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Oliver

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 30/08/2026

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Reflexos de Grafite e Sabão

Oliver estava sentado no chão de um corredor pouco iluminado da escola, segurando uma barra de sabão de lavanda como se fosse a mais fina iguaria. O cheiro forte e químico, que faria qualquer outra pessoa engasgar, para ele era apenas o aroma do almoço. Ele deu uma mordida crocante, sentindo a textura deslizar pela garganta enquanto soltava uma risadinha abafada.

Ele já tinha os bolsos cheios de tachinhas e um plano infalível para sacanear os calouros. Zip e Edward deveriam estar por perto, provavelmente preparando a próxima armadilha, mas Oliver estava aproveitando seu momento de paz culinária. Seus longos cabelos brancos, presos naquele rabo de cavalo baixo que quase tocava o chão, balançavam levemente enquanto ele mastigava.

De repente, a luz do corredor pareceu vacilar. Antes que Oliver pudesse reagir, um pano branco e frio foi pressionado contra seus olhos, apertando com força.

— Ei! Que brincadeira é essa? — gritou Oliver, tentando puxar o pano. — Zip? Edward? Se for um de vocês, eu juro que vou...

Uma pressão gélida envolveu seu pescoço e uma voz, terrivelmente familiar, mas carregada de um peso sombrio, sussurrou em seu ouvido.

— Olá, irmãozinho. Sentiu minha falta?

Oliver congelou. Aquela voz não pertencia a nenhum de seus amigos. Era como ouvir o próprio reflexo falando de dentro de um poço profundo. Ele sentiu o pânico subir pela espinha, misturando-se a uma irritação defensiva.

— Quem é você? Me solta agora! — Oliver girou o corpo, tentando desferir um golpe com seu braço de lápis contra o agressor.

O atacante, uma figura que parecia uma versão distorcida e mais alta do próprio Oliver, desviou com uma agilidade sobrenatural. Danger Oliver, envolto em sombras e com um olhar que emanava puro perigo, segurou o pulso de madeira de Oliver com facilidade.

— Você sempre foi tão esquentadinho — Danger Oliver riu, um som seco e sem humor.

Oliver tentou lutar, mas sentiu um golpe súbito na base do pescoço. Sua visão escureceu instantaneamente. O sabão caiu no chão com um baque surdo enquanto o corpo de Oliver perdia as forças. Danger Oliver o segurou no colo, observando o rosto pálido do garoto.

— Vamos para casa, Oliver. Temos muito o que conversar.

...

O despertar foi brutal. Oliver sentiu o frio antes mesmo de abrir os olhos. Ele estava deitado em uma mesa de metal, cujas bordas pareciam morder sua pele. Quando tentou se levantar, sentiu a resistência imediata. Seus pulsos e tornozelos estavam presos por tiras grossas de couro, prendendo-o firmemente à superfície gelada.

— Edward! Zip! Alguém me tira daqui! — ele gritou, a voz ecoando pelas paredes de pedra do que parecia ser um porão escondido sob a escola. — Isso não tem graça!

Passos lentos ecoaram. Danger Oliver emergiu das sombras, aproximando-se da mesa com um sorriso predatório. Ele se inclinou sobre o prisioneiro, o rosto a poucos centímetros do de Oliver.

— Eles não podem te ouvir, pequeno — sussurrou Danger Oliver, a voz arrastando-se como uma navalha sobre seda. — Aqui, só existe você e eu. Como nos velhos tempos.

— Eu não te conheço! Me solta, seu maníaco! — Oliver se debateu, as cordas de couro rangendo contra o metal.

Danger Oliver soltou uma risada baixa e começou a traçar o contorno da marca "A+" no cabelo de Oliver com um dedo longo e frio.

— Não conhece? Tente se lembrar. Das sombras no quarto, dos desenhos que ganhavam vida... você sempre soube que eu estava lá.

