
Problema em dobro
Fandom: BTS, namjin
Criado: 31/08/2026
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Marcas, Ressacas e Segredos de Morango
A luz do sol atravessava as cortinas de seda do quarto luxuoso de Seokjin, atingindo em cheio os olhos do alfa, que soltou um rosnado baixo de dor. Sua cabeça latejava como se tivesse sido atingida por um chute direto de um peso-pesado no ringue. Jin sentou-se na cama, levando a mão à testa, tentando organizar os fragmentos de memória da noite anterior.
Havia música, luzes neon, o cheiro de álcool caro e... morango.
Ele olhou para o lado e viu o lençol bagunçado, mas o lugar estava vazio. O perfume, no entanto, ainda flutuava no ar — uma mistura doce de morango silvestre que parecia ter se entranhado em sua pele de café e canela. Seokjin franziu o cenho. Ele se lembrava de dançar, de rir com RM — o lutador misterioso que agora ele sabia ter lábios incrivelmente macios — e de uma entrega absoluta que ele não sentia há anos.
— O que foi que eu fiz? — sussurrou para si mesmo, sentindo uma pontada de ansiedade.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, em um apartamento consideravelmente mais simples, o caos reinava.
Namjoon acordou com um sobressalto, caindo da cama e batendo o bumbum no chão gelado. Sua cabeça girava. Ele olhou em volta e percebeu que estava em seu próprio quarto, mas não tinha ideia de como havia chegado ali. A última coisa que lembrava era de estar nos braços de Seokjin, sentindo o calor do alfa e um desejo avassalador que o fez esquecer todas as suas defesas.
Ele levou a mão ao pescoço, sentindo uma ardência incomum. Correu para o espelho do banheiro e soltou um grito abafado, cobrindo a boca com as mãos.
Ali, na curva entre o ombro e o pescoço, brilhava uma marca de dentes perfeitamente cicatrizada. Uma marca de união.
— Não, não, não... Isso não pode estar acontecendo! — Namjoon entrou em pânico. — Eu sou um lutador! Eu sou o RM! Alfas não marcam outros "alfas"! Se alguém descobrir que eu sou um ômega e que fui marcado... minha carreira acaba!
Ele ouviu um gemido vindo da sala e caminhou tropeçando até lá. Jungkook estava jogado no sofá, com uma compressa de gelo na cabeça e uma expressão de quem tinha sido atropelado por um caminhão.
— Kook? Você tá bem? — perguntou Namjoon, tentando puxar a gola da camisa para cima para esconder a marca.
— Minha cabeça vai explodir, hyung — resmungou Jungkook, a voz rouca. — E eu acho que matei o Jimin. Ou ele me matou. Eu não sei, só sei que acordei na cama dele e saí correndo antes que ele visse que eu estava chorando de ressaca. Aquele alfa de capuccino é um idiota... mas ele beija bem, droga.
Namjoon arregalou os olhos.
— Você passou a noite com o irmão do Jin? Jungkook, a gente foi pra uma festa de gala e terminou em um desastre nuclear!
— E você? — Jungkook estreitou os olhos, notando o nervosismo do irmão. — Você tá agindo estranho. Por que tá segurando a gola da camisa como se estivesse escondendo um tesouro?
— Nada! É só frio! — mentiu Namjoon, a voz falhando. — Precisamos de supressores, agora. E de maquiagem. Muita maquiagem.
Na mansão dos Kim, o cenário não era muito melhor. Seokjin desceu as escadas de roupão, encontrando Jimin jogado no tapete da sala, tentando beber água diretamente de um vaso de flores, enquanto Yoongi, Taehyung e Hoseok pareciam um emaranhado de membros e lençóis no sofá da biblioteca ao fundo.
— Jimin, larga isso, é água suja — disse Jin, chutando levemente o pé do irmão.
— Deixa eu morrer em paz, Jin — choramingou Jimin, fazendo um sotaque carioca forçado mesmo estando prestes a vomitar. — Cara, que noite... Eu acho que encontrei o amor da minha vida, ou o meu maior inimigo. Aquele ômega de cereja tem a mão pesada, mas o corpo... meu Deus.
