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Ler me love you

Fandom: Jikook

Criado: 01/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoOmegaversoHistóricoCiúmesEstudo de Personagem
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A Melodia Silenciosa das Lágrimas de Cristal

O ar da noite de primavera em Londres estava impregnado com o perfume pesado de rosas e jasmim, mas para Jeon Jungkook, o cheiro era sufocante. O salão de baile da residência dos Kim brilhava sob a luz de mil velas, refletindo-se nos lustres de cristal e nas joias das damas e cavalheiros da alta sociedade. No entanto, para o jovem ômega, aquele esplendor era apenas o cenário de sua mais nova ruína.

Jungkook ajeitou o colarinho de seda, sentindo o tecido pinicar sua pele sensível. Seus olhos grandes e expressivos buscavam, com uma urgência quase dolorosa, a figura alta e imponente de Kim Seokjin. Quando finalmente o encontrou, o coração de Jungkook deu um salto, apenas para ser esmagado no instante seguinte. Seokjin estava encostado em uma coluna de mármore, rindo de algo que um ômega de cabelos platinados dizia, sua mão descansando com possessividade na cintura do desconhecido.

Park Jimin, observando de um canto estratégico perto da mesa de ponche, sentiu a mandíbula travar. Ele conhecia aquele olhar de Jungkook. Era o olhar de um náufrago que via a última tábua de salvação se afastar.

— Ele não vai mudar, Jungkook — murmurou Jimin para si mesmo, os nós dos dedos brancos de tanto apertar a taça de cristal.

Jimin era um alfa de linhagem impecável, respeitado por sua inteligência e por sua postura sempre impecável. Mas, por dentro, ele era uma tempestade de frustração e adoração silenciosa. Ele amava Jungkook desde que ambos corriam descalços pelos campos de suas propriedades rurais, muito antes de as regras de castas e as expectativas sociais erguerem muros entre eles.

Jungkook, ignorando o bom senso e o próprio orgulho que lhe restava, caminhou em direção a Seokjin. Seus passos eram hesitantes, e o aroma de canela e baunilha que ele exalava estava carregado de uma ansiedade agridoce.

— Seokjin-ssi... — chamou Jungkook, a voz quase um sussurro em meio à música da orquestra.

O alfa mais velho virou o rosto lentamente, seus olhos frios percorrendo a figura de Jungkook com um desdém que fez Jimin querer cruzar o salão e desferir um golpe naquele rosto perfeito.

— Ah, Jeon. Você ainda está aqui? — Seokjin perguntou, sem sequer se afastar do outro ômega. — Pensei ter deixado claro que esta noite eu estaria ocupado com convidados mais... estimulantes.

— Mas você disse que dançaríamos a primeira valsa depois do jantar — Jungkook insistiu, os dedos brincando nervosamente com a bainha do casaco. — Eu esperei, Seokjin-ssi.

Seokjin soltou uma risada curta e seca, voltando sua atenção para o acompanhante ao seu lado.

— Eu digo muitas coisas, Jungkook. Você deveria aprender a não levar tudo tão ao pé da letra. Agora, se nos der licença, estamos no meio de uma conversa privada.

O ômega platinado soltou uma risadinha afetada, lançando um olhar de superioridade para Jungkook. O golpe foi físico. Jungkook recuou um passo, sentindo o rosto arder de vergonha enquanto alguns nobres próximos cochichavam por trás de seus leques. Ele deu meia-volta, as lágrimas já embaçando sua visão, e caminhou apressadamente em direção às portas francesas que levavam aos jardins.

Jimin não hesitou. Ele deixou sua taça de lado e seguiu o rastro de canela e tristeza. Encontrou Jungkook perto de uma fonte de pedra, onde a água jorrava silenciosamente sob o luar. O ômega estava encolhido, os ombros sacudindo com soluços contidos.

— Jungkook, por favor, pare de fazer isso consigo mesmo — sussurrou Jimin, aproximando-se com cautela, como se temesse espantar uma criatura ferida.

Jungkook levantou o rosto, as bochechas molhadas e os olhos vermelhos.

— Mas... ele não me quer, Jimin. Por que ele não me quer? Eu fiz tudo o que ele pediu. Eu mudei meu jeito de vestir, eu aprendi as músicas que ele gosta...

— Claro que ele não quer! — Jimin explodiu, a voz carregada de uma dor que ele não conseguia mais esconder. — Ele não sabe o que perde, Jungkook! Ele é um tolo cego pelo próprio ego.

— Você não entende... — Jungkook soluçou, abraçando o próprio corpo. — Eu só queria que ele me amasse...

Jimin deu um passo à frente, encurtando a distância entre eles. O cheiro de lavanda e madeira de sândalo do alfa envolveu Jungkook, agindo como um bálsamo imediato para seus sentidos castigados. Jimin segurou o rosto de Jungkook com as duas mãos, forçando-o a olhar para ele.

— Você merece mais do que isso! — Jimin disse, a voz firme, mas trêmula de emoção. — Você merece um alfa que te veja como a joia rara que você é, que te ame e te proteja, não alguém que te usa como um acessório descartável.

— Jimin... — Jungkook tentou desviar o olhar, mas o alfa não permitiu.

— Olhe para mim, Jungkook. Por favor. Se ele não pode te amar... deixe que eu te ame.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da água da fonte e pela música abafada que vinha do salão. Jungkook arregalou os olhos, a respiração travada na garganta.

— Jimin... o que você está dizendo? — perguntou ele, a voz falhando.

