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15 dias

Fandom: Eu

Criado: 31/08/2026

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O Contrato de Copacabana

O sol do Rio de Janeiro batia forte na janela de vidro da sala, mas o ar-condicionado no máximo mantinha o nosso pequeno refúgio na Zona Sul em uma temperatura perfeita. Eu e Giovana estávamos jogadas no sofá de veludo cinza do apartamento que alugamos para passar esses quinze dias de férias. Era o nosso sonho de infância: morar sozinhas, mesmo que por pouco tempo, em um lugar onde ninguém pudesse nos dizer o que fazer.

Ou pelo menos, era o que eu pensava até aquela tarde.

Eu estava rolando o feed do TikTok sem muito propósito, apenas aproveitando a preguiça pós-praia, quando um vídeo específico prendeu minha atenção. Era uma dessas trends que começam inocentes e acabam tomando proporções absurdas. O vídeo mostrava duas amigas que decidiram levar a sério a brincadeira de "Mãe e Filha" por vinte e quatro horas. Mas não era apenas brincadeira de criança; envolvia regras rígidas, obediência total e, o que mais me deu um frio na barriga, punições para quem desobedecesse.

— Amiga, olha isso aqui — eu disse, esticando o celular em direção à Giovana, que estava ocupada demais tentando tirar a areia dos vãos dos dedos.

Ela pegou o aparelho, assistiu ao vídeo em silêncio e, para minha surpresa, um sorriso malicioso começou a brotar no canto dos lábios dela.

— Nath, isso é genial — ela exclamou, devolvendo o celular. — Imagina a gente fazendo isso aqui? A gente não tem nada planejado para hoje à noite mesmo.

— Você está falando sério? — perguntei, rindo de nervoso. — Olha as regras, Gio. Tem que obedecer tudo. Chamar de mãe, pedir permissão... é meio loucura.

— É divertido! — ela insistiu, sentando-se e cruzando as pernas. — É um exercício de atuação, Nathally. Vamos, topa? Só por hoje.

Eu hesitei por um segundo. A ideia de ter o controle ou de perdê-lo parecia excitante de um jeito estranho.

— Tá bom, eu topo — cedi, sentindo meu coração acelerar um pouco. — Mas como a gente decide quem manda?

— Roleta — ela disse prontamente, já pegando o próprio celular.

Ela baixou um aplicativo de sorteio em segundos. Digitou nossos nomes: Nathally e Giovana. O gráfico colorido apareceu na tela, e o ponteiro começou a girar. Eu prendi a respiração. A roleta girava, girava, e o som de "tic-tic-tic" parecia ecoar nas paredes da sala.

Parou.

— Ganhei! — Giovana deu um grito de alegria, pulando do sofá. — A mamãe aqui está no comando!

Eu dei uma risada sem jeito, sentindo um súbito arrependimento, mas agora não dava mais para voltar atrás.

— Tá legal, "mamãe" — debochei, tentando manter o tom leve. — O que você vai mandar eu fazer primeiro?

Giovana parou de rir e me olhou de cima a baixo com um olhar que eu nunca tinha visto nela antes. Era um olhar de autoridade, quase solene.

— Primeiro, você vai me esperar aqui. Eu vou dar um pulinho na rua para comprar algumas coisas necessárias para a nossa... dinâmica. E não se atreva a sair desse sofá até eu voltar. Entendido, Nathally?

— Sim, entendi — respondi, tentando não parecer afetada pela mudança súbita no tom dela.

— Como é que se diz? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.

Senti meu rosto esquentar.

— Sim... mamãe.

Ela sorriu, satisfeita, e saiu do apartamento sem dizer mais nada.

Fiquei ali, sozinha, encarando o teto. O que eu tinha acabado de fazer? Giovana era minha melhor amiga desde o ensino fundamental, mas ela sempre teve uma personalidade forte. Os minutos se transformaram em horas. Duas horas, para ser exata. Eu estava quase pegando o celular para mandar mensagem quando ouvi o barulho da chave na fechadura.

Giovana entrou carregando duas sacolas de papel pardo, daquelas que não deixam ver o que tem dentro. Ela passou por mim sem dizer uma palavra, foi direto para o quarto que dividíamos e trancou a porta.

Fiquei sentada, o silêncio do apartamento agora parecia pesado. Alguns minutos depois, ela abriu a porta e apareceu no corredor. Ela tinha prendido o cabelo em um coque firme e parecia decidida.

— Nathally, vem aqui — ela chamou.

Eu me levantei e fui até ela, sentindo minhas mãos levemente suadas.

— O que foi? O que você comprou? — perguntei, tentando espiar o quarto.