Por um breve momento, uma enxurrada de memórias fragmentadas atingiu Oliver. Ele se viu criança, escondido atrás de uma cortina, enquanto uma sombra idêntica a ele sussurrava segredos cruéis. O medo daquela época voltou com força total, fazendo seu coração disparar.

Danger Oliver notou o tremor no corpo do garoto. Ele moveu as mãos, observando como o uniforme de Oliver estava desalinhado. As axilas do garoto estavam expostas devido à posição em que seus braços foram amarrados, esticados acima da cabeça.

— Você parece tão... vulnerável — disse Danger Oliver, os olhos brilhando com uma malícia doentia.

Sem aviso, Danger Oliver se inclinou e cravou os dentes e a língua na pele sensível das axilas de Oliver. A dor foi aguda, misturada a uma sensação invasiva que fez Oliver arquear as costas violentamente.

— AHH! PARA! — gritou Oliver, o rosto ficando instantaneamente vermelho de dor e uma vergonha que ele não conseguia explicar. — O que você está fazendo?!

— Provando o medo que você exala — respondeu Danger Oliver, afastando-se apenas o suficiente para ver as lágrimas de dor se formarem nos olhos de Oliver. — Você tem o gosto do sabão que come. Amargo e artificial.

Oliver estava ofegante, a força começando a esvair-se de seu corpo enquanto o choque tomava conta. Ele olhou para cima, vendo o teto escuro girar. Suas pálpebras estavam pesadas, e olheiras profundas marcavam seu rosto, fruto do estresse extremo e do cansaço físico.

Danger Oliver segurou o queixo de Oliver com força, forçando-o a olhar em seus olhos.

— Olhe para você. Onde está o grande mestre das pegadinhas agora? Você não passa de um brinquedo quebrado.

— O Edward... ele vai te pegar... — Oliver balbuciou, a voz fraca. — Ele vai...

— Edward não é nada. Zip não é nada. Eu sou o seu sangue, Oliver. Eu sou o que você esconde debaixo dessa fachada de palhaço.

Danger Oliver se afastou por um momento e pegou um objeto que estava sobre uma bancada próxima. Era uma mordaça, um mordedor preto de borracha resistente preso a tiras de couro preto. Ele voltou para o lado da mesa, balançando o objeto diante dos olhos arregalados de Oliver.

— Abra a boca, irmãozinho. Não queremos que você gaste o resto da sua voz gritando por pessoas que não virão.

— Não! — Oliver cerrou os dentes, virando o rosto para o lado o máximo que as tiras permitiam. — Sai de perto de mim!

Danger Oliver suspirou, um som de falsa decepção.

— Você sempre gosta de fazer as coisas do jeito difícil.

Com uma mão, ele apertou as bochechas de Oliver com força brutal, forçando o maxilar do garoto a ceder. Oliver soltou um som abafado de protesto, os olhos transbordando desespero enquanto via a mordaça se aproximar.

— Isso vai ajudar você a ouvir melhor o que eu tenho a dizer — disse Danger Oliver, empurrando o mordedor para dentro da boca de Oliver.

O garoto ficou chocado, sentindo a borracha fria entre seus dentes. Danger Oliver rapidamente prendeu a fivela atrás da cabeça de Oliver, ajustando-a até que ficasse apertada o suficiente para que ele não pudesse emitir nada além de sons guturais.

Oliver começou a se bater freneticamente na mesa. O metal ressoava com seus movimentos desesperados, e as cordas de couro apertavam seus pulsos até quase cortar a circulação. Ele olhava para o teto, a respiração saindo pesada e ruidosa pelo nariz, enquanto Danger Oliver o observava com um prazer silencioso.

— Shhh... — Danger Oliver acariciou os cabelos brancos de Oliver, ignorando os protestos abafados. — Descanse agora. A brincadeira está apenas começando.

Oliver fechou os olhos com força, sentindo as lágrimas escorrerem pelas têmporas. O mundo lá fora, com Zip, Edward e suas travessuras bobas, parecia a quilômetros de distância. Ali, naquela sala fria, ele era apenas a presa de sua própria sombra.

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