— Estou dizendo que já cansei de te ver sofrer — Jimin declarou, e pela primeira vez, toda a barreira de "melhor amigo" caiu por terra. — Eu te amo. Eu te amo de uma forma que ele nunca poderá, porque ele só ama a si mesmo. Ele não pode te dar o que você precisa. Ele não te enxerga, Jungkook. Mas eu sim. Eu vejo cada detalhe seu, cada sonho que você esconde, cada lágrima que você derrama por quem não merece. Deixe-me te amar. Deixe-me te mostrar o que é ser amado de verdade.

Jungkook ficou estático. As palavras de Jimin ecoavam em sua mente como uma melodia há muito esquecida, mas estranhamente familiar. Ele olhou para Jimin e, pela primeira vez, não viu apenas o amigo de infância que sempre estava lá. Viu o alfa que o segurava quando ele caía, que o defendia dos valentões na escola, que o ouvia falar por horas sobre Seokjin sem nunca reclamar, apesar da dor que isso claramente lhe causava.

— Eu não sei se consigo... — Jungkook sussurrou, o medo da rejeição ainda impregnado em sua alma. — Eu estou tão quebrado, Jimin.

— Eu te ajudarei, amor — Jimin disse, descendo as mãos para segurar as de Jungkook, entrelaçando seus dedos com firmeza. — Eu farei tudo por você, só me dê uma chance. Eu prometo que nunca mais chorarás por falta de amor.

— Promete? — Jungkook perguntou, uma pequena centelha de esperança começando a brilhar em seus olhos escuros.

— Prometo com a minha vida — afirmou Jimin.

O alfa não esperou por mais palavras. Ele se inclinou, selando a promessa com um beijo. Foi um toque terno, mas carregado de uma urgência contida por anos. Jungkook soltou um suspiro trêmulo e se entregou. O beijo de Jimin era diferente de tudo o que ele já experimentara; não havia a frieza calculada de Seokjin, mas sim um calor avassalador que parecia curar as feridas em seu coração.

Jungkook sentiu as mãos de Jimin deslizarem para sua cintura, puxando-o para mais perto, eliminando qualquer espaço entre eles. O aroma de lavanda e sândalo tornou-se mais intenso, envolvendo-o em uma redoma de segurança. Pela primeira vez em muito tempo, o peso em seu peito desapareceu.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. Jimin encostou a testa na de Jungkook, fechando os olhos por um momento para processar a realidade.

— Eu... eu não sei o que dizer — sussurrou Jungkook, o rosto corado de uma forma que Jimin nunca vira antes.

— Não diga nada — Jimin respondeu com um sorriso doce, o polegar acariciando a bochecha do ômega. — Apenas me deixe te amar.

Jungkook não resistiu mais. Ele escondeu o rosto no pescoço de Jimin, aspirando profundamente o cheiro do alfa. Sentia-se em casa. Sentia-se, finalmente, querido.

— Jimin? — chamou Jungkook baixinho.

— Sim, meu bem?

— Obrigado por me esperar.

Jimin apertou o abraço, beijando o topo da cabeça de Jungkook. Ele sabia que a sociedade falaria. Sabia que as famílias poderiam questionar a rapidez daquela mudança. E sabia que Seokjin, em sua arrogância, poderia tentar reaver o "brinquedo" que perdera. Mas, enquanto sentia o coração de Jungkook batendo contra o seu, Jimin soube que nada disso importava.

— Vamos voltar? — perguntou Jimin, estendendo a mão.

Jungkook hesitou por um segundo, olhando para as portas do salão. Ele pensou em Seokjin, na humilhação e nas noites em claro. Depois, olhou para Jimin, para o brilho sincero e protetor em seus olhos.

— Sim — disse Jungkook, segurando a mão de Jimin com firmeza. — Vamos voltar.

Eles caminharam de volta para o brilho das velas, mas desta vez, Jungkook não estava seguindo ninguém. Ele estava caminhando ao lado de alguém. Ao entrarem no salão, o silêncio pareceu segui-los por alguns metros. Seokjin, que ainda estava no mesmo lugar, olhou para os dois, a expressão de tédio sendo substituída por uma surpresa genuína ao ver as mãos entrelaçadas e a postura ereta de Jungkook.

Seokjin deu um passo à frente, abrindo a boca para dizer algo, provavelmente uma piada ácida para retomar o controle da situação. Mas Jimin apenas lançou-lhe um olhar tão gélido e autoritário que o outro alfa parou no lugar. Era o olhar de um lobo protegendo o que lhe era mais precioso.

Jungkook não desviou o olhar. Ele passou por Seokjin sem dizer uma palavra, sem derramar uma lágrima. Ele não precisava mais daquela aprovação vazia.

— Você está bem? — perguntou Jimin, quando pararam perto da orquestra.

— Nunca estive melhor — respondeu Jungkook, e pela primeira vez naquela noite, seu sorriso foi verdadeiro.

A orquestra começou a tocar uma nova valsa, uma melodia suave e esperançosa. Jimin fez uma reverência elegante, estendendo a mão para o seu ômega.

— Concede-me esta dança, Jeon Jungkook?

— Com todo o meu coração, Park Jimin.

Enquanto giravam pelo salão, sob os olhares de toda a aristocracia, Jungkook percebeu que o amor não era uma perseguição desesperada. O amor era o porto seguro que estivera ao seu lado o tempo todo, esperando pacientemente que ele parasse de correr para que pudesse, finalmente, ser alcançado. E ali, nos braços de Jimin, ele soube que nunca mais estaria sozinho.

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