— Não interessa agora — ela cortou, apontando para o banheiro. — Agora, a primeira coisa que vamos fazer é cuidar da sua higiene. Você ainda está com cheiro de mar e protetor solar. Eu vou te dar um banho agora.

Eu travei no meio do corredor. Minha boca se abriu em um "O" perfeito de surpresa.

— O quê? Não! — protestei, sentindo a vergonha subir pelas minhas bochechas como um incêndio. — Giovana, eu sei tomar banho sozinha, tá? Isso já é demais. Eu tomo banho e a gente continua a brincadeira depois.

Giovana deu um passo à frente, diminuindo o espaço entre nós. Ela era um pouco mais alta que eu, e naquele momento, parecia gigante.

— Nathally, nós combinamos as regras, não combinamos? — o tom dela era calmo, mas firme. — Você disse que obedeceria.

— Mas isso é constrangedor — sussurrei, desviando o olhar.

— Você já quer começar o jogo recebendo uma punição? — ela perguntou, cruzando os braços. — Porque se você desobedecer a primeira ordem, a punição vai ser bem severa. Você escolhe. Ou você vem comigo para o banheiro agora, ou a gente vai para o quarto resolver isso de outro jeito.

Engoli em seco. O olhar dela não vacilava. Havia uma seriedade ali que me fez perceber que ela não estava mais brincando de "faz de conta". Ela estava levando o papel a sério. E, estranhamente, o fato de ela estar tão comprometida com aquilo me fez querer ceder.

— Não... eu não quero punição — respondi baixinho, sentindo meu coração martelar contra as costelas.

— Então peça direito — ela ordenou.

— Por favor... mamãe — eu disse, a voz quase sumindo. — Eu vou para o banheiro com você.

— Ótima menina — ela disse, e pela primeira vez naquele retorno, ela sorriu de um jeito doce, mas que ainda carregava aquele peso de autoridade. — Vamos.

Ela segurou minha mão e me conduziu para o banheiro. O ambiente estava quente, o vapor começando a embaçar o espelho porque ela já tinha deixado a água correndo. O som da água caindo no box parecia ensurdecedor no meu estado de nervosismo.

— Tira a roupa — ela comandou, encostando-se na pia e me observando.

— Gio... — eu tentei protestar uma última vez, mas ela apenas apontou para o box.

Com os dedos trêmulos, eu comecei a me despir. Eu nunca tinha me sentido tão vulnerável e, ao mesmo tempo, tão cuidada. Quando fiquei apenas com a pele exposta ao ar frio do ar-condicionado que escapava para o banheiro, ela se aproximou.

— Entra — disse ela.

Eu obedeci, sentindo a água morna atingir meus ombros. Giovana dobrou as mangas da blusa que estava usando e pegou a esponja, despejando uma quantidade generosa de sabonete líquido com cheiro de lavanda.

— Vira de costas — ela ordenou.

Eu obedeci, fechando os olhos. Senti o toque da esponja na minha pele, movimentos circulares e firmes. Ela lavou minhas costas, meus braços, e depois passou para o meu cabelo, massageando meu couro cabeludo com uma delicadeza que quase me fez esquecer a vergonha.

— Você está sendo muito obediente, Nathally — ela comentou, a voz suave perto do meu ouvido, por cima do barulho da água. — Gosto assim. Se continuar assim, talvez as punições não precisem ser tão frequentes.

— Eu vou me esforçar — respondi, sentindo um arrepio que não tinha nada a ver com a temperatura da água.

— Assim espero — ela disse, desligando o chuveiro. — Agora, seque-se. Vou buscar o que você vai vestir. E não saia daqui até eu voltar com a sua roupa.

Ela saiu do banheiro, me deixando ali, ensopada e com os pensamentos a mil por hora. O que tinha começado como uma trend boba de rede social estava se transformando em algo muito mais profundo. Eu não sabia o que ela tinha comprado naquelas sacolas, nem o que o resto da noite nos reservava, mas uma coisa era certa: as nossas férias na Zona Sul tinham acabado de ganhar um rumo completamente inesperado. E, no fundo, eu estava ansiosa para descobrir até onde Giovana levaria aquele jogo.

Ou melhor, até onde a minha "mamãe" me levaria.

Ouvi os passos dela voltando pelo corredor. Enrolei-me na toalha, escondendo o rosto entre os ombros, esperando o próximo comando.

— Nathally? — a voz dela veio de trás da porta. — Pode sair. Mas mantenha os olhos baixos. Filhas bem-educadas não desafiam o olhar da mãe quando estão sendo cuidadas.

Respirei fundo, abri a porta e saí. O jogo estava apenas começando.

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