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Mamãe?

Fandom: the beginning after the end

Criado: 31/08/2026

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Entre Elos e Revelações

O pátio central da Academia Xyrus fervilhava com a energia típica do final de tarde. Estudantes de todas as linhagens — humanos, elfos e alguns poucos anões — circulavam entre os jardins flutuantes, mas o centro das atenções, como de costume, era o grupo que ocupava as mesas próximas à fonte de mana cristalina.

Arthur Leywin estava sentado com sua habitual postura relaxada, porém alerta. Seus olhos azuis, profundos e carregados de uma experiência que ninguém ali conseguia decifrar totalmente, observavam o movimento. Ao seu lado, Elijah Knight tentava, sem muito sucesso, consertar um pequeno artefato mecânico, enquanto resmungava sobre como a sorte de Arthur com as mulheres era estatisticamente impossível.

— Eu estou te dizendo, Art — Elijah bufou, ajustando os óculos —. Não é normal. A Princesa Kathyln mal fala com as pessoas, e ela acabou de te trazer um chá de ervas raras só porque você mencionou que estava com dor de cabeça. Se eu pedisse, ela provavelmente me transformaria em um picolé.

Arthur soltou um riso curto, o som seco e controlado.

— Você exagera, Elijah. Kathyln é apenas educada.

— Educada? — Feyrith Ivris III, o elfo nobre, surgiu do nada, ajeitando a gola de seu uniforme com um ar dramático. — Meu caro Leywin, sua modéstia beira a cegueira. Até mesmo um cego veria o brilho nos olhos da Princesa Glayder quando você entra na sala. É uma tragédia para nós, meros mortais.

Antes que Arthur pudesse responder, a presença de figuras ainda mais imponentes silenciou parte das conversas ao redor. Curtis Glayder, o príncipe humano e domador de feras, aproximou-se acompanhado de sua irmã, Kathyln. A princesa, sempre silenciosa e de beleza gélida, apenas acenou com a cabeça, um leve rubor subindo por suas bochechas ao encontrar o olhar de Arthur.

— Arthur — Curtis cumprimentou, sentando-se à mesa com uma familiaridade que chocou os alunos que observavam de longe. — Meu pai perguntou por você. Ele ainda está esperando aquela revanche no tabuleiro.

— Diga ao Rei que ele precisará de mais do que sorte da próxima vez — Arthur respondeu com um sorriso de canto, uma provocação clara que fez os estudantes próximos prenderem a respiração. Ninguém falava assim com a realeza, a menos que fosse... bem, Arthur Leywin.

— Você é impossível — Curtis riu, balançando a cabeça.

A conversa foi interrompida por um borrão branco e pequeno que saltou do colo de Arthur. Sylvie, em sua forma de raposa, soltou um ganido alegre e correu em direção à entrada do pátio.

— Papai! Ela chegou! — A voz de Sylvie ecoou na mente de Arthur, mas o que aconteceu a seguir foi o que realmente paralisou a academia.

Tessia Eralith, a princesa dos elfos e a presidente do conselho estudantil, caminhava em direção ao grupo. Sua beleza era estonteante, emanando uma aura de autoridade e graça. No entanto, assim que viu Arthur, sua expressão de "princesa inalcançável" derreteu-se instantaneamente.

Sylvie pulou nos braços de Tessia, lambendo seu rosto.

— Mamãe! Mamãe! — A pequena besta de mana transmitia sua alegria de forma tão intensa que até aqueles com pouca sensibilidade mágica podiam sentir a conexão.

— Olá, minha pequena — Tessia disse, a voz doce e carregada de afeto, abraçando Sylvie antes de olhar para Arthur. — E olá para você também, Art. Você está atrasado para o nosso encontro na biblioteca.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Elijah deixou sua ferramenta cair no chão. Claire Bladeheart, que passava por perto e se juntara ao grupo, apenas sorriu, cruzando os braços, achando a situação divertida. Os outros alunos sussurravam freneticamente: "Mamãe?", "Ele a chamou de Art?", "Eles estão juntos?".

Arthur levantou-se, ignorando os olhares de choque. Ele caminhou até Tessia e, com uma naturalidade que beirava a insolência para quem via de fora, bagunçou levemente o cabelo dela.

— Eu não estou atrasado, Tess. Você é que chegou cedo demais por causa da sua ansiedade.

Tessia inflou as bochechas, um biquinho adorável que ninguém jamais imaginaria ver na face da futura rainha de Elenoir.

— Eu não sou ansiosa! Eu só... senti falta da Sylvie. E talvez de você. Um pouco.

— Só um pouco? — Arthur arqueou uma sobrancelha, o tom provocador. — Que decepção. Talvez eu devesse aceitar o convite da Kathyln para treinar no jardim real, então.

O clima esfriou instantaneamente, mas não por causa de Kathyln. Uma aura verde e vibrante emanou levemente de Tessia. Ela agarrou o braço de Arthur com uma possessividade que não escondia de ninguém.

— Você não vai a lugar nenhum, Arthur Leywin. E pare de implicar comigo na frente de todo mundo!

— Você fica fofa quando está brava — Arthur murmurou, sua voz suavizando-se em um tom que ele reservava apenas para ela. Por trás da fachada de guerreiro frio, Tessia era seu porto seguro, a única pessoa que o fazia esquecer, mesmo que por um momento, o peso das vidas passadas e das guerras futuras.

— Parem com isso, vocês dois — Curtis interveio, embora estivesse sorrindo. — Estão deixando os novos alunos confusos. Arthur, como você consegue tratar a princesa dos elfos e a minha irmã como se fossem apenas garotas comuns da vizinhança?

