Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Premissa

Fandom: Alien stage

Criado: 02/09/2026

Tags

FantasiaDramaPsicológicoSombrioAçãoHorrorSuspenseHorror CorporalHorror PsicológicoAngústiaViolência GráficaMorte de PersonagemEstudo de PersonagemDor/ConfortoTentativa de Suicídio
Índice

O Aroma Doce do Perigo

O sol da manhã filtrava-se pelas janelas altas do Colégio Anakt, iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar denso dos corredores. Era o primeiro dia do último ano, e o burburinho constante de centenas de vozes criava uma sinfonia de ansiedade e excitação. Entre os uniformes impecáveis e os risos altos, dois novos rostos cruzavam o portão principal.

Luka ajustou os óculos no rosto, conferindo o cronograma em seu tablet com uma precisão quase cirúrgica. Ao seu lado, Mizi caminhava com as mãos nos bolsos da saia, os cabelos rosa com pontas azuis balançando conforme ela saltitava levemente. Para qualquer observador, ela era a personificação da juventude vibrante: bonita, carismática e perfeitamente comum.

Mas, por trás das íris douradas de Mizi, o mundo era muito diferente.

Ela inspirou profundamente, sentindo a avalanche de odores que inundava seus sentidos. Para um yokai, uma escola era um banquete olfativo. Havia o cheiro de suor, de perfume barato, de borracha de apagador e, acima de tudo, o aroma metálico e pulsante do sangue humano. Era como uma música de fundo constante, mas Mizi já era mestre em ignorar o ruído. Ela vivia entre eles há décadas, camuflando sua natureza secular sob a pele de uma adolescente de dezoito anos.

— Mizi, tente não se perder logo no primeiro dia — disse Luka, sem tirar os olhos da tela. — Nossa sala é a 3-A, no segundo bloco. O diretor mencionou que o currículo de artes aqui é rigoroso, então espero que você leve a sério.

Mizi soltou uma risada debochada, dando um tapinha nas costas do irmão.

— Relaxa, maninho! Você cuida dos neurônios e eu cuido da diversão. É o nosso último ano, por que você tem que ser tão... você?

— Alguém precisa manter a ordem — respondeu ele, embora um pequeno sorriso tenha surgido no canto de seus lábios. Ele não fazia ideia de que a irmã que ele protegia era, na verdade, uma criatura capaz de derrubar as paredes daquele prédio com as mãos vazias.

Enquanto caminhavam, Mizi parou abruptamente. Suas narinas dilataram-se.

Entre o cheiro de café e papel novo, algo a atingiu como um soco. Era um aroma doce, profundo, carregado de uma melancolia que parecia tornar o sangue mais espesso, mais rico. Era hipnótico.

— Mizi? — Luka parou, olhando para trás. — O que foi?

— Nada... — murmurou ela, os olhos percorrendo a multidão com uma intensidade predatória que ela rapidamente disfarçou com um sorriso largo. — Só achei que vi um gato na janela. Vamos, antes que o sinal toque!


Na sala 3-A, o grupo de amigos já ocupava o fundo da sala. Ivan, com sua postura relaxada e um sorriso sarcástico permanente, observava a porta. Ao seu lado, Till batucava freneticamente na mesa, os cabelos cinzas mais bagunçados do que o normal, enquanto Hyuna tentava, sem sucesso, convencê-lo a emprestar os fones de ouvido.

Sua, no entanto, estava em seu próprio universo. Sentada perto da janela, ela olhava para o pátio vazio, o rosto pálido emoldurado pelo cabelo preto curto. Seus pensamentos, como sempre, estavam submersos nas águas frias daquele acidente de anos atrás. O som do metal retorcido e o silêncio da morte ainda ecoavam em seus sonhos.

A porta se abriu e o professor entrou, seguido pelos dois novatos.

— Turma, estes são Mizi e Luka. Eles se juntarão a nós este ano. Por favor, sejam receptivos.

