
Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 01/09/2026
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O Lápis e a Auréola: Uma Rebelião no Reino Branco
O ambiente era asséptico demais, brilhante demais e, francamente, cheirava a flores frescas — o que era um insulto direto ao olfato de Oliver, que preferia o aroma químico e reconfortante de uma barra de sabão de lavanda ou, quem sabe, de limão siciliano. Oliver, o valentão de cabelos brancos que costumava aterrorizar os corredores da Paper School com seus amigos Zip e Edward, agora se encontrava em um cenário que parecia saído de um pesadelo de pureza absoluta.
Ele estava no território dos Exorcistas do Céu.
Oliver olhou ao redor com desdém. Sua longa cabeleira branca, que chegava aos tornozelos e estava presa naquele rabo de cavalo baixo característico, parecia opaca contra a radiância dourada do local. Ele ajeitou a mecha arrepiada no topo da cabeça com o braço direito, enquanto o esquerdo — o braço de lápis que era tanto sua ferramenta de desenho quanto sua arma de intimidação — batucava impacientemente contra a coxa coberta pela bermuda branca.
— Sério? É só isso? — Oliver zombou, a marca de "A+" em seu cabelo brilhando sob a luz celestial. — Eu esperava algo mais... intimidador. Vocês parecem lâmpadas fluorescentes com asas.
Os anjos, figuras altas e envoltas em vestes que pareciam tecidas com luz, não responderam com palavras. O silêncio deles era pesado, carregado de um julgamento que Oliver já estava acostumado a receber da Senhorita Circle, mas isso era diferente. Não havia a promessa de uma nota baixa ou de uma detenção sangrenta; havia apenas uma frieza divina.
Subitamente, o ar ao redor de Oliver começou a vibrar. Antes que ele pudesse reagir, cordas feitas de pura energia dourada — cordas angelicais — surgiram do nada, serpenteando pelo ar como serpentes de luz.
— Ei! O que é isso? — Oliver gritou, tentando recuar, mas as cordas foram mais rápidas.
Elas se envolveram em torno de seu peito e braços com uma força surpreendente. Oliver lutou, seu braço de lápis riscando o chão de mármore celestial, deixando marcas de grafite que pareciam profanar o solo sagrado.
— Me soltem, seus idiotas alados! — ele rosnou, a raiva fervendo em seu peito. — Vocês sabem quem eu sou? Eu sou o Oliver! Eu faço a vida dos nerds um inferno! Vocês não podem simplesmente me prender assim!
Os anjos se aproximaram, seus rostos sem feições expressando uma determinação calma. Um deles estendeu a mão e mais cordas surgiram, prendendo o braço de lápis de Oliver firmemente contra seu corpo, impedindo-o de usar a ponta afiada para se libertar.
A irritação de Oliver escalou para uma fúria cega. Ele se debateu, os chifres pretos parecendo absorver a luz ao redor, criando um contraste sombrio com o ambiente. Ele chutou o ar, suas botas pretas e meias brancas se agitando freneticamente.
— Quando eu sair daqui, vou riscar a cara de cada um de vocês! — ele ameaçou, a voz falhando pelo esforço. — Zip e Edward vão adorar ver como vocês queimam fácil!
Um dos exorcistas, o que parecia estar no comando, fez um gesto sutil. Outra tira de luz, mais larga e densa, materializou-se na mão do anjo. Antes que Oliver pudesse lançar outro insulto, a tira foi pressionada contra sua boca.
— Mmmph! — O som foi abafado instantaneamente.
Oliver arregalou os olhos. Ele tentou cuspir a mordaça de luz, mas ela se moldava perfeitamente ao seu rosto, firme e inabalável. O gosto não era de sabão; era um gosto metálico e frio, algo que ele detestava profundamente.
— Mmmph-nnngh! — Ele tentou gritar, mas apenas sons abafados de irritação extrema escaparam. Sua garganta vibrava com o esforço, e seu rosto começou a ficar vermelho de raiva.
