.
— Darvus, agora não é o momento...
— Está tudo bem, Tess — interrompeu Arthur, um sorriso frio e quase imperceptível surgindo em seus lábios. — Ele quer um duelo?
Arthur caminhou até o centro do círculo, parando a poucos metros de Darvus. Ele não desembainhou sua espada. Em vez disso, simplesmente colocou as mãos nos bolsos.
— Você pode usar suas machadinhas. Eu usarei apenas minhas mãos. Se você conseguir me tocar uma única vez, eu admitirei a derrota.
Darvus sentiu seu sangue ferver. A arrogância daquele garoto era insuportável.
— Você vai se arrepender disso, Leywin!
Com um grito, Darvus avançou. Ele era rápido, um dos melhores de sua classe, e suas machadinhas cortavam o ar com uma precisão mortal. Mas, para o horror de Caria e Stannard, Arthur não parecia estar se esforçando. Ele se movia com uma fluidez sobrenatural, desviando dos golpes por milímetros, sempre mantendo a calma absoluta.
Em um movimento rápido demais para os olhos humanos acompanharem, Arthur apareceu dentro da guarda de Darvus. Com um toque leve no peito do guerreiro, ele liberou uma pequena pulsação de mana pura que mandou Darvus cambaleando para trás até cair sentado no chão, desarmado.
O silêncio no acampamento era absoluto.
Arthur olhou para Darvus, depois para Caria e Stannard.
— Vocês cuidaram bem da Tessia enquanto eu estive fora. Agradeço por isso — disse ele, e sua aura assassina desapareceu tão rápido quanto surgiu, substituída por um tom cordial. — Mas deixem uma coisa clara: eu sou muito protetor com o que é meu. E Tessia Eralith é a pessoa mais importante da minha vida.
Ele se virou para Tessia, e a frieza desapareceu completamente de seus olhos, substituída por um calor que apenas ela conhecia.
— Vamos, Tess. Ellie está esperando, e o seu avô quer ter uma conversa longa comigo sobre "responsabilidades".
Tessia riu, pegando a mão dele. Ela olhou por cima do ombro para sua equipe, que ainda tentava processar o que tinha acabado de acontecer.
— Eu avisei que ele era ciumento — disse ela, piscando para eles.
Enquanto os dois se afastavam, caminhando de mãos dadas em direção à tenda de comando, Darvus finalmente conseguiu falar, ainda sentado no chão.
— Aquele garoto... ele não é humano.
— Não, Darvus — disse Stannard, ajustando os óculos enquanto observava Arthur e Tessia desaparecerem na distância. — Ele é um Lanceiro. E, pelo que parece, ele é o homem que vai decidir o destino deste continente.
Caria apenas sorriu, cruzando os braços.
— E ele está completamente apaixonado pela nossa princesa. Pelo menos sabemos que ela está em boas mãos.
Arthur, sentindo o olhar deles, apertou a mão de Tessia com mais força. Ele sabia que a guerra estava longe de acabar, que o sangue ainda seria derramado e que promessas eram difíceis de manter em tempos de trevas. Mas, olhando para a garota ao seu lado, ele jurou silenciosamente que, não importava o que os Asuras ou os Vritra planejassem, ele moveria céus e terras para garantir que Tessia tivesse o futuro que ele havia prometido.
— Art? — ela chamou baixinho.
— Sim?
— Não mate o Darvus. Ele é um bom companheiro de equipe.
Arthur soltou uma risada curta, a primeira risada genuína que dava em meses.
— Vou tentar, Tess. Mas se ele tentar te impressionar com aquelas machadinhas de novo, não prometo nada.
Tessia encostou a cabeça no ombro dele enquanto caminhavam. Por aquele breve momento, em meio ao caos da guerra, o mundo parecia certo novamente. Arthur Leywin estava de volta, e com ele, a esperança de que o amanhã pudesse, finalmente, chegar.