Ivan inclinou a cadeira para trás, avaliando os recém-chegados.

— Então esses são os transferidos? — comentou ele, baixo o suficiente apenas para o grupo ouvir.

— Acho que sim — respondeu Hyuna, abrindo um sorriso simpático para Mizi. — Eles parecem legais.

— A garota chama atenção — resmungou Till, parando de batucar por um segundo para observar o cabelo colorido de Mizi.

Ivan soltou um assobio baixo, seus olhos pretos brilhando com diversão provocativa.

— Ela é bonita mesmo. O irmão parece que engoliu um dicionário, mas ela... ela tem algo interessante.

Sua não disse nada. Ela sentiu um arrepio estranho na nuca, uma sensação de estar sendo observada. Levantou os olhos brevemente, encontrando o olhar dourado de Mizi por uma fração de segundo antes de voltar a encarar o próprio caderno. Havia algo naquela garota que a deixava inquieta, mas Sua estava cansada demais para tentar decifrar mistérios.

Mizi sentou-se algumas fileiras à frente, mas sua mente estava longe da aula de literatura. O cheiro estava ali. Vinha de trás. Vinha da garota de olhos roxos que parecia carregar o peso do mundo nos ombros.


O dia passou como um borrão. Mizi desempenhou seu papel com perfeição: fez piadas com os colegas, reclamou do calor e até ajudou Luka a organizar alguns livros na biblioteca. Ninguém suspeitava que, sob aquela fachada, ela estava lutando contra o instinto de se virar e descobrir por que o sangue daquela garota silenciosa cheirava a flores noturnas e tristeza.

Quando o sinal da última aula tocou, a escola esvaziou-se rapidamente.

Ivan, Till e Hyuna caminhavam pelo portão, as vozes ecoando no ar da tarde.

— Você anda devagar demais, Till. Parece um idoso — provocou Ivan, dando um encontrão no ombro do amigo.

— E você fala demais! — rebateu Till, irritado. — Minha cabeça já está explodindo com essa aula de física.

— Obrigado pelo elogio — disse Ivan, com um sorriso cínico.

— Não foi elogio, seu idiota!

Hyuna riu, tentando acalmar os ânimos, enquanto os três seguiam caminho. Alguns metros atrás, Sua caminhava sozinha. Seus olhos estavam fixos nas rachaduras da calçada. Ela pensava no carro caindo, na mão de Ivan puxando-a da água fria, no vazio que nunca foi preenchido. Ela estava tão perdida em sua própria melancolia que não percebeu a sombra que se alongava atrás dela.

Nem percebeu a criatura que rastejava pelo muro de um beco lateral.

Era um yokai menor, uma massa disforme de olhos e garras famintas, atraído pela energia negativa que Sua emanava. Ele se preparou para saltar, as mandíbulas se abrindo em um silêncio sobrenatural.

Sua sentiu um toque súbito. Uma mão quente e firme envolveu seu pulso, puxando-a para parar.

Ela piscou, saindo do transe, e olhou para o lado. Mizi estava ali, encarando-a com uma expressão que Sua não conseguia ler.

— ...Você? — murmurou Sua, confusa.

Mizi não respondeu de imediato. Seu olhar desviou-se para algo acima da cabeça de Sua.

Em um instante, a atmosfera mudou. O ar pareceu esfriar dez graus. Mizi, que até segundos atrás parecia uma adolescente comum, transformou-se. Seu rosto relaxado tornou-se uma máscara de frieza absoluta. As íris douradas brilharam com uma luz interna, preenchendo o olho de uma cor intensa e perigosa.

O yokai saltou do muro em direção a Sua.

Mizi agiu com uma velocidade que o olho humano mal conseguia acompanhar. Sem soltar o pulso de Sua, ela estendeu a outra mão. Seus lábios se entreabriram, revelando dentes afiados, quatro em cima e quatro embaixo, caninos prontos para rasgar.