— Alguém lembra de alguma coisa? — perguntou Jin, sentando-se na poltrona e massageando as têmporas. — Eu lembro do RM. Mas o cheiro dele... não era de alfa. Era morango. Um morango tão intenso que quase me fez perder os sentidos.
Antes que qualquer um pudesse responder, a porta da frente foi aberta com estrondo. Um homem de meia-idade, vestindo um terno impecável e com uma expressão de poucos amigos, entrou na sala. Era Kim Si-hyuk, o pai de Jin e Jimin.
— Mas que pouca vergonha é essa? — a voz do patriarca ecoou pela sala, fazendo todos os alfas pularem de susto. — O cheiro de luxúria e álcool desta casa pode ser sentido do portão principal!
— Pai! O senhor não deveria estar em Busan? — Jimin tentou se levantar, mas acabou caindo de volta no tapete.
— Eu voltei mais cedo para ver como meus filhos "responsáveis" estavam se preparando para a colaboração do ano — disse o Sr. Kim, cruzando os braços. — E o que eu encontro? O grande RJ com cara de quem não dorme há três dias e o Jimin... bem, o Jimin sendo o Jimin. Seokjin, por que você está com esse cheiro de morango impregnado na alma?
Jin ficou tenso. O cheiro de um ômega marcado era diferente de um cheiro de uma noite casual. Era profundo, territorial.
— Foi só uma festa, pai. As coisas saíram um pouco do controle — respondeu Jin, tentando manter a postura implacável que usava no ringue.
— Saíram do controle? — O Sr. Kim se aproximou de Jin, farejando o ar. — Seokjin... esse cheiro. Você marcou alguém?
O silêncio caiu sobre a sala. Até Hoseok e Yoongi pararam de se mexer no sofá.
— Eu... eu não tenho certeza — confessou Jin, a voz baixa. — Eu estava bêbado. Mas se eu marquei... eu marquei o RM.
O Sr. Kim soltou uma gargalhada seca, sem humor.
— O RM? O lutador que todos juram ser um alfa? Se você marcou um alfa, Seokjin, você quebrou as leis da natureza ou descobriu o segredo mais bem guardado do mundo das lutas. De qualquer forma, limpem essa bagunça. Temos uma coletiva de imprensa em três horas. E é bom que esse tal de RM apareça.
Enquanto isso, Namjoon estava trancado no banheiro de sua casa, usando camadas e camadas de corretivo de alta cobertura sobre a marca em seu pescoço. Suas mãos tremiam.
— Ele vai sentir, Joonie — disse Jungkook, encostado na porta. — Alfas lupus têm um olfato absurdo. Se o Jin te marcou, ele vai saber no momento em que você entrar na sala de treino.
— Eu vou usar inibidores de odor extrafortes — disse Namjoon, a voz determinada, embora seus olhos estivessem marejados. — Ele não pode saber. Eu não sou um ômega de ninguém. Eu sou o RM. Eu mando em alfas, eu não sou domado por eles.
— Mas ele te marcou, hyung — lembrou Jungkook com suavidade. — E, pelo que eu vi ontem, você não parecia estar lutando contra isso. Você estava... feliz.
Namjoon parou de passar a maquiagem e olhou para o próprio reflexo. A lembrança de Seokjin sussurrando palavras carinhosas em seu ouvido, chamando-o de "meu ômega" enquanto o possuía com uma doçura que ele nunca imaginou que um alfa lúpus teria, fez seu coração errar uma batida.
— Foi o álcool, Kook. Só o álcool.
Três horas depois, o ginásio de treinamento estava cercado por repórteres. Jin estava lá, vestindo seu uniforme de treino, tentando agir normalmente, mas seus olhos buscavam freneticamente pela entrada. Jimin estava ao seu lado, tentando disfarçar as olheiras com óculos escuros e fazendo pose para as câmeras.
Quando Namjoon entrou, o ar pareceu ficar mais pesado. Ele usava uma gola alta, apesar do calor, e seu semblante era frio, marrento como sempre. Jungkook vinha logo atrás, com um olhar desafiador para qualquer um que ousasse se aproximar.
Jin caminhou até Namjoon. O instinto de alfa rugia dentro dele, pedindo para que ele puxasse aquele homem para perto e cheirasse seu pescoço para confirmar o que sua alma já sabia.