— Porque para mim, elas são apenas a Tess e a Kathyln — Arthur respondeu com simplicidade. — Títulos não mudam quem as pessoas são.

— Falou o plebeu que mora na mansão dos Helstea e age como se fosse o dono do mundo — brincou Feyrith, embora houvesse um respeito profundo em seus olhos.

A conversa fluiu para assuntos mais cotidianos, e os alunos que observavam começaram a perceber a teia complexa de conexões que Arthur Leywin possuía. Não era apenas poder militar; era uma teia de lealdade e afeto.

— A propósito, Art — disse Claire, a líder do Comitê de Disciplina —, a Diretora Cynthia quer vê-lo mais tarde. Ela mencionou algo sobre a sua irmã.

Arthur endureceu levemente, o instinto protetor disparando.

— Ellie? Aconteceu algo?

— Não, não — Claire riu, acalmando-o —. Ela só disse que Eleanor mandou uma carta reclamando que você não a visita há duas semanas e que, se você não aparecer, ela vai pedir para a mamãe Helstea proibir você de comer as tortas de maçã.

Arthur soltou um suspiro de alívio, passando a mão pelo rosto.

— Aquela pirralha... Ela sabe exatamente onde me atingir.

— Ela sente sua falta, Arthur — disse Tessia, suavizando o aperto no braço dele. — Você é muito duro com ela às vezes, sempre implicando com o treinamento dela.

— Eu só quero que ela saiba se defender — Arthur rebateu, o olhar ficando distante por um segundo. — O mundo não é um lugar gentil, Tess. Eu não vou estar sempre lá para protegê-la.

— Mas você tenta — Tessia disse, olhando-o nos olhos. — Você tenta carregar o mundo inteiro nas costas para que a gente não precise sentir o peso. Mas nós somos fortes, Art. Eu sou forte.

Arthur olhou para ela, vendo a determinação nos olhos da princesa elfa. Antigamente, ele a teria escondido em uma torre de cristal para garantir que nenhum arranhão a tocasse. Mas ele estava aprendendo. Lentamente, ele estava aceitando que o amor não significava apenas proteção, mas também confiança.

— Eu sei que você é — ele admitiu, dando um beijo casto na testa dela, o que causou um novo surto de sussurros pelo pátio. — Mas não me peça para parar de me preocupar. Está no meu sangue.

— E no seu sangue também está ser um idiota provocador — Ellie Leywin, a irmã de Arthur, apareceu de repente atrás deles, acompanhada por Lilia Helstea. A pequena Eleanor tinha os braços cruzados e um olhar de julgamento idêntico ao de Arthur.

— Ellie? O que faz aqui? — Arthur perguntou, surpreso.

— Vim garantir que você ainda lembra como é a minha cara — a menina respondeu, saltando para abraçar o irmão, que a recebeu com um sorriso genuíno. — E para dizer que a mamãe está com saudades. E que a Tessia é boa demais para você.

— Ei! — Arthur exclamou, enquanto o grupo caía na gargalhada. — Eu sou um ótimo irmão e um excelente... companheiro.

— Você é um convencido — Tessia riu, puxando Ellie para o seu lado. — Venha, Ellie. Vamos deixar seu irmão e o Elijah com os brinquedos de metal deles. Vamos tomar sorvete.

— Sorvete! — Sylvie comemorou mentalmente, pulando do ombro de Arthur para o de Ellie.

Arthur observou as três mulheres — sua irmã, sua namorada e seu vínculo — se afastarem, seguidas por Lilia e Kathyln. Ele sentiu um calor no peito que nenhuma magia de fogo poderia replicar.

— Você é um homem de sorte, Art — Curtis disse, colocando a mão no ombro do amigo. — Mas também é o homem mais visado da academia agora. Metade dos garotos quer ser você, e a outra metade tem medo de você.

Arthur voltou sua atenção para Curtis, o brilho frio de um estrategista retornando brevemente aos seus olhos, antes de ser substituído por uma calma absoluta.

— Deixe que eles olhem, Curtis. Enquanto eles estiverem seguros e felizes, eu não me importo com o que pensam de mim.

— Você sempre agindo como um velho de oitenta anos — Elijah comentou, voltando a mexer em seu artefato. — Mas sério, se a Tessia decidir me bater por causa de alguma piada sua, eu vou dizer que não te conheço.

— Justo — Arthur riu.

O sol começou a se pôr no horizonte de Xyrus, banhando a academia em tons de laranja e violeta. Arthur Leywin, o garoto que carregava segredos de outro mundo e o peso de um futuro incerto, permitiu-se apenas por aquela tarde ser apenas um estudante, um irmão, um amigo e alguém profundamente amado.

Mas, enquanto observava Tessia rindo ao longe, ele jurou silenciosamente que, não importava o que viesse — deuses, demônios ou guerras —, ele seria o escudo que o mundo nunca viu para proteger aquele sorriso. E desta vez, ele não lutaria sozinho. Ele tinha um exército de amigos, uma família leal e uma princesa que não era apenas uma boneca de vidro, mas uma rainha pronta para a batalha.

— Vamos, Elijah — Arthur disse, levantando-se e esticando os braços. — Temos que alcançá-las antes que a Ellie convença a Tessia a comprar a sorveteria inteira.

— Com o dinheiro de quem? — Elijah perguntou, já sabendo a resposta.

— Do "papai", provavelmente — Arthur sorriu, seguindo o rastro de mana daquelas que eram seu mundo inteiro.

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