
Oliver!
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 03/09/2026
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O Grude do Orgulho
Os corredores da Paper School costumam ser lugares de caos controlado, mas para Oliver, eles são seu playground pessoal. Com seus longos cabelos brancos balançando como uma cauda de cavalo até os tornozelos e o chifre preto reluzindo sob as luzes fluorescentes, ele se sentia o rei daquele lugar. O braço esquerdo, substituído por um lápis gigante e afiado, batia ritmicamente contra sua bermuda branca enquanto ele caminhava com um sorriso travesso.
Naquela tarde, o ginásio estava vazio, exceto por ele e seu fiel cúmplice, Edward. Eles não estavam lá para estudar geometria ou literatura — disciplinas que Oliver desprezava, a menos que pudesse usar as folhas para desenhar caricaturas ofensivas dos professores. Eles estavam lá para um "treinamento de agilidade".
No centro da quadra, uma enorme mancha de uma substância rosa vibrante e extremamente viscosa havia sido espalhada. Parecia um chiclete gigante derretido, exalando um cheiro sintético e doce que faria qualquer um recuar. Para Oliver, no entanto, era apenas mais um desafio para provar que ele era o mais rápido e habilidoso da escola.
— Está pronto, "lápis humano"? — Edward perguntou, ajustando o cronômetro digital em seu pulso. Ele deu um sorriso de canto, sabendo que Oliver adorava se exibir. — O recorde da Zip foi de dez segundos atravessando isso sem perder os sapatos. Se você for mais lento que ela, vou contar para a escola inteira.
Oliver bufou, ajeitando a mecha arrepiada no topo de sua cabeça e apertando o laço preto que prendia seu cabelo quilométrico.
— A Zip teve sorte. Eu tenho estilo — Oliver rebateu, pegando um pedaço de sabonete do bolso e dando uma mordida rápida, mastigando com prazer o sabor de limpeza e glicerina. — Cronometra logo isso, Ed. Vou ser tão rápido que você nem vai ver meus pés tocando o chão.
Edward levantou a mão, os olhos fixos nos números digitais.
— Três... dois... um... vai!
Oliver disparou. Seus pés, calçados com botas pretas pesadas, atingiram a borda da armadilha pegajosa com força. O primeiro passo foi firme, mas o som de sucção que a substância rosa fez foi um aviso imediato. Ploc!
— É só isso? — Oliver gritou, rindo de forma travessa. — É como andar em cima de marshmallow!
Ele tentou dar o segundo passo, mas a viscosidade era muito maior do que ele previra. A sola da bota direita ficou presa, exigindo um esforço extra. Quando ele finalmente conseguiu puxar o pé, o impulso o jogou para frente com muita força. O equilíbrio, que já era precário devido ao peso de seu cabelo e do braço de lápis, vacilou perigosamente.
— Cuidado aí, bailarina! — Edward gritou, rindo enquanto observava o amigo balançar os braços freneticamente.
Oliver sentiu o mundo girar. Ele tentou cravar a ponta do seu braço de lápis no chão para se estabilizar, mas a superfície era escorregadia demais. Seus pés deslizaram para direções opostas e, com um baque surdo e úmido, ele caiu de bunda bem no meio da poça rosa.
— Droga! — Oliver exclamou, o rosto começando a esquentar de vergonha.
Ele tentou se levantar imediatamente, mas a armadilha parecia ter vida própria. O chiclete rosa grudou em sua bermuda branca e nas suas meias altas, criando fios elásticos que o puxavam de volta para baixo toda vez que ele tentava se elevar.
— Vamos lá, Oliver! O tempo está correndo! — Edward provocou, apontando para o relógio. — Já se passaram quinze segundos!
Irritado e determinado a não ser humilhado, Oliver fez um movimento brusco para frente, tentando usar as mãos para se impulsionar. Foi o seu maior erro. As mãos escorregaram na substância viscosa e, antes que ele pudesse reagir, seu rosto mergulhou direto na massa rosa e grudenta.
O silêncio que se seguiu no ginásio foi interrompido apenas pelo som abafado de Oliver tentando bufar contra o "chiclete".
— Mmmph! Mmmph! — Ele tentava gritar, mas sua boca estava parcialmente coberta pela substância.
Ele conseguiu virar o rosto de lado, a bochecha direita — onde ficava sua marca de "A+" — agora coberta por fios rosados. Seus cabelos brancos, antes impecáveis, estavam começando a se enroscar na armadilha como teias de aranha.
— Ed! Me ajuda aqui! — Oliver gritou, a voz saindo esganiçada. — Eu estou preso! Essa coisa está puxando meu cabelo!
Edward caminhou até a borda da poça, olhando para o cronômetro com um sorriso cínico. Ele apertou o botão lateral e um bipe alto ecoou pelo ginásio.
— Sinto muito, Oliver. O tempo acabou. Você perdeu feio — Edward disse, cruzando os braços e observando a cena patética à sua frente.
Oliver sentiu o sangue subir para as bochechas. O tom de vermelho em seu rosto agora competia com a cor da armadilha rosa. Ele tentou se mexer novamente, mas quanto mais ele lutava, mais o chiclete envolvia seus membros. Seu braço de lápis estava enterrado até a metade, e ele sentia o peso do cabelo puxando sua cabeça para trás.
— Não tem graça, Edward! — Oliver rosnou, embora o rubor em seu rosto denunciasse o quanto ele estava constrangido. — Tira essa droga de relógio e me puxa daqui antes que a Miss Circle apareça e resolva me transformar em papel picado por estar sujando o ginásio!
Edward soltou uma risada curta, divertindo-se com a frustração do valentão da escola.