Os anjos não pararam por aí. Ignorando os protestos mudos do rapaz, dois deles se ajoelharam aos seus pés. Oliver percebeu a intenção e começou a chutar com ainda mais vigor. Ele era ágil, treinado por anos de travessuras e fugas na escola, mas as cordas angelicais tinham uma vontade própria. Elas se enrolaram em torno de seus tornozelos, puxando-os juntos e imobilizando suas pernas.
Agora, Oliver estava completamente rendido. Amarrado da cabeça aos pés, amordaçado e jogado no chão frio e brilhante. Ele se debateu como um peixe fora d'água, o corpo arqueando-se enquanto tentava romper as amarras. O rabo de cavalo longo se espalhou pelo chão como uma mancha de tinta branca.
— Mmmph! Mmmph-mmm! — Ele olhava para os anjos com puro ódio, a marca de "A+" em seu cabelo parecendo pulsar em um tom de vermelho mais vivo, como se refletisse seu estado emocional.
Um dos anjos se inclinou sobre ele, a voz soando como o tilintar de sinos distantes.
— A quietude é um dom, jovem alma. Sua língua trouxe apenas discórdia, e suas mãos, apenas destruição. Aqui, você aprenderá o peso do silêncio.
Oliver revirou os olhos com tanta força que doeu. "Peso do silêncio"? Aquilo era a coisa mais brega que ele já tinha ouvido. Ele preferia mil vezes os gritos de pavor de Abbie ou as broncas histéricas da Senhorita Bloomie. Pelo menos na Paper School as regras eram claras: ou você era o predador, ou era a presa. E Oliver nunca, em toda a sua vida escolar, aceitou ser a presa.
Ele continuou a se debater, a sola de suas botas batendo ritmicamente contra o mármore, criando um som surdo que ecoava pelo salão vasto. Ele estava furioso. Não apenas porque estava preso, mas porque estava sendo tratado como algo que precisava ser "consertado".
Ele pensou no pedaço de sabão que tinha escondido no bolso da camisa antes de ser trazido para aquele lugar. Se ele conseguisse alcançar... mas suas mãos estavam presas de forma que o braço de lápis cutucava suas próprias costelas.
— Mmm-nnn-gh! — Ele forçou a voz contra a mordaça, tentando transformar seu som em um xingamento audível.
Os anjos começaram a se afastar, deixando-o sozinho no centro daquela sala circular. A luz era constante, sem sombras, sem esconderijos. Oliver parou de se debater por um momento, a respiração pesada saindo pelo nariz em rajadas curtas e irritadas.
Ele olhou para o próprio braço de lápis. Se houvesse uma maneira de girar o pulso... se ele pudesse ao menos rasgar um centímetro daquelas cordas...
A mente de Oliver, sempre trabalhando em prol do caos, começou a traçar um plano. Ele não era apenas um valentão; ele era um sobrevivente da Paper School. Se ele conseguia sobreviver a professoras com bússolas gigantes e serras elétricas, ele certamente conseguiria lidar com um bando de anjos com mania de limpeza.
Ele fechou os olhos, concentrando-se. O "A+" em seu cabelo brilhou intensamente. Ele ia mostrar para aqueles exorcistas que nem tudo o que vinha do papel era fácil de dobrar.
— Mmmph — ele murmurou baixinho para si mesmo, um som que, se não estivesse abafado, seria uma risada travessa.
A diversão estava apenas começando, e Oliver pretendia deixar uma marca permanente — de grafite e rebeldia — naquele lugar imaculado.
— Mmmph-nnn! — Ele deu um último solavanco violento, as cordas angelicais brilhando em resposta à sua resistência.
Os anjos podiam ter a luz, mas Oliver tinha a audácia. E na Paper School, a audácia sempre valia uma nota máxima. Ele esperou, os olhos fixos na porta por onde os anjos haviam saído, o coração batendo no ritmo de uma nova travessura. Ele ia sair dali, e quando saísse, a primeira coisa que faria seria encontrar a maior e mais perfumada barra de sabão para comemorar sua liberdade.
Mas, por enquanto, ele continuava ali: um borrão preto e branco de pura irritação, desafiando a perfeição do céu com cada centímetro de seu ser amarrado.