Ela agarrou a criatura pelo pescoço no meio do ar.

O yokai soltou um guincho abafado, debatendo-se contra a força esmagadora da garota. Mizi não hesitou. Com um aperto seco e brutal, ela esmagou a essência da criatura. Houve uma pequena explosão de fumaça escura e um fluido que desapareceu antes de tocar o chão.

O silêncio retornou à rua.

Mizi relaxou a postura. Seus dentes retraíram-se, o brilho assustador de seus olhos desvaneceu e o sorriso brincalhão voltou ao rosto, embora um pouco mais contido.

Sua estava estática. O coração batia tão forte que ela sentia o pulso contra a mão de Mizi. Ela tinha visto. As presas, os olhos, a força desumana. Não havia como negar o que seus olhos registraram.

Mizi inclinou a cabeça, aproximando-se do pescoço de Sua. Ela inalou profundamente, fechando os olhos por um momento de puro deleite.

— Seu sangue é muito bom — disse Mizi, a voz agora carregada de uma naturalidade debochada, como se comentasse sobre o sabor de um doce.

Sua sentiu a garganta secar.

— ...O quê?

Mizi abriu os olhos, encarando-a com uma sinceridade arrepiante.

— Eu vou te comer.

O tempo pareceu parar. Sua não conseguia se mover, presa no magnetismo aterrorizante daquela garota. Mizi soltou o pulso dela e deu um passo para trás, soltando uma risadinha leve.

— Mas você ainda não está pronta. Falta tempero. Muita tristeza, pouco brilho.

Sem dar mais explicações, Mizi acenou e começou a caminhar na direção oposta, assobiando uma melodia qualquer.

Sua permaneceu ali, sozinha na calçada. Ela olhou para o muro onde a criatura estivera, depois para a palma da própria mão, que ainda formigava onde Mizi a tocara.

"Eu devo estar ficando louca", pensou Sua, as pernas trêmulas. "O acidente... as sequelas devem estar piorando. Isso não pode ter sido real."

Ela forçou-se a andar, a fugir daquele encontro, tentando enterrar a imagem dos olhos dourados sob camadas de negação.


No dia seguinte, a rotina escolar recomeçou como se nada tivesse acontecido. O barulho do refeitório era o mesmo, as piadas de Ivan continuavam irritando Till, e Luka continuava sendo o aluno exemplar.

Sua entrou na sala com passos hesitantes. Seus olhos procuraram imediatamente a fileira da frente.

Lá estava ela. Mizi estava debruçada sobre a mesa de Luka, roubando um pedaço de seu sanduíche e rindo alto de algo que ele dissera. Ela parecia a garota mais normal do mundo. Nada de dentes afiados, nada de aura predatória.

Mizi sentiu a presença de Sua e virou a cabeça. Seus olhares se cruzaram no meio da sala. Mizi deu um piscadela rápida, um segredo compartilhado em silêncio, antes de voltar a importunar o irmão.

Sua sentou-se em seu lugar habitual, o caderno aberto na mesma página do dia anterior. Suas mãos tremiam levemente enquanto ela segurava a caneta.

— Porra... — sussurrou para si mesma — aquilo aconteceu mesmo.

Ela olhou para Ivan, que estava distraído tentando jogar uma bolinha de papel em Till. Ele não sabia. Ninguém sabia. Aquela garota rosa, radiante e barulhenta, era um monstro que vivia entre eles.

E, por algum motivo, aquele monstro tinha decidido que ela, Sua, era a sua presa favorita.

Mizi, sentindo o olhar de Sua queimando em suas costas, sorriu para si mesma enquanto fingia ouvir a explicação de Luka sobre trigonometria. O cheiro de Sua estava ainda mais forte hoje, uma mistura inebriante de medo e curiosidade.

O jogo estava apenas começando, e Mizi tinha todo o tempo do mundo. Afinal, para um yokai, a espera era apenas a parte mais deliciosa do banquete.

Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic