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Cherry vanilla

Fandom: Jikook

Criado: 01/09/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoOmegaversoMpregTragédiaMorte de PersonagemHistória Doméstica
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O Perfume do que Fica

O vento frio de outubro corta a colina coberta de folhas vermelhas e douradas, carregando o cheiro de pinho, madeira queimada e maçãs colhidas há pouco. Estavam ali há seis dias, alugando uma pequena casa de madeira no interior da Nova Inglaterra, fugindo do ritmo insano da cidade para respirar ar puro e ver as florestas em plena mudança de estação. O plano era caminhadas matinais, passeios até a cidadezinha vizinha e noites junto à lareira — mas, desde o segundo dia, Jimin só quer descansar. Não um descanso breve, mas um sono profundo, como se o corpo dele estivesse trabalhando em silêncio, exigindo toda a sua energia.

Agora, Jungkook volta da cozinha com duas canecas de chocolate quente e para na porta da varanda. Lá, enrolado em um cobertor xadrez grossa, Jimin dorme numa espreguiçadeira de madeira, o rosto virado para o sol fraco do outono, as bochechas levemente coradas pelo frio. O alfa aproxima-se devagar, os passos suaves sobre as tábuas de madeira, e se agacha diante dele.

É então que o nariz dele capta — primeiro como uma lembrança distante, depois com toda a clareza — um perfume que o faz parar, o coração dar um salto e esquecer de bater.

O aroma de Jimin sempre foi leve e fresco, como cereja azeda e folha verde, suave e breve, como a fruta colhida no auge. Mas agora… agora é outra coisa. Mais denso, mais rico, quente e persistente. Cereja madura, calda de fruta açucarada, misturada à baunilha doce e cremosa, aquela que exala lentamente, doce e reconfortante, como o recheio de uma torta assada no forno. Não é algo que ele usou; é dele, vindo de dentro, enchendo o ar ao redor, doce e viva, tão presente que Jungkook sente os olhos se encherem de lágrimas antes de organizar qualquer pensamento.

Ele estende a mão e roça de leve a bochecha do ômega, afastando um fio de cabelo que caiu sobre os olhos. Jimin se mexe devagar, os olhos abrindo-se pesados e sonolentos, mas ao vê-lo, um sorriso mole e doce se forma nos lábios.

— Eu dormi de novo? — boceja, esticando os braços para cima, o cobertor escorregando um pouco do ombro. — Não consegui evitar… estou tão cansado, Kook. Como se cada passo tomasse tudo o que tenho. E comidas… coisas que eu amava, agora me enjoam, e eu nem sei por quê. Até o café, que eu não passo sem, agora cheira mal.

— Eu percebi, amor. — Jungkook puxa o cobertor de volta, cobrindo-o bem, e os olhos dele percorrem o rosto do companheiro enquanto tudo começa a se encaixar de uma forma que o deixa tonto. — E o ninho… você tem feito ele cada vez mais fechado, mais cheio de cobertores grossos e nossas roupas, como se precisasse estar sempre protegido, sempre escondido. Ontem você disse que queria deixar a lareira acesa a noite toda, que se sentia frio mesmo com tudo fechado.

— É mais confortável assim… mais seguro. Não pensei que fosse estranho. — Jimin franze a testa levemente, confuso, ainda grogue do sono.

— Não é estranho, Jimin. É… é o seu corpo te dizendo algo. — Jungkook respira fundo, e aquele cheiro novo — cereja madura, baunilha, doçura quente — o envolve de novo, fazendo a voz sair mais suave, mais emocionada. — Você cheira diferente. Muito diferente. Não é o sabonete, não é o chá… é você. É o seu aroma. Mais doce, mais quente, mais forte. Como uma torta no forno, doce e completa, como se algo estivesse crescendo lá dentro, florescendo de pouco em pouco.

— Diferente como? — O ômega pisca, a sonolência se partindo em confusão. — Eu não mudei nada… tomei banho de sempre, com sabonete de cereja, aquele que você me deu…

— Não é o sabonete. Você sempre cheirou a cereja, mas nunca assim. — Jungkook levanta a mão devagar, e pousa-a sobre o abdômen de Jimin, com todo o cuidado do mundo, como se já soubesse que ali há algo frágil e precioso. — Agora há baunilha também. Doce, cremosa, quente… é o cheiro de vida crescendo. Eu li que quando um ômega concebe, o corpo muda o aroma para avisar — para o alfa, para si mesmo, para o mundo. O seu… cheira a cereja madura e baunilha, a doçura que se aprofunda, a um começo. Você cheira a gravidez, meu bem.

O silêncio cai entre eles, só quebrado pelo vento nas árvores e o som distante de um carro passando na estrada de terra. Jimin fica imóvel, os olhos arregalando lentamente, as palavras se assentando uma por uma, como se estivesse entendendo antes mesmo de conseguir falar. Ele coloca a própria mão por cima da de Jungkook, ainda sobre o ventre.

— Gravidez…? — sussurra, quase um sopro, como se dissesse algo muito delicado que poderia se quebrar. — Mas… nosso último cio foi há semanas. E eu não senti nada… como não percebi antes?

— O corpo guarda os segredos até estar pronto para revelá-los, não é? — Jungkook ri baixo, uma risada leve e emocionada, e aproxima-se para tocar a testa na dele, os olhos brilhando com lágrimas que já não consegue segurar. — Demora tempo até se sentir, até se notar… mas agora está aqui. E eu… nunca estive tão feliz em toda a minha vida.

— Você tem certeza? — Jimin pergunta, a voz trêmula, os dedos agarrando levemente a camisa do alfa, como se precisasse de uma âncora. — Nós… nós vamos ser pais?

— Nós vamos ser pais, Jimin. — Jungkook o puxa para um abraço lento e cuidadoso, envolvendo-o nos braços como se quisesse protegê-lo de tudo, e beija o topo da cabeça dele, inalando aquela doçura nova e maravilhosa que é só deles — cereja e baunilha, doce e viva. — Há um bebê crescendo aqui. Nosso bebê.

Jimin afasta-se só o suficiente para olhar nos olhos dele, e um sorriso brota em seus lábios, brilhante e leve, como o sol pálido que os banha. Ele entrelaça os dedos nos de Jungkook e leva as mãos ainda unidas até o próprio peito, onde o coração bate rápido e forte.

— Um bebê — repete, baixinho, como se estivesse saboreando a palavra. — Nosso bebê.

O sol começa a descer, tingindo o céu de tons de laranja e roxo, e o vento traz o cheiro de pinho e fumaça de lareira misturado àquele aroma novo — cereja madura, baunilha, vida. Jimin apoia a cabeça no ombro de Jungkook, e pela primeira vez em dias não sente o peso do cansaço — só uma alegria quente, crescendo devagar, combinando perfeitamente com o perfume que agora os envolve os dois.

O silêncio se estendeu entre eles, doce e carregado de significado, apenas quebrado pelo vento que sussurrava entre as árvores de outono. Jimin ainda segurava a mão de Jungkook sobre o próprio ventre, como se ao tocar pudesse sentir, de alguma forma, aquela nova vida que começava a crescer ali. Os olhos dele encheram-se de lágrimas que rolaram lentamente pelas bochechas, misturando-se ao rubor causado pelo frio.

— Eu… eu não sei o que dizer — sussurrou Jimin, a voz embargada, mas com um sorriso tão radiante que parecia iluminar a varanda. — Isso é… é o melhor presente que eu poderia receber.

Jungkook o beijou suavemente, com toda a ternura que cabia em seu peito, saboreando o gosto de cereja nos lábios do ômega — agora mais doce, mais intenso, como se o mundo inteiro tivesse ganhado um brilho novo.

— Não precisa dizer nada, meu amor. Só precisa saber que eu estou aqui. Por você, por nós, por esse pequeno milagre que está crescendo em você. — Ele afastou o cobertor o suficiente para puxar Jimin para si, abraçando-o com cuidado, e sentiu o coração do companheiro bater acelerado contra o seu peito. — Vamos cuidar de vocês dois. Para sempre.

Naquela noite, a lareira foi acesa cedo, as chamas dançando sobre as toras de madeira e pintando as paredes de tons dourados e alaranjados. O chocolate quente já esfriava na mesa, esquecido, enquanto os dois ficavam sentados no tapete de lã, perto do fogo, envolvidos no mesmo cobertor xadrez. Jimin estava deitado de lado, a cabeça apoiada no colo de Jungkook, que passava os dedos lentamente pelos fios escuros do cabelo dele, os olhos fixos no rosto do companheiro, como se quisesse memorizar cada detalhe daquele momento.

— Você acha que vai ser menino ou menina? — perguntou Jimin de repente, quebrando o silêncio suave do ambiente. Seus dedos brincavam distraídos com o botão da camisa do alfa.

Jungkook sorriu, inclinando-se para beijar a ponta do nariz dele.

— Não importa. Se for parecido com você, será perfeito de qualquer jeito. — Ele baixou o olhar para o ventre de Jimin, acariciando-o com a palma da mão, devagar, com todo o carinho do mundo. — Mas eu já imagino… alguém com os seus olhos, com o seu sorriso… alguém que vai cheirar a cereja e baunilha, igual a você.

Jimin riu baixo, um som leve e feliz, e colocou a mão por cima da de Jungkook, mantendo-a ali.

— E se for um ômega… ou um alfa… ou até um beta… não importa, não é? Só quero que seja saudável. Que seja nosso.

— Será nosso. E será amado mais do que tudo neste mundo. — Jungkook aproximou os lábios da testa dele, inalando profundamente aquele aroma que agora era o seu favorito em toda a criação — cereja madura e baunilha, doce e quente, a essência de uma família começando ali. — Eu vou estar com você em cada passo. Desde o primeiro dia até o último. Nada vai nos faltar. Nada vai te faltar.

Nos dias que se seguiram, a casa de madeira na colina pareceu se encher de uma luz nova. O cansaço de Jimin não desapareceu — ao contrário, parecia aumentar —, mas agora ele entendia o porquê, e isso fazia toda a diferença. Jungkook não o deixava levantar um dedo: preparava as refeições que o ômega conseguia tolerar, fazia chás quentes, cobria-o com cobertores extras e passava horas sentado ao lado dele, lendo em voz alta ou apenas observando-o dormir, com um sorriso bobo e feliz nos lábios.

Na manhã em que partiram para voltar à cidade, o carro estava carregado de malas, de folhas secas que Jimin insistiu em guardar, de maçãs colhidas no pomar vizinho e de uma certeza que não cabia no peito de ambos. Antes de entrar no carro, Jimin parou e olhou para a pequena casa de madeira, os olhos brilhando com lágrimas de gratidão.

— Aqui foi onde descobrimos — disse ele, suavemente, apoiando a mão sobre o ventre. — Onde tudo começou.

Jungkook o abraçou por trás, envolvendo os braços ao redor dele, e pousou a mão sobre a de Jimin.

— Aqui foi onde nossa família começou. E vamos voltar sempre. Para contar histórias, para trazer ele… ou ela… para ver as árvores de outono e sentir o cheiro de pinho.

Jimin virou-se nos braços dele e sorriu, puxando-o para um beijo doce e demorado, com o vento frio de outubro soprando ao redor deles, mas sem importar — porque ali, entre os braços um do outro, havia calor, havia doçura, havia cereja e baunilha, havia vida florescendo.

— Vamos para casa, Kook — sussurrou ele contra os lábios do alfa. — Temos um ninho para preparar.

— Temos — concordou Jungkook, abrindo a porta do carro para ele com um sorriso cheio de futuro. — E será o ninho mais seguro, mais quente e mais amado de todo o mundo.

E quando o carro partiu pela estrada de terra, afastando-se da colina coberta de folhas vermelhas e douradas, Jimin apoiou a cabeça no ombro de Jungkook, fechou os olhos e sorriu. O caminho de volta era o mesmo, mas o destino era completamente diferente — porque agora, não voltavam mais sozinhos. Voltavam três, levando consigo o outono da Nova Inglaterra, o cheiro de cereja e baunilha, e um amor que crescia a cada batida do coração, forte e doce como o perfume que os unia para sempre.

A porta da casa se abriu com um clique suave, e o calor familiar os recebeu de imediato — o cheiro de lavanda, madeira e lar. Mas agora, ao fechar a porta atrás de si, Jungkook sentiu o ar mudar: o aroma de cereja madura e baunilha, mais doce e intenso do que nunca, preencheu o espaço entre eles, como se o próprio lar estivesse celebrando a nova vida que carregavam.

— Chegamos — murmurou Jimin, soltando um suspiro de alívio ao apoiar a mão na parede do corredor. — Nossa casa.

— Nossa casa, nosso ninho, nosso lugar seguro — completou Jungkook, tomando as malas de uma mão só e logo estendendo a outra para ele. — Vem, ômega meu. Você não carrega nada hoje. Nem amanhã. Nem enquanto eu respirar.

Jimin sorriu, doce e leve, entrelaçando os dedos nos dele. O cansaço da viagem pesava em seus ombros, mas havia algo mais forte — uma alegria quieta, uma certeza que o fazia caminhar com mais calma, com mais cuidado, como se cada passo fosse uma prece silenciosa para o pequeno ser que crescia em seu interior.

Nos dias que se seguiram, a casa se transformou num refúgio ainda mais acolhedor. Jungkook assumiu cada tarefa: arrumava, limpava, cozinhava exatamente o que o estômago de Jimin conseguia suportar — frutas doces, mingaus quentes, chás de camomila que ele preparava com todo o carinho do mundo. Mas era Jimin quem cuidava do lar, e de um jeito que fazia o coração do alfa transbordar.

O ômega passava as manhãs arrumando o quarto do bebê com uma paciência infinita. Lavava roupinhas minúsculas de algodão, as estendia no sol para que ficassem com o cheiro de ar puro e de si mesmo, as dobrando com cuidado e as colocando na cômoda de madeira clara que Jungkook havia montado com as próprias mãos. Colocava almofadas macias no canto da cama, estendia cobertores grossos e quentes, e espalhava pelo quarto pequenos bichinhos de pelúcia — um coelho, um cervo, um ursinho — como se estivesse enchendo o espaço de amor antes mesmo que o pequeno ser chegasse.

— Você está fazendo tudo perfeito — disse Jungkook uma tarde, parado na porta do quarto, observando Jimin sentado no chão, dobrando uma mantinha listrada com um sorriso tão terno que doía de tão bonito. — Ele… ou ela… vai ter o melhor ninho do mundo.

Os meses se arrastaram suaves, como o vento que entrava pela janela entreaberta, trazendo o perfume das flores que Jimin plantara no jardim da frente. A barriga dele crescia devagar, arredondada e bonita, e com ela crescia também um brilho sereno nos olhos, uma doçura que parecia impregnar cada canto da casa.

Naquela tarde, o médico sorriu ao virar a tela do ultrassom, e a voz dele foi suave, mas cheia de certeza:

— É uma menina.

Jimin sentiu as lágrimas rolarem antes mesmo de perceber. Ele levou as mãos à boca, e ao lado dele, Jungkook soltou um suspiro que parecia carregar toda a alma. Uma menina. Uma pequena delas, com os olhos de um e o sorriso do outro, crescendo ali, protegida, amada, esperada. No caminho de volta para casa, Jimin não parou de acariciar a barriga, sussurrando promessas e carinhos para a filhotinha que ainda nem conhecia, mas já amava com toda a força do seu ser.

— Nossa menina — repetia, de vez em quando, como se estivesse provando a palavra. — Nossa pequena.

A felicidade deles parecia não ter fim. Todos os dias, Jimin colocava a mão sobre a barriga que crescia suavemente e falava com a filhotinha, contando sobre o mundo que a esperava — sobre o outono na Nova Inglaterra, sobre as árvores vermelhas e douradas, sobre o pai que a amaria mais do que tudo. Jungkook, ao chegar em casa, sempre se curvava para encostar o ouvido ali, sorrindo ao sentir os movimentos pequenos, como se a menina já respondesse ao som da voz do alfa. Eram os seis meses mais doces de suas vidas.

Tudo parecia perfeito. Até aquela noite.

Começou com uma pontada leve, que Jimin tentou ignorar, dizendo a si mesmo que era só o cansaço do dia. Mas a dor voltou, mais forte, seguida de um medo frio que percorreu sua espinha. Ele chamou Jungkook com a voz trêmula, e ao vê-lo entrar no quarto, os olhos do alfa se arregalaram de pavor ao notar o rubor sumir do rosto do ômega, e as lágrimas começarem a cair.

— Dói, Kook… dói muito — sussurrou Jimin, apertando a mão do companheiro com força, como se isso pudesse segurar a vida que parecia estar escapando. — E ela… eu não sinto mais ela.

O hospital foi um borrão de luzes frias, vozes distantes e o som de seu próprio coração se partindo. Os médicos falaram de complicações súbitas, de coisas que acontecem sem aviso, de que fizeram tudo o que era possível. Mas aquelas palavras não faziam sentido — não quando o bebê que eles amavam há seis meses, que já tinha nome, roupinhas arrumadas e um ninho preparado, de repente não estava mais ali.

Quando o médico finalmente disse — sinto muito, não conseguimos salvá-la —, o mundo de ambos parou.

Jimin ficou imóvel na cama, os olhos fixos no nada, como se a alma tivesse saído do corpo junto daquela pequena vida. A mão dele ainda repousava sobre a barriga, onde antes havia movimento, esperança, uma filha. Agora… só o silêncio. Um silêncio tão pesado que doía de ouvir. O cheiro de cereja e baunilha, antes tão vivo e doce, parecia ter sumido, substituído por um vazio gelado que nada conseguia preencher.

Jungkook caiu de joelhos ao lado da cama, escondendo o rosto no cobertor, e chorou — não o choro de quem perdeu algo, mas de quem perdeu parte de si mesmo. Ele queria gritar, brigar, culpar o mundo, mas só havia uma dor tão grande que o deixava sem ar. A sua menina, a pequena que ele já amava tanto, se foi antes mesmo de poder segurá-la nos braços.

— Por quê? — sussurrou Jimin, a voz quebrada em soluços, virando-se para o alfa com os olhos cheios de um desespero que partia o coração. — Nós… nós cuidamos tão bem dela. Eu tentei tanto… por que ela não ficou?

Jungkook subiu na cama e o puxou para um abraço desesperado, apertando-o com força, como se pudesse protegê-lo da própria dor. Ele beijava o rosto molhado de lágrimas do ômega, sem saber o que dizer, porque não havia palavra que pudesse consolar aquilo.

— Não foi sua culpa, meu amor. Nunca foi — murmurou, com a voz embargada. — Você a amou mais do que qualquer um poderia. Você cuidou dela com todo o seu coração. Ela soube disso. Ela soube que era amada.

— Eu queria segurá-la… queria ver os olhinhos dela… — Jimin soluçou, apertando as mãos contra o peito, como se o coração fosse se partir ao meio. — Nossa menina… nossa pequena…

Os dias que se seguiram foram os mais difíceis de suas vidas. A casa, antes tão cheia de planos e de doçura, agora parecia grande demais, silenciosa demais. As roupinhas que Jimin lavara e dobrara com tanto carinho ficaram guardadas na gaveta, intocadas, um lembrete do que poderia ter sido. O berço, montado com tanto amor, ficou vazio.

Jimin passava horas sentado perto da janela, olhando para o jardim onde imaginava brincar com a filha. Ele não falava muito, e quando o fazia, era para perguntar baixinho se ela estava bem, se sentia o amor que eles ainda mandavam para ela, onde quer que estivesse. Jungkook não o deixava sozinho um só instante. Ele segurava a mão do ômega durante toda a noite, e quando Jimin acordava gritando, assustado com a ausência daquele movimento que sentia todos os dias, o alfa o abraçava até que o choro cessasse, dividindo a dor que era grande demais para um só coração.

— Eu sinto que perdi um pedaço de mim — confessou Jimin uma noite, deitado no peito de Jungkook, a voz suave e quebrada. — Como se uma parte do meu coração tivesse ido com ela.

— Eu também sinto — sussurrou Jungkook, beijando o topo da cabeça dele, as lágrimas caindo devagar sobre os cabelos escuros do companheiro. — E sempre vamos sentir. Porque ela foi real, Jimin. Ela esteve aqui. Seis meses de amor, de movimento, de nós três. Ela existiu, e nós a amamos com tudo o que tínhamos. E isso… isso ninguém pode tirar de nós. Nem mesmo a perda.

Jimin fechou os olhos, e pela primeira vez desde que a perdeu, não sentiu só dor. Sentiu também o amor — aquele amor imenso que eles deram à filhotinha, que a envolveu desde o primeiro instante, que a acompanhou até o último suspiro e que continuaria a existir, forte e brilhante, para sempre.

— Ela foi amada — sussurrou Jimin, com um sorriso triste e doce brotando nos lábios. — Nossa menina foi tão amada…

— Mais do que qualquer coisa — concordou Jungkook, entrelaçando os dedos nos dele, apertando com firmeza, como se prometesse que, não importa o que acontecesse, ele nunca o soltaria. — E ela sempre será nossa. Sempre será parte de nós. Do nosso amor. Da nossa história.

Naquela noite, dormiram abraçados, mais unidos do que nunca — não pela alegria, mas pela dor que compartilhavam, pela perda que os tornara mais fortes juntos. O ninho estava vazio, mas o amor não. Eles carregariam a filhotinha no coração para sempre — uma pequena luz de cereja e baunilha, brilhando suavemente, onde quer que estivessem.

Trezentos e sessenta e cinco dias depois, o silêncio pesava em cada canto da casa. O relacionamento esfriou até virar gelo. O silêncio pesava em cada canto da casa. Jungkook, exausto de carregar sozinho o peso de uma perda que era dos dois, partiu.

Meses depois, ao voltar para buscar o que restara, ele encontrou uma caixa de madeira lacrada com um laço de fita rosa. Suas mãos tremeram ao desatar o laço. Dentro, havia roupinhas dobradas e um bilhete que dizia: "Se um dia você tiver outra filha… use. Eu não consegui."

Jungkook caiu de joelhos. O som de seu próprio choro ecoou pelo quarto vazio. Ele finalmente entendeu tudo. Jimin não deixou de amar; ele amou tanto que preparou um presente para a próxima pessoa que ocupasse seu lugar, desejando a Jungkook a felicidade que ele próprio não conseguiu sustentar sob o peso do luto.

Ele segurou aquela caixa contra o peito, sentindo o peso de tudo o que ela representava.

— Eu vou honrar isso — sussurrou para o nada. — Vou honrar você, Jimin.

O sol se pôs, tingindo o céu de laranja e roxo. A menina não veio, mas o amor deles — o amor que cabia naquela caixa — nunca morreu. Ele apenas mudou de forma, esperando o momento certo para florescer de novo em algum lugar além daquela dor.

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