— Ah, eu não sei não... você fica bem de rosa, Oliver. Combina com esse seu jeito "delicado" de cair — Edward zombou, inclinando a cabeça. — Talvez eu deva chamar a Zip para tirar uma foto. O que você acha?
— Se você fizer isso, eu juro que furo todos os seus cadernos com o meu braço! — Oliver ameaçou, tentando desesperadamente descolar uma das pernas, o que resultou apenas em um som de rasgo elástico e ele caindo de lado novamente.
Ele estava tão corado que até suas orelhas pareciam arder. Oliver, o garoto que sempre estava no controle, que sempre pregava peças nos outros, agora era a própria piada. A sensação do grude em sua pele era irritante, mas o olhar de deboche de Edward era mil vezes pior.
— Sabe o que é mais engraçado? — Edward continuou, dando um passo ao redor da poça como um predador observando a presa. — É que você disse que ia ser tão rápido que eu nem veria seus pés. E você estava certo! Eu só vi a sua cara batendo no chão.
— Cala a boca! — Oliver gritou, tentando esconder o rosto entre os fios de cabelo que ainda não estavam grudados. — Eu só escorreguei! Foi um erro técnico!
— Um erro técnico de trinta segundos e contando — Edward rebateu. — Você está parecendo um inseto preso em uma fita adesiva. Quer que eu traga um pouco de sabonete para ver se você consegue comer a saída dessa situação?
Oliver soltou um rosnado de pura frustração. Ele tentou um último esforço hercúleo para se levantar, usando toda a força de seu braço direito humano. Ele conseguiu elevar o tronco por alguns centímetros, mas a tensão nos fios de seu cabelo comprido o fez soltar um ganido de dor e surpresa.
— Ai! Meu cabelo! Ed, para de brincadeira, está doendo! — A voz de Oliver perdeu um pouco da agressividade, revelando o verdadeiro desespero.
Edward suspirou, finalmente guardando o relógio no bolso. Ele percebeu que, se Oliver ficasse ali por muito mais tempo, o cabelo dele teria que ser cortado, e Oliver provavelmente teria um colapso nervoso se perdesse seu precioso rabo de cavalo.
— Tudo bem, tudo bem. Não precisa chorar, "A+" — Edward disse, estendendo a mão, mas parando logo antes de tocar em Oliver. — Mas você vai ter que admitir.
Oliver olhou para cima, com os olhos semicerrados e o rosto ainda intensamente corado.
— Admitir o quê?
— Admitir que eu sou o melhor cronometrista da Paper School e que você é um desastre ambulante — Edward disse com um sorriso vitorioso.
Oliver cerrou os dentes. O ódio brilhava em seus olhos, mas a humilhação de estar colado ao chão era maior.
— Tá... você é o melhor... e eu... eu sou um desastre — Oliver murmurou tão baixo que quase não deu para ouvir.
— O quê? Não ouvi direito — Edward provocou, colocando a mão atrás da orelha.
— Eu sou um desastre! Agora me tira daqui, seu idiota! — Oliver gritou, a voz ecoando pelas vigas do teto.
Edward riu alto, finalmente segurando a mão direita de Oliver e começando a puxá-lo com força. O som do chiclete se soltando era como o de mil fitas adesivas sendo removidas ao mesmo tempo. Oliver foi içado para fora da poça com um solavanco, caindo por cima de Edward enquanto ambos rolavam para a parte limpa do chão de madeira.
Oliver se sentou, ofegante. Ele estava coberto de fiapos rosa. Sua camisa preta tinha manchas grudentas, suas meias brancas estavam arruinadas e seu cabelo parecia um ninho de pássaros colorido.
— Eu odeio você — Oliver disse, embora estivesse tentando limpar um pouco do grude do rosto com a manga da camisa, o que só espalhou mais a sujeira.
— Você me ama, Oliver. Sem mim, você ainda estaria lá tentando beijar o chão — Edward respondeu, levantando-se e limpando a poeira das calças. — Agora vamos logo. Se a Miss Circle sentir esse cheiro de doce, ela vai achar que estamos escondendo comida e você sabe como ela fica quando está com fome.
Oliver se levantou com dificuldade, sentindo cada centímetro de seu corpo protestar contra a sensação pegajosa. Ele olhou para a armadilha rosa uma última vez, prometendo vingança silenciosa contra o objeto inanimado.
— Da próxima vez — Oliver disse, tentando recuperar sua postura de valentão enquanto ajeitava o laço torto no cabelo —, eu vou fazer a Zip atravessar isso. E você vai cronometrar com o relógio quebrado.
— Claro, Oliver. O que você disser — Edward respondeu, caminhando em direção à saída. — Mas por enquanto... acho que você precisa de um banho. E não, não vale tentar comer o sabonete durante o banho.
Oliver rosnou, mas seguiu o amigo, tropeçando levemente porque suas botas ainda faziam barulho de sucção a cada passo. Ele estava irritado, sujo e completamente humilhado, mas no fundo, a adrenalina da travessura — mesmo que tivesse dado errado — ainda o fazia sentir que aquele era apenas mais um dia normal na Paper School.
— Ei, Ed! — Oliver chamou, quando estavam quase saindo do ginásio.
Edward parou e olhou para trás.
— O quê?
Oliver deu um sorriso torto, o primeiro sinal de que seu humor estava voltando ao normal, apesar do rosto ainda um pouco corado.
— Você ainda tem aquele sabonete de menta na mochila? O gosto de chiclete dessa armadilha é horrível.
Edward revirou os olhos, mas não conseguiu conter o riso.
— Você é inacreditável, Oliver. Inacreditável.
