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Pocahontas

Fandom: Pocahontas

Criado: 30/08/2026

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RomanceDramaAventuraHistóricoRecontarFantasiaFofuraEstudo de Personagem
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O Sussurro do Vento e o Calor do Aço

As águas do rio brilhavam como prata derretida sob o sol da tarde, serpenteando através da floresta virgem que cercava a aldeia. Tatsuyo estava agachada na beira da água, observando seu reflexo. Sua pele parda brilhava levemente com o suor do trabalho matinal, e seus cabelos pretos, lisos mas com ondas rebeldes nas pontas, caíam sobre seus ombros como uma cascata noturna. Ela era a filha do chefe, a ponte entre seu povo e a terra, mas, naquele momento, sentia-se apenas como uma jovem com o coração inquieto.

Ela sentiu uma mudança no ar antes mesmo de ouvir qualquer som. Não era o aviso de um animal ou o estalar de um galho seco, mas uma presença vibrante e pesada que parecia eletrificar o ambiente.

— Você sabe que é perigoso ficar aqui sozinha, "Princesinha". Especialmente quando o reflexo da água faz você parecer ainda mais tentadora.

Tatsuyo não precisou se virar para saber quem era. Aquela voz grave, carregada de um deboche malicioso e uma confiança irritante, só poderia pertencer a ele. Ela suspirou, levantando-se e limpando os joelhos sujos de terra.

— O perigo é uma questão de perspectiva, Kuro — respondeu ela, finalmente virando-se para encará-lo. — E eu nunca estou sozinha. A floresta me vigia.

Kuro Hatake estava encostado em um salgueiro chorão, os braços cruzados sobre o peito largo. Ele era uma visão dissonante naquele cenário natural. Com 1,80m de altura, ele parecia uma montanha de músculos esculpidos. Sua pele era muito branca, contrastando fortemente com a tez de Tatsuyo, e seus cabelos brancos curtos e repicados brilhavam sob a luz filtrada pelas copas das árvores. Seus olhos castanhos escuros, porém, eram o que mais incomodava Tatsuyo; eles pareciam sempre estar despindo camadas, não apenas de suas roupas, mas de seus pensamentos.

— A floresta pode estar vigiando, mas eu garanto que os meus olhos são muito mais apreciativos — disse ele, abrindo um sorriso ladino que exibia dentes perfeitamente brancos.

Ele se aproximou com a graça de um predador. Kuro não vestia muito além de um colete de couro aberto, que deixava seu abdômen definido à mostra. Cada gomo de seu tanquinho parecia ter sido desenhado à mão, e a força física que ele emanava era quase palpável.

— O que você quer, Kuro? — perguntou Tatsuyo, tentando manter a voz firme apesar da proximidade súbita. — Meu pai espera que os visitantes fiquem no acampamento.

— Seu pai é um homem sábio, mas ele não entende que certas coisas não podem ser contidas por regras — Kuro parou a poucos centímetros dela, forçando-a a olhar para cima devido à diferença de altura. — E eu nunca fui muito bom em seguir ordens, especialmente quando a recompensa é vir aqui ver você.

Ele estendeu a mão, mas em vez de tocar seu rosto, seus dedos roçaram levemente a alça do vestido de couro de Tatsuyo, descendo pelo ombro dela.

— Você está tensa — sussurrou ele, a voz descendo uma oitava. — Talvez precise de alguém que saiba relaxar esses músculos. Eu sou muito bom com as mãos, sabe?

Tatsuyo sentiu um arrepio percorrer sua espinha, uma mistura de irritação e uma atração involuntária que ela se recusava a admitir. Ela empurrou a mão dele para longe, embora seus dedos tivessem demorado um segundo a mais do que o necessário no contato com a pele quente dele.

— Você é um tarado incurável, sabia disso? — disse ela, cruzando os braços.

— "Tarado" é uma palavra tão forte — rebateu Kuro, soltando uma risada curta e rouca. — Eu prefiro "admirador fervoroso da beleza natural". E, convenhamos, Tatsuyo, você não é exatamente indiferente a mim.

Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela de forma deliberada.

— Eu vi como você olhou para mim durante a cerimônia ontem à noite. Você não estava olhando para os meus olhos, estava?

Tatsuyo sentiu o rosto esquentar. Era verdade. Era difícil ignorar a presença física de Kuro. Ele era um guerreiro de outro mundo, um homem que parecia carregar o peso do aço e a leveza do vento ao mesmo tempo.

— Eu estava apenas me certificando de que você não ia roubar nada — mentiu ela, desviando o olhar para o rio.