— Você está atrasado, RM — disse Jin, a voz carregada de uma tensão que poucos ali entenderam.
— Tive problemas com o trânsito, RJ — respondeu Namjoon, sem olhar nos olhos dele. — Vamos treinar ou você vai ficar aí parado me encarando?
— Você cheira a bloqueadores — observou Jin, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Namjoon. — Um cheiro químico horrível. Onde está o morango da noite passada?
Namjoon sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele sustentou o olhar, embora suas pernas estivessem bambas.
— Não sei do que você está falando. Eu não sou uma fruta, sou um lutador. Se quer morango, vá ao mercado.
Jimin se aproximou de Jungkook, tentando usar seu charme de "carioca coreano".
— E aí, cerejinha? Dormiu bem? A cama era confortável ou você prefere a minha companhia de novo?
Jungkook deu um passo à frente e pisou com força no pé de Jimin.
— Se você abrir a boca de novo, eu vou transformar esse seu rosto bonito em um saco de pancadas, seu alfa de meia pataca.
— Eita, que agressividade! — Jimin riu, embora estivesse morrendo de dor. — É disso que eu gosto.
A coletiva começou, mas o clima era elétrico. Jin não conseguia tirar os olhos de Namjoon. Ele observava a forma como o outro evitava movimentos bruscos com o pescoço e como a gola alta parecia sufocá-lo.
Em um momento em que as câmeras se voltaram para o agente de Jin, o alfa se inclinou para perto do ouvido de Namjoon.
— Por que você está escondendo, Namjoon? — sussurrou ele, usando o nome real que tinha descoberto entre beijos e gemidos na noite anterior.
Namjoon congelou.
— Não tem nada para esconder.
— Tem sim. Eu sinto a conexão. Eu sinto a minha marca clamando por você — a voz de Jin era um rosnado baixo, possessivo. — Você pode fingir para o mundo que é um alfa, mas ontem à noite, você era o meu ômega. E você foi virgem... eu fui o primeiro. Você acha mesmo que eu vou deixar você simplesmente fingir que nada aconteceu?
Namjoon virou o rosto, os olhos brilhando com uma mistura de raiva e vulnerabilidade.
— Eu não pertenço a ninguém, Seokjin. Nem a você, nem a marca nenhuma. Isso foi um erro bêbado.
— Um erro não deixa uma marca de alma, Namjoon.
Nesse momento, Luna Lee, a ex-namorada de Jin, entrou no ginásio. Ela estava impecável, exalando seu cheiro enjoativo de marshmallow, e caminhou direto para os dois lutadores com um sorriso falso nos lábios.
— Jin, querido! — ela exclamou, ignorando a tensão. — Fiquei sabendo da festa. E quem é este? O seu novo "parceiro" de treino? Ele cheira a produtos de limpeza, que horror.
Ela estendeu a mão para tocar o ombro de Namjoon, mas ele se esquivou com uma agilidade impressionante.
— Não me toca — disse Namjoon, a voz fria como gelo.
Luna fez um bico mimado.
— Nossa, que estressado. Jin, você sempre teve um gosto estranho para amigos. Mas enfim, vim te avisar que meu pai quer falar com você sobre o contrato de patrocínio.
Jin nem olhou para ela. Seus olhos estavam fixos em Namjoon, que agora parecia estar começando a suar, fazendo com que a maquiagem no pescoço desse sinais de fraqueza.
— Luna, agora não é o momento — cortou Jin. — Saia.
— Como é? — Luna se irritou. — Você está me expulsando por causa desse... desse alfa de segunda categoria?
— Ele é mais alfa do que você jamais será ômega, Luna — disse Jin, embora a ironia da frase queimasse em sua garganta. — Agora, saia.
Furiosa, Luna bateu o pé e, ao passar por Namjoon, tentou esbarrar nele propositalmente. No movimento, sua bolsa de grife prendeu na gola alta de Namjoon, puxando o tecido para baixo com força.
O ginásio ficou em silêncio absoluto.
A maquiagem, já desgastada pelo suor e pelo atrito, revelou parte da marca arroxeada e profunda no pescoço de Namjoon. O cheiro de morango, antes sufocado pelos inibidores, pareceu explodir no ar por um segundo devido ao estresse do ômega.
Os repórteres começaram a sussurrar, as câmeras dispararam flashes frenéticos.
Jungkook se colocou imediatamente na frente do irmão, rosnando para qualquer um que tentasse tirar uma foto melhor.
— Acabou a palhaçada! — gritou Jungkook. — Todo mundo fora daqui!
Jin, em um movimento rápido, tirou sua própria jaqueta de treino e a jogou sobre os ombros de Namjoon, cobrindo-o completamente e puxando-o para perto de seu peito, deixando seu próprio feromônio de café e canela envolver o ômega para protegê-lo.
— Se qualquer foto dessa marca vazar — disse Jin para a multidão, sua voz de alfa lúpus fazendo os vidros do ginásio vibrarem —, eu pessoalmente garantirei que a carreira de cada um de vocês termine hoje.
Namjoon estava trêmulo nos braços de Jin. Sua fachada de RM tinha caído. O segredo estava exposto, e o medo de perder tudo o que conquistou lutando o atingiu em cheio.
— Jin... — sussurrou Namjoon, escondendo o rosto no peito do alfa.
— Shhh... eu estou aqui — respondeu Jin, beijando o topo da cabeça dele, ignorando as câmeras e o caos. — Ninguém vai te domar, Namjoon. Mas eu vou te proteger.
Jimin, vendo a gravidade da situação, parou de brincar. Ele olhou para Jungkook, que parecia pronto para começar uma guerra sozinho.
— Vem, cerejinha — disse Jimin, sério pela primeira vez. — Vamos tirar eles daqui pelos fundos. O meu carro está na saída privada.
Naquela tarde, o mundo das lutas parou. Mas, dentro do carro de luxo de Seokjin, o silêncio era diferente. Namjoon estava encolhido no banco do passageiro, a jaqueta de Jin ainda sobre ele.
— Por que você me ajudou? — perguntou Namjoon, a voz pequena. — Você podia ter me exposto. Seria o fim da concorrência para você. O grande RJ seria o único rei.
Seokjin parou o carro em um acostamento deserto e olhou para ele. O olhar frio de lutador tinha desaparecido, dando lugar ao homem carinhoso que ele costumava ser antes de Luna o trair.
— Eu não quero ser o rei de um ringue vazio, Namjoon. E eu descobri que não quero ser um alfa sozinho. Aquela marca no seu pescoço... eu não a fiz porque estava bêbado. Eu a fiz porque, pela primeira vez em anos, minha alma reconheceu alguém.
Namjoon olhou para as próprias mãos, as cicatrizes dos treinos constantes.
— Eu sou um ômega lúpus, Jin. Eu treinei a vida toda para ser mais forte que qualquer alfa. Eu não sei ser... delicado. Eu não sei ser o que esperam de um ômega.
Jin sorriu, esticando a mão para acariciar o rosto de Namjoon.
— E quem disse que eu quero alguém delicado? Eu quero o RM. Eu quero o homem que me derruba no treino e que me faz querer ser melhor. Eu quero o meu ômega marrento.
Namjoon sentiu as lágrimas finalmente caírem. Ele se inclinou e beijou Jin, um beijo que não tinha o desespero da bebedeira, mas a promessa de algo novo.
— Mas se você tentar mandar em mim só porque me marcou — avisou Namjoon, limpando as lágrimas e recuperando um pouco de sua postura —, eu ainda quebro o seu nariz.
Jin riu, o som alto e cristalino.
— Eu não esperaria nada menos de você, meu amor.
Enquanto isso, no banco de trás do outro carro, Jungkook olhava para Jimin com desconfiança.
— Então... você vai me ajudar a esconder que eu também sou ômega?
Jimin deu um sorriso de lado, piscando para ele.
— Só se você prometer que o próximo beijo não vai vir acompanhado de um pisão no meu pé. O que me diz, cerejinha?
Jungkook bufou, mas não conseguiu esconder o leve rubor nas bochechas.
— Vou pensar no seu caso, capuccino.
A noite terminou com segredos revelados, mas, pela primeira vez em muito tempo, Seokjin não se sentia fechado para o amor. Ele tinha um morango silvestre para proteger, e Namjoon tinha um café com canela para chamar de seu, mesmo que o mundo ainda não estivesse pronto para dois lutadores que desafiavam todas as regras.
