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Fandom: Nenhum
Criado: 30/08/2026
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Entre o Ódio e a Obsessão
A chuva batia contra as janelas de vidro fumê do escritório principal de Emanuel, mas ele mal percebia o som. Seus olhos estavam fixos no celular, esperando notícias do hospital. O pai, o homem que construíra o império que Emanuel agora expandia com seus estúdios de tatuagem e investimentos, fora baleado em plena luz do dia. O diagnóstico era estável, mas a fúria que corria nas veias de Emanuel era tudo menos estável.
— Ele vai pagar, Sara. Eu sei que foi ele. Aquele maldito do Lorenzo não perderia a chance de nos atingir por trás — rosnou Emanuel, fechando o punho com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
Sara, sentada na poltrona de couro em frente à mesa dele, cruzou as pernas longas, ajustando o vestido justo que marcava a barriguinha de três meses de gestação. Ela passou a mão pelos cabelos loiros impecavelmente escovados e soltou uma risada seca, tingida de sarcasmo.
— E você vai ficar aqui parado, rosnando como um cão enjaulado? — Ela se levantou, a presença preenchendo a sala com seu perfume doce e caro. — Se você tem certeza, vá lá. Mostre a ele que os filhos de Ricardo não aceitam esse tipo de afronta. Nossa pequena Ágata não merece um avô baleado e um pai covarde.
Emanuel olhou para ela. Sara era o seu porto seguro, a mulher que não tinha medo de sua sombra e que compartilhava de sua visão pragmática e, por vezes, cruel do mundo. Ele a amava com uma intensidade possessiva.
— Vou agora mesmo.
O trajeto até a mansão dos Lorenzo foi curto, alimentado pelo ódio acumulado de gerações. As famílias eram inimigas desde antes de Emanuel nascer, uma guerra de egos e territórios que ele herdara com orgulho. Ao estacionar o carro de luxo de forma brusca em frente ao portão, ele não esperou ser anunciado. Ele conhecia os pontos cegos da segurança.
Ele invadiu a casa, a expressão gélida, a mandíbula travada.
— LORENZO! APAREÇA, SEU COVARDE! — gritou ele, a voz ecoando pelo hall de entrada decorado com obras de arte clássicas.
Passos leves foram ouvidos no topo da escada. Mas não eram os passos pesados de um homem de meia-idade.
Eduarda desceu os degraus devagar. Ela vestia um robe de seda clara sobre o que parecia ser sua roupa de ensaio de ballet — meias calças e um collét leve. O cabelo castanho escuro estava preso em um coque frouxo, e alguns fios emolduravam seu rosto pálido e delicado. Ela parecia uma miragem de suavidade em meio à tempestade de Emanuel.
— Meu pai não está — disse ela, a voz falhando levemente pela timidez. — Ele viajou com a minha mãe. Quem é você? Por que está gritando assim?
Emanuel parou. O ar pareceu faltar em seus pulmões por um segundo. Ele a conhecia de fotos antigas, mas a realidade era devastadora. Eduarda, aos 20 anos, exalava uma fragilidade que Emanuel nunca permitira entrar em sua vida. Ela era o oposto de Sara; onde Sara era fogo e impacto, Eduarda era água e silêncio.
— Não minta para mim, garota! — Emanuel avançou, diminuindo a distância entre eles em passos largos. Ele a segurou pelos ombros, a força sendo um pouco excessiva, fazendo-a soltar um gemido baixo de dor. — Onde ele está? Ele mandou atirar no meu pai!
— Do que você está falando? — Os olhos de Eduarda, grandes e expressivos, encheram-se de lágrimas instantaneamente. — Meu pai nunca faria isso... ele é um homem de paz. Por favor, você está me machucando.
— Paz? — Emanuel soltou uma risada amarga, mas não a soltou. Pelo contrário, seus dedos se cravaram na carne macia dos braços dela. Ele sentiu o calor da pele dela, o cheiro de lavanda e talco. — Ele é um assassino. E se ele não está aqui, você vai servir de aviso.
Ele a empurrou levemente contra a parede de mármore, seu corpo alto e forte cercando a figura esguia e leve da bailarina. Eduarda estava trêmula, o peito subindo e descendo com rapidez, os seios médios e macios pressionados contra o peito dele por um breve momento de desequilíbrio. Emanuel sentiu um choque elétrico percorrer sua espinha. O ódio ainda estava lá, mas algo novo, uma obsessão súbita e avassaladora, brotou em seu peito.
— É impossível... — sussurrou ela, as lágrimas escorrendo. — Ele está em uma conferência... por favor, vá embora.
Emanuel aproximou o rosto do dela, a respiração quente batendo na bochecha de Eduarda.
— Eu vou — disse ele, a voz agora baixa e perigosamente rouca. — Mas diga a ele que Emanuel está vindo. E que da próxima vez, eu não vou ser tão gentil com a filhinha dele.
Ele a soltou abruptamente e saiu da casa sem olhar para trás.
Horas depois, Emanuel estava em sua própria mansão, no quarto que dividia com Sara. Ele estava sentado na beira da cama, com a cabeça entre as mãos. O silêncio da noite era quebrado apenas pelo som de Sara retirando a maquiagem na penteadeira.
— Você está estranho desde que voltou — comentou Sara, observando-o pelo reflexo do espelho. — O Lorenzo não estava lá?
— Não. Só a filha — respondeu Emanuel, a voz carregada de uma tensão que ele não conseguia explicar.
Sara virou-se, interessada.
— A pequena bailarina? A Eduarda?
Emanuel levantou o olhar. Ele nunca mentia para Sara. A conexão deles era baseada em uma honestidade bruta, quase animalesca.
— Eu não consigo tirar o rosto dela da cabeça, Sara. Eu queria esmagá-la por causa do pai dela, mas ao mesmo tempo... eu queria protegê-la de tudo, inclusive de mim.
Sara não teve um ataque de ciúmes. Ela não era esse tipo de mulher. Ela caminhou até ele, sentando-se em seu colo, passando os braços pelo pescoço do marido.
— Você a quer — afirmou ela, não como uma pergunta, mas como um fato.
— Eu amo você, Sara. Você é a mãe da minha filha, a mulher da minha vida. Isso não mudou nada — disse ele, segurando a cintura dela com firmeza.
— Eu sei que me ama, querido. E eu amo você — Sara sorriu, um sorriso provocador e cheio de confiança. — Se essa menina, essa Eduarda, é o que você precisa para se sentir completo, para aliviar esse estresse que está te matando... por que não tê-la? Ela é apenas uma peça no tabuleiro.
Emanuel franziu a testa, surpreso.
— Você não se importa?
— Ela não é uma ameaça para mim, Emanuel. Olhe para ela e olhe para mim. Somos mundos diferentes. Se você a trouxer para o nosso mundo, eu serei a rainha e ela será... bem, ela será o nosso brinquedo delicado. Eu quero que você seja feliz. E se para ser feliz você precisa das duas, então você terá as duas.
Emanuel puxou Sara para um beijo profundo, sentindo a gratidão e a luxúria se misturarem. A racionalidade dele dizia que era loucura, mas o seu lado controlador e protetor já estava traçando planos.
Na semana seguinte, Eduarda tentava retomar sua rotina. A faculdade de História da Arte era seu refúgio, e as aulas de ballet que ministrava para crianças eram sua alegria. Mas o medo a perseguia. Aquele homem, Emanuel, tinha olhos que pareciam queimar sua alma.
Ela estava saindo do estúdio de ballet, com sua bolsa de lona no ombro e o cabelo ainda úmido de suor, quando viu um carro preto parado na calçada. A porta se abriu e Emanuel saiu.
O coração de Eduarda disparou. Ela tentou recuar, mas ele foi mais rápido.
— Calma, Eduarda. Eu não vim brigar hoje — disse ele, sua voz agora calma, mas mantendo aquela autoridade natural.
— O que você quer? Meu pai ainda não voltou — disse ela, abraçando a própria cintura, um gesto defensivo clássico de sua personalidade tímida.
— Eu não vim atrás do seu pai. Vim atrás de você.
Emanuel caminhou até ela. Ele notou como ela parecia pequena sob a luz do entardecer. Ele estendeu a mão e, para surpresa de Eduarda, tocou uma mecha de seu cabelo castanho.
— Você é muito bonita para viver no meio dessa guerra, sabia? — O tom dele era quase carinhoso, o que a assustou mais do que a violência anterior.
— Eu não faço parte da guerra de vocês — murmurou ela, desviando o olhar, as bochechas corando.
— Agora faz.
Ele se aproximou mais, invadindo o espaço pessoal dela. Eduarda sentiu a fragilidade de sua posição. Ela era apenas uma estudante, uma bailarina que buscava paz, e ele era um gigante que controlava impérios.
— Eu tenho uma proposta para você, Eduarda. Ou melhor, um convite. Minha mulher, Sara, tem uma loja de roupas de luxo. Ela está precisando de alguém com o seu olhar artístico para ajudar na curadoria da nova coleção.
Eduarda piscou, confusa.
— Por que você faria isso? Você odeia minha família.
— Eu odeio o seu pai — corrigiu ele, a mão descendo para o rosto dela, o polegar acariciando o lábio inferior de Eduarda. — Mas você... você é algo que eu decidi que quero manter por perto.
Eduarda sentiu um calafrio. Não era apenas medo; era uma atração perigosa e desconhecida. Ela sempre fora a menina protegida pelos pais, a jovem que evitava conflitos. E agora, o inimigo de sua família estava oferecendo uma mão que parecia tanto uma salvação quanto uma algema de ouro.
— Eu... eu não sei se devo.
— Pense com carinho — disse Emanuel, afastando-se, mas mantendo o olhar fixo nela. — Eu passarei aqui amanhã no mesmo horário. Não me faça esperar.
Ele entrou no carro e partiu, deixando Eduarda parada na calçada, o coração batendo como o de um pássaro engaiolado.
No dia seguinte, Emanuel contou a Sara sobre o encontro. Eles estavam em um dos estúdios de tatuagem dele, um espaço minimalista e caro no centro da cidade. Sara estava sentada em uma das macas, observando Emanuel desenhar um esboço em um tablet.
— Ela vai aceitar? — perguntou Sara, lixando as unhas.
— Ela está assustada, mas está curiosa. Ela é intuitiva, Sara. Ela sente que há algo diferente acontecendo.
— Ótimo — Sara sorriu, levantando-se e caminhando até ele. Ela o abraçou por trás, descansando o queixo em seu ombro. — Mal posso esperar para conhecê-la formalmente. Quero ver se ela é tão doce quanto você diz. A Ágata precisa de um ambiente harmonioso, e se a bailarina trouxer essa paz para você, ela será bem-vinda na nossa casa.
Emanuel virou-se nos braços de Sara.
— Você é incrível, sabia?
— Eu sou prática, Emanuel. E eu te conheço. Você nunca se contenta com pouco. Se você quer o mundo, eu te ajudo a conquistá-lo. E se a pequena Lorenzo faz parte desse mundo agora, que assim seja.
Emanuel sentiu uma onda de satisfação. Ele tinha a mulher que o entendia perfeitamente ao seu lado, e estava prestes a capturar a criatura que despertara nele um desejo de proteção e posse que ele nunca imaginou sentir por alguém daquela linhagem.
Eduarda, em seu pequeno quarto na casa dos pais, olhava para as sapatilhas de ballet penduradas na parede. Ela sentia que sua vida estava prestes a mudar drasticamente. Ela não sabia dos planos de Emanuel ou da aceitação de Sara, mas sentia que, para o bem ou para o mal, o homem de olhos cansados e mãos firmes não a deixaria escapar.
A guerra entre as famílias Lorenzo e os herdeiros de Ricardo estava longe de terminar, mas, para Emanuel, a maior vitória não seria o sangue de seu inimigo, mas sim a rendição da joia mais preciosa dele. E ele faria tudo, usaria todo o seu poder e riqueza, para garantir que Eduarda estivesse exatamente onde ele queria: entre ele e Sara, sob sua proteção e seu controle.