— Oh, mas eu pretendo roubar algo — disse ele, inclinando-se para perto do ouvido dela, o hálito quente fazendo-a estremecer. — Mas não é nada que você possa guardar em um baú.

Tatsuyo virou o rosto rapidamente para protestar, mas acabou ficando cara a cara com ele. A distância era mínima. Ela podia ver as pequenas faíscas de diversão e desejo nos olhos castanhos dele.

— Você se acha muito esperto, não é? — desafiou ela, a voz falhando levemente.

— Eu sou esperto o suficiente para saber quando uma mulher está tentando lutar contra o que sente — Kuro levou a mão à cintura dela, puxando-a para mais perto. — Por que tanta resistência? O mundo está mudando, Tatsuyo. As cores do vento, como você diz... elas estão soprando em uma nova direção.

Tatsuyo colocou as mãos no peito dele, sentindo a firmeza dos músculos e a batida rápida do coração de Kuro. Era um contraste fascinante: a força bruta dele contra a delicadeza dela, a pele branca dele contra a sua pele parda.

— Meu povo teme o que vocês trazem — disse ela seriamente. — Eles temem o fogo das suas armas e a ganância em seus corações.

Kuro suavizou a expressão por um momento, a máscara de engraçadinho caindo levemente.

— Eu não sou como os outros, Tatsuyo. Eu não ligo para ouro ou terras. Eu vim aqui por curiosidade, mas agora... — ele apertou a cintura dela, trazendo-a para colar seus corpos — ... agora eu descobri que há tesouros nesta terra que brilham muito mais do que qualquer metal.

— E você acha que pode simplesmente vir e levar o que quer? — perguntou ela, arqueando uma sobrancelha.

— Eu prefiro pensar que é uma troca — disse ele, recuperando o tom malicioso. — Eu te dou o mundo que eu conheço, e você me ensina a ouvir o que as árvores dizem. E, no processo, podemos descobrir se esse seu jeito sério desmorona quando eu te beijo.

Tatsuyo sentiu o coração disparar. Ela sabia que deveria se afastar, que as tensões entre seus povos eram reais e perigosas. Mas Kuro era como uma força da natureza, impossível de ignorar e perigosamente atraente.

— Você fala demais — murmurou ela.

— Então me cala — desafiou ele, com um brilho desafiador no olhar.

Tatsuyo não esperou. Ela enlaçou o pescoço dele, puxando-o para baixo enquanto se ficava na ponta dos pés. Quando seus lábios se encontraram, foi como se o rio e a floresta silenciassem para observar. O beijo de Kuro era como ele: intenso, exigente e carregado de uma fome que parecia não ter fim. Ele a envolveu com seus braços fortes, levantando-a levemente do chão, enquanto suas mãos grandes exploravam as curvas das costas dela.

— Nada mal para uma primeira lição — disse ele, afastando-se apenas alguns milímetros, a respiração ofegante. — Mas acho que precisamos praticar mais a parte do "silêncio".

Tatsuyo riu, uma risada leve que pareceu desarmar a tensão do momento.

— Você é impossível, Kuro Hatake.

— E você é exatamente o que eu não sabia que estava procurando — respondeu ele, beijando a ponta do nariz dela. — Agora, por que você não me mostra aquele lugar secreto que você mencionou? Aquele onde a "floresta não vigia" tanto assim?

Tatsuyo revirou os olhos, mas não soltou a mão dele.

— Não existe tal lugar, Kuro. Mas eu conheço um lugar onde o vento sopra mais forte e podemos conversar sem que meu pai nos veja.

— Conversar? — Kuro arqueou uma sobrancelha, o sorriso malicioso voltando ao rosto. — Bom, se é assim que você quer chamar o que vamos fazer, quem sou eu para discordar?

Eles começaram a caminhar pela trilha estreita que subia a encosta, longe das vistas da aldeia e do acampamento dos colonos. Kuro caminhava com uma facilidade surpreendente para alguém de seu porte, movendo-se entre as árvores com uma agilidade que Tatsuyo admirava secretamente.

— Diga-me, Tatsuyo — começou ele, quebrando o silêncio enquanto desviava de um galho baixo —, você realmente acredita que tudo tem um espírito? As rochas, a água... até aquele guaxinim gordo que vive me seguindo?

— Meeko não é gordo, ele é... bem nutrido — defendeu ela com um sorriso. — E sim, tudo tem uma vida. Se você ouvir com o coração, poderá entender.

Kuro parou por um momento, olhando para a vastidão verde abaixo deles.

— No meu mundo, as coisas são mais simples. Ou você possui algo, ou você luta por ele. Não há muito tempo para ouvir pedras falarem.

— Talvez seja por isso que vocês parecem sempre tão perdidos — disse Tatsuyo, aproximando-se dele e apontando para o horizonte. — Vocês olham para a terra e veem apenas algo a ser usado. Nós olhamos e vemos a nós mesmos.

Kuro olhou para ela, e por um instante, a luxúria em seus olhos deu lugar a algo mais profundo, uma admiração genuína pela força e pela sabedoria daquela mulher que era tão diferente de tudo o que ele já conhecera.

— Você tem um jeito de fazer tudo parecer... importante — admitiu ele, a voz mais suave. — Até mesmo um brutamontes como eu começa a se sentir um pouco poético perto de você.

— Um brutamontes com um tanquinho de ferro e uma língua muito afiada — brincou ela, cutucando o abdômen dele.

Kuro soltou uma gargalhada alta, que ecoou pelos desfiladeiros.

— Cuidado, Princesinha. Se você continuar tocando aí, eu vou ser obrigado a mostrar que outras partes de mim são feitas de ferro.

Tatsuyo sentiu o calor subir novamente, mas desta vez ela não desviou o olhar. Ela estava começando a entender que, com Kuro, a provocação era a linguagem do afeto.

— Você não tem jeito mesmo — disse ela, voltando a caminhar.

— Nenhum — concordou ele, seguindo-a de perto. — Mas admita, a vida seria muito chata se eu fosse um cavaleiro comportado.

Eles chegaram ao topo de uma colina que dava para uma cachoeira escondida. A água caía em uma lagoa cristalina, cercada por flores silvestres de cores vibrantes. Era um lugar de paz absoluta, um santuário que Tatsuyo raramente compartilhava com alguém.

— Uau — exclamou Kuro, genuinamente impressionado. — Isso é... incrível.

— É aqui que eu venho para pensar — disse ela, sentando-se na grama macia.

Kuro sentou-se ao lado dela, mas não pareceu interessado na paisagem por muito tempo. Ele se deitou, apoiando a cabeça nos braços cruzados, observando as nuvens passarem, mas mantendo um olho em Tatsuyo.

— Sabe — disse ele, sua voz agora mais séria —, as coisas lá embaixo vão ficar complicadas. Meu povo quer o que vocês têm. E o seu povo não vai entregar sem luta.

Tatsuyo abraçou os joelhos, a preocupação nublando seus olhos pretos.

— Eu sei. Eu sinto o peso disso todos os dias. Meu pai quer proteger nossa tradição, mas eu vejo o que está vindo. O vento está soprando uma tempestade, Kuro.

Kuro estendeu a mão e pegou a de Tatsuyo, entrelaçando seus dedos. A pele branca dele contra a parda dela era um lembrete visual dos dois mundos que estavam colidindo.

— Se a tempestade vier — disse ele, olhando-a fixamente nos olhos —, eu vou estar bem no meio dela. E eu não vou deixar nada acontecer com você.

— Você lutaria contra os seus? — perguntou ela em um sussurro.

Kuro deu um meio sorriso, aquele brilho teimoso voltando ao seu olhar.

— Eu luto pelo que eu valorizo, Tatsuyo. E agora mesmo, não há nada neste mundo que eu valorize mais do que a mulher sentada ao meu lado. Além disso — ele acrescentou, tentando aliviar o clima —, eu ficaria muito triste se não pudesse mais te irritar todos os dias.

Tatsuyo sorriu, sentindo uma ponta de esperança em meio à incerteza. Ela se inclinou e beijou a bochecha dele, um gesto simples que pareceu surpreender até mesmo o confiante Kuro.

— Você é um homem estranho, Kuro Hatake.

— E você é uma mulher fascinante, Tatsuyo Nakamura — ele a puxou para que ela se deitasse ao seu lado. — Agora, que tal pararmos de falar sobre guerras e tempestades e aproveitarmos esse sol? Eu tenho certeza de que você quer admirar meu físico mais um pouco antes de voltarmos.

Tatsuyo riu, empurrando o ombro dele enquanto se acomodava ao seu lado. O futuro era incerto e o perigo estava à espreita nas sombras das árvores, mas ali, naquele momento, sob o sussurro do vento e o calor do sol, eles eram apenas dois corações tentando encontrar um ritmo comum em um mundo prestes a mudar para sempre.

Kuro fechou os olhos, sentindo o perfume de flores e terra que emanava de Tatsuyo, enquanto ela observava o céu, imaginando se o vento realmente traria as respostas que eles tanto buscavam. A mão de Kuro apertou a dela, um juramento silencioso de que, não importa o que acontecesse, ele seria o seu escudo, e ela seria o seu guia